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Avaliação e Currículo - Resumo dos Temas 1 a 6

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cultura e pelas experiências 
individuais pressupostas nas práticas, percepções e atitudes de todos da 
comunidade escolar. Efetiva-se nos comportamentos e experiências dos 
envolvidos no processo. 
 Currículo prescrito: prescrição, organização e orientação de conteúdos e 
valores para a instituição escolar. Elaborado pelos órgãos político-
 
 
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administrativos ou pelas secretarias de Educação de municípios, estados e 
federação. 
Quem produz saber? Conhecimento acadêmico e senso comum 
Afinal, quem está autorizado a produzir conhecimento? Podem ser reconhecidos 
como produtores de conhecimento aqueles que, pela sua autoridade social, recebem 
crédito pelo tempo passado em processos formais da escola e da academia, ou seja, 
um “crédito, [...] poder concebido àqueles que obtiveram reconhecimento suficiente 
para estar em uma posição de impor reconhecimento” (BOURDIEU, 1989, p. 23). 
Geralmente, esse tipo de pessoa está posicionado bem acima do homem comum, 
separado por uma barreira invisível de imposições socioculturais. 
O que se entende por ‘homem comum’ é o conceito de um indivíduo que não domina, 
ou domina precariamente a linguagem escrita, utilizando-se mais da linguagem 
coloquial e oral, sem conseguir expressar-se com a habilidade prevista por padrões e 
regras impostas e de aceitação oficial. Mesmo aquele que possui capital suficiente 
gerador de influência, apresenta-se submisso ao conhecimento formal, que 
comumente lhe soa estranho, devido à sua incapacidade de manipular as técnicas e 
as ferramentas que geralmente são utilizadas pelos ‘homens de saber’. 
Parece excludente? E é! Entretanto, essa é a verdade de um contexto social do qual 
todos fazemos parte: os homens comuns e o seu saber encontram-se afastados da 
produção do conhecimento, limitando-se a recebê-lo, sendo mero receptáculo do 
conhecimento formalizado. Dessa forma, resta-lhe o contato com o ‘produto final’, na 
posição de marginalização, como diz Certeau: 
...a figura atual de uma marginalidade não é mais a de pequenos grupos, mas uma 
marginalidade de massa; atividade cultural dos não produtores de cultura, uma 
atividade não assinada, não legível, mas simbolizada, e que é a única possível a todos 
aqueles que no entanto pagam, comprando-os, os produtos-espetáculos onde se 
soletra uma economia produtivista. Ela se universaliza. Essa marginalidade se tornou 
maioria silenciosa. (CERTEAU, p. 43) 
De acordo com esse contexto, vamos refletir: a decisão na contemporaneidade reside 
na questão ‘o que deve ser transmitido?’. Note que para que ocorra desenvolvimento 
cultural, o ser humano necessita interagir com os processos de aprendizagem e com 
a sociedade em que vive. As crianças, por exemplo, expostas a situações 
determinantes de valores, comportamentos e costumes, formam e ampliam sua 
cultura, desenvolvendo sua consciência e pensamentos, num processo de 
aprendizagem que as distingue entre si. É o ambiente educativo que oferece melhor 
as oportunidades onde esse desenvolvimento ocorrerá, oferecendo escolhas, 
perspectivas e parâmetros para a formação de um ser crítico, participante e ativo. 
Disciplinaridade – ordenação linear do currículo 
A escola contemporânea articula, de variadas formas, saberes que são incorporados 
nas disciplinas de modo fragmentado, a fim de conferir alguma integração e com o 
 
 
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intuito de não entendermos o conhecimento como uma cômoda e suas gavetas, em 
cada qual há um pouquinho de tudo. Veja de que forma, ao longo do tempo, a escola 
institui abordagens para a construção do conhecimento e conheça suas 
características. 
Multidisciplinaridade: 
 Pouca integração entre as disciplinas. 
 Pouca cooperação entre os alunos. 
 Disciplinas estanques em si mesmas. 
 Presente na organização curricular (principalmente nas séries finais do Ensino 
Fundamental). 
 Segmentação de saberes a partir de dias e horários (grade curricular). 
 Sobreposição de disciplinas. 
 Falta de comunicação com outros saberes, o que limita a aprendizagem 
significativa. 
 
Modelo de abordagem multidisciplinar: 
 
Pluridisciplinaridade 
 Troca de informações. 
 Acúmulo de conhecimentos. 
 Igualdade entre as disciplinas da mesma área (fim da hierarquia). 
 Não há compartilhamento de conceitos, métodos e objetivos. 
 Aproximação e articulação entre as disciplinas, por meio de projetos e temas 
geradores. 
 Justaposição de disciplinas. 
 Cooperação entre as disciplinas, a fim de que cada uma entenda e necessite dos 
saberes da outra. 
 
 
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Interdisciplinaridade 
 Interação entre as disciplinas em áreas significativas. 
 Qualidade nas relações de trocas entre as disciplinas. 
 Questões contextualizadas que transcendem os conhecimentos de uma só 
disciplina. 
 Aprendizagem próxima da realidade do aluno. 
 Diálogo entre as disciplinas em busca de uma solução comum a um problema. 
 Fragmentação – surgimento de novas disciplinas a partir das antigas. 
Modelo de projeto interdisciplinar: 
 
Transdisciplinaridade 
 Nível superior da Interdisciplinaridade. 
 Coordenação da lógica de um conhecimento que permite livre trânsito de um 
campo de saber para outro campo de saber. 
 Superação dos limites das disciplinas, religando-as novamente. 
 Supera a fragmentação dos saberes – desaparecem os limites entre as 
disciplinas. 
 Pouco comum na realidade prática escolar. 
 Introdução dos Temas Transversais: áreas do conhecimento que ultrapassam 
as áreas convencionais, reforçando seus objetivos. São definidos de acordo com a 
necessidade da comunidade escolar, apresentando temas como Ética, Meio 
 
 
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Ambiente, Pluralidade Cultural e Orientação Sexual, entre outros, que podem ser 
especificados de acordo com o contexto escolar. 
 
Multirreferencialidade 
 Complexidade próxima da realidade e das práticas sociais. 
 Diversas leituras a partir da qualidade do ‘saber olhar’. 
 Desafia os espaços formais da aprendizagem. 
 Construção do conhecimento a partir de atividades culturais, esportivas, 
artísticas, religiosas, presenciais ou à distância, com relevância social. 
 Diálogo entre as ciências pós-modernas – articulação de saberes – valorização 
do senso comum. 
 Tradução do senso comum em ‘sabedoria de vida’. 
 Construção de novos espaços de aprendizagem ‘em rede’, que vão além dos 
muros da escola. 
 Construção de novas metáforas. 
 Rompimento com o Currículo Linear – uso de rizomas. 
 
 
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Metáfora do Rizoma – Cadeias Semióticas 
A metáfora do rizoma, na Educação, sugere um aprendizado de idas e vindas em 
busca do conhecimento, sem que se possa perceber onde está o começo ou o fim das 
relações não lineares que são sua característica principal. 
Desse modo, podemos entender o rizoma na educação como sendo as cadeias que se 
instauram a partir de um conhecimento antigo e que, aleatoriamente, vão formando 
outros elos com o conhecimento adquirido, num incessante vai e vem que pressupõe 
escolhas e entendimentos. 
Você deve estar se questionando: isso se parece um pouco com a internet, procura de 
algo no Google ou em outro site de busca, não é? E é exatamente isso – um trabalho 
em rede. Não significa de maneira alguma um fato novo na educação, mas a 
descoberta de que quando aprendemos, implicitamente, vamos construindo ‘teias’ 
que nos ligam a outros conhecimentos que estão explícitos ou não, que estão 
embutidos ou dispersos ou que são similares ou divergentes de