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CITOLOGIA ONCÓTICA

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sob a forma de vacúolos redondos, pequenos, isolados ou múltiplos.
• Núcleos Desnudos – Células que apresentam citoplasma delicado podem ser muito sensíveis 
a traumas, mesmo pequenos, como acontece durante a confecção dos esfregaços. Ocorre ruptura 
do citoplasma das células, com o aparecimento de numerosos núcleos desnudos que preservam 
a estrutura finamente granular da cromatina e a membrana nuclear bem definida e regular. Na 
atrofia pós-menopausa, esse padrão citológico é bastante comum.
 Citoplasma 
 Há desnaturação das proteínas e outros constituintes com consequente modificação das 
características citoplasmáticas. Os lipídeos se acumulam tornando o citoplasma granular, floculento, turvo, 
espumoso ou vacuolizado. O citoplasma degenerado também pode aparecer condensado difusamente ou 
focalmente sob a forma de um anel periférico que apresenta coloração diferente da área mais interna 
perinuclear. 
 Quando ocorre acúmulo de água intracelular devido à falha no seu transporte através da membrana 
citoplasmática, as células aumentam de tamanho, e o citoplasma se torna pálido. Às vezes, a membrana 
se rompe com extravasamento do conteúdo citoplasmático, e o núcleo pode assumir uma aparência 
alarmante, podendo lembrar aquele das células malignas.
3.1.3 Proplasia
 Representa o estado da célula ou tecido com aumento da atividade biológica e inclui a preparação 
para a divisão celular, aumento da atividade secretória, resposta a estímulos externos e reparação.
 Estrutura Nuclear
• Hipercromasia e Estrutura da Cromatina – A cromatina se torna hipercromática (mais escura) 
com o aumento da atividade celular. Diferindo da cromatina de aspecto borrado encontrada na 
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euplasia, a cromatina pode ser proeminente, com limites bem marcados. Os seus grânulos aumentam 
de tamanho proporcionalmente ao aumento da atividade biológica, mas a sua distribuição é 
uniforme, similar ao aspecto visto na euplasia. Enquanto a cromatina se torna hipercromática, a 
paracromatina tende a apresentar menor afinidade pela hematoxilina, conferindo-lhe um aspecto 
claro.
• Membrana Nuclear – O núcleo é geralmente arredondado e vesicular. A membrana nuclear tem 
espessura uniforme e pode ser ondulada. 
• Cariomegalia – O aumento nuclear (cariomegalia) é comum na proplasia. 
• Multinucleação – Pode ocorrer na proplasia, com núcleos similares entre si. 
• Nucléolo – É indicativo de produção de proteínas para o uso da própria célula ou com fins de 
secreção pela célula. Assim, o nucléolo é característico da proplasia e se apresenta redondo. 
3.1.4 Neoplasia Maligna 
Devido à complexidade das alterações celulares, será discutida em outro capítulo.
3.1.5 Outros Fatores
 Deve ser lembrado o papel dos hormônios ovarianos no padrão citológico, com predomínio de 
células escamosas maduras em pacientes jovens na fase reprodutiva e a sua substituição progressiva por 
células escamosas imaturas (parabasais) nas mulheres pós-menopausadas.
 Os fatores técnicos também podem interferir no aspecto geral dos esfregaços cervicovaginais. 
Exemplificando: a colheita muito vigorosa do canal endocervical pode traumatizar a mucosa e resultar em 
sangramento com numerosas hemácias que podem recobrir as células epiteliais no esfregaço, prejudicando 
o seu estudo. Já na confecção dos esfregaços, a compressão excessiva do material sobre a lâmina pode 
determinar esmagamento das células, que se tornam distorcidas, dificultando a sua análise confiável. A 
demora na fixação com etanol dos esfregaços pode comprometer a sua avaliação, devido à tumefação 
dos núcleos e perda dos detalhes nucleares. A coloração dos esfregaços com exposição prolongada ou 
reduzida a determinado corante ou reagente também compromete a qualidade das amostras.
a b
Figura 26 - Efeitos da fi xação com etanol. 
a - Células escamosas fi xadas adequadamente. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 400x. A 
coloração citoplasmática é bem defi nida, assim como a estrutura nuclear. 
b - Células escamosas dessecadas. Esfregaço cervicovaginal, coloração de Papanicolaou, 400x. 
A exposição do esfregaço prolongada no ar (dessecação) resulta em eosinofi lia citoplasmática 
difusa (coloração rosa das células), com perda dos detalhes nucleares. 
3 Características Citológicas nos Processos Patológicos Gerais 
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3.2 Roteiro na avaliação dos esfregaços cervicovaginais
 Esta seção aborda de forma abrangente as diferentes características citológicas, em condições 
normais e nos processos patológicos gerais. Essas alterações serão detalhadas nos capítulos subsequentes 
deste livro. 
 Na avaliação dos esfregaços citológicos, os seguintes aspectos são considerados: 
3.2.1 Fundo
 O fundo pode ser entendido como a área do esfregaço entre as células. Caracteristicamente no 
espécime ginecológico, apresenta-se preenchido por substância mucoide, purulenta, hemorrágica ou 
fibrinoide (necrótica). O esfregaço autolítico corresponde àquele onde se identificam restos citoplasmáticos 
e núcleos desnudos, encontrados na atrofia. A substância de fundo pode fornecer informações úteis para 
a interpretação da doença. Assim, a evidência de necrose sob a forma de fibrina e detritos celulares 
associada ao encontro de células anormais confirma o diagnóstico de câncer invasivo. 
a b
Figura 27 - Características do material de “fundo”.
a - Substância mucoide de “fundo”. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 100x. A 
substância azulada, homogênea (seta) corresponde a muco derivado do canal 
endocervical. 
b - Muco em samambaia. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 100x. A cristalização 
do muco tomando a forma de folha de samambaia é característica do período ovulató-
rio do ciclo menstrual. 
c - “Fundo” purulento. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 100x. Numerosos neutró-
fi los e piócitos são associados a processos infl amatórios agudos. 
d - “Fundo” hemorrágico. Esfregaço cervicovaginal, Papanicolaou, 100x. As hemácias 
bem conservadas, como observadas nesta imagem, são geralmente associadas a trau-
matismo na colheita da amostra citológica.
c d
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Figura 28 - “Fundo” fi brinoide. Esfregaços cervicovaginais, Papanicolaou, 400x. 
Observar que a fi brina se deposita sob a forma de substância granular (a) ou 
fi lamentosa alaranjada (b). Este tipo de material geralmente se associa a câncer 
invasivo. 
a
Figura 29 - “Fundo” autolítico. Esfregaços cervicovaginais, Papanicolaou, 100x (a) 
e 400x (b). Observar o fundo preenchido por numerosos núcleos desnudos que 
preservam a estrutura cromatínica. Trata-se de alteração degenerativa, onde ocorreu 
ruptura do citoplasma das células durante a confecção dos esfregaços. Este padrão 
citológico é comum na atrofi a associada à pós-menopausa. 
a b
3.2.2 Arquitetura dos agrupamentos celulares
 Quanto a sua distribuição, as células podem se encontrar dissociadas ou agrupadas. Quando 
agrupadas, podem ser reconhecidos diferentes tipos de arranjos: 
Em monocamada 
 Conjunto organizado de células que mostram espaçamento regular entre si e apresentam limites 
citoplasmáticos bem definidos. Diz-se neste caso que a polaridade celular é conservada, sendo tal aspecto 
geralmente associado às condições benignas.
3 Características Citológicas nos Processos Patológicos Gerais 
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Figura 30 - Agrupamentos celulares - em monocamada. Papanicolaou, 400x, esfrega-
ços cervicovaginais. Observar os limites citoplasmáticos