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Rastreamento e prevenção do câncer

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estabelecimento de 
condutas e indicação de teste genético); (3) estimativa de risco: a definição dos riscos associados ao desenvolvimento da 
doença, assim como riscos reprodutivos, isto é, associação à transmissão da mutação; (4) transmissão da informação: 
transmissão das informações relevantes na evolução, transmissão, condutas de vigilância e redução de risco; (5) avaliação 
psicológica: deve ser realizada antes e após a realização do teste genético; (6) suporte e seguimento: orientação 
antecipatória, encaminhamento a grupos de pacientes, estratégias de seguimento. 
Estimativas de risco bem definidas são muito importantes porque é através delas que serão indicados testes genéticos e 
planejadas estratégias de conduta. Em muitas SPHC os principais genes responsáveis foram identificados, possibilitando a 
realização de teste genético para a detecção de mutações germinativas nestes genes. Além de seu fundamental papel para 
a confirmação de uma suspeita clínica de SPHC, este teste genético também tem um caráter preditivo, uma vez que o 
mesmo pode identificar indivíduos portadores de mutação germinativa, mas que ainda não desenvolveram câncer. Por este 
motivo, nas situações em que um teste genético é oferecido, o processo de aconselhamento genético envolve pelo menos 
uma consulta pré-teste, avaliação psicológica do indivíduo testado, além das consultas pós-teste genético. 
 
Três possíveis resultados do teste genético poderão ocorrer: a) resultado positivo: confirma a presença de uma SPHC no 
paciente-índice e permite investigar a mutação em demais familiares; b) resultado negativo: é um negativo “verdadeiro” 
quando for o resultado da pesquisa de uma mutação já conhecida por estar segregando na família. Caso seja a investigação 
inicial de um probando afetado (caso índice), um resultado negativo deve ser considerado dentro do contexto de sua 
sensibilidade, especificidade e valor preditivo daquele teste, e frequentemente não representa um negativo “verdadeiro”; 
c) resultado inconclusivo: variação de significado patológico indefinido, por exemplo, mutações de substituição ou outras 
variantes não descritas previamente na literatura e cujo significado patológico não esteja ainda esclarecido. 
 
Desde 2015, são cobertas as análises dos genes BRCA1 e BRCA2 para o diagnóstico de câncer de mama familiar, MEN-1 e 
MEN-2 para neoplasia endócrina múltipla, APC e MUTYH para polipose adenomatosa familiar, e dos genes MLH1, MSH2, 
MSH6, PMS2 e EPCAM para síndrome de Lynch. Nesses casos, além da inclusão do procedimento genético para o 
diagnóstico da doença, também é coberto pelo plano de saúde o procedimento cirúrgico profilático e de reconstrução. 
O diagnóstico precoce é um forte aliado no combate ao câncer hereditário, já que esses pacientes apresentam um 
prognóstico mais reservado do que a população geral e, portanto, precisam de tratamentos oncológicos mais caros e 
demorados. Estudo realizado em população judia demonstrou que a identificação precoce de indivíduos de alto risco para 
câncer auxiliou no diagnóstico precoce e refletiu em uma redução de gastos com o tratamento oncológico. 
 
O principal objetivo da sub-rede de aconselhamento genético é estabelecer uma rede de atendimento genético-clínico 
integrada, voltada ao atendimento de indivíduos portadores de alto risco de desenvolvimento de formas hereditárias de 
câncer. Os objetivos específicos são: (a) fornecer suporte ao diagnóstico e condutas clínicas nas SPHC; (b) programar 
fluxogramas de investigação, conduta e aconselhamento genético nas principais SPHC; (c) propor estratégias para avaliar a 
efetividade das atividades de aconselhamento genético, investigação, manejo, impacto na qualidade de vida, morbidade e 
mortalidade; definir as indicações dos testes genéticos de predisposição, discutindo seus aspectos médicos, éticos, 
psicossociais, legais e de interesse para a saúde pública; (d) criar uma proposta de currículo básico para capacitação e 
treinamento em aconselhamento genético e oncogenética. 
 
TERAPIA GÊNICA 
 
Entende-se terapia gênica como a capacidade do melhoramento genético por meio da correção de genes alterados 
(mutados) ou modificações sítio-específicas, que tenham como alvo o tratamento terapêutico. Atualmente, a terapia gênica 
é uma área predominantemente existente em laboratórios de pesquisa, e sua aplicação ainda é experimental. Uma das 
técnicas mais amplamente utilizada consiste na tecnologia do DNA recombinante, na qual o gene de interesse ou saudável 
é inserido em um vetor, que pode ser plasmídial, nanoestruturado ou viral, sendo este último o mais utilizado, por sua 
eficiência em invadir células e nelas introduzir seu material genético. 
 
Embora vários protocolos sejam bem-sucedidos, o processo de terapia gênica permanece complexo, e muitas técnicas 
necessitam de novos desenvolvimentos. As células específicas do corpo que necessitam de tratamento devem ser 
identificadas e acessíveis. Um meio de distribuição eficaz das cópias do gene para as células deve estar disponível, e as 
doenças e suas estritas ligações genéticas necessitam ser completamente compreendidas. Há ainda a importante questão 
do tipo celular alvo da terapia gênica que, atualmente, é subdividido em dois grandes grupos: terapia gênica de linhagem 
germinativa e terapia gênica de células somáticas. Na terapia gênica de linhagem germinativa, as células germinativas, com, 
por exemplo, o espermatozoide e o óvulo, são modificadas pela introdução de genes funcionais, os quais são integrados ao 
genoma. As alterações são hereditárias e passam para gerações subsequentes. Em teoria, esta abordagem deve ser 
altamente eficaz na luta contra doenças genéticas e hereditárias. A terapia gênica de células somáticas é quando genes 
terapêuticos são transferidos para células somáticas de algum paciente. Qualquer modificação e quaisquer efeitos são 
restritos somente ao paciente e não são herdadas pelas futuras gerações. 
 
Processo de terapia gênica: liberação do gene 
Na terapia gênica, um gene normal é inserido no genoma para substituir um gene anormal responsável por causar 
determinada doença. De vários desafios envolvidos no processo, um dos mais consideráveis é a dificuldade na liberação do 
gene na célula-alvo. Assim, um carreador molecular denominado “vetor” é utilizado para a liberação do gene, a qual precisa 
ser muito específica, apresentar eficiência na liberação de um ou mais genes de tamanhos necessários para aplicações 
clínicas, não ser reconhecido pelo sistema imune e ser purificado em grandes quantidades e altas concentrações, para que 
o mesmo possa ser produzido e disponibilizado em grande escala. Uma vez que o vetor é inserido no paciente, este não 
pode induzir reações alérgicas ou processo inflamatório, deve aumentar as funções normais, corrigir deficiências ou inibir 
atividades deletérias. Ainda, deve ser seguro não somente para o paciente, mas também para o meio ambiente e para os 
profissionais que o manipulam. Por fim, o vetor deve ser capaz de expressar o gene, em geral, por toda a vida do paciente. 
 
Embora a eficácia dos vetores virais seja comprovada, recentemente alguns estudos demonstraram que o uso destes 
carreadores apresentou diversas limitações. A presença do material genético viral no plasmídeo é um forte agravante, pois 
pode induzir uma resposta imune aguda, além de possível transformação oncogênica. Atualmente, existem duas 
abordagens principais para modificações genéticas das células, a saber: mediada por vírus e via mecanismos físicos, a partir 
de preparados obtidos por técnicas avançadas de nanotecnologia. Neste contexto, estão incluídos polímeros que formam 
redes que prendem um gene e soltam sua carga quando penetram nas células, como microinjeções de DNA, polímeros 
catiônicos, lipossomos catiônicos e bombardeamento de partículas. 
 
Terapia com células T do receptor de antígeno quimérico 
Na terapia com células