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EIA_PCH_SaoJoao_Cerquilho_SP_Diagnostico

Relatório de diagnóstico arqueológico da área de implantação da PCH São João (Cerquilho, SP) com resultados da avaliação arqueológica, contexto ambiental e histórico, localização e acessos, delimitação da área afetada, avaliação de impactos e medidas recomendadas, referências e equipe técnica.

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ARCADIS Tetraplan S.A. 
 
SCIENTIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DDIIAAGGNNÓÓSSTTIICCOO 
AARRQQUUEEOOLLÓÓGGIICCOO 
DDAA ÁÁRREEAA DDEE 
IIMMPPLLAANNTTAAÇÇÃÃOO 
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CCEERRQQUUIILLHHOO,, SSPP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO, JULHO DE 2004
 
ARCADIS Tetraplan S.A. 
 
SCIENTIA 
 
 
 1 
 
 
DIAGNÓSTICO ARQUEOLÓGICO DA ÁREA DE IMPLANTAÇÃO 
DA PCH SÃO JOÃO – CERQUILHO, SP 
 
 
EXECUÇÃO 
 
SCIENTIA CONSULTORIA CIENTÍFICA S/C LTDA. 
Rua Henrique Botticini, 150 
05587-020 – São Paulo, SP 
Tel.: 3726-3006; tel./fax: 3726-2389 
Arqueóloga responsável: Dra. Solange Bezerra Caldarelli 
E-mail: solange@scientiaconsultoria.com.br 
 
 
 
 
RESPONSÁVEL PELO RAP 
 
ARCADIS TETRAPLAN 
Av. 9 de Julho, 5617 – cj. 8-A 
01407-200 – São Paulo - SP 
Tel. (11)3167-5551 
Contato: Eng. Marcos Virgílio da Silva 
E-mail: mvirgilio@yahoo.com 
 
 
EMPREENDEDOR 
 
AES TIETÊ S.A. 
Estrada Municipal Mogi-Guaçu, km 293 
13840-970 – Mogi-Guaçu, SP 
Tel.: (19) 3831-9590; 3831-9579 
Contato: Eng. Odemberg Veronez 
E-mail: odemberg.veronez@aes.com 
 
 
mailto:solange@scientiaconsultoria.com.br
mailto:mvirgilio@yahoo.com
mailto:odemberg.veronez@aes.com
 
ARCADIS Tetraplan S.A. 
 
SCIENTIA 
 
 
 2 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
 
 
 
Introdução 03 
1. Localização e características do empreendimento 04 
2. Contexto Ambiental 09 
3. Áreas de Influência Indireta e Direta 16 
4. Área Diretamente Afetada 31 
5. Avaliação de impactos e medidas recomendadas 37 
6. Referências bibliográficas 38 
7. Equipe técnica 40 
 
 
 
ARCADIS Tetraplan S.A. 
 
SCIENTIA 
 
 
 3 
INTRODUÇÃO 
A AES Tietê S.A., por meio do processo de privatização iniciado na década de 
1990, adquiriu parte da estatal paulista de energia CESP – Centrais Elétricas de 
São Paulo – e passou a ser responsável pela geração de energia elétrica de 
diversas Pequenas Centrais Hidrelétricas, integrantes de um patrimônio não 
operacional recebido. 
O presente relatório tem por objetivo apresentar os resultados da avaliação 
arqueológica realizada na área prevista para implantação da Pequena Central 
Hidrelétrica (PCH) São João, localizada no Rio Sorocaba, no município paulista 
de Cerquilho e próxima ao município vizinho de Cesário Lange. 
Com essa pequena central, a empreendedora, AES TIETÊ S.A., pretende 
realizar o aproveitamento hidrelétrico de estruturas de barramento do rio, já 
existentes, utilizadas para contenção de cheias e captação para abastecimento 
de água da cidade de Cerquilho. A inclusão desse empreendimento hidráulico 
num parque de unidades geradoras de energia elétrica deverá ocorrer pela 
motorização eletromecânica da barragem. . 
De acordo com o RAP do empreendimento, o período mais provável da 
edificação das estruturas já existentes corresponde à primeira metade do século 
XX, entre as décadas de 1920 e 1930; essa datação foi aferida com base na 
análise do material empregado na construção da barragem. Depoimentos 
coletados no local, entretanto, apontaram o início dos anos 1940 para a 
construção do barramento (TETRAPLAN, 2004). 
Assim, os elementos construídos e os equipamentos já existentes constituiriam, 
de uma perspectiva histórica, um testemunho importante tanto no que se refere a 
um quadro de implantação de obras ligadas a melhoramentos públicos durante 
as primeiras décadas da República, quanto no que tange ao estudo das técnicas 
construtivas e das matérias-primas então empregadas. 
 
 
ARCADIS Tetraplan S.A. 
 
SCIENTIA 
 
 
 4 
1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDIMENTO1 
1.1 - Localização e acessos 
 
A PCH São João está situada no trecho médio do Rio Sorocaba, afluente da 
margem esquerda do Rio Tietê, este último pertencente à sub-bacia do rio Tietê 
e afluente do Rio Paraná pela mesma margem. Este empreendimento localiza-se 
aproximadamente a sete quilômetros da sede do município de Cerquilho, região 
central do Estado de São Paulo. 
O local do eixo de seu barramento apresenta-se nas coordenadas geográficas 
23º 09´53´de latitude Sul e 47º 47´51´ de longitude Oeste. 
O acesso ao local do aproveitamento pode ser feito a partir de São Paulo, por 
meio da SP-280, Rodovia Castelo Branco, até o entroncamento com a SP-127, à 
direita, em direção a Cerquilho. A cerca de sete quilômetros do centro urbano 
desta cidade, por estrada vicinal de terra, atinge-se a região do empreendimento, 
localizada nas imediações da Usina de Açúcar e Álcool Santa Maria. Partindo-se 
de Campinas toma-se a SP-75, que liga esta cidade a Sorocaba até o 
entroncamento para a cidade de Itu, onde se toma, à direita, a SP-300, Rodovia 
Marechal Rondon. Segue-se por esta última até o entroncamento com a SP-127, 
tomando-se esta rodovia em direção a Cerquilho. 
 
A seguir, o mapa de localização do empreendimento (Figura 1). 
 
1
 Dados inteiramente extraídos do RAP do empreendimento (TETRAPLAN, 2004). 
 
ARCADIS Tetraplan S.A. 
 
SCIENTIA 
 
 
 5 
 
Figura 1 – Localização do município de Cerquilho, no Estado de 
São Paulo. Fonte: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerquilho#/media/ 
File:SaoPaulo_Municip_Cerquilho.svg 
 
Figura 2 – Localização do empreendimento, no município de Cerquilho. 
Fonte: Tetraplan, 2004 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerquilho#/media/
 
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 6 
1.2 – Características do empreendimento 
 
A barragem São João não é referenciada nos documentos do setor elétrico ou no 
cadastro da ANEEL por ter, inicialmente, o objetivo de regularizar a vazão da 
PCH existente a jusante (atualmente operada pela indústria Ferroligas 
Piracicaba). Posteriormente foi aproveitada para captação de água visando o 
abastecimento de Cerquilho, operada pelo Serviço Autônomo de Águas e 
Esgotos do município. 
Para o aproveitamento hidrelétrico, será possível utilizarem-se as estruturas já 
existentes desse barramento, localizado no rio Sorocaba, afluente do rio Tietê 
pela sua margem esquerda, que por sua vez é afluente do rio Paraná pela 
mesma margem. 
O reservatório formado tem extensão de cerca de 16 quilômetros, acumulando 
um volume de água estimado em 9.266.663 metros cúbicos; ele se apresenta 
assoreado junto às estruturas do barramento, principalmente na margem 
esquerda. 
O barramento onde se pretende implantar a PCH, com cerca de 120 metros de 
extensão e altura máxima de oito metros; é formado por duas barragens de 
alvenaria em pedras argamassadas, entre as margens do rio e suas ombreiras, 
confinando dois vertedouros que ocupam toda a calha do rio e suas margens, 
eles também de alvenaria em pedras argamassadas. 
Entre a margem esquerda e o leito do rio tem-se um vertedouro de superfície. 
Entre a margem direita e o leito do rio tem-se um vertedouro composto de cinco 
vãos, não controlados, tendo associado aos quatro vãos, no leito do rio, 
descarregadores de fundo. Um quinto descarregador está localizado na 
barragem da margem direita.O estado de conservação é bom. 
A barragem da margem direita, construída em alvenaria de pedras 
argamassadas e concreto, tem cerca de nove metros de altura máxima e se 
apresenta em bom estado de conservação, apenas com desgastes superficiais e 
erosões localizadas – rachaduras, cantos quebrados, sinais de desgaste 
 
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 7 
superficial.. Os descarregadores de fundo e o intermediário, bem como os 
demais vãos da barragem da margem direita possuem suas paredes internas e 
ranhuras das comportas situadas junto ao seu paramento de montante com 
desgastes superficiais e erosões, além de trincas e rachaduras. As comportas 
dos descarregadores, todas de madeira com quadro em perfil metálico, estão 
parcialmente destruídas ou inexistem. As ranhuras das comportas dos vãos e 
dos descarregadores, os perfis metálicos que compunham o dispositivo de apoio 
daquelas peças, a superfície da soleira do vertedouro, oparamento de montante 
de todo o barramento , todos esses itens necessitam de reparos. 
.A barragem da margem esquerda, construída em alvenaria de pedras 
argamassadas fecha o reservatório entre o vertedouro de crista livre e a 
ombreira esquerda; tem cerca de oito metros de altura máxima. 
Uma escada de peixe, localizada a jusante da barragem da margem direita. Em 
sua extremidade direita é dotada de quatro degraus, nos quais formavam-se 
pequenos poços devido a sua geometria; dela existem atualmente apenas o 
degrau mais elevado e as paredes laterais. Conecta-se ao reservatório através 
de uma passagem, existente na barragem da margem direita. 
A jusante das estruturas do barramento, na margem direita do rio Sorocaba, tem-
se a Estação de Captação/Elevatória do Sistema de Abastecimento d’Água da 
cidade de Cerquilho. 
Em resumo, o arranjo final definido para a implantação da PCH São João no rio 
Sorocaba é composto por um barramento, existente, constituído por duas 
barragens de alvenaria em pedras argamassadas e concreto, situadas entre as 
margens do rio e suas ombreiras, por vertedouros e por um circuito de adução, 
com suas estruturas de controle. Os procedimentos a serem adotados na 
recuperação deste barramento não consideram o alteamento das estruturas. 
As atividades a desenvolverem-se na etapa construtiva são indicadas a seguir. 
De início, a instalação do canteiro de obras, dos acessos, melhoria da estrada 
existente. A implantação da PCH e das estruturas adjacentes ocorrerão em duas 
etapas: 
 
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a) construção de ensecadeira na margem esquerda, de estrutura de controle; 
escavação do canal de adução, de desvio e de fuga; construção de dique 
lateral; construção de canal para desvio do Rio Sorocaba durante as obras; 
b) construção de ensecadeira no canal adutor, a jusante do canal de desvio; 
das ensecadeiras de montante e jusante, transversais ao leito do rio; desvio 
do curso do rio; recuperação das estruturas do barramento já existentes no 
leito do rio e na sua margem direita; relocação da estação de captação de 
água; montagem dos equipamentos eletro-mecânicos (pórtico, comportas, 
turbina, gerador, etc.); obras de instalação da subestação e de conexão da 
linha de transmissão; finalização do desvio do rio e enchimento do 
reservatório 
Para a recuperação das estruturas existentes e a construção das demais 
estruturas componentes da PCH São João – canais, túneis, casa de força, 
câmara de carga, tomada de água, etc. - serão necessários o desvio e o controle 
do rio Sorocaba. 
Associada à Pequena Central Hidrelétrica, construir-se-á uma subestação e uma 
linha de transmissão associada. A subestação de 13,8 kv será constituída por 
dois transformadores elevadores, cada um ligado a seu respectivo gerador, e um 
conjunto de manobra de 13,8 kv. Cada transformador elevador está ligado a um 
gerador respectivo e alimentara o conjunto de manobra 13,8 kv. 
O sistema de transmissão associado à usina será em 13,8kV, interligando-se 
diretamente com a rede de distribuição 13,8kV da cidade de Cerquilho, distante 
aproximadamente cinco quilômetros da subestação de São João. Desta forma, 
não está prevista a instalação de torres de transmissão. 
O reservatório da PCH São João deverá ter cumprimento total de 16 quilômetros 
e perímetro de 36 quilômetros, totalizando uma área equivalente a 2,94 
quilômetros quadrados e volume de 9.720.000 metros cúbicos. A área a ser 
inundada corresponde à área ocupada pelas águas nos períodos de cheia do rio. 
A vida útil prevista para o reservatório é de 50 anos. 
 
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2. CONTEXTO AMBIENTAL2 
O empreendimento tem sua Área de Influência Indireta – AII – constituída pela 
Bacia do Médio Rio Tietê e de seu principal afluente na margem esquerda, o Rio 
Sorocaba. 
O RAP do empreendimento considera como área de influência direta - AID - da 
PCH São João a Bacia do Rio Sorocaba a jusante do reservatório existente, 
incluindo-o. 
A área de influência diretamente afetada – ADA – do empreendimento foi situada 
entre o Reservatório São João e o Reservatório da empresa Ferro Ligas; refere-
se à área das obras e aquela que sofrerá o impacto direto delas. 
 
2.1. Aspectos hidrográficos. 
No quadro das Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado de 
São Paulo, a Bacia do Médio Tietê e do Rio Sorocaba pertence à UGRHI-10 – 
Sorocaba/Médio Tietê. 
A Bacia do Médio Rio Tietê abrange o trecho do Rio Tietê compreendido desde a 
saída do Reservatório de Pirapora até a Barragem de Barra Bonita; a área de 
drenagem é de aproximadamente 6.830 km2. Os principais afluentes da margem 
direita são os Rios Jundiaí, Capivari e Piracicaba; na margem esquerda, o Rio 
Sorocaba. 
De Pirapora até a Usina Hidrelétrica de porto Góes, o Rio Tietê e seus afluentes 
apresentam-se bastante aerados, por drenar, nesse trecho, parte do Planalto 
Atlântico Cristalino, que os condiciona a vencerem obstáculos de rochas mais 
resistentes, com grandes turbilhonamentos em quedas d’água e corredeiras. 
 
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 Texto extraído do RAP do empreendimento (Florescer, 2002; TETRAPLAN, 2004). 
 
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Daí para jusante, o Rio percorre a Depressão Periférica, onde os afloramentos 
de rochas mais resistentes são raros, alcançando finalmente a província 
geológica das Cuestas Basálticas, onde, juntamente com o Rio Piracicaba, ele 
forma um boqueirão, para enfrentar, aí, novo trecho de quedas d’água e 
corredeiras, atualmente inundado pelo reservatório de Barra Bonita. 
O Rio Sorocaba é o afluente mais importante da margem esquerda do Médio 
Tietê, drenando uma área de 5.269 km2, com o trecho superior no Planalto 
Atlântico e o restante na Depressão Periférica, nos afloramentos de terrenos do 
Grupo Tubarão. Ele é formado pelos Rios Sorocabuçu e Sorocamirim, cujas 
cabeceiras encontram-se nos municípios de Ibiúna, Cotia, Vargem Grande 
Paulista e São Roque. A Bacia do Rio Sorocaba contém as sub-bacias Alto 
Sorocaba, Sorocaba/Pirajibu, Baixo Sorocaba-Sarapuí/Pirapora-Tatuí. 
 
2.2. Aspectos geológicos, geomorfológicos e pedológicos. 
A Geologia da área sob estudo constitui-se por rochas de idade variando entre o 
Pré-Cambriano e o Cenozóico. A Bacia compõe-se pelas seguintes unidades 
estratigráficas: Embasamento Cristalino, Grupo Tubarão, Grupo Passa Dois, 
Grupo São Bento, Grupo Bauru e Sedimentos Cenozóicos. 
O Embasamento Cristalino ocupa as porções leste e sudeste da UGRHI-10, 
onde ocorrem três unidades principais cristalinas Pré-Cambrianas: 
- Complexo metamórfico supracrustal de baixo grau metamórfico (fácies xisto 
verde), constituído por metassedimentos (metarritmito, metassiltito, metarenito, 
metargilito e mármore impuro), representados pelo Grupo Açungui e São Roque; 
- Complexo metamórfico supra e infracrustal de médio e alto grau metamórfico, 
constituído de xistos, gnaisses, anatexitos e migmatitos; 
- Complexos granitóides de extensão e composição diorítica e granítica cortam o 
complexo de baixo, como o de médio e alto grau metamórfico. 
 
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O Grupo Tubarão apresenta dois ciclos: inferior glacial, representado pelo 
Subgrupo Itararé, e superior pós-glacial, ou Formação Tatuí. 
- Subgrupo Itararé – os sedimentos, do Carbonífero inferior ao Permiano, 
assentam-se em discordância sobre os arenitos Devonianos da Formação 
Furnas ou diretamente sobre o Embasamento Cristalino. Constitui-se, 
principalmente, de arenitos finos a grossos, lamitos e diamictitos nas partes 
superior e inferior, enquanto a parte média forma-se por arenitos finos, siltitos e 
lamitos, Os arenitos, em geral, são feldspáticos ou arcosianos. Ele representaria 
uma seqüência sedimentar depositada num ambiente marinho ou flúvio-lacustre 
durante um ciclo glacial. Litologicamenteapresenta-se como ciclos e mostra 
rápida mudança de fácies lateralmente. 
- Formação Tatuí – assentada em discordância sobre a Itararé, marca o início do 
ciclo Pós-Glacial no Permiano Superior. Corresponde a transgressão marinha e é 
representada por siltitos e arenitos muito finos de cor marrom-avermelhada ou 
cores mais claras. Aflora numa faixa contínua em arco, entre Taguarituba e 
Laranjal Paulista. 
O Grupo Passa Dois, em terras paulistas, é representado pelas Formações Irati e 
Corumbataí. 
- Formação Irati – subdivide-se em dois membros: o membro inferior ou 
Taquaral, constituído por siltitos e folhelhos com espessura da ordem de 10 
metros e o membro superior ou Assistência, representado por folhelhos pretos, 
calcários dolomíticos e siltitos com espessura de cerca de 30 metros. 
A formação Irati aflora numa faixa sobre os sedimentos da Formado Tatuí, com 
uma extensão de até 25 quilômetros e, cerca das cidades de Cesário Lange, 
Quadra e Tatuí, tem espessura média de 35 quilômetros. 
- Formação Corumbataí - é caracterizada por arenitos muito finos, siltitos, lamitos 
e folhelhos com níveis de calcário oolíticos. 
O Grupo São Bento inicia o Mesozóico e envolve a seqüência pré-vulcânica 
caracterizada por um pacote de arenitos fluviais e eólicos, correspondendo às 
 
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SCIENTIA 
 
 
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formações Pirambóia e Botucatu, e urna seqüência vulcânica representada pelos 
derrames basálticos da Formação Serra Geral e diabásios intrusivos. 
- Formação Pirambóia – subdivide-se em dois membros; o inferior, entre Ipeúna 
e Bofete apresenta fácies mais argilosa, com predominância de estratificação 
plano-paralela e cruzada acanalada de pequeno porte. O membro superior 
caracteriza-se pela disposição dos bancos de arenitos, pouco a muito argilosos, 
com estratificação plano-paralela, lamitos, argilitos arenosos, numa clara 
repetição cíclica. Os arenitos apresentam granulação homogênea, na qual 
predomina a areia fina. Os sedimentos dessa formação assentam-se em 
discordância erosiva sobre os da formação Corumbatai e são capeados pelos 
arenitos eólicos da formação Botucatu ou os derrames basálticos da Formação 
Serra Geral, a oeste da região. Esses sedimentos são de ambiente continental 
em planícies aluviais de rios meandrantes. 
Aflora no Estado de São Paulo numa faixa de até 50 quilômetros entre a divisa 
do Estado do Paraná até o Estado de Minas Gerais, estreitando-se para cinco 
quilômetros na área do Morro do Bufete - Torre de Pedra. 
- Formação Botucatu – representada por um pacote de arenitos de granulação 
fina e muito fina, com estratificação cruzada, de grande a médio portes, muito 
friáveis ou silicificados; apresentam na parte basal corpos de arenitos 
conglomeráticos e conglomerado. No topo da Formação existe uma 
interdigitação dos sedimentos com os derrames basálticos. 
Com base na idade conhecida da formação Serra Geral, correspondente ao 
Jurássico Superior e Cretáceo Inferior, admite-se urna idade entre o Jurássico 
Médio e o Cretáceo Inferior para os arenitos Botucatu. 
Na área, os arenitos eólicos afloram numa faixa estreita e continua em forma de 
escarpa na Serra de Botucatu, sotoposto aos derrames basálticos. Nota-se, 
também, a presença de pequenos afloramentos isolados na região de Bofete e 
Angatuba, correspondendo a vestígios de arenitos silicificados preservados da 
erosão por urna camada basáltica. 
 
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SCIENTIA 
 
 
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- Formação Serra Geral (rochas extrusivas) – caracteriza-se por espessos 
derrames de lava basáltica, toleítica, de textura afanítica,amigdaloidal no topo 
dos derrames e com desenvolvimento de juntas verticais e horizontais. 
Os derrames basálticos são diretamente discordantes sobre os arenitos da 
Formação Botucatu, exceto na parte do rio Paranapanema onde jazem em 
discordância sobre os arenitos da Formação Pirambóia. Na área, a formação 
encontra-se recoberta esporadicamente em discordância erosiva pelos arenitos 
da Formação Marília ou pelos sedimentos Cenozóicos. 
O Grupo Bauru, indicando o início da seqüência pós-vulcânica, compõe-se pelas 
Formações Caiuá, Santo Anastácio, Adamantina e Marília. Na área em estudo 
ocorrem somente os sedimentos da Formação Marília, no extremo oeste da 
região. A Formação Marília. é composta por arenitos grosseiros, 
conglomeráticos, com grãos ondulosos, seleção pobre, maciços ou imaturos, 
raramente com estratificação cruzada de médio porte, com seixos concentrados 
nos estratos cruzados. 
Na região, a Formação assenta-se em discordância erosiva sobre os derrames 
basálticos da Formação Serra Geral e encontra-se capeada pelos sedimentos 
Cenozóicos. Correspondendo ao membro superior do Grupo Bauru, foi-lhe 
atribuída urna idade Cretáceo Superior entre o Santoniano e o Maestrichtiano. As 
suas caraterísticas sugerem uma sedimentação em ambiente fluvial por 
correntes de alta energia com deposição rápida sob um clima árido. Na área, a 
Formação aflora numa zona restrita entre as cidades de Pratânia, Botucatu e 
Pardinho. 
Os Sedimentos Cenozóicos são geralmente constituídos por dois estágios: o 
inferior, aluvial, arenoso com um conglomerado na base e espessura de 20 a 40 
metros, com estratificação paralela ou cruzada, estrutura de corte e 
preenchimento e lentes de argila; o superior, coluvial, menos espesso, mais 
extenso e sem estrutura. Atribui-se uma idade Paleoceno e Oligoceno a esses 
sedimentos. 
 
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As Rochas Intrusivas são representadas na região por sills e diques de diabásio 
de pequena extensão, bem como por corpos de rochas intrusivas alcalinas. 
Dentro do Grupo Tubarão, existem alguns diques de pequeno porte originados 
por falhas na região de Tietê, Cerquilho, Porto Feliz e Coronel Macedo. Na 
região de Capela do Alto - Boituva, aflora um corpo de intrusiva magmática 
circular de 9 Km2, conhecido como intrusiva alcalina de Ipanema (Tetraplan, 
2004). 
As rochas basálticas no local do empreendimento hidráulico São João 
apresentam-se como seqüências de solos de terra roxa e coluviões argilosos 
com blocos em meia-encosta (superfície); afloram como litologias de boa 
capacidade de suporte em corredeiras (eixos da barragem) e sugerem, pelos 
afloramentos vizinhos, litologias maciças com fraturas verticalizadas em 
subsuperfície (Florescer, 2002). . 
A região do empreendimento situa-se na Província Geomorfológica da 
Depressão Periférica Paulista, na zona do Médio Tietê. Em termos fisiográficos, 
o relevo tem reflexos de degradação em colinas amplas e em morrotes, estes 
mais afastados da calha do Rio Sorocaba no trecho inventariado. O relevo 
associado às colinas amplas mostra os interflúvios também amplos, topos de 
elevações extensos e aplainados, e vales abertos. Esta fisiografia predomina na 
faixa das litologias sedimentares; nela, as declividades são baixas (até 15%) e as 
amplitudes locais inferiores a 1200 metros. O reservatório da barragem São João 
localiza-se nesse tipo de relevo. 
O relevo de morrotes que se verifica na margem direita do Rio Sorocaba é 
formado por elevações alongadas paralelas, com topos arredondados, vertentes 
com perfis retilíneos e convexos. As declividades são de médias a altas (acima 
de 15%) e as amplitudes locais inferiores a 100 metros – segmento de relevo 
observado no Bairro São Francisco e na Usina Santa Maria. Quanto ao tipo de 
solo, ocorrem Latossolos desenvolvidos em rochas areníticas e basálticas, com 
participação argilosa (Florescer, 2002). 
 
 
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2.3. Uso do solo 
A zona na qual se insere o empreendimento caracteriza-se por culturas 
agrícolas; em Cerquilho sobressai-se a cultura canavieira, que alimenta usinas 
sucroalcooleiras instalada no município. . 
A jusante da barragem, na margem direita do Rio Sorocaba, há fragmento de 
vegetação nativa; ao longo da margem esquerda,ocorre capim colonião 
entremeado, esparsamente, por espécimes arbóreos e arbustivos (Florescer, 
2002). 
 
 
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3. ÁREAS DE INFLUÊNCIA INDIRETA E DIRETA 
Da perspectiva da ocupação humana, pré-colonial e histórica, a área de inserção 
da região de Cerquilho relaciona-se ao Rio Sorocaba e, portanto ao Vale do 
Médio Rio Tietê, importante via fluvial que norteou estabelecimentos e 
deslocamentos humanos nos períodos pré-colonial e histórico. 
 
3.1. Arqueologia 
Por volta de 6.000 a.P., o médio Tietê foi ocupado por grupos humanos com 
baixa densidade demográfica; cultural e socialmente relacionados, viviam de 
caça, pesca, coleta. Organizavam-se num sistema de tipo forrageiro, 
caracterizado por alta mobilidade residencial e estratégias oportunísticas de 
obtenção de recursos. Seu instrumental compreendia artefatos feitos de pedra 
lascada, osso e madeira. Esses grupos não deveriam exceder 50 indivíduos, já 
que populações maiores teriam mobilidade limitada e tenderiam a esgotar 
rapidamente os recursos locais. As alianças matrimoniais eram asseguradas pela 
convivência, em áreas próximas, de vários grupos forrageiros, lingüística e 
culturalmente aparentados. 
A distribuição relativamente uniforme dos recursos naturais da região favoreceu 
um padrão de estabelecimento disperso, o qual levou a uma ocupação 
topográfica diversificada do ambiente, compreendendo fundos de vales, terraços, 
vertentes e cavidades naturais escavadas em pontos diaclasados das frentes 
escarpadas das cuestas e morros residuais da região. 
As diferenças topográficas registradas nos assentamentos devem-se, 
provavelmente, a fatores sazonais, tendo sido as partes altas ocupadas em 
épocas de chuvas, ao abrigo das inundações. Os sítios arqueológicos do Vale do 
Tietê, predominantemente a céu aberto, encontram-se geralmente aflorados à 
superfície e, portanto, muito vulneráveis a qualquer tipo de alteração no uso do 
solo que lhes serve de matriz. (Caldarelli, 2001/2002) 
 
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É grande o número de sítios arqueológicos líticos na região. Nas décadas de 
1960 e 1970, pesquisas de Tom O. Miller Jr. localizaram cerca de 80 sítios dessa 
natureza apenas nas cercanias do rio Corumbataí. (Caldarelli e Caldarelli, 1989) 
Mais recentemente, pesquisas realizadas na área de prolongamento da Rodovia 
dos Bandeirantes (SP-348), localizaram cinco sítios arqueológicos implantados 
em locais de topo, alta e meia encosta de colinas, sempre nas proximidades de 
cursos de água, confirmam ocupação por populações caçadoras-coletoras 
forrageiras, com intensa atividade de lascamento de pedra. (Caldarelli, 
2001/2002) 
O instrumental remanescente dessas populações caçadoras-coletoras , como se 
observa na Figura 3, consiste de artefatos de pedra lascada, tais como 
raspadores, furadores, raspadores diversificados de pequenas dimensões, 
lesmas, buris e pontas de projétil bifaciais. O sílex é uma matéria-prima 
preferencial. As pontas de projétil bifaciais encontradas durante as pesquisas na 
Rodovia dos Bandeirantes mostram confecção esmerada, diferentemente do 
padrão apresentado pelo conjunto dos outros artefatos; elas permitem duas 
inferências: uma divisão sexual do trabalho – uma vez que caça e pesca com 
arco e flecha são tradicionalmente ocupações masculinas; um trabalho 
especializado que deveria consumir várias horas do artesão, contrariamente aos 
demais artefatos – que poderiam ser produzidos em menos tempo. (Caldarelli e 
Caldarelli, 1989; Caldarelli, 2001/2002). 
 
 
 
 
 
 
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 Pontas de flecha 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Raspadores e plainas 
 
 
 
 
 
 
 
 Raspadores e facas 
 
 
 
 Raspadores, pontas e furadores 
 
Figura 3 - Tipos de artefatos de pedra lascada, produzidos por populações 
caçadoras-coletoras que ocuparam a Bacia do Rio Tietê. 
(Caldarelli, 1985). 
 
 
 
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Artefatos de pedra polida, principalmente machados, feitos de diabásio, ocorrem 
nos sítios mais recentes, em número reduzido, provavelmente por efeito do 
contato com as populações horticultoras, que penetraram na área já na Era 
Cristã, por volta de 1.500 a.P., ocupando, preferencialmente, a bacia do rio Mogi-
Guaçu.(Caldarelli e Caldarelli, 1989) 
Ainda no médio Vale do Tietê, nos municípios de Analândia, Corumbataí e 
Ipeúna, Guy Collet localizou cinco abrigos sob rocha com sinalações rupestres 
gravadas nas paredes e, no solo, artefatos líticos lascados, de sílex e arenito 
silicificado, em bom estado de conservação. (Caldarelli, 2001/2002) 
Os grupos horticultores apresentavam uma demografia mais densa e seus 
assentamentos eram maiores e mais estáveis. Embora também utilizassem 
instrumentos de pedra – com destaque para as lâminas de machado, total ou 
parcialmente polidas, e para os tembetás, ou adornos labiais - osso e madeira, o 
atributo mais significativo de sua cultura material era a cerâmica, empregada no 
armazenamento, preparo e distribuição de alimentos. Suas habitações 
localizavam-se preferencialmente em vertentes de colinas suaves, associados a 
cursos de água secundários. 
A cerâmica, traço diagnóstico da cultura material dessas populações inseridas na 
Tradição Tupiguarani, apresenta inúmeros tipos, do simples às variedades 
corrugada, ungulada, escovada, engobada e pintada (traços retilíneos e 
curvilíneos pretos e/ou vermelhos sobre fundo branco), com predominância da 
última. Morfologicamente, encontram-se tigelas em forma de calota de esfera, 
vasos esferóides com borda extrovertida e vasilhas esferóides ou periformes, 
carenadas, de porte médio, bem como urnas funerárias e cachimbos (Caldarelli e 
Caldarelli, 1992/1993; Caldarelli, 2001/2002). 
Sítios Tupiguarani correspondentes a antigas aldeias situam-se, em geral, na alta 
ou média encosta de elevações situadas próximo um rio navegável, enquanto as 
aldeias, propriamente ditas situam-se nas imediações de um curso de água 
secundário. Os sítios costumam apresentar uma camada arqueológica com 
espessura entre 15 e 40 cm, com vestígios em geral aflorando à superfície 
devido à erosão por fatores antrópicos. 
 
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A disposição e o número das habitações nas aldeias são irregulares, mas 
sempre existiu um pátio central a elas. A morfologia das cabanas e sua 
localização, sua quantidade,são questões perceptíveis na pesquisa arqueológica: 
as manchas escurecidas que ficam no terreno, resultantes de decomposição 
orgânica, ou concentrações de fragmentos cerâmicos, fornecem indicações 
sobre elas. 
Outra característica dos assentamentos Tupiguarani são as estruturas funerárias, 
em geral correspondentes a enterramentos primários ou secundários em urnas 
cerâmicas, situadas nas proximidades das habitações ou dentro delas. Mais 
raramente encontraram-se sepultamentos em covas na terra, com o corpo em 
geral acocorado, a cabeça protegida por vasilhas cerâmicas. 
Vestígios materiais da presença de grupos horticultores de tradição cultural 
Tupiguarani também ocorreram na área urbana de Rio Claro, registrados pelo Dr. 
Fernando Altenfelder Silva e na margem esquerda do rio Piracicaba. (Caldarelli e 
Caldarelli, 1989). Pesquisas realizadas pela USP no médio e baixo rio Tietê, em 
atendimento aos projetos hidrelétricos da CESP, localizaram mais de 20 sítios da 
tradição Tupiguarani na região; aliados a achados fortuitos e a pesquisas 
realizadas em outros municípios da região, essas descobertas atestam a grande 
dispersão dessa tradição no Estado de São Paulo. (Caldarelli, 2001/2002) 
Os contatos entre as populações horticultoras e as populações caçadoras-
coletoras já existentes na região devem ter sido belicosos, pois na bacia do 
médio Tietê são poucos os vestígioscerâmicos, o que sugere uma divisão 
espacial marcada entre horticultores e caçadores-coletores. (Caldarelli e 
Caldarelli, 1989) 
Em resumo, o registro arqueológico para a região do Vale do Rio Tietê revela 
duas ocupações distintas. Uma, de caçadores-coletores, produtores de artefatos 
líticos lascados, cujos vestígios encontram-se tanto a céu aberto quanto em 
abrigos sob rocha, teria se iniciado por volta de 6.000 anos atrás. Outra, de 
populações horticultoras, produtoras de cerâmica, com vestígios encontrados a 
céu aberto, e que teria se iniciado entre 1.000 e 800 anos antes do presente 
(Scientia, 2001). 
 
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Existem registros de dezenas de sítios arqueológicos pré-históricos na região de 
inserção do empreendimento, nos municípios de Guareí, Alambari, Araçoiaba da 
Serra, Capela do Alto, Cesário Lange, Itapetininga, Mairinque, Sorocaba 
(Caldarelli & Neves, 1982; Caldarelli, 1983; Neves, 1984; Caldarelli, 1985a; 
1985b; Coltrinari & Afonso, 1987; Maximino, 1986; Bernardo, 1997; Caldarelli, 
2002; Caldarelli & Bernardo, 2002; CNSA/IPHAN). 
Dois tipos de sítios arqueológicos históricos também foram encontrados: aqueles 
onde se registraram vasilhas cerâmicas produzidas pelos colonizadores da 
região, em alguns casos com objetos de louça associados, e aqueles onde se 
registraram pederneiras de sílex e fragmentos de cerâmica histórica, produzidos 
desde o final do período colonial até as primeiras décadas da República. 
O único sítio multicomponencial registrado, no município de Cesário Lange, 
refere-se a um sítio pré-cerâmico (com artefatos líticos lascados), ao qual se 
superpôs um sítio histórico (Scientia, 2001). 
Pesquisas realizadas entre 2002 e 2004, pela Scientia Consultoria Científica, 
ampliaram os conhecimentos acerca da arqueologia da região. 
Localizaram-se mais quatro sítios arqueológicos na região em foco; dois deles, 
no município de Capela do Alto, apresentaram fragmentos de cerâmica e de 
faiança fina, vestígios de lítico lascado, louça, vidro e metal (Scientia, 2002). 
Levantamentos extensivos, bem como coleta de informações junto às 
comunidades e às instituições museológicas, realizados em 2004 na região sob 
estudo, revelaram dados arqueológicos importantes para a atual área ocupada 
pelos municípios de Porto Feliz, Boituva, Tietê, Cerquilho e Laranjal Paulista, 
alguns deles apresentados a seguir (Scientia, 2004). 
O “Museu das Monções”, no município de Porto Feliz, possui uma pequena 
coleção de materiais arqueológicos composta por machados polidos, mãos de 
 
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pilão e vasilhames cerâmicos localizados por pessoas da comunidade, alguns 
destes próximo ao rio Tietê. Há informações, ainda não confirmadas, sobre o 
achado de urnas funerárias, bem como de um sítio arqueológico, este durante a 
construção da Rodovia Marechal Rondon. 
Em Boituva, a “Casa da Cultura” possui materiais arqueológicos como machados 
polidos e mãos de pilão, coletados no município.Existem informes acerca da 
existência de uma gruta – atualmente inundada por construção de barragem - no 
bairro Val Paraíso, próximo à rodovia Castelo Branco, na qual teriam sido 
encontrados materiais arqueológicos e possíveis pinturas rupestres 
O Museu Histórico, Folclórico e Pedagógico “Cornélio Pires”, do município de 
Tietê, é responsável pela guarda e curadoria de uma pequena coleção de 
materiais arqueológicos doados pela comunidade. A coleção é composta por 
machados polidos, mãos de pilão e duas pontas de projétil.. Estes materiais não 
possuem informações exatas de localização, mas acredita-se que sejam 
provenientes do município. 
As Fotos 2, 3 e 4 apresentam exemplares dos artefatos citados. 
 
 
Foto 2 – Pontas de projétil 
bifaciais do acervo do 
Museu Histórico, Folclórico 
e Pedagógico “Cornélio 
Pires” 
 
 
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 23 
 
Foto 3 – Mão de pilão encontrada em 1975 no município de Tietê. 
 
 
Foto 4 - Lâmina de machado com depressão circular, 
provavelmente utilizada como quebra-coquinho 
 
No município de Cerquilho, que não possui instituição cultural responsável pela 
guarda de material arqueológico, existe uma grande coleção particular de 
artefatos arqueológicos encontrados próximos ao Rio Tietê, nos municípios de 
Cerquilho e Tietê. Essa coleção compõe-se por lâminas de machado polido e 
mãos de pilão de diversos tamanhos, assim como uma grande quantidade de 
pontas de projétil bifaciais, confeccionadas de sílex, de tamanho e morfologia 
variados: pedunculadas e foliáceas, bordos retilíneos, convexos e serrilhados, 
como mostram as Fotos 5, 6, 7, 8 e 9 (Scientia, 2004). 
 
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Foto 5 – Pontas de projétil bifaciais, 
morfologia pendunculada 
Foto 6– Pontas de projétil 
bifaciais, bordo serrilhado. 
 
 
 
 
 
 
Foto 7 – Coleção 
de pontas de 
projétil bifaciais. 
 
 
Foto 8 – Mãos de pilão. Foto 9 – Lâminas de 
machado 
Artefatos encontrados nos municípios de Cerquilho e Tietê. Fonte: Scientia, 2004 
 
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3.2. Etno-história 
Quanto à presença indígena no médio e no baixo Vale do Tietê, para os séculos 
XVI e XVII as fontes assinalam imprecisamente a existência de grupos de Carijós 
e de Paiaguás, denominações dadas pelos bandeirantes paulistas a falantes do 
Guarani. Por outro lado, é certa a presença, ali, de grupos mais móveis e menos 
amistosos que aqueles, cuja origem é difícil de conhecer, pois aparecem 
mencionados como “tapuias”, o que apenas significa que sua língua não 
pertencia ao tronco Tupiguarani. A expansão cafeeira, a partir do século XIX, 
com a conseqüente instalação da rede ferroviária regional, encontrou ali grupos 
Kaingang, de língua Jê, logo dizimados e reduzidos à impotência (Caldarelli & 
Caldarelli, 1992/1993). 
Esses indígenas, provavelmente, chegaram à região em tempos históricos, em 
migrações devidas à penetração branca no território paulista – portanto, em 
situações de conflito com os brancos invasores e com outros grupos indígenas lá 
refugiados. Essas questões, evidentemente, ocasionaram drásticas alterações 
na demografia e na cultura desses grupos. 
À arqueologia interessam, especialmente, as alterações que se refletem na 
cultura material – fenômeno que ocorreu na região sob estudo, em virtude da 
situação de contato. A situação de instabilidade em que se encontravam os 
indígenas fica evidenciada em estruturas habitacionais precárias, objetos em 
número muito reduzido e feitos com rapidez, em sua maior parte com material 
perecível – a facilidade de produção estaria ligada à extrema mobilidade 
característica da situação de conflito. Esses fatos explicam porque é difícil a 
recuperação arqueológica dos assentamentos indígenas mais recentes 
(Caldarelli e Caldarelli, 1992/1993). 
O contexto etnohistórico registrado para a região da bacia do Rio Sorocaba, 
contemporâneo ao início do domínio português, indica para o século XVI tanto a 
 
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presença de grupos indígenas ligados à tradição cultural Tupiguarani, quanto a 
chegada de colonizadores. 
No final do século XVI, os portugueses Afonso Sardinha, pai e filho, chegaram à 
Serra de Araçoiaba em busca de ouro: encontraram ferro e iniciou-se uma 
rudimentar fundição. Essa fábrica incipiente daria lugar, no final do século XVIII, 
à Fábrica Real de Ferro de Ipanema, que teve importante papel estratégico no 
período subseqüente. 
A ocupação colonial da região do médio Rio Tietê e da bacia do Rio Sorocaba, 
em particular, apresentou múltiplas facetas. 
De início, caminho de entradas e de bandeiras, que seguiam os caminhos 
indígenas rumo às fronteiras com os domínios espanhóis em busca de ouro e de 
índios para escravizar. O encontro de jazidas auríferas em Goiás e Mato Grosso, 
entre final do Seiscentos e iníciodo Setecentos, intensificou o movimento 
populacional e a navegação pelo Rio Tietê. 
Pontos de pouso; trilhas para incursões à mata em busca de madeira para 
construir canoas, ou para obter caça e outros produtos de subsistência, 
passaram a ser comuns. Desses arraiais temporários muitas vezes originaram-se 
povoados e vilas. 
Organizaram-se as expedições comerciais fluviais – as Monções – que partiam 
do porto de N.S. Mãe dos Homens de Araritaguaba, hoje Porto Feliz, entre março 
e setembro, com destino a Cuiabá; a volta dava-se entre outubro e novembro 
(Holanda, 1976). 
O modo de navegar era o indígena: canoas, cada uma com mais de 15 metros 
de comprimento por cerca de 1,30 metro de largura, esculpida num só tronco, 
casco de fundo achatado, sem quilha nem leme (Holanda, 1976). 
 
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 27 
Definida a mineração como principal atividade econômica da Colônia, a região 
paulista de Sorocaba passou a atuar como elo de ligação entre o Sul e as 
regiões mineradoras. 
Muitos dentre os bandeirantes paulistas, que desde os anos Seiscentos 
freqüentavam os campos e pampas do Sul aprisionando índios para escravizá-
los, transformaram-se em preadores dos rebanhos de reses e de mulas 
selvagens que lá viviam – principalmente quando descobriram o valor desses 
animais para o abastecimento de Minas Gerais. Até cerca de 1730, os paulistas 
iam para o Sul pelo litoral. A partir de então, passou-se ao uso de outro caminho, 
pela faixa de campos que se estende de Curitiba para o Sul (Petrone, 1960). 
Paulistas passaram a efetuar o comércio de reses e de burros: buscavam os 
animais, selvagens, nos campos do Sul ou nos criatórios de Curitiba e 
conduziam os rebanhos às regiões mineradoras, principalmente. É importante 
lembrar que as tropas de muares efetuaram todo o transporte entre as regiões 
mineradoras das Gerais e de Goiás com os centros abastecedores e com os 
portos exportadores; igualmente, não se pode esquecer que, até o advento das 
ferrovias, toda a produção agrícola paulista para exportação – açúcar, 
aguardente, café e os produtos secundários – chegou aos portos exportadores 
por meio das tropas. Eram estas que transportavam, nas viagens de retorno, os 
gêneros, os instrumentos, as ferramentas, o vestuário, as encomendas chegadas 
da Europa, enfim, tudo aquilo que os habitantes do interior utilizavam em seu 
quotidiano. 
Na bacia do Rio Sorocaba, o estabelecimento de imensas fazendas e de 
povoações iniciara-se já em meados do século XVII. O povoado de Nossa 
Senhora da Ponte de Sorocaba, por exemplo, foi elevado à condição de vila em 
1661. 
 
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Depois, já na passagem dos séculos XVII para o XVIII, os campos sorocabanos 
constituíam local da última invernada para as tropilhas de cavalos provenientes 
de Curitiba; em 1750, o registro dessas tropas foi transferido de Itu para 
Sorocaba. As invernadas passaram a receber também as tropas de muares 
chucros que os paulistas buscavam no Sul e levavam para a região Sudeste. 
Na vila de Sorocaba estabeleceu-se um dos principais centros comerciais 
paulistas, com as famosas feiras de muares, que perduraram até 1897. Esses 
animais comporiam as conhecidas tropas de comércio. Cada feira durava dois 
meses e, além do comércio de animais, para o qual compareciam ricos 
comerciantes, gerava intenso e rico artesanato – seleiros, guasqueiros, ourives, 
sapateiros, chapeleiros, ferreiros, doceiras, rendeiras, costureiras (Brum, 1999). 
Entre fins do século XVIII e inícios do XIX, a região sob estudo integrou a área 
paulista grande produtora de açúcar e aguardente para exportação. A fertilidade 
das terras marginais aos Rios Sorocaba e Tietê atraiu fazendeiros e posseiros. 
Grandes e pequenas fazendas, canaviais, engenhos e alambiques, movidos a 
trabalho escravo, modificaram a paisagem regional. O escoamento dos produtos 
fazia-se por tropas de muares que, do interior paulista, demandavam a cidade de 
São Paulo e daí, pelo Caminho do Mar, o porto de Santos. O atual município de 
Tietê – de cujo território desmembrar-se-ia Cerquilho, posteriormente - originou-
se da vila da Santíssima Trindade de Pirapora, povoação que remonta a 1811. 
Na década de 1870, as ferrovias rapidamente foram substituindo as tropas de 
muares. A imensa produção cafeeira para exportação e os riscos que os grãos 
de café corriam quando submetidos aos rigores de demoradas viagens, exigiram 
um meio de transporte mais potente e rápido. 
A Estrada de Ferro Sorocabana, em 1872, atingiu o sul da província paulista e o 
vale do Rio Paraná. Esta ferrovia guardou certa independência em relação à 
malha ferroviária implantada em outros pontos da Província paulista, e que 
 
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buscavam acesso à Capital e ao porto de Santos para o escoamento do café: 
zona tradicional de pastagens, invernadas e cultura canavieira e culturas de 
subsistência, a cafeicultura não constituiu atividade principal. A Sorocabana faz 
surgirem novas vilas em seu percurso. 
O município de Cerquilho insere sua história nesse contexto. 
O povoado começou a formar-se por volta de 1870, com a fixação de moradores 
ao redor de um cercado ou cerquilho – usado para abrigar animais 
comercializados na feira de muares de Sorocaba - no bairro conhecido por 
“Cerquilho Velho”, em meio às fazendas da então vila de Tietê. 
Em 1883 os trilhos da Sorocabana, vindos de Boituva e buscando Tietê, 
chegaram a Cerquilho. Um ramal seguiu para Tietê e o tronco férreo tomou o 
rumo de Botucatu. À beira da ferrovia construíram-se as primeiras habitações do 
atual centro urbano cerquilhense, núcleo oficialmente fundado em 1888. 
Pouco tempo depois começaram a chegar os imigrantes italianos, portugueses, 
espanhóis, sírio-libaneses. Vila em 1914 e município em 1948, Cerquilho, além 
da agricultura e pecuária, desenvolveu uma indústria incipiente. 
.As fotos a seguir mostram a estação ferroviária inaugurada em 1883; fazia parte 
da linha-tronco da Estrada de Ferro Sorocabana. Na década de 1940, um vagão 
carregado com explosivos explodiu na frente da estação, destruindo-a e a várias 
casas próximas; o prédio foi reconstruído. Em 1999, a Ferroban desativou a linha 
férrea para passageiros, mantendo apenas o transporte de cargas. O antigo 
armazém da estação, em 2001, passou a centro de atividades para idosos da 
cidade (Giesbrecht, 2004) . 
 
 
 
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Foto 10 - Em 1998, passageiros 
desembarcados do trem da Fepasa, na 
plataforma;a estação já se encontrava 
fechada. (Foto Ralph M. Giesbrecht) 
Foto 11 - A estação, ao fundo, em 1998. 
(Foto Ralph M. Giesbrecht)t 
 
Foto 12 - Armazém da estação, em 
1998.( Foto Ralph M. Giesbrecht)t 
Foto 13 - A estação em 2001.(Foto 
Adriano Martins) 
 
 
Foto 14 - A estação em 2003. (Foto 
Rodrigo F. Forte) 
Foto 15 - A estação em 2003. 
(Foto Rodrigo F. Forte) 
 
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho1.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho1.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho2.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho2.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho-arm.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho-arm.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho_am.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho_am.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho031.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho031.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho032.jpg
http://sp4br70.digiweb.psi.br/c/fotos/cerquilho032.jpg
 
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4. ÁREA DIRETAMENTE AFETADA 
4.1. Procedimentos de avaliação 
A avaliação da área diretamente afetada foi realizada através vistoria de campo, 
com o objetivo de verificar o potencial arqueológico do local, visto que há fontes 
escritas referindo-se a sítios arqueológicosno município e redondezas. 
Em campo, realizou-se caminhamento em toda a área do empreendimento e 
adjacências (carreiros de canavial) e aferiram-se as coordenadas UTM de vários 
pontos. 
A área do empreendimento está localizada ao lado esquerdo do rio Sorocaba, 
em topo de colina, possuindo um leve declive em direção ao rio. Em toda a área 
há afloramentos de basalto e arenito e em uma área próxima foram encontrados 
veios de sílex e calcedônia (UTM 23K 0210131/7434157). Nos locais nos quais o 
basalto e o arenito não afloram, o solo é vermelho e argiloso (terra roxa). 
 
 
 
Foto 16 - Afloramento de basalto e arenito na 
área do empreendimento UTM 23K 0213493 / 
7435532 
Foto 17 - Veio de sílex e calcedônia 
em uma área próxima à barragem. 
 
 
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Foto 18 - Vista geral da área 
A vegetação atual na margem esquerda é rala e espaçada, sendo relativamente 
fácil identificar vestígios arqueológicos aflorados em superfície. Mas, na margem 
direita há uma pequena área de preservação com mata densa; onde não foi 
possível realizar a vistoria arqueológica. 
 
Foto 19 – aspecto da vegetação presente nas margens 
 
 
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4.2. Resultados 
Na vistoria arqueológica realizada na área do empreendimento foram localizados 
vestígios arqueológicos aflorados em superfície. 
Em entrevista realizada com o caseiro da barragem, Sr. Luiz Raimundo da Silva, 
54 anos, informou que há 12 anos trabalha na área e nunca observou vestígios 
arqueológicos na propriedade. 
Durante o caminhamento, observou-se que houve remoção de solo em uma 
pequena porção de aproximadamente 20 m2 dentro da área do empreendimento. 
Encontraram-se três ocorrências de vestígios arqueológicos líticos na área: 
 Ponto 1: nas coordenadas UTM 23K 0213648/ 7435658, foi encontrada uma 
lasca inteira de sílex in situ no carreador de um canavial, próximo à cerca, ao 
lado da área das futuras obras. 
 
Foto 20 – lasca de sílex 
 
 
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 Ponto 2: nas coordenadas UTM 23K0213696/7435902, visto a boa 
visibilidade do solo, foram encontradas um lasca inteira e um fragmento de 
lasca in situ, ambos em calcedônia. 
 
Foto 21 – lasca e fragmento de lasca de calcedônia 
 
 Ponto 3: nas coordenadas UTM 23K 0213662/7436074, foi encontrado um 
núcleo de arenito, também em in situ . 
 
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Foto 22 – núcleo de arenito silicificado 
 
 
Foto 23 – pontos onde foram localizadas as peças líticas lascadas 
 
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A parte edificada da barragem, como sua própria estrutura de barramento e a 
casa de maquinas, foi construída por volta de 1920/30 e pode ser considerada 
patrimônio do município. O maquinário da casa de máquinas é de 1988, bem 
mais recente que a data de construção da barragem. 
 
 
Foto 24 - Vista da Barragem Foto 25 -Barragem e casa de máquinas 
 
 
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5. AVALIAÇÃO DE IMPACTOS E MEDIDAS RECOMENDADAS 
O levantamento de dados secundários, realizado para a AII e AID, comprova que 
o município de Cerquilho apresenta grande potencial arqueológico. Na ADA, 
especificamente, esse potencial foi comprovado pela identificação de ocorrências 
de artefatos lascados de sílex. 
Além disso, o local escolhido para o empreendimento, até hoje, possui uma boa 
área de captação de recursos primários: pesca, fonte de matéria prima de boa 
qualidade e solo de boa qualidade para plantio, o que reforça seu potencial para 
o assentamento das populações indígenas que habitaram a área no período pré-
colonial, tanto caçadoras-coletoras quanto agricultoras. 
Considera-se, portanto, alta a probabilidade de ocorrência de sítio arqueológico 
na área do empreendimento, que pode vir a ser destruído, total ou parcialmente, 
pelas obras de implantação da PCH, ou submerso durante o enchimento do 
reservatório. 
Pelos motivos acima, para evitar danos a bens arqueológicos eventualmente 
contidos na área de intervenção do empreendimento, esta deverá ser objeto de 
um Programa de Prospecções Arqueológicas Intensivas, conforme recomendado 
pela Portaria IPHAN 230/2002 e pela Resolução SMA 34/2003. 
Atenção também deverá ser dada às estruturas constituintes da barragem que, 
construídas entre 1920 e 1930, fazem parte integrante da história do município, 
integrando, portanto, seu patrimônio histórico. 
 
 
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6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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Arcadis Tetraplan S.A., 2004. 
BERNARDO, W. E. Informe preliminar das pesquisas do acervo cerâmico arqueológico 
do Museu Histórico Sorocabano - 1995/96. La Paz, Projeto Gêneses Sorocabana 
(mimeo), 1997. 
BRUM, N.B. de – Caminhos do Sul. Porto Alegre, Metrópole, 1999. 
CALDARELLI, S.B. – Lições da Pedra: aspectos da ocupação pré-histórica no vale 
médio do Rio Tietê, Estadfo de São Paulo. São Paulo, Tese de Doutoramento, 
FFLCH-USP, 1983. 
CALDARELLI, S.B. – Os Caçadores do Tietê. Ciência Hoje, 4 (19), 1985: 40-43. 
CALDARELLI, S. B. (Org.) - Pesquisas arqueológicas na Bacia do Rio Guareí, SP. 
Relatório apresentado à FAPESP, São Paulo, 1985b. 
CALDARELLI, S. B. - A arqueologia do interior paulista evidenciada por suas rodovias. 
Revista de Arqueologia, São Paulo, SAB, 14/15: 29-55, 2001/2002. 
CALDARELLI, S. B. - Relatório Parcial do Levantamento Arqueológico no Sistema 
de Distribuição de Gás Natural: Ramal Araçoiaba da Serra – Capela do Alto – Tatuí 
– Cesário Lange (SP) – Resultados de Campo. São Paulo, Tetraplan/Scientia, 2002. 
CALDARELLI, S.B. – Relatório Final do Levantamento Arqueológico no Sistema de 
Distribuição dde Gás Natural: Ramal Araçoiaba da Serra – Capela do Alto-
Tatuí-Cesário Lange (SP). São Paulo Tetraplan/Scientia, 2003. 
CALDARELLI, S. B. & W. E. BERNARDO - Projeto de Salvamento Arqueológico do 
Sítio Itapetininga 1, Rodovia SP-127: Relatório Final. São Paulo, Scientia, 2002. 
CALDARELLI, C.E. & CALDARELLI, S.B. – O Patrimônio Arqueológico e Histórico-
Cultural da APA de Corumbataí, SP. Relatório encaminhado à SMA-SP. São 
Paulo, ENGEA, 1989 
CALDARELLI, C.E. & CALDARELLI, S.B. – O Patrimônio Arqueológico e Histórico-
Cultural da área da UHE Porto Primavera (MS/SP). Relatório encaminhado à SMA-
SP. São Paulo, THEMAG, 1992/1993. 
CALDARELLI, S. B. & W. A. NEVES - Programa de Pesquisas Arqueológicas no Vale 
Médio do Rio Tietê: 1980/1982. Revista de Pré-História, IPH-USP, 1982 (4): 19-81. 
FLORESCER – Relatório Ambiental – Reativação da PCH São João. Piracicaba, 
Agro-Ambiental Florescer S/C, 2002. 
 
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SCIENTIA 
 
 
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GIESBRECHT, R.M. – Estações ferroviárias do Estado de São Paulo. In: 
http//www.estaçoesferroviarias.com.br, 2004. 
HOLANDA, S.B. de – Monções. 2ª. ed. São Paulo, Ed. Alfa-Ômega, 1976. 
IBGE – Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Vol. XXVIII. Rio de Janeiro, 1957. 
MAXIMINO, E. P. B.- Sítios com pederneiras no Vale Médio do Rio Tietê: um Estudo 
de Arqueologia Histórica. Dissertação de Mestrado, FFLCH-USP, 1986. 
PETRONE, M.T.S. – As Áreas de Criação de Gado. In: HOLANDA, S.B. de (Dir.) – 
História Geral da Civilização Brasileira, T. I, vol. 2. São Paulo, DIFEL, 1960:218-227. 
PETRONE, M.T.S. – A Lavoura Canavieira em São Paulo. Expansão e Declínio 
(1765-1851). São Paulo, DIFEL, 1968. 
SCIENTIA – Levantamento e Resgate Arqueológico na Faixa de Domínio da 
Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) – Relatório Final. São Paulo, Scientia 
Consultoria Científica, 2001. 
SCIENTIA – Prospecção Arqueológica no Ramal Porto Feliz-Laranjal Paulista do 
Sistema de Distribuição de Gás Natural SPS, São Paulo – Projeto. São Paulo, 
Scientia Consultoria Científica, 2004. 
 
 
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7. EQUIPE TÉCNICA 
 
Coordenação: Dra. SolangeB. Caldarelli 
Levantamento de campo: 
Wesley Charles de Oliveira 
Keylla Barros Rodrigues Valença 
Sistematização dos dados e 
pesquisa histórica: 
Ms. Eneida Malerbi

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