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O atendimento extra consultório - Psicologia

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O atendimento extra consultório: 
redefinindo o papel do 
acompanhante terapêutico
• O papel do Acompanhante Terapêutico (AT) surge com a necessidade de um cuidado 
individualizado a pacientes psiquiátricos que moravam em comunidades terapêuticas, 
teve origem na Argentina, no final da década de 60. Em princípio, era chamado de 
auxiliar psiquiátrico.
• A ideia mais geral que fundamentava esta atividade parte do princípio de que uma 
pessoa psiquicamente enferma, passando por agudo sofrimento, teria necessidade, 
para se restabelecer, de uma atenção intensiva, personalizada, tecnicamente 
preparada, exercida coletivamente por uma equipe.
• A política de saúde dos governos militares da década de 70 inviabilizou a 
continuidade das comunidades terapêuticas. Os auxiliares psiquiátricos, então sem 
apoio institucional, continuaram a ser solicitados para trabalhos particulares na 
residência do paciente, como uma alternativa a internação psiquiátrica.
• Este profissional, a princípio, foi chamado de amigo qualificado, no entanto, esta 
denominação levava uma confusão quanto à natureza do trabalho, já que poderia 
destacar o componente amistoso do vínculo. Substitui-se então o termo por 
acompanhante terapêutico
• Atender a casos psiquiátricos graves requer uma equipe tecnicamente qualificada, 
atuando em caráter intensivo. Geralmente são realizados vários atendimentos 
semanais com especialistas (psiquiatra psicólogo neurologista e etc.). Tais 
especificações tem custo bastante elevado, condição que pode comprometer a sua 
viabilidade. 
• Para diminuir os custos sem perda dos benefícios terapêuticos, é comum a prática de 
se contratar estudantes de Psicologia, Psiquiatria e outras áreas de saúde para 
executar tarefas semelhantes àquelas que originalmente seriam executadas pelos 
profissionais. Permite-se, dessa forma, a superação de barreiras de cunho econômico, 
técnico e emocional, viabilizando um atendimento que, de outra maneira, poderia ser 
inacessível, pensando que a família, por estar muito envolvida com o paciente, pode 
não conseguir auxiliá-lo da maneira correta.
• Para o estudante, essa atividade fornece oportunidade de colocar em prática parte 
do conhecimento adquirido na universidade, numa atividade supervisionada e 
remunerada. Por estar numa situação de aprendizagem, ele possui geralmente 
menores expectativas de remuneração do que profissionais. Essa solução (recorrer a 
estudantes como acompanhantes terapêuticos) satisfaz as necessidades de todos os 
envolvidos e colaborar com o sucesso do tratamento.
• Com relação a interação do acompanhante terapêutico com outros profissionais é 
importante salientar que:
• cabe ao analista do comportamento (terapeuta) a tarefa de analisar as contingências. Ele deve ser 
capaz de compreender as variáveis das quais o comportamento do cliente é função e, com base 
nisto, planejar e decidir com cliente e família o melhor momento de procedimentos e atividades 
terapêuticas
• Ao acompanhante terapêutico, cabe primeiramente obter informações que auxiliem na elaboração 
dessa análise funcional em segundo lugar desenvolver as atividades terapêuticas e procedimentos 
planejados sempre sob supervisão constante.
• Atuar com base na análise do comportamento significa focalizar a intervenção sobre 
a relação estabelecida entre o cliente e o seu ambiente. Intervir no ambiente natural 
do cliente é uma decisão clínica que depende da análise de contingências que o 
terapeuta faz do caso
• O que especifica a função de cada um dos profissionais não é o local de atuação, 
mas as atribuições que cabem a cada um deles. O acompanhante terapêutico é o 
profissional ou estudante cuja função não compreende analisar o caso e decidir quais 
atividades e procedimentos utilizar na sua intervenção, suas ações são 
necessariamente subordinadas as decisões anteriormente elaboradas pelo profissional 
ou equipe com a qual trabalha.
• Algumas habilidades são pré-requisitos para o aluno que se propõe a trabalhar como 
acompanhante terapêutico em abordagem comportamental entre elas vale ressaltar:
• treinamento em observação
• técnicas de entrevista
• relação terapêutica 
• racional e aplicação das técnicas
• noções básicas de psicopatologia e psicofarmacologia 
• Devido ao caráter pouco usual de algumas atividades desenvolvidas pelo acompanhante 
terapêutico, delimitar quais são suas funções e objetivos terapêuticos passa a ser uma tarefa 
difícil. A própria denominação às vezes origina confusões, tanto da parte do profissional 
contratante quanto da família ou do próprio paciente.
• Para leigos, a atuação do acompanhante terapêutico pode sugerir a ideia de uma 
companhia, alguém para passear, jogar conversa fora e fazer atividades que podem ser 
terapêuticas, aqui entendida como algo específico e não planejado com critérios clínicos.
• Um familiar ou paciente não esclarecido pode ter dificuldade em compreender as atividades 
desenvolvidas pelo acompanhante terapêutico, é comum ou familiar referir-se a ele como 
“aquele moço que vem aqui para passear” ou “a enfermeira do fulano”
• Portanto, é fundamental deixar claro seu papel enquanto membro da equipe terapêutica, os 
objetivos de sua proposta de intervenção e a formação que a função exige. Essas são 
medidas que garantem o reconhecimento do profissional e propiciam a eficácia do seu 
trabalho.
• Atuando como acompanhante terapêutico, o profissional depara-se todo tempo com os limites de sua 
prática: como fazer com que o repertório apreendido pelo cliente na situação terapêutica seja 
generalizado para outras situações?
• Sabemos que, para obter sucesso no tratamento, não basta alterar a topografia de uma ou mais 
respostas ou ainda colocar a sua ocorrência sob o controle preciso de estímulos. É preciso que o 
sujeito emita a resposta em seu ambiente natural e que este ambiente forneça as consequências 
adequadas para manutenção do comportamento desejado.
• Atuar no ambiente natural do cliente propicia um controle muito mais próximo daquele vivido pelo 
cliente em seu dia-a-dia na ausência do profissional, mas não deixa de ser uma contingência 
artificial.
• Assim, a orientação familiar (ou em alguns casos a terapia familiar) torna-se necessária nesses casos. 
A família, muitas vezes, torna-se mais um membro da equipe de tratamento nessa etapa da 
intervenção, podendo assumir a manutenção das contingências necessárias para mudança.
Referência
• Zamignani, D. R. & Wielenska, R. C. (1999). Redefinindo o papel do acompanhante 
terapêutico. Em R. R. Kerbauy & R. C. Wielenska (Orgs.), Sobre comportamento e 
cognição: psicologia comportamental e cognitiva � da reflexão teórica à diversidade na 
aplicação. (Vol.4, pp. 156-163). Santo André: Esetec.