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Avaliação e Currículo - Resumo dos Temas 1 a 6

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consistia na aprendizagem 
de aritmética, geometria, astronomia e música, também chamadas de ’disciplinas 
superiores’, que tinham por objetivo principal proporcionar aos homens meios e 
métodos para o estudo e a compreensão da matéria. 
 
 
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4 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
 
Acreditava Capella (2004) que essas áreas seriam a base de uma educação mais 
refinada, por incluir saberes distintos, mas articulados, que demandariam o início do 
desaparecimento da ignorância humana, possibilitando a aquisição do 
conhecimento por partes até a sua completa totalidade, refinando a capacidade do 
indivíduo de produzir e perceber obras e ideias que elevassem o espírito humano, 
afastando-o das necessidades grotescas materiais em busca da ‘inteligência racional 
e livre’. 
Portanto, durante aquela época ocorreu uma formação da educação e da Paideia, ou 
seja, a redescoberta desta última. A disciplina ou virtude se faz necessária para a 
realização da formação educativa nestas artes em que, segundo o postulado da 
educação medieval e clássica, o intelecto deve ser desenvolvido pelas cinco virtudes 
intelectuais: a compreensão - captação intuitiva dos princípios primordiais 
(pensamento lógico e investigação lógica); a ciência - conhecimento das causas mais 
prováveis; a sabedoria - compreensão das causas fundamentais; a prudência - 
pensamento coerente relativo às ações, e a arte - pensamento aplicado à produção e à 
capacidade de produzir. 
Descartes também falou sobre a forma de aprender, que é o objeto do Currículo, 
quando descreveu o conhecimento a partir da metáfora da árvore (como na figura 
abaixo). 
 
 
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5 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
 
 
Sua posição se encontra nos Princípios da Filosofa, livro escrito em latim em 1644, 
que representa a Filosofa a partir do aprendizado do que é ‘útil à vida’. Para esse 
filósofo, a noção das coisas deve se dar a partir da aprendizagem prática e não 
especulativa, de forma a transformar e emancipar o sujeito que aprende. 
É a partir de 1920, mais precisamente a partir da Segunda Guerra Mundial, com o 
desenvolvimento da tecnologia inaugurada com a era industrial, que o Currículo 
passa a ser discutido a partir de sua hiperdisciplinarização, que, segundo Roberto 
Sidnei Macedo (2008, p. 34), vai ser a principal opção na organização dos currículos 
da modernidade. 
O Currículo na Escola – Considerações 
Comumente, o Currículo na escola é compreendido empiricamente como a ordenação 
ou organização das disciplinas, competências, habilidades e áreas (obrigatórias ou 
diversificadas) que compõem o rol do aprendizado que se espera e propõe para 
determinado ciclo escolar, sem, contudo, chegar a perceber as imbricações que se 
encontram no meio do caminho até que esse documento consiga dialogar com o 
espaço, o tempo e as necessidades daqueles que serão por ele regulados. Segundo os 
autores do Capítulo 1 do seu PLT (SANTOS, Edméa. Série Educação – Currículos - 
Teorias e Práticas. LTC, 07/2012), Roberto e Silvia Macedo, essa ‘não perspectiva’ de 
toda a dinâmica que envolve a construção de uma feição que compreenda o que 
 
 
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6 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
realmente se configura como Currículo é chamada de ‘atos de currículo’ (MACEDO, 
2011). 
 
Atos de currículo 
Envolvimento que se observa no ambiente das 
comunidades educativas e que, impulsionado por 
docentes, discentes e demais frequentadores desse 
tipo de comunidade (pais, funcionários e cidadãos 
envolvidos no processo educativo), vai atualizando e 
aperfeiçoando comumente toda a composição e 
tessitura desse tipo de documento educacional, sua 
concepção e prática. 
 
Dessa maneira, entenda que o Currículo se atualiza constantemente a partir do 
movimento desses atores (pais, funcionários e cidadãos envolvidos no processo 
educativo) e das perspectivas e características singulares de cada um desses 
segmentos que compõem a comunidade escolar. Por esses movimentos 
ininterruptos, realizados pelos atores que compõem diariamente o espetáculo que é a 
escola, é que se acredita sê-lo um ‘complexo cultural tecido por relações 
ideologicamente interessadas, organizadas e orientadas’. (SANTOS, 2012). Daí a 
necessidade de estarmos aqui discutindo, a fim de que você possa entender a 
imposição em perceber a presença da coletividade que rege a significação do conceito 
e dos objetivos do Currículo – tudo no ambiente curricular deve estar propenso a ser 
trans/reformado. Logo, os conteúdos e conceitos, que estão inseridos no Currículo, 
“são traduzidos, transpostos, deslocados, condensados, desdobrados, redefinidos, 
sofrem, enfim, um complexo e indeterminado processo de transformação” (SILVA, 
1999, p. 13). 
Dessa maneira, é urgente que se tenha um olhar mais abrangente sobre as 
especificidades do Currículo e as políticas que o regem, para perceber e entender os 
movimentos dos cenários socioeducativos em que esse tipo de instrumento é 
utilizado, a fim de construir, a partir das reflexões a respeito, concepções que 
descartem de vez a homogeneização e a generalização dos espaços do Currículo. 
As Teorias do Currículo – Breve Histórico 
Para o educador que se pretende crítico, a importância em discutir sobre as formas de 
abordagem e reflexões sobre o tema Currículo começa pelo entendimento do que se 
constituiu, ao longo do tempo, ser chamado de Teorias do Currículo. Você fará, a 
partir de agora, um passeio pela história das colaborações de autores que escreveram 
sobre o tema, bem como dos movimentos intelectuais e sociais que influenciaram 
essas teorias. 
Tomaremos como parâmetro para nossas reflexões e conhecimento a obra de Tomaz 
Tadeu (1999), que inicia as reflexões nessa área a partir da concepção de Currículo 
não como uma teoria, que se afirma engessada e imutável, mas sim como uma gama 
 
 
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7 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
de discursos que se sobrepõem uns aos outros a partir das concepções de cada 
comunidade em que aparecem, ou seja, todos são convidados à coautoria da 
(re)formulação dos conceitos e crenças que devem estar contidos nos currículos. 
A partir dessa nova ideia de reflexão pela utilização da ‘voz do outro’, você aprenderá 
o significado e os objetivos das teorias que trataram do tema até agora. 
Teorias Tradicionais 
O americano John Franklin Bobbitt, em princípios do século XX, nomeou de teorias 
técnicas um modelo de atitudes do currículo, cujo objetivo principal residia na 
aquisição de habilidades intelectuais pela associação de teorias e práticas puramente 
mecânicas, mero processo de memorização. Baseadas nos princípios tayloristas e nos 
paradigmas do cientificismo, o objetivo principal dessas teorias era igualar o sistema 
educacional ao modelo organizacional e administrativo das empresas, padronizando 
o trabalho, a divisão de tarefas, a produção em massa, enfim, impondo regras para a 
aprendizagem e o desenvolvimento produtivo que visualizava a perfeição pela 
repetição. 
Dessa forma, o currículo concentrava suas perspectivas na figura do professor, que 
era visto como o transmissor dos conhecimentos básicos necessários para a 
dinamização do trabalho em massa, que se configurava totalmente desprovido de 
perspectivas inovadoras e críticas, transformando os alunos em repetidores das 
fórmulas prontas já aprovadas por uma sociedade que encarava o aprender como 
uma atividade burocrática, necessária para a produção e para a ascensão social. 
 
Teorias Críticas 
Saídas da escola de Frankfurt, na Alemanha, defendidas por Max Horkheimer e 
Theodor Adorno, as Teorias Críticas argumentavam não existir neutralidade no 
ambiente escolar, crendo que a escola é a repetidora