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Avaliação e Currículo - Resumo dos Temas 1 a 6

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medida tornou-se a 
principal forma de assistência infantil nos séculos XVIII e XIX. Nesses ambientes, a 
higiene era precária e a alimentação das crianças órfãs ficava muitas vezes a cargo 
das nutrizes, que vendiam seu leite. A maioria das crianças morria antes de completar 
um ano, por isso, “ser colocado na Roda era como uma condenação à morte” 
(VENÂNCIO, 1999, p.110). 
 
A Pré-Escola no Brasil 
De 1900 a 1930, as fábricas brasileiras utilizavam-se bastante da mão de obra 
estrangeira e, por isso, concediam alguns benefícios aos seus empregados. Dessa 
maneira, surgiram algumas vilas, creches e escolas maternais. Essas instituições 
faziam parte de uma política assistencialista que visava guardar, higienizar, 
controlar e moralizar a classe mais pobre, dentro de normas e regras que tinham 
como principal objetivo manter a higiene. Destinavam-se aos filhos da classe 
trabalhadora, que necessitava trabalhar. Os jardins de infância, também presentes 
desde essa época, tinham propósitos diferentes: o desenvolvimento das 
potencialidades infantis era mais respeitado e patrocinado por um ambiente mais 
rico em estímulos do que as creches. Nas salas de aulas, os materiais a que as crianças 
eram expostas também tiveram um crescimento importante, passando a ser 
planejados, a fim de despertar para as pequenas experiências de aprendizagem. A 
classe mais abastada não necessitava desse tipo de atendimento, já que a estrutura 
 
 
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29 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
familiar era composta de um pai que trabalhava para garantir o sustento e uma mãe 
que atendia à casa e aos filhos. 
O Departamento da Criança, criado em 1919, foi a primeira instituição 
governamental brasileira a tratar mais assiduamente dos problemas da infância. Em 
1922 foi realizado o primeiro Congresso Brasileiro de Proteção à Infância e, após 
1922, começaram a aparecer as primeiras leis sobre o atendimento infantil, com o 
movimento de renovação pedagógica, conhecido como escalovinismo, mas os 
estudos ainda eram voltados para as crianças das camadas sociais mais favorecidas. 
Em 1940 foi criado o Departamento Nacional da Criança, no Ministério da Educação 
e Saúde, que começou a discutir a mortalidade infantil e as condições econômicas da 
família. 
 
CRIANÇAS NAS CRECHES ANTIGAS 
Estudos começaram a ser realizados para aprimorar modelos de creches, parques 
infantis, escolas maternais, jardins de infância e classes pré-primárias. Com o 
crescente ingresso da mulher no mercado de trabalho, ocorreu também o aumento 
pela procura de instituições de atendimento às crianças. Nessa época, a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 1961, incluiu os maternais, 
jardins de infância e pré-escolas no sistema de ensino regular brasileiro. 
A partir de 1970,o aumento das vagas da pré-escola passou a acontecer nos 
municípios, sendo que nas escolas das redes estaduais começaram a diminuir. Em 
1972, já havia 460 mil matrículas na pré-escola em todo país, o que era visto como 
dever do Estado. 
Lutas pela democratização da escola pública, somadas a pressões de movimentos 
feministas e de movimentos sociais de lutas por creches, possibilitaram a conquista, 
na Constituição de 1988, do reconhecimento da educação em creches e pré-escolas 
como um direito da criança e um dever do Estado a ser cumprido nos sistemas de 
ensino. (OLIVEIRA,2002, p.115) 
A educação nessa época direcionava seus objetivos à compensação de carências 
culturais, defasagens linguísticas e afetivas das crianças das camadas mais 
populares. Recebiam também uma educação que tinha como objetivo perpetuar as 
correntes de pensamento empiristas e comportamentalistas, que difundiam uma 
 
 
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30 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
ideologia do autoritarismo, do silêncio e do condicionamento, mais voltada para as 
reações do sujeito frente aos estímulos do meio. 
Nas décadas de 80 e 90 surgem os programas de televisão infantis que apresentam 
programação pedagógica e proporcionaram um grande salto na evolução da 
educação infantil. O Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990, foi um exemplo 
dessa evolução. Novas ideias e concepções na Educação em geral e, especificamente, 
na Educação Infantil surgiram com a Lei de Diretrizes e Bases – LDB, que estabeleceu 
a Educação Infantil como etapa inicial da educação básica e registrou-se como um 
marco na Educação brasileira por incluir crianças de 0 a 6 anos no atendimento 
público obrigatório, dentre outras conquistas. 
 
CAPA DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA 
A Organização do Currículo 
É importante que você reflita sobre os processos de ensino e aprendizagem que, ao 
longo do tempo, juntamente com as propostas pedagógicas e os currículos, foram 
sendo desenvolvidos com vistas à obrigatoriedade e com poucas opções de mudança. 
Também a avaliação, desde muito tempo, tem sido marcada por essa didática da 
obrigação, que separa incondicionalmente os que aprendem dos que não aprendem, 
numa seleção constante embutida no discurso de igualdade de oportunidades. Todos 
esses elementos pertencem à cadeia linear com que a escola encara o ensino e a 
aprendizagem de conhecimentos: planejamento, aula, avaliação, resultado – esse 
currículo elaborado há tempos ainda permanece intacto dentro dos muros da escola. 
Para que possamos pensar em outras alternativas curriculares mais voltadas para um 
aprendizado em rede, que se importe com as experiências de seus professores e com 
a bagagem de seus alunos, é preciso reconhecer o direito dos profissionais, sua 
formação, bem como refletir sobre a prática social que se pretende. 
"Os currículos das escolas infantis na sua grande maioria têm se pautado pelas 
'rotinas' prescritivas e cristalizadas, onde até o brinquedo tem um dia da semana para 
ser contemplado. [...] Fica difícil crer que as crianças, submetidas a essas rotinas, 
tempos e espaços, serão capazes de produzir cultura, de criar ou de apropriar-se do 
conhecimento produzido pela humanidade transcendendo-o e dando-lhe outros 
significados." (BARBOSA. 2007. p. 91) 
 
 
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31 Anhanguera - Pedagogia – Avaliação e Currículo 
É necessário que as crianças brinquem, que aprendam a partir das experiências, que 
a aprendizagem seja significativa e produza cultura diferenciada, crítica e 
humanitária. 
A Brincadeira na Educação Infantil 
Propostas curriculares que contemplem o respeito à brincadeira e ao espaço de 
brincar na Educação Infantil fazem com que a aprendizagem se dê de forma 
diversificada, independente, despertando as emoções e os sentimentos e ensinando, 
ao mesmo tempo, normas, valores e regras sociais. 
A partir da brincadeira como forma lúdica de aprendizagem, a criança é levada a 
sensações e emoções fundamentais para o seu desenvolvimento, pois é a partir do 
lúdico que a criança pode começar a formar sua personalidade e aprender a lidar com 
as coisas do mundo. É pela brincadeira que se dá mais facilmente o desenvolvimento 
infantil, já que ela serve para auxiliar o processo de aprendizagem, ajudando a criança 
na reconstrução da realidade e no desenvolvimento de sua maneira de pensar. 
 
CRIANÇAS BRINCANDO NAS CRECHES 
Sobre essa questão do brincar, veja o que diz o Referencial Curricular Nacional para a 
Educação Infantil (RCN): 
A criança é um ser social que nasce com capacidades afetivas, emocionais e 
cognitivas. Tem desejo de estar próxima às pessoas e é capaz de interagir e aprender 
com elas de forma que possa compreender e influenciar seu ambiente. Ampliando 
suas relações sociais, interações e formas de comunicação, as crianças sentem-se 
cada vez mais seguras para se expressar