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Histórico da Saúde do Trabalhador

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Gabrielle Assis dos Santos	
Histórico da Saúde do Trabalhador 
O trabalho possui o significado de uma atividade social do homem, que visa transformar o meio em que vive com um esforço afirmado e desejado para a realização de objetivos. Geralmente, tem significados variáveis e individuais, mas no geral podemos dizer que significa dignidade, realização, crescimento, respeito e renda.
Assim, Engels (1985), afirma que na medida em que o homem coloca seu corpo, sua consciência a serviço de algum objetivo, vai travar relação com a natureza e com outros homens. Neste sentindo, a atividade do trabalho é o elemento de desenvolvimento do próprio homem, sendo este indispensável à sua existência. A relação homem e natureza só existem em função do trabalho, pois este transforma a matéria vinda da natureza em riquezas ao mesmo tempo em que transforma a si mesmo(1).
No Feudalismo, a ruralização da economia atingiu diretamente as classes sociais instituídas no interior de Roma. A antes abrangente classe de escravos e plebeus veio a compor, com os povos germânicos, uma classe campesina consolidada como a principal força de trabalho dos feudos. Trabalhando em regime de servidão, um camponês estaria atrelado à vida rural em virtude das ameaças dos conflitos da Alta Idade Média e da relação pessoal instituída com a classe proprietária, ali representada pelo senhor feudal (2).
Se a Revolução Industrial atingiu seu apogeu no século XIX, no século seguinte se deparou com a primeira crise da acumulação do capital que teve seu início nos anos de 1970, enfatizando-se na década de 1990 com os processos de reestruturação produtiva e de ajustes estruturais. Pode-se dizer, que nas últimas décadas as relações sociais e de trabalho sofreram profundas modificações, principalmente no que diz respeito às privatizações, um dos motivos responsáveis pelo alargamento do desemprego, do contrato temporário e consequentemente do aumento da desigualdade e da exclusão social (1).
As transformações não refletem apenas nas relações de trabalho, provocam modificações drásticas na vida cotidiana do trabalhador, como: nos direitos, na educação, no lazer e na vida privada, acentuando, cada vez mais, a concentração do capital para um número bastante reduzido e a pobreza se ampliando gerando em larga escala as contradições sociais. Sem dúvida, o trabalho precário e o desemprego estrutural associam-se à desestruturação das políticas sociais e mostram na atualidade uma realidade social dramática e perversa oriunda da histórica relação entre política social e processo de acumulação capitalista (1). 
Frente a todo este processo de contradições das relações econômicas e sociais, o universo das relações de trabalho no capitalismo vem progressivamente adquirindo múltiplas processualidades, as quais também não são novas mais duráveis e persistentes que são "a expansão do trabalho parcial, temporário, precário, subcontrato, 'terceirizado', que marca a sociedade dual no capitalismo [...]" (3).
Por outro lado, dá-se a subproletarização do trabalho, os novos postos de trabalho, parcial, "terceirizado", subcontratado, os quais tomam forma de relações informais de emprego. É a "precariedade do emprego e da remuneração; a desregulamentação das condições de trabalho em relação às normas legais vigentes ou acordadas e a consequente regressão dos direitos sociais, [...] configurando uma tendência à individualização extrema da relação salarial" (3).
Como decorrência desta nova estrutura do mercado de trabalho capitalista, em que os “vencedores” se apropriam do trabalho dos “perdedores”, surge uma nova forma de exploração do trabalho na qual o instrumento passa a ser o capital humano, em semelhança àquela tradicional do capital físico, descrita por Marx, que reforça a tendência inerente de geração de desigualdades por parte do sistema econômico capitalista (4). 
O trabalho gera valor para reposição dos meios de produção, reprodução da força de trabalho (salário) e lucro. Portanto o trabalhador não recebe por tudo que produz. A classe trabalhadora em sua maioria, que só possui a força de trabalho, precisa se assalariar para outro. Entretanto, busca-se na sociedade uma redução dos gastos com força de trabalho, com demissões, redução de salário, reestruturação produtiva, aumento das jornadas de trabalho. 
Os efeitos disso são a desigualdade social e a concentração de riquezas nas mãos de poucos tem aumentado progressivamente, de maneira que quase 1/3 da população mundial vive em absoluto estado de miséria, principalmente nas regiões da América Latina, África, Oriente Médio, Sudeste Asiático e leste Europeu.
Desde a época pré histórica já existia o risco de algum tipo de agravo ou adoecimento em qualquer atividade humana. Na idade média a força produtiva era dominada pelos artesãos, e os acidentes eram conhecidos apenas por quem frequentava as oficinas, sem existir nenhuma legislação. 
No século XVII, Bernardino Ramazzini escreve o tratado sobre as doenças dos trabalhadores, obra de referência até a Revolução Industrial com o aparecimento de novos problemas sanitários, onde ele estudou riscos ocupacionais em mais de 50 profissões. A Revolução Industrial traz uma série de problemas e adoecimento, em mulheres e crianças, com jornadas de mais de 15 dias, na qual não existiam leis de proteção, onde o trabalhador devia provar que não havia sido culpado pela ocorrência do acidente sofrido. 
Toda essa modernização nos processos de trabalho associados a precarização das condições de trabalho levam um risco a sobrevivência do próprio processo produtivo em decorrência dos acidentes e doenças que acometiam os trabalhadores. O Poder Público, a partir da segunda metade do século XIX, faz então uma edição de normas visando a melhoria das condições sanitárias de trabalho. As normas só começam a existir pois os adoecimentos colocavam em risco os processos produtivos, ou seja, levavam prejuízo as indústrias. 
A organização de uma atenção diferenciada à saúde dos trabalhadores surge, no mundo ocidental, no século XVIII, na Inglaterra, com a Revolução Industrial. Pressionados pelos prejuízos econômicos, decorrentes dos altos índices de acidentes e adoecimentos determinados pelas péssimas condições de vida e trabalho e pelas reinvindicações dos trabalhadores por mudanças industriais da época passaram a contratar médicos, atribuindo-lhes a responsabilidade de “cuidar’’ da saúde dos trabalhadores. 
A partir da metade do século XIX cresce o movimento organizado de trabalhadores em busca de seus direitos, a reformulação da legislação trabalhistas. Foi um periodo marcado por uma intensa movimentação social e luta por igualdade, exigências formuladas de forma coletiva pelos trabalhadores com o auxílio de análises técnicas, além de leis que visam integridades físicas, saúde, liberdade sindical e direito a informação.
A medicina do trabalho era centrada na doença, buscando atender o trabalhador doente para que ele se recuperasse e voltasse rapidamente ao trabalho, ou seja, não interferia nas condições de trabalho, afim de evitar novas doenças ou acidentes. A saúde ocupacional, os profissionais da saúde não trabalhavam juntos, ficava restrito a empresa. Já a saúde do trabalhador, leva em conta as relações sociais de produção, legislações referentes ao pais, não só mais dentro de cada empresa. 
O movimento da saúde do trabalhador no Brasil toma forma no final dos anos 1970, com o acelerado número de trabalhadores industriais, tendo como eixos a defesa do direito ao trabalho digno e saudável, a participação dos trabalhadores nas decisões sobre a organização e gestão dos processos produtivos e a busca da garantia de atenção integral à saúde. 
O marco da saúde do trabalhador foi a Constituição Federal de 1988, que considera a saúde como direito social, garantindo aos trabalhadores a redução aos riscos inerentes do trabalho, instituindo leis de amparo ao trabalhador. Inclui a saúde do trabalhador no âmbito do Direito Universal à Saúde e como competência dos SUS em seus artigos. 
Ainda no âmbito da Constituição

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