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Avaliação e Currículo - Resumo dos Temas 1 a 6

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produção passou a ser cronometrado. São características do Taylorismo: 
racionalização da produção; economia de mão de obra; aumento da produtividade no 
trabalho; corte de “gastos desnecessários de energia” e de “comportamentos 
supérfluos” por parte do trabalhador; acabar com qualquer desperdício de tempo. 
Fenomenologia: estudo de um conjunto de fenômenos e como se manifestam, seja 
através do tempo ou do espaço. É uma matéria que consiste em estudar a essência das 
coisas e como são percebidas no mundo. 
 
Tema 2 
Currículo: Redes Educativas, Abordagens e Experiências 
As perspectivas de mundo que se avolumam na sociedade em tempos de globalização 
nos forçam, como estudiosos da educação, a reparar que existem outros modos de 
observar os sentidos que damos ao ensino e à aprendizagem, ou seja, somos forçados 
a enxergar essa dinâmica ensinar-aprender a partir de uma visão contemporânea 
mais centrada na prática de passar o conhecimento, avaliando os saberes, a cultura e 
os valores que impregnam essa prática, bem como as estratégias utilizadas. 
O autor francês Certeau (1994, p. 142) apresenta-nos uma visão da educação do 
indivíduo mais centrada nessa transmissão de culturas, que considera a prática social 
como sendo autoria e significação do praticante, ou seja, ‘é preciso que essas práticas 
sociais tenham significado para aquele que as realiza’. 
Se levarmos em consideração a estrutura das relações sociais, veremos que as práticas 
rotineiras e cotidianas de ensinar e aprender acompanham regularmente certos 
dogmas e técnicas que se perpetuam, apresentando uma característica quase 
mecânica da vida em sociedade, que despreza a individualidade e uniformiza 
excessivamente as ações coletivas. 
Conceito de Cotidiano Escolar 
Para que você entenda melhor a relação tempo/espaço/cultura, conheça primeiro o 
conceito de cotidiano, já que todas as ações do ser humano estão centradas na 
repetição cotidiana que representa ao mesmo tempo o que já aprendeu e o que ainda 
espera aprender. 
Conceição Soares e Nilda Alves afirmam, no segundo Capítulo de seu PLT, que 
cotidianos podem ser representados pelos espaços/tempos em que as ações 
individuais do ser humano acontecem, ou seja, é o dia a dia em que as práticas sociais 
se sucedem, sejam elas políticas, econômicas ou culturais, que formam redes de 
significação e orientam nossas relações, pensamentos e ações numa dinâmica 
mutante e transitória. 
 
 
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12 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
É assim que aprendemos: conhecendo novas coisas, acomodando-as às antigas e 
assimilando o que de melhor deve ficar dessas relações culturais. 
O russo Vygotsky (1987) também destacou em seus estudos essa necessidade de 
atingirmos um determinado nível de entendimento do novo conceito e, somente aí, 
conseguir elaborá-lo em sua totalidade, ou seja, é na medida em que os conceitos mais 
espontâneos se mesclam aos conceitos mais elaborados que se dá a significação e o 
aprendizado em seus estágios mais complexos de abstração e generalização. 
Metáfora da Árvore e Metáfora da Rede 
Para que você entenda como se dão as relações entre o querer saber e o saber 
definitivo, é necessário que entenda o dinamismo das articulações e das 
interdependências que se instalam entre os seres humanos, inseridos em contextos 
diversos de relações sociais e culturais que se revelam frutos das interações de uns 
com outros, num trilhar conjunto de sujeitos históricos que constroem e se 
constroem entre si. 
No mundo pós-moderno, urge que se sintetizem as informações, recebidas e 
assimiladas rapidamente, já que aceleradas. 
Desta forma, é preciso que se criem possibilidades de síntese e entendimento, 
pautados na qualidade e na abrangência das informações, que darão sentido ao 
movimento de ensino e aprendizagem que se quer garantir. Verifique como são 
sintetizadas algumas ideias sobre as formas de aprender, que foram denominadas ao 
longo do tempo por Metáfora da Árvore e Metáfora da Rede. 
Metáfora da Árvore 
Ideias dicotomizadas, grupalização da sociedade, divisão em disciplinas que se inter-
relacionam e acabam sempre num ‘grande tronco’ de saber, “dominantes na 
sociedade moderna a partir da década de 50 do século XX”. Hierarquização, regulação 
e mediatização do saber. 
Veja o que nos fala dessa relação Descartes: 
“Assim toda a filosofia é como uma árvore, cujas raízes são formadas pela metafísica, 
o tronco pela física e os ramos que saem deste tronco, constituem todas as outras 
ciências que, afinal, se reduzem a três principais: a medicina, a mecânica e a moral 
[...]”. DESCARTES,1983 
Também Foucault nos imprime uma descrição perfeita de como funcionaria uma 
escola com as possibilidades seguidoras da metáfora da árvore: 
Haverá em todas as salas de aula lugares determinados para todos os escolares de 
todas as classes, de maneira que todos os da mesma classe sejam colocados num 
mesmo lugar e sempre fixo. Os escolares das lições mais adiantadas serão colocados 
nos bancos mais próximos da parede e em seguida os outros segundo a ordem das 
lições avançando para o meio da sala... Cada um dos alunos terá seu lugar marcado e 
 
 
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13 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
nenhum o deixará nem trocará sem a ordem e o consentimento do inspetor das 
escolas. [Será preciso fazer com que] aqueles cujos pais são negligentes e têm piolhos 
fiquem separados dos que são limpos e não os têm; que um escolar leviano e distraído 
seja colocado entre dois bem-comportados e ajuizados, que o libertino ou fique 
sozinho ou entre dois piedosos. FOUCAULT, 1979 
Metáfora da Rede 
Construção de práticas que implica em ações de natureza política, pedagógica e social, 
que se apresenta como uma rede, com conexões tecidas pela interação entre os 
sujeitos aprendizes, repletas de movimento, que são elaborados e depois reelaborados 
à procura de saberes implícitos e mutáveis. Esse movimento de reelaboração de 
conceitos, rápido e qualitativo, é que nos garante humanidade na (re)criação de 
conceitos e valores, a partir da colaboração, do compromisso social e da democracia 
na educação, numa tessitura de redes de conhecimentos compartilhados, que 
garantirá emancipação e liberdade. 
Os conceitos não ficam guardados na mente da criança como ervilhas num saco, sem 
qualquer vínculo que os una. Se assim fosse, nenhuma operação intelectual que 
exigisse coordenação de pensamento seria possível, assim como nenhuma concepção 
geral do mundo. Nem mesmo poderiam existir conceitos isolados enquanto tais; a 
sua própria natureza pressupõe um sistema. (VIGOTSKY, 1987, p. 95) 
Currículo construído – tipos de Currículo 
Currículo construído é a tendência de organizar as disciplinas e conteúdos teóricos, 
classificando-os como necessários para o desenvolvimento de certas habilidades e 
competências. Essas disciplinas e conteúdos adquirem status de superiores em 
relação aos conhecimentos práticos. A partir dessa organização burocrática, ao 
mesmo tempo linear e hierarquizada, dá-se a subordinação do ‘compreender’ pelo 
‘saber’, mais voltado para o mercado de trabalho. 
Conheça os tipos de currículos que contêm a cultura dos conhecimentos herdados e 
organizados na escola: 
 Currículo real: interações que se realizam diariamente na sala de aula, 
efetivadas pela relação professor/aluno, com vistas à ação do professor, ao projeto 
pedagógico e ao plano de ensino. Efetiva-se e comprova-se no planejamento da 
aula. 
 Currículo oculto: aprendizado espontâneo de práticas que se efetivam pela 
convivência entre alunos e professores, mediado pela