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Dermatites

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Dermatites 
➢ Dermatite, também denominada eczema, é um grupo de doenças que causam 
inflamação da pele. Estas doenças são caracterizadas por prurido e vermelhidão da 
pele. Nos casos de curta duração pode ocorrer pequenas bolhas, enquanto nos casos 
de longa duração a pele pode se tornar mais espessa. A área da pele afetada pode 
variar entre muito pequeno e o corpo inteiro. 
DERMATITE DE CONTATO 
❖ Reação inflamatória na pele decorrente da exposição a um agente capaz de causar 
irritação ou alergia. 
❖ Inflamação causada pelo CONTATO entre a pele e um agente exógeno, que pode ser: 
 o Um alérgeno ou um irritante. 
❖ Locais mais frequentes (exposição) em mãos, pés, face e pescoço. 
❖ Evolui por surtos, a cada exposição ao contactante. 
❖ Caráter ocupacional: 
 o Pedreiros, químicos, pintores, donas de casa. 
 EPIDEMIOLOGIA 
❖ Acometem igualmente ambos os sexos e todas as raças. 
❖ Dermatite de contato: todas as faixas etárias. 
❖ Dermatite das fraldas: lactente. 
❖ Dermatite de contato por sensibilização: frequente após a infância. 
❖ Dermatite atópica: tem início a partir do 3º ou 4º mês de vida, podendo começar na 
adolescência ou idade adulta. 
❖ Dermatite seborreica: pode ocorrer ao nascimento ou primeiros dias de vida, porém, é 
mais prevalente na adolescência e idade adulta. 
HISTOPATOLOGIA 
❖ Natureza seroexsudativa. 
❖ Acomete a epiderme e a derme papilar na fase aguda. 
❖ Na camada de Malpighi ocorre exocitose e edema intercelular, com afastamento entre si das 
células, adelgaçando as pontes intercelulares, gerando espaços que se preenchem com 
serosidade. A continuação do processo leva a um edema intracelular. 
❖ Formação de vesículas histopatológicas que podem se manifestar como vesículas clínicas 
dependendo da intensidade e, caso se rompam, formam crostas. 
❖ O edema intercelular altera a ceratinização, levando a paraceratose – expressão clínica é a 
escama. 
❖ O edema na derme papilar justifica o eritema. 
❖ Na fase crônica, o espessamento das camadas da epiderme, hiperceratose, é apresentada 
clinicamente pela liquenificação 
DERMATITE DE CONTATO POR IRRITAÇÃO PRIMÁRIA 
▪ IRRITANTES ABSOLUTOS: ácidos e bases fortes. 
• Ação cáustica da substância leva ao aparecimento imediato da lesão. 
• Eritema a necrose e ulcerações. 
▪ IRRITANTES RELATIVOS: geralmente ácida ou base fraca. 
• Exposição repetitiva ao agente leva a lesão (dias, meses até anos 
de exposição). 
o Eritema e xerose (pele seca) → liquenificação (endurecimento) e hiperceratose 
(espessamento cutâneo). 
• EX: solventes, sabões, detergentes→ ECZEMA DO LAR. 
• EX: urina e fezes também são irritantes primários relativos→ DERMATITE DAS FRALDAS: 
o Geralmente em crianças <2 anos. 
 ▪ Fezes + urina + resíduos de sabonetes e outros 
produtos. 
o Lesões mais intensas nas superfícies convexas 
▪ Dobras são poupadas! 
o Podem complicar com candidíase. 
▪ Pele brilhante, com descamação fina 
▪ Acomete as dobras 
▪ Lesões satélites pápulo-vesico-pustulosas. 
 
▪Testes de contato ou epicutâneos (Patch tets) são negativos. 
 • Não há formação de anticorpos, apenas liberação de mediadores inflamatórios locais. 
▪ Pesquisar na anamnese→ uso de luvas, calor, lesão prévia na pele,plantas (“urtiga”), pele 
danificada previamente, baixa umidade (xerose). 
 • Quebra de barreira cutânea favorece a penetração do irritante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DERMATITE ALÉRGICA DE CONTATO (DCA): 
▪ Contato com ALÉRGENO. 
▪ Envolve sensibilização e reação imunológica do tipo IV (imunidade celular). 
 • Formação de linfócito T específico contra substância contactada (antígeno). 
 • Fase de indução ou sensibilização (via aferente):dura cerca de 15 dias 
o Apresentação do antígeno ao sistema imunológico com a com a formação das células 
de memória 
• Fase de elicitação (via eferente) : 24-48h 
o Contato repetitivo com a substancia promove a migração do linfócito previamente 
sensibilizado para o local do contato. 
▪ Surge após repetidas exposições a um produto ou substância. Depende de ações do 
sistema de defesa do organismo, e por esse motivo, pode demorar de meses a anos para 
ocorrer, após o contato inicial. Essa forma de dermatite de contato aparece, em geral, pelo 
contato com produtos de uso diário e frequente, como perfumes, cremes hidratantes, 
esmaltes de unha e substâncias de uso tópico, metais... 
 
Apresentação clinicas: 
o Sempre com prurido 
o Aguda: hiperemia, vesículas, exsudação e crostas. 
o Subaguda: hiperemia, pápulas, escamas e crostas. 
o Crônica: Liquenificação (pele dura, seca e espessa) 
o Podem ocorrer lesões á distancia 
o Linfadenopatia satélite 
o Infecções secundarias 
o Dias a anos para surgirem as lesões 
 
 
 
 
 
 
 
DERMATITE DE CONTATO FOTOTÓXICA 
▪ Mesmo mecanismo da DCIP, porém a substância para se tornar irritante precisa ter a sua 
estrutura modificada pela luz solar. 
• Eritema→ edema→ bolha→ hiperpigmentação, nas áreas expostas 
a luz. 
• EX: fitofotodermatose por limão. 
 
DERMATITE DE CONTATO FOTOALÉRGICA 
▪ A reação imunológica tipo IV depende do fotoalérgeno e radiação solar. 
• EX: Anti histamínico de uso tópico, perfumes 
 
DIAGNÓSTICO CLÍNICO (MORFOTOPOGRAFIA DAS LESÕES) 
• DCIP: exclusão da suspeita- melhora-reexposição-recidiva 
• DCA: teste de contato (PATCH TEST) 
 ▪ Também denominado teste epicutâneo ou teste de contato, é considerado o 
padrão-ouro no diagnóstico da dermatite de contato alérgica. 
▪ Consiste em colocar as substâncias específicas em contato com a pele do 
paciente, provocando uma exposição do paciente ao alérgeno e produzindo áreas de 
dermatite, ou seja, funciona como um teste de provocação ao contactante. É 
realizado em três etapas (num primeiro momento, 48 horas depois e 96 horas 
depois). Ao término de 96 horas é possível fornecer um laudo. 
▪ Quando o teste é negativo provavelmente a substância envolvida é um irritante 
primário, já que dermatite acontece sem envolvimento de mecanismos alérgico ou 
trata-se de outra doença ou existe outra substância que não foi testada nesta 
bateria. Quando o teste de contato é positivo indica dermatite alérgica de contato. 
 
• As lesões da DCA podem ultrapassar o local de contato e se estender a áreas 
distantes 
 ▪ Fenômeno de autos sensibilidade 
• Biopsia tem pouca utilidade pois só evidencia o eczema 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
o Dermatite seborreica, atópica e micoses superficiais. 
 
➢ TRATAMENTO: 
o Afastar substâncias irritantes ou alergênicas. 
o Proteção da pele. 
o Hidratante. 
o Compressas úmidas com água boricada e corticoide tópico. 
o Corticoide oral por curto período em casos graves. 
DERMATITE ATÓPICA 
Pode ser chamado de eczema atópico, prurigo disseminado ou prurigo distésico. 
➢ Doença inflamatória crônica da pele de causa multifatorial. 
➢ Caráter hereditário – Hx familiar de atopia frequente 
 o História familiar de atopia frequente. 
➢ Evolui em surtos. 
 o Tendência a melhorar com o passar dos anos 
➢ Associação: ASMA e RINITE. 
➢ Marcador da doença: xerose cutânea associado ao prurido 
o Barreira cutânea disfuncional 
➢ Acomete 5 a 20% das crianças em todo o mundo e 1-3% dos adultos. 
 o > incidência em áreas urbanas e países desenvolvidos. 
 o > frequência nas últimas décadas. 
➢ Pode ocorrer em qualquer idade após o terceiro mês de vida. 
 o 85% antes dos 5 anos. 
 o Somente 25% dos casos persistem na idade adulta. 
 
➢ Fatores imunológicos envolvidos: 
o Predomínio da resposta Th2 (humoral) na fase aguda e com a evolução se torna Th1. 
o Elevação de IgE principalmente quando presente manifestações respiratórias. 
o Depressão da imunidade. 
 ▪ Infecções virais, bacterianas e fúngicas de repetição. 
o 75-90%: colonização por S. aureus. 
QUADRO CLÍNICO 
o Tríade: Xerose→Prurido→Eczema. 
o Piora com a sudorese. 
o 03 estágios de acordo com a faixa etária: 
 
 ▪ INFANTIL: até dois anos. 
o