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CITOLOGIA ONCÓTICA

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25 - Esfregaço cervico-
vaginal, Papanicoloau, 100x. 
Tipos de marcação de campos 
microscópicos. Demonstrado 
nesta fi gura, pontos marcados 
acima ou abaixo das estruturas 
celulares de interesse. O círcu-
lo envolvendo o(s) elemento(s) 
de interesse torna mais fácil a 
sua identifi cação.
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2.11 Laudos diagnósticos
 Todos os diagnósticos citológicos são de responsabilidade do médico citopatologista. Cabe ao 
citotécnico a avaliação inicial de todos os esfregaços, registrando as possíveis anormalidades observadas. 
 Na rotina de um serviço de citopatologia, o médico tem a responsabilidade de revisar todos os 
esfregaços de mulheres consideradas de risco para câncer de colo, compreendendo aquelas com história 
prévia de lesão pré-cancerosa ou maligna, exame macroscópico do colo ou colposcopia com achados 
anormais e história de sangramento principalmente na pós-menopausa. Todos os esfregaços anormais en-
caminhados pelo citotécnico também devem ser reanalisados. Dos esfregaços tidos como negativos pelo 
citotécnico, um percentual entre 10% e 20% selecionados aleatoriamente deve ser também revisado pelo 
médico citopatologista. Há muitas discussões sobre a efetividade desse sistema de seleção aleatória para 
revisão dos esfregaços negativos. Alguns autores recomendam a revisão pelo médico citopatologista de 
todos os esfregaços, positivos e negativos. Tem sido mostrado que a revisão por apenas 30 segundos de 
cada esfregaço classificado previamente como negativo pelo citotécnico oferece melhores resultados, com 
maior chance de detecção de casos falso-negativos. 
 O diagnóstico citopatológico dos esfregaços cervicovaginais segue a classificação do Sistema Be-
thesda 2001 (adaptação brasileira: Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais e Condutas Preconiza-
das – Ministério da Saúde/Inca, Anexo 2, 2006).
 Em todos os resultados do exame citopatológico devem constar os seguintes dados: identificação 
da paciente, número de registro do laboratório, método de colheita das amostras, tipo de fixador e técnica 
de coloração, descrição microscópica, conclusão diagnóstica e comentários adicionais se necessário.
2.12 Arquivo
 De acordo com a resolução do Conselho Federal de Medicina número 1472/97, as lâminas de exa-
mes citopatológicos (negativas ou positivas para malignidade) devem ser mantidas em arquivo por cinco 
anos no próprio laboratório ou entregues à paciente ou a seu responsável legal devidamente orientados 
quanto a sua conservação e mediante comprovante que deverá ser arquivado durante o período acima 
mencionado. Quanto aos laudos diagnósticos, estes poderão ser arquivados indefinidamente em arquivo 
informatizado. 
 As lâminas devem ser arquivadas em ordem numérica, sendo aconselhável um arquivo indepen-
dente para lâminas positivas e negativas respectivamente, para facilitar a sua pesquisa e resgate quando 
solicitada pela paciente.
 Para a segurança do arquivo é necessário o acesso restrito a esse setor, com protocolo de entrada e 
saída das lâminas.
 A solicitação das lâminas pela paciente deve ser atendida e registrada em documento específico, 
onde deve constar de modo claro a transferência e a responsabilidade pela guarda da lâmina. 
2 Procedimentos Técnicos e Laboratoriais
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3 Características citológicas 
nos processos patológicos 
gerais 
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 Vários fatores interferem na aparência geral dos esfregaços ginecológicos, entre eles a função 
celular, a atividade geral da célula, o estado hormonal da paciente e aqueles relativos às técnicas de 
colheita, confecção, fixação e coloração dos esfregaços. 
3.1 Atividade geral da célula
 
É classificada em quatro categorias:
 • Euplasia 
 • Retroplasia 
 • Proplasia 
 • Neoplasia maligna
 Dependendo do tipo e da intensidade da atividade celular, há características citoplasmáticas 
e nucleares próprias. Assim, as estruturas celulares devem ser analisadas na sua intimidade, para o 
entendimento e diagnóstico dos diferentes processos patológicos. Posteriormente, neste mesmo capítulo, as 
diferentes características relativas a cada categoria serão recapituladas, com ilustrações complementares.
3.1.1 Euplasia
 Representa o estado normal ou saudável de determinado tipo de célula.
Estrutura nuclear 
 Baseada principalmente no material cromatínico, nas características da membrana nuclear e na 
intensidade da coloração nuclear. 
• Cromatina – Grânulos arredondados, finamente dispersos através da paracromatina.
• Nucléolo – Quando presente indica atividade de síntese proteica pela célula. O seu número por 
núcleo varia de acordo com o tipo de célula, mas geralmente permanece constante para um mesmo 
tipo de célula. Habitualmente cora em rosa (eosinofílico).
• Membrana nuclear – Não é visualizada no microscópio óptico, identificando-se a chamada 
membrana cromatínica. Esta é representada por depósitos de cromatina aderida ao folheto interno 
da membrana nuclear verdadeira. A quantidade de cromatina determina portanto a sua espessura; 
na euplasia (interfase) a membrana cromatínica é moderadamente espessada e uniforme.
• Multinucleação – Não é frequente na euplasia; ocorre em certos tipos de célula e sob condições 
específicas. Quando há multinucleação, os núcleos são similares entre si (imagens em espelho).
 
 Citoplasma 
 Nas células euplásicas o citoplasma geralmente é abundante, mas varia de acordo com a 
diferenciação funcional da célula. É uniformemente disperso em torno do núcleo que ocupa habitualmente 
a posição central. As organelas citoplasmáticas não são vistas nas colorações de rotina. O grau de basofilia 
citoplasmática é relacionado à quantidade de ácido ribonucleico (RNA) e proteínas. Com a maturação, 
geralmente a basofilia diminui. Quando as células amadurecem, o seu citoplasma reflete a sua diferenciação 
funcional para cada tipo de tecido, ou seja, a presença de cílios, produção de muco, produção de queratina 
etc.
 
3 Características Citológicas nos Processos Patológicos Gerais 
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Caderno de Referência 1
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3.1.2 Retroplasia
 Caracteriza-se pela atividade celular diminuída. Compreende as alterações celulares regressivas 
cuja aparência morfológica depende de vários fatores, como o tipo de estímulo, a sua intensidade e 
duração.
 Estrutura Nuclear
• Cromatina – Os grânulos são redondos com limites mal definidos, borrados. 
• Cariopicnose – O núcleo pode se retrair, tornando-se escuro, não podendo se distinguir os grânu-
los de cromatina. Um exemplo característico é o que acontece nas células escamosas superficiais 
da ectocérvice que exibem picnose nuclear devido à degeneração associada ao envelhecimento 
fisiológico da célula. Na degeneração aguda o contorno nuclear é borrado, enquanto se apresenta 
bem definido na degeneração crônica.
• Edema Nuclear – Na tumefação turva (acúmulo de água), o núcleo se torna maior, e o seu 
conteúdo é diluído, dando a impressão de hipocromasia. 
• Cariorrexe – O núcleo se condensa e depois se fragmenta em massas redondas ou ovais, de 
tamanhos variados, espalhadas no citoplasma ainda íntegro. Essa alteração geralmente é associada 
à degeneração rápida, como aquela que se segue à morte celular na radioterapia. 
• Cariólise – Com o resultado da tumefação turva ou hiperqueratose o núcleo pode desaparecer, 
às vezes persistindo como uma sombra (núcleo fantasma). 
• Vacuolização Nuclear – Geralmente é relacionada à degeneração rápida, como a que ocorre na 
radioterapia. Apresenta-se