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velhice e sociedade industrial

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Velhice e Sociedade Industrial 
Ao envelhecer e consequentemente perder suas habilidades, bem como sua força, 
o idoso não mais consegue produzir e trabalhar, perdendo então sua posição social e 
passando a ser desvalorizado. “A racionalização, que exige cadências cada vez mais 
rápidas, elimina da indústria os velhos operários” (BOSI, 1987, p.36). 
Conforme Ecléa Bosi (2003) cita em sua obra “O tempo vivo da memória” a 
memória dos velhos é capaz de transmitir valores, atitudes, sendo uma conexão entre a 
geração mais nova, com o passado, ou seja, como a autora cita, um intermediário informal 
da cultura, sendo que a sociedade industrial (BOSSI, 1983) prejudica esse fenômeno, pois 
ganha-se um outro ritmo, impede que o idoso compartilhe com a próxima geração, o que 
em algum momento da sua vida foi seu, transferir para o outro o que dava sentido para a 
sua vida, o que o constituía. A industrialização diminui a possibilidade da perpetuação do 
velho, prejudicando o que até então era a função social dos mesmos, o resgate da memória, 
raiz memorial. A classe social é um fator importante quando se diz a respeito da 
continuação ou não do velho, isso porque as acumulações de bens, propriedades, 
promovem a valorização do sujeito 
Outro ponto importante levantado por Bosi (1987) é a abdicação do diálogo para 
com o velho, sendo este um sujeito a ser tolerado, sem que haja a possibilidade da troca 
de experiências, opiniões, não há discussão com a pessoa idosa, e assim nega-se, 
automaticamente, o desenvolvimento da alteridade, da contradição, do afrontamento, uma 
relação marcada pela indiferença. 
“A velhice, que é fator natural como a cor da pele, é tomada preconceituosamente 
pelo outro” (BOSI, 1987, p.37). Ainda de acordo com Bosi (1987), a pessoa idosa se sente 
limitada, lutando para continuar a ser gente, em um período de sua vida, considerado pela 
sociedade, de declínio. A compreensão de que nas crianças se investe, simboliza esse 
“declínio”, já que elas representam o futuro, a perpetuação, e com os velhos, o movimento 
é o contrário, ocorre o silenciamento e o 
entendimento que o que ele produziu enquanto pessoa não mais importa e muito menos 
se entende que o tempo presente também o pertence, bem como o que ele pensa sobre. 
Referências: 
BOSI, E. (1987). Memória e sociedade: lembrança de velhos. São Paulo: Edusp. Cap. 
A velhice na sociedade industrial. 
BOSI, E. (2003) O tempo vivo da memória. São Paulo: Edusp. Cap. Sobre a memória.