A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
194 pág.
CITOLOGIA ONCÓTICA

Pré-visualização | Página 5 de 49

e laboratoriais
 
 Normas de colheita das amostras cervicovaginais
 As seguintes orientações devem ser fornecidas às pacientes antes da colheita das amostras citológicas:
• Não estar menstruada.
• Não realizar duchas vaginais e não usar drogas intravaginais (creme, óvulo) nas 48 horas que 
antecedem o exame.
• Abstinência sexual nas 48 horas que antecedem o exame.
Figura 11 - Contaminação dos esfregaços cervicovaginais.
a - Creme vaginal. Papanicolaou, 100x. Observar as condensações de substância basofílica (setas) 
correspondendo a creme vaginal antimicótico utlizado pela paciente no mesmo dia da colheita 
da amostra citológica. Esse material pode obscurecer todo o esfregaço impossibilitando o estudo 
citológico, sendo classifi cado então como insatisfatório para a avaliação.
b - Numerosos espermatozoides. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. O encontro de nu-
merosos espermatozoides bem preservados indica que não houve abstinência sexual nas 48 horas 
que antecederam o exame. Quando os espermatozoides estão degenerados podem perder a cau-
da, tornando mais difícil a sua diferenciação com esporos de fungos (Candida sp.).
a b
2 Procedimentos Técnicos e Laboratoriais
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 
Livro 1_OK.indd 21 14/08/12 00:53
22
Caderno de Referência 1
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • 
 Deve ser assinalado que os esfregaços citológicos encaminhados por outros serviços devem ser 
acompanhados pela ficha de solicitação do exame. No laboratório, ainda na recepção, as amostras devem 
ser rejeitadas e devidamente notificadas em casos de: ausência ou erro na identificação da lâmina e/ou do 
frasco, identificação da lâmina e/ou do frasco não coincidente com a do formulário, lâmina danificada ou 
ausente.
2.3 Preenchimento de ficha da paciente
 Antes da colheita das amostras citológicas é fundamental o preenchimento de ficha com os dados 
da paciente, que incluem: 
• Dados pessoais: nome completo, idade, endereço, telefone e número do documento de 
identificação se corresponder a exame do SUS.
• Dados do médico que solicitou o exame: nome completo e telefone. No caso de exame do SUS, 
às vezes só há a identificação do profissional que colheu a amostra citológica, devendo constar na 
requisição do exame.
• Dados clínicos da paciente.
 - Data da última menstruação
 - Paridade
 - Queixas clínicas, especialmente sangramento vaginal anormal
 - Uso de contraceptivos
 - Referência a terapia de reposição hormonal
 - Data do último exame preventivo
 - Resultados de exames citopatológicos e histopatológicos do colo/vagina prévios
 - Procedimentos terapêuticos anteriores (cauterização, cirurgia, quimio e/ou radioterapia) 
• Dados macroscópicos da vagina/colo e colposcópicos se forem disponíveis.
2.4 Colheita das amostras citológicas
 Antes da colheita, devem ser disponibilizadas lâminas de vidro identificadas com as iniciais e/
ou número de registro da paciente (extremidade fosca da lâmina), previamente limpas e desengorduradas 
com gaze umedecida com álcool. Ainda são necessárias espátula de Ayre para a colheita das amostras 
da ectocérvice e da vagina através de “raspados” e escovinha para a colheita da endocérvice. Devem ser 
acessíveis ainda tubos de plástico contendo etanol a 95% para acondicionar os esfregaços e obter a sua 
fixação imediata. 
 A chamada colheita tríplice foi preconizada há longos anos e ainda é utilizada em muitos serviços. 
Nesta modalidade de colheita, as amostras obtidas do fundo de saco posterior da vagina, da ectocérvice 
e da endocérvice são distribuídas na mesma lâmina. As vantagens da técnica compreendem o seu baixo 
custo, a rapidez da avaliação microscópica e a sua efetividade diagnóstica. Contudo, é necessário um 
treinamento adequado para garantir a boa qualidade dos espécimes, evitando artefatos de esmagamento e 
dessecação do material. 
 A colheita do fundo de saco posterior da vagina é particularmente importante nas mulheres peri 
e pós-menopausadas, uma vez que o fundo de saco vaginal pode ser um reservatório de células malignas 
originadas especialmente de tumores do endométrio, do ovário e das trompas. Por outro lado, a colheita 
vaginal é também de interesse para a identificação de micro-organismos patogênicos. 
Apesar das vantagens atribuídas à colheita tríplice, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda 
apenas a colheita dupla (ectocérvice e endocérvice), uma vez que o objetivo do exame é o rastreio das 
lesões pré-cancerosas do colo. 
Livro 1_OK.indd 22 14/08/12 00:53
23
Figura 12 - Etapas da colheita tríplice de amostras cervicovaginais.
a - Colheita do fundo de saco posterior da vagina.
b - Colheita da ectocérvice. 
c - Colheita da endocérvice.
a b c
2 Procedimentos Técnicos e Laboratoriais
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 
 O espéculo vaginal sem lubrifi cante (para evitar contaminação da amostra) é introduzido para a 
visualização do colo. Depois de remover com algodão o excesso de muco, secreção ou sangue, a espátula 
de Ayre é apoiada no canal endocervical, sendo executado um raspado na junção escamocolunar (JEC) 
através de movimento de rotação de 360º. A amostra do fundo de saco posterior da vagina também é 
obtida através de raspado, com a extremidade romba da espátula de Ayre. A espátula é deixada em repouso 
sobre o espéculo e imediatamente é realizada a colheita do material endocervical. A escovinha designada 
especialmente para essa fi nalidade é inserida através do orifício cervical externo, sendo executada uma 
rotação completa no canal que pode ser fi nalizada com um movimento de vai e vem, com cuidado para 
não traumatizar a mucosa, evitando sangramento. 
Figura 13- Colheita das amostras citológicas da ectocérvice e da endocérvice.
a - Rotação da espátula de Ayre para a colheita de material da ectocérvice. 
b - Escovinha introduzida no orifício cervical externo para a colheita do espécime da mucosa endocervical. 
Fotos gentilmente cedidas por Dra. Audiclere de Sousa Silva, especialista em colposcopia.
ba
 Há maior difi culdade na colheita das amostras em mulheres pós-menopausadas devido ao desse-
camento das mucosas pela diminuição fi siológica das secreções glandulares. Neste caso, o esfregaço pode 
conter escassa celularidade e alterações degenerativas concomitantes, devendo ser categorizada como in-
satisfatória para a avaliação. O uso vaginal de estrógenos conjugados ou estriol, com repetição do exame 
citológico sete dias depois da interrupção do tratamento é aconselhável, fornecendo geralmente amostra 
de boa qualidade, com celularidade representativa. 
Livro 1_OK.indd 23 14/08/12 00:53
24
Caderno de Referência 1
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • 
Figura 14 - Modelo recomendado para a distribuição das 
amostras citológicas na lâmina de vidro.
a - Distribuição da amostra da endocérvice. 
b - Distribuição do material obtido do raspado ectocer-
vical.
c - Distribuição da amostra do fundo de saco posterior 
da vagina.
 Em mulheres histerectomizadas (remoção do útero), a colheita das amostras é realizada através do 
raspado da cúpula e das paredes vaginais. 
2.5 Confecção dos esfregaços citológicos
 Os espécimes obtidos são espalhados na mesma lâmina de vidro de modo delicado e rápido, con-
feccionando-se esfregaços fi nos e uniformes. A pressão excessiva na confecção do esfregaço pode resultar 
no esmagamento e na distorção das células. Por outro lado, a demora na fi xação da amostra em etanol a 
95% pode levar à dessecação com alterações celulares degenerativas. Especial cuidado deve ser tomado 
com o espécime endocervical, já que as células glandulares dessa mucosa são mais frágeis e suscetíveis a 
artefatos técnicos.
a
b
c
a b
Figura 15 - Confecção do esfregaço.
a - Confecção do esfregaço da amostra endocervical. 
b - Confecção do esfregaço da

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.