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Avaliação e Currículo - Resumo dos Temas 1 a 6

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e legitimadora da desigualdade 
social instaurada pelas relações de poder impostas pelo movimento capitalista. 
Acreditavam esses autores alemães, e mais os franceses Pierre Bourdieu e Louis 
 
 
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8 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
Althusser, que a escola era o espaço perfeito utilizado pelas classes dominantes para 
a reprodução de um modelo societário baseado nas relações de poder, sendo 
responsável direta pela formação de alunos que abandonavam os estudos para o qual 
somente as classes dominantes estavam preparadas. 
Essas teorias enxergavam o currículo como ferramenta essencial, que mudaria essa 
situação de dominação, considerando-o um espaço cultural e social de luta pela 
liberdade de pensamento. 
 
 
Teorias Pós-Críticas 
Foi a partir da década de 70, com os estudos da fenomenologia e das proposições do 
pós-estruturalismo, que os ideais multiculturais questionadores da verdade absoluta 
ganharam força para garantir o aparecimento de teorias criticando o desvalor dado 
pela sociedade aos conhecimentos históricos e culturais de alguns grupos sociais, 
geralmente com relação a temas como raça, gênero, sexualidade e demais tópicos 
míticos que são vistos como estigmas culturais de diferenças entre as pessoas. 
Chegava a hora de garantir direitos igualitários a todos e preparar a inclusão social. 
Em relação ao currículo, as Teorias Pós-Críticas reprovavam o tradicionalismo 
preconceituoso estabelecido por uma sociedade patriarcal e pregavam a necessidade 
de aprender, ouvindo a ‘voz do outro’, a partir do estabelecimento de uma relação de 
respeito em busca das diferenças, passando a compreender que o que está posto hoje 
como ‘verdade’ é uma questão de perspectiva histórica que pode (e deve) ser 
modificada em tempos e espaços, adequando-se à sociedade que representa. 
Um Currículo para Cada Tempo 
Segundo Tomás Tadeu (1999), o ambiente escolar é onde se estabelecem mais 
amplamente as relações de poder, ou seja, é no ambiente da escola que podemos 
observar mais de perto e explicitamente as relações de imposição e domínio em 
 
 
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9 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
desfavor da resistência e da oposição. Questionar a natureza dos conhecimentos que 
compõem o Currículo é permitir a compreensão e o modo como essas relações entre 
saber e poder se dão. 
Portanto, é necessário a você, futuro professor, que saiba reconhecer e identificar os 
legados dessas vertentes teóricas que ainda se apresentam em maior ou menor 
número, reveladas nas reflexões sobre o tema Currículo. Esse é um importante 
exercício que nunca se finda em si mesmo, se pensarmos que a verdade está sendo 
construída a cada minuto em que se reflete sobre algo que se diz verdadeiro. 
Selecionar conteúdos que comporão o corpus de um Currículo implica em 
compreender interesses e valores sociais que nortearam essa seleção, implica em 
saber distinguir e discutir as formas utilizadas para a escolha de categorias 
pedagógicas e avaliativas, comporta conhecer detalhadamente a noção das culturas: 
popular, acadêmica, de massa, para, enfim, compreender de que modo esse contexto 
pedagógico todo pode estar (ou não) impregnado de dogmatismo ou liberdade. 
Nesse sentido, não se pode deixar de falar no mais atuante pedagogo brasileiro – Paulo 
Freire, que sempre se preocupou em manter e consolidar o elo entre os contextos 
existencial e social para a vida acadêmica dos alunos, ou seja, compreender e ajudar a 
compreender o sucesso e o fracasso escolares a partir de uma visão abrangente das 
determinantes desses resultados. Para Freire, é necessário que todos aprendam 
juntos, numa parceria afetiva e democrática entre professores e alunos, o que 
garantirá a noção freiriana de que ‘o sujeito da criação cultural não é individual, mas 
coletivo’. 
Podemos encerrar este Capítulo considerando que todo esse ‘passeio’ histórico pelas 
teorias e conceitos que nortearam os estudos e as discussões sobre o Currículo até 
agora, estão advertindo que há muito que discutir ainda. 
Quantas ideias e quantos princípios mais seriam possíveis para que esse longo 
caminho, em busca da igualdade do direito à educação para todos, venha a sair do 
plano do ideal para o real? Podemos realmente dizer que as análises e as considerações 
aqui iniciadas reconhecem o Currículo como uma ferramenta ainda impregnada 
pelos ideais de uma elite tradicionalista? Visualizamos, enfim, um final próximo? Se 
você respondeu não à última questão, então está no caminho certo: as discussões 
sobre a construção de um Currículo Pleno, que compartilhe ideais de liberdade e 
justiça para todos e em todos os tempos, ainda estão apenas começando. 
Talvez fosse melhor encerrarmos este capítulo com uma pergunta: que tipo de escola 
eu pretendo ter nessa sociedade que quero construir? 
 
 
 
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Terceiro Milênio: período compreendido entre primeiro de janeiro de 2001 e 31 de 
dezembro de 3000. 
 
Função distributiva: é a redistribuição de rendas realizada por meio das 
transferências, dos impostos e dos subsídios governamentais. Um bom exemplo é a 
destinação de parte dos recursos provenientes de tributação ao serviço público de 
saúde, serviço que é mais utilizado por indivíduos de menor renda. 
 
Propedêutica: palavra de origem grega que se refere ao ensino. Pode ser um curso ou 
parte de um curso de introdução de disciplinas nas áreas de artes, ciências, educação 
e outras. Pode ser entendida como um curso introdutório que supre a necessidade 
básica de conhecimento em um assunto, mas não dá capacidades profissionais. 
 
Filologia: ciência que tem por objetivo estudar uma língua, civilização, cultura ou a 
literatura em determinada posição histórica e para isso faz uso dos documentos 
escritos que são encontrados dentro do recorte escolhido. 
 
Retórica: técnica de uso da linguagem para se expressar bem e ser persuasivo. 
 
Dialética: arte do diálogo, arte de debater, de persuadir ou raciocinar. 
 
Paideia: termo do grego antigo, empregado para sintetizar a noção de educação na 
sociedade grega clássica. Inicial mente, a palavra (derivada de paidos (pedós) - 
criança) significava simplesmente “criação dos meninos”, ou seja, referia se à 
educação familiar, aos bons modos e princípios morais. Será na mesma Grécia que se 
inicia um modelo de edu cação com um sentido relativamente semelhante ao que se 
utiliza hoje. 
 
Postulado: sentença que não é provada ou demonstrada, por isso se torna óbvia ou se 
torna um consenso inicial para a aceitação de uma determinada teoria. O postulado 
não é, necessariamente, uma verdade muito clara, é uma expressão formal usada 
para deduzir algo, a fim de obter um resultado mais facilmente, através de um 
conjunto de sentenças. O postulado é uma proposição que, apesar de não ser evidente, 
é considerada verdadeira sem discussão. 
 
Hiperdisciplinarização: processo de retaliação, fragmentação do conhecimento, 
perda da visão da totalidade, da complexidade e pluralidade que compõem o 
universo. 
Imbricação: sobreposição, relação estreita entre elementos que se sobrepõem. 
Tessitura: organização, contexto. 
Taylorismo: concepção de produção, baseada em um método científco de 
organização do trabalho, desenvolvida pelo engenheiro americano Frederick W. 
Taylor (1856-1915). Em 1911, Taylor publicou “Os princípios da administração”, 
 
 
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11 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
obra na qual expôs seu método. A partir dessa concepção, o trabalho industrial foi 
fragmentado, pois cada trabalhador passou a exercer uma atividade específca no 
sistema industrial. A organização foi hierarquizada e sistematizada, e o tempo de