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CITOLOGIA ONCÓTICA

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menstrual em que se encontram. Estão situados na cavidade pélvica, um 
a cada lado do útero, e interligados pelas trompas uterinas. São responsáveis pela produção dos hormônios 
sexuais femininos (progesterona e estrógeno), assim como pela produção do gameta feminino. 
 Os ovários são revestidos por um epitélio simples cúbico intercalado com áreas de epitélio 
pavimentoso. A túnica albugínea fi ca logo abaixo deste epitélio e se caracteriza pela presença de tecido 
conjuntivo denso sem vasos, pois são nessas estruturas medulares e corticais que encontramos as células 
intersticiais, ou de Leydig, responsáveis pela produção dos hormônios sexuais através dos estímulos das 
gonadotrofi nas. 
 A região medular do ovário é formada por tecido conjuntivo frouxo, vasos sanguíneos e células 
hilares (intersticiais); e a região cortical é rica em folículos ovarianos (ovócitos), corpo-lúteo e células 
intersticiais.
 As alterações ovarianas durante o ciclo sexual dependem dos hormônios gonadotrópicos, FSH e 
LH. Os ovários que não são estimulados por esses hormônios permanecem inativos, assim como acontece 
na infância, quando quase nenhum hormônio é secretado. 
Figura 4 - Diferenças entre o ovário jovem(1) e o maduro(2).
 As mulheres já nascem com seu total de folículos definidos, já na fase embrionária. Ao chegar à 
menarca apresentam cerca de 400 mil folículos nos dois ovários, porém com o decorrer do tempo eles vão 
entrando em um processo de morte celular programada (apoptose), denominada de atresia folicular. 
 A cada ciclo menstrual, cerca de 1.000 folículos são recrutados para amadurecimento, porém, em 
geral, apenas um ovócito é liberado a cada ciclo, e os outros demais se degeneram. Com o decorrer da 
idade ocorre um esgotamento progressivo dos folículos ovarianos.
 Na mulher com ciclo menstrual normal de 28 dias, a ovulação acontece no 14° dia após o início da 
menstruação, caracterizando o período fértil. Depois da ovulação o folículo se transforma em corpo-lúteo, 
o que impede que ocorra uma nova ovulação.
diminuição do FSH
(1)
(2)
Tuba uterina
Baixo estoque
de folículos
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Caderno de Referência 1
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Figura 5 - Aspectos histológicos do ovário.
 As tubas uterinas são as estruturas que ligam o útero aos ovários, através das fímbrias. Podem ser 
divididas em quatro partes: a intramural, o istmo, a ampola e o infundíbulo. Suas paredes são constituídas 
por três camadas — a mucosa, a muscular e a serosa —, que irão promover sua função de captar o ovócito 
liberado pelo ovário e conduzi-lo na direção do útero.
Figura 6 - Anatomia das tubas uterinas.
 O útero é o órgão responsável por receber o óvulo fecundado, nutri-lo e protegê-lo para que o feto 
se desenvolva adequadamente.
 Estruturalmente o útero é formado por três camadas: a mais interna, ou endométrio, que é revestida 
por uma mucosa responsável pela produção do muco; a média, ou miométrio, que é formada por uma 
espessa parede, rica em fi bras musculares lisas e em fi bras colágenas; e a mais externa, ou perimétrio, que 
é uma camada serosa.
 De acordo com o estímulo hormonal proporcionado pelos hormônios ovarianos, o endométrio 
varia de forma, isto é, na ausência ou diminuição da atividade hormonal, essa camada vai se encontrar 
fi na e atrofi ada, e em grande atividade hormonal, passa a fi car desenvolvida com modifi cações cíclicas de 
acordo com a fase do ciclo menstrual em que se encontra. Temos três fases endometriais: a proliferativa, 
a secretora e a menstrual. Este enfoque será melhor avaliado e detalhado no Capítulo 4.
-
a b
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 Internamente, o útero é um órgão oco, fi bromuscular, e suas dimensões variam de acordo com a 
idade, estimulação hormonal e o número de gestações. É dividido em:
 
 • Corpo do útero, região que demonstra maior volume e apresenta forma triangular. 
 • Colo do útero, região mais estreita, em forma de canal, conhecida como canal cervical, ou cérvice.
 • Istmo do útero, que é a região que se encontra na parte inferior do corpo do útero.
 • Fundo do útero, região que fi ca acima do eixo que liga as duas implantações das tubas uterinas.
Tuba uterina
Figura 7 - Estrutura do útero.
 O colo uterino é delimitado por dois orifícios conhecidos como: óstio interno, que fi ca em contato 
com o istmo do útero; e o óstio externo, que se liga com o canal vaginal.
Colo do Útero
visão do examinador(interior) do colo do útero
Figura 8 - Anatomia do colo do útero.
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Caderno de Referência 1
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 A parede do colo do útero é formada por duas camadas, sendo elas: a endocérvice e a ectocérvice. 
A endocérvice é uma camada mucosa, constituída por um epitélio colunar simples mucossecretor, que 
é responsável pela produção do muco cervical; e a ectocérvice é constituída por um epitélio escamoso 
estratifi cado não queratinizado, que se assemelha ao da vagina. A ligação da ectocérvice e da endocérvice 
recebe o nome de junção escamocolunar (JEC), podendo ter sua localização modifi cada de acordo com o 
estado hormonal, gestacional, parto vaginal e/ou trauma.
 A vagina é um órgão tubular musculomembranoso, que se estende do óstio externo do útero até 
o vestíbulo da genitália externa, com comprimento que varia de 7 a 9 cm. Tem como funções permitir a 
passagem do feto durante o parto, a descamação do sangue do fluxo menstrual mensal e a penetração do 
pênis na relação sexual. 
 Estruturalmente é constituída por uma parede formada por três camadas: a mucosa, a muscular e 
a adventícia.
 O clitóris, bulbo do vestíbulo e as glândulas anexas são estruturas acessórias que compõem o 
sistema genital feminino e são de fundamental importância na sexualidade feminina e na produção das 
secreções mucocervicais.
a b
Figura 9 - Citologia (a) e anatomia normal (b) do colo uterino.
b
Figura 10 a e b - Histologia do colo uterino: epitélio colunar simples mucossecretor ( seta 
verde) e junção escamocolunar (JEC).
a
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2 Procedimentos técnicos e 
laboratoriais
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2.1 Indicações e periodicidade do exame de Papanicolaou
 A realização periódica do exame citopatológico continua sendo a estratégia mais adotada e mais 
efi ciente no rastreamento do câncer do colo do útero. É aconselhável a realização do exame de Papanicolaou 
a partir do início da atividade sexual. Contudo, no âmbito da saúde pública, considerando principalmente 
a questão do custo-benefício, há regulamentações específi cas. De acordo com as Diretrizes Brasileiras 
para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero pelo MS/Inca, de 2011, o exame deve ser priorizado 
para mulheres com atividade sexual e idade entre 25 e 60 anos. 
 Quanto à periodicidade, é indicada a sua realização anual, e após dois exames anuais com resultados 
negativos, a cada três anos. Essa recomendação é baseada na história natural do câncer de colo do útero, 
que apresenta uma evolução lenta, o que permite a detecção precoce das lesões pré-cancerosas e o seu 
tratamento efetivo, com margem ampla de segurança para a paciente.
 A partir dos 64 anos de idade, a realização do exame de Papanicolaou pode ser interrompida, 
desde que a mulher tenha dois resultados citológicos negativos consecutivos nos últimos cinco anos. Para 
mulheres com mais de 64 anos de idade e que nunca foram avaliadas através do exame citopatológico, 
é necessário realizar dois exames com intervalo de um a três anos. Se ambos forem negativos, essas 
mulheres podem ser dispensadas de exames adicionais.
 Em pacientes que apresentam lesões pré-cancerosas, o seguimento citológico será semestral. Após 
o tratamento da lesão e depois de dois exames citológicos com resultados negativos, a paciente passa a 
realizar o teste de Papanicolaou a intervalos anuais, a cada três anos.
2.2 Procedimentos técnicos