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CITOLOGIA ONCÓTICA

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amostra da ectocérvice. 
 É muito importante no momento da colheita e da confecção dos esfregaços ter precaução para não 
contaminar as lâminas com fios de algodão da gaze ou talco contido nas luvas utilizadas durante o proce-
dimento.
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Figura 16 - Contaminação da lâmina por material estranho e artefatos, por falhas na colheita das amostras 
e confecção dos esfregaços.
a; b - Contaminação por talco. Esfregaços cervicovaginais, Papanicolaou, 100x e 400x. O talco contido nas 
luvas utilizadas pelo médico no momento da colheita ou durante a confecção dos esfregaços pode conta-
minar a amostra. Representam cristais birrefringentes, com aparência de cruz de malta (setas). 
c - “Fundo” hemorrágico. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 100x. Hemácias bem conservadas na 
amostra, como observado nesta figura, geralmente ocorrem por trauma na colheita.
d - Esmagamento das células. Esfregaço cervicovaginal, 100x. A compressão excessiva do material sobre a 
lâmina no momento da confecção do esfregaço resulta em distorção e lise das células com o aparecimento 
de filamentos basofílicos correspondendo a restos dos núcleos.
2.6 Fixação dos esfregaços citológicos
 O etanol a 95% é o fixador de rotina devido a sua eficiência, seu baixo custo e ausência de 
toxicidade.O esfregaço ainda úmido deve ser imediatamente imerso em etanol, onde permanece até o 
momento da coloração. O tempo de permanência da amostra no fixador deve ser no mínimo 15 minutos, 
recomendando-se não ultrapassar duas semanas.
Figura 17 - Fixação do esfregaço. Fixação do es-
fregaço em etanol a 95%, imediatamente após a 
confecção do esfregaço.
c d
a b
2 Procedimentos Técnicos e Laboratoriais
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 A demora na fixação ou a utilização de etanol em concentração inferior à preconizada pode levar 
a alterações celulares importantes, dificultando ou mesmo impossibilitando a avaliação oncológica. Os 
seguintes efeitos podem ser encontrados nas amostras dessecadas (exposição prolongada no ar):
• Aspecto opacificado, turvo, dando a impressão de que a amostra está fora do campo de visão.
• Aumento da eosinofilia citoplasmática.
• Aumento nuclear (de quatro a seis vezes maior ao verificado nas amostras fixadas imediatamente) 
e perda dos detalhes da estrutura cromatínica.
 Outros fixadores utilizados menos comumente são o Carbowax (etanol e polietileno glicol) e 
sprays (álcool isopropílico e glicol). A vantagem desses fixadores de cobertura em relação ao etanol é 
a facilidade de transporte das amostras quando são obtidas à distância do laboratório. Com a aplicação 
desses fixadores, os esfregaços podem ser acondicionados em caixas de papelão, evitando os possíveis 
transtornos pelo vazamento do etanol durante o transporte e consequente dano às preparações citológicas.
Figura 18 - Fixação inadequada das amostras e contaminação por fungos.
a; b - Fixação inadequada das amostras. Esfregaços cervicovaginais. Papanicolaou, 400x. Demora na fi xação 
com etanol pode resultar em eosinofi lia difusa (coloração rosa), aumento nuclear e perda dos detalhes da 
estrutura cromatínica, como mostram essas fi guras. Quando essas alterações incidem em mais de 75% do 
esfregaço, o mesmo deve ser considerado insatisfatório para fi ns de diagnóstico.
c;d - Fungo contaminante (Aspergillus). Esfregaços cervicovaginais, Papanicolaou, 100x e 400x. Quando 
os esfregaços são fi xados com Carbowax ou “cito-sprays”, devem ser acondicionados em caixas de papelão 
assim que o material secar. A exposição prolongada no ar ambiente aumenta o risco de contaminação por 
fungos que estão presente no ar, como Aspergillus. Estes se apresentam sob a forma de numerosas hifas 
que se ramifi cam e que geralmente estão num plano diferente das células (c). Também podem se mostrar 
sob a forma de conidióforo com vesícula e cadeias de conídias (d).
a b
c d
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2.7 Coloração das amostras citológicas
 O método de coloração foi elaborado pelo próprio Papanicolaou, com várias modificações 
ao decorrer dos anos. Consiste na aplicação de um corante nuclear, a hematoxilina, e dois corantes 
citoplasmáticos, o Orange G6 e o EA (eosina, verde-luz ou verde-brilhante e pardo de Bismarck).
 A hematoxilina cora o núcleo em azul. O verde-brilhante cora o citoplasma em verde-azul das 
células escamosas parabasais e intermediárias, células colunares e histiócitos. A eosina cora em rosa 
o citoplasma das células superficiais, nucléolos, mucina endocervical e cílios. O Orange G6 cora as 
hemácias e as células queratinizadas em laranja-brilhante. Após a coloração do esfregaço segue-se a 
etapa conhecida como clareamento, que promove a transparência celular. O xilol, um solvente orgânico, 
é utilizado para esse fim.
 A seguir, o protocolo de coloração pela técnica de Papanicolaou modificada, aplicado no Serviço 
de Patologia e Citopatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco: 
Água destilada
Hematoxilina
Água corrente
Carbonato de lítio
Água corrente
Etanol absoluto
Etanol absoluto
Orange
Etanol absoluto
Etanol absoluto
EA
Etanol absoluto
Etanol absoluto
Xilol
lavar
1’ 40”
lavar
15”
lavar
1 banho
1 banho
1 mergulho rápido
1 banho
1 banho
3’
1 banho
1 banho
15-30’
Protocolo de coloração pela técnica de Papanicolaou modificada
 Para a padronização da coloração é necessário checar diariamente os esfregaços sob o microscópio, 
fazendo as correções, se necessárias. Assim, é ajustado o tempo que os esfregaços devem permanecer em 
cada corante. Nunca deve ser esquecida a manutenção da bateria de coloração, filtrando diariamente 
e trocando os corantes e soluções (álcool, xilol) quando necessário, para atingir um padrão ideal de 
coloração dos esfregaços.
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e f
Figura 19 - Coloração pela técnica de Papanicolaou e falhas no procedimento de coloração.
a - Efeito do EA sobre o citoplasma das células, na coloração padrão. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 
400x. Células escamosas superfi ciais com citoplasma corado em rosa (eosinofílicas) e células intermediárias 
com citoplasma corado em azul (cianofílicas). A coloração citoplasmática é bem diferenciada nessas células. 
b - Efeito do Orange na coloração citoplasmática. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. Células 
malignas queratinizadas e hemácias coradas em laranja devido à ação do Orange.
c; d - Contaminação celular cruzada. Esfregaços cervicovaginais, Papanicolaou, 100x. Observar os conjun-
tos de células em outro campo de visão (setas) devido à transferência de células de outro esfregaço. Isso 
pode acontecer quando os corantes e soluções utilizados no processamento técnico das amostras não são 
fi ltrados rotineiramente.
e - Excesso de hematoxilina. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 100x. Não há coloração diferencial do 
citoplasma das células devido ao tempo de exposição prolongada do esfregaço na hematoxilina ou pela 
extração insufi ciente desse corante na água corrente (etapa que antecede a coloração pelo EA).
f - Coloração insufi ciente pela hematoxilina. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 100x. Observar que 
os núcleos das células quase não são identifi cados. O corante nuclear, a hematoxilina, não está atuando. 
Várias causas devem ser investigadas: corante fora do prazo de validade, exaustão do corante pelo número 
excessivo de lâminas previamente coradas, tempo reduzido de exposição ao corante ou tempo prolongado 
na água corrente utilizada para extrair o