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Avaliação e Currículo - Resumo dos Temas 1 a 6

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‘padrão’ aceito como normal, e aqueles que não lhe são semelhantes, sempre foi 
bastante atribulado. 
Ao longo da história houve a necessidade de se construir um conjunto de leis que 
determinassem formas de convívio entre pessoas diferentes, étnica ou socialmente, 
ou com deficiência, e a sociedade. Isso quanto às questões legais referentes à escola, 
que regessem as relações entre esses indivíduos dentro da comunidade escolar. A 
adoção de políticas públicas e Ações Afirmativas, tanto nas relações étnico-raciais 
 
 
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quanto na diversidade em geral, vem apresentando um crescente aumento no 
cenário nacional, sendo um desafio para as práticas curriculares e para a adoção de 
políticas mais inclusivas. 
 
O Caso das Pessoas com Deficiência - Breve Histórico 
Na Antiguidade, as crianças com deficiência eram condenadas à eliminação e 
abandono. Quando apresentavam algum tipo de deficiência física, sensorial e mental, 
eram consideradas subumanas, já que a sociedade mantinha ideais de classe e beleza 
que regiam as relações entre os homens. As crianças que mantinham características 
físicas diferenciadas do restante da sociedade eram lançadas do alto dos rochedos ou 
abandonadas nas praças ou campos. 
Para Platão, “Quanto aos corpos de constituição doentia, não lhes prolongava a vida 
e os sofrimentos com tratamentos e purgações regradas, que poriam em condições de 
se reproduzirem em outros seres fadados, certamente, a serem iguais progenitores. 
[...] também que não deveria curar os que, por frágeis de compleição não podem 
chegar ao limite natural da vida, porque isso nem lhes é vantajoso a eles nem ao 
Estado”. (PLATÃO, 429-347 a.C.) 
Na Idade Média, a exemplo das curas e ideologias pregadas pelo Cristianismo, as 
deficiências foram menos rejeitadas porque eram combatidas em função dos 
desígnios de caridade cristã que pregavam a igualdade moral a todos os homens. 
Entretanto, a igualdade civil e de direitos não acompanhava esse movimento, e as 
pessoas com algum tipo de deficiência passaram a ser acolhidas caritativamente em 
conventos ou igrejas. As famílias que tinham algum integrante com alguma 
deficiência menos acentuada procuravam como resolução do problema a inserção da 
pessoa com deficiência em circos, onde serviam como palhaços ou para pequenos 
trabalhos menos valorizados. 
A Inquisição, na Idade Média, sacrificou pessoas com deficiência mental, adivinhos e 
hereges, embasados no manual nomeado “Malleus Malefcarum” (1482), que, 
segundo a crença cristã, era capaz de “diagnosticar” bruxas e feiticeiros, 
prescrevendo a tortura, a fogueira e o confisco de bens quando as pessoas não 
conseguiam responder a determinadas perguntas, ou davam respostas sem nexo 
quando interrogadas. 
 
 
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Na Idade Moderna, Paracelso e Cardano foram os primeiros a considerar a 
deficiência e seus portadores com complacência, dedicando seu tempo a oferecer-
lhes tratamento e preocupando-se com sua educação. 
John Locke, no século XVII, definiu o idiota igualmente ao recém-nascido 
comparando-os a uma “tábula rasa”, ou seja, alguém em ‘branco’ para o qual o 
comportamento é determinado pelo ambiente a partir do momento em que este lhe 
possibilita experiências. Desta forma, para esse estudioso, a aquisição das ideias se dá 
a partir da inserção de conhecimentos na mente vazia da criança. 
Também Foderé, no século XVIII, em sua obra “Tratado do bócio e do cretinismo”, 
pregava a ideia da hereditariedade da deficiência, em diferentes graus de retardo, 
argumentando em favor da segregação e da esterilização dos adultos lesados pelo 
bócio. 
Na Contemporaneidade, o educador francês Jean Marc Itard apresentou o primeiro 
programa sistemático de Educação Especial ao usar as pesquisas sobre Victor, uma 
criança selvagem encontrada em Aveyron, na França, em 1799. 
No dia 9 de janeiro daquele ano, uma estranha criatura surgiu dos bosques próximos 
ao povoado de SaintSerin, no sul da França. Apesar de andar em posição ereta, se 
assemelhava mais a um animal do que a um ser humano, porém, imediatamente foi 
identificado como um menino de uns 11 ou 12 anos. Ele não falava: emitia apenas 
estridentes e incompreensíveis grunhidos. Parecia carecer do sentido de higiene 
pessoal: fazia suas necessidades onde e quando lhe apetecia. Foi conduzido para a 
polícia local e, mais tarde, para um orfanato, de onde escapava constantemente. Era 
difícil voltar a capturá-lo. Negava-se a vestir-se e rasgava as roupas quando lhes 
punham. Nunca houve pais que o reclamassem. 
 
 
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Na mesma época, Phillippe Pinel dizia ser a idiotia uma deficiência biológica e não 
cultural, como pregava Itard. Da discordância destes dois, nasceu a problematização 
que reside até os dias atuais: os fatores biológicos e ambientais influenciam e 
dificultam a avaliação fidedigna da deficiência. 
A partir das pesquisas desses estudiosos, começaram a aparecer outras discussões 
sobre esse problema e a reabilitação dos deficientes, o que deu uma acelerada nos 
debates sobre formas de efetivar sua educação. 
Em 1840 surgem as primeiras escolas para crianças com deficiência mental, 
difundindo a ideia da educabilidade das crianças com esse tipo de deficiência. Na 
mesma época, Johann Heinrich Pestallozzi pregava que a instituição de Educação 
deveria ser base para a formação moral, política e religiosa da criança, e que o ensino 
escolar seria responsável pelo desenvolvimento da faculdade de conhecer, da 
aquisição de habilidades manuais e do desenvolvimento de atitudes e valores morais. 
Froebel, discípulo de Pestalozzi, criou então um sistema de Educação Especial que 
incorporava materiais e jogos específicos e eficazes, que podiam ser manuseados de 
forma simples, tornando desse modo o ensino mais produtivo a partir de um aspecto 
lúdico e concreto. 
 
As escolas Montessorianas surgem nessa época, com Maria Montessori, que, 
observando meninas e meninos em seu fazer escolar, percebeu que aprendiam 
melhor quando estimulados pelas experiências e descobertas. Essa educadora 
desenvolveu materiais didáticos com objetos simples e atraentes, projetados para 
estimular o raciocínio de todo e qualquer tipo de aprendizagem. 
No campo educacional brasileiro, de 1854 a 1956, algumas iniciativas oficiais e 
particulares isoladas começam a surgir. 
 
 
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Houve a criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos (atualmente Instituto 
Benjamin Constant) pelo Imperador Dom Pedro II (1840-1889), que mais tarde, em 
1857, funda também o Imperial Instituto de Surdos Mudos (atualmente Instituto 
Nacional de Educação de Surdos – INES), passando a atender surdos de todo o país, 
principalmente os abandonados pelas famílias. Em 1903, no Rio de Janeiro, é 
inaugurada a primeira Escola Especial para Crianças Anormais. 
 
Em 1960 surgem as APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), 
instituição de natureza filantrópica que oferecia atendimento aos casos mais graves 
de deficiência mental. Inicia-se, nessa época, o movimento sobre a educação popular, 
conhecido como “Educação para todos”. 
Enfim, no final do século XX, avanços importantes aconteceram para os indivíduos 
com deficiência, pela organização e enfrentamento dos problemas que iam surgindo 
e a conscientização dos direitos das pessoas com deficiência. 
 
A Questão da Dificuldade Auditiva e Visual 
A linguagem é a principal ferramenta de aprendizagem do ser humano. Ela é a base 
para o desenvolvimento cognitivo e a marca de identificação cultural, bem como

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