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Análise MP 1.046 de 27 de abril de 2021 - Cascone Advogados

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ANÁLISE DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.046, DE 27
DE ABRIL DE 2021
_____________________________________
JAIR MESSIAS BOLSONARO
Paulo Guedes
Publicação no DOU: 28.04.2021
RESUMO: Dispõe sobre as medidas trabalhistas para enfrentamento da
emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do
coronavírus (covid-19).
COMENTÁRIO: Além de reproduzir em grande parte o que foi disposto na MP
927/2020, o texto atual da MP 1045/2021 buscou mais uma vez alijar as
entidades sindicais do processo negocial e da prerrogativa constitucional da
negociação coletiva. Ainda, permitiu a compensação da jornada em “banco de
horas” por até 18 meses, sem qualquer formalização junto a entidade sindical
e confrontando o que dispõe o limite que já havia sido flexibilizado pela CLT
de até 6 meses por meio de negociação individual. A definição de quando
ocorrerá compensação também ocorrerá por decisão unilateral do
empregador. Em relação ao teletrabalho, o empregado continua dependendo
do empregador para definir qual seria a infraestrutura necessária e a
respectiva forma de reembolso. Em relação ao controle de jornada, o
empregado continua sem qualquer garantia em relação a questão, sendo que
ainda a MP buscou garantir o não pagamento de qualquer jornada
extraordinária no teletrabalho.
Índice
ARTIGO 1º: VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA...............................................................4
ARTIGO 2º: ROL EXEMPLIFICATIVO DE MEDIDAS QUE PODEM SER TOMADAS...........5
ARTIGO 3º: TELETRABALHO...............................................................................................6
ARTIGO 4º: POSSIBILIDADE DE ATIVIDADE NÃO PRESENCIAL PARA APRENDIZ E 
ESTAGIÁRIO.........................................................................................................................9
ARTIGO 5º: ANTECIPAÇÃO DE FÉRIAS INDIVIDUAIS........................................................9
ARTIGO 6º: RETOMADA À EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DOS PROFISSIONAIS 
DE SAÚDE E OUTROS QUE DESEMPENHEM FUNÇÕES ESSENCIAIS.........................11
ARTIGOS 7° e 8º: DIFERIMENTO DO PAGAMENTO DO TERÇO CONSTITUCIONAL DE 
FÉRIAS................................................................................................................................11
ARTIGO 9º: DIFERIMENTO DO PAGAMENTO DA REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS............12
ARTIGO 10: PAGAMENTO DAS FÉRIAS + 1/3 EM CASO DE DISPENSA DO 
EMPREGADO......................................................................................................................13
ARTIGO 11 a 13: FÉRIAS COLETIVAS E DISPENSA DE COMUNICAÇÃO PRÉVIA.........14
ARTIGO 14: ANTECIPAÇÃO DE FERIADOS......................................................................15
ARTIGO 15: BANCO DE HORAS........................................................................................16
ARTIGO 16: SUSPENSÃO DE EXIGÊNCIAS ADMINISTRATIVAS EM SEGURANÇA E 
SAÚDE DO TRABALHO......................................................................................................18
ARTIGO 17: SUSPENSÃO DOS TREINAMENTOS PERIÓDICOS PREVISTOS EM NRs. .19
ARTIGO 18: CIPA E PROCESSOS ELEITORAIS................................................................20
ARTIGO 19: DEMAIS NORMAS DE SEGURANÇA.............................................................21
ARTIGO 20 A 26: DIFERIMENTO DE DEPÓSITOS DO FGTS............................................21
ARTIGO 27 E 28: PRORROGAÇÃO DA JORNADA DE PROFISSIONAIS EM 
ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE.....................................................................................25
ARTIGO 29: APLICABILIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA................................................26
ARTIGO 30: INAPLICABILIDADE COM RELAÇÃO AO REGIME DE TELETRABALHO.....27
ARTIGOS 31 A 34: SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO PARA QUALIFICAÇÃO 
PROFISSIONAL E FORMALIDADES PARA NEGOCIAÇÕES COLETIVAS........................27
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.046, DE 27 DE ABRIL DE 2021
Dispõe sobre as medidas trabalhistas para enfrentamento da emergência de saúde
pública de importância internacional decorrente do coronavírus (covid-19).
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da
Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:
CAPÍTULO I
DAS ALTERNATIVAS TRABALHISTAS PARA ENFRENTAMENTO DO ESTADO
DE EMERGÊNCIA DE SAÚDE PÚBLICA DE IMPORTÂNCIA INTERNACIONAL
DECORRENTE DO CORONAVÍRUS (COVID-19)
ARTIGO 1º: VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA 
(alterações com relação à MP 927, apontadas nos comentários)
ART. 1º Esta Medida Provisória dispõe sobre as medidas trabalhistas que poderão
ser adotadas pelos empregadores, durante o prazo de cento e vinte dias, contado
da data de sua publicação, para a preservação do emprego, a sustentabilidade do
mercado de trabalho e o enfrentamento das consequências da emergência de
saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (covid-19)
relacionadas a trabalho e emprego.
Parágrafo único. O prazo de que trata o caput poderá ser prorrogado, por igual
período, por ato do Poder Executivo federal.
Comentários:
A medida provisória vigorará pelo prazo de 120 dias, contado da data de sua
publicação (28/04/2021), e poderá ser prorrogada por igual período por ato do Poder
Executivo federal.
*Não mais constituí hipótese de força maior para fins trabalhistas nos termos
do art. 501 da CLT, como estabelecia a MP anterior.
*A nova MP não mais menciona a possibilidade de acordo individual escrito,
com preponderância sobre os demais instrumentos normativos, legais e
negociais, como fazia a anterior em seu art. 2°. 
___________________________________________________________________
ARTIGO 2º: ROL EXEMPLIFICATIVO DE MEDIDAS QUE PODEM SER
TOMADAS 
(alteração com relação à MP 927, apontada abaixo)
ART. 2º Para o enfrentamento dos efeitos econômicos decorrentes da emergência
de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (covid-19)
e a preservação do emprego e da renda, poderão ser adotadas pelos
empregadores, entre outras, as seguintes medidas:
I – o teletrabalho;
II – a antecipação de férias individuais;
III – a concessão de férias coletivas;
IV – o aproveitamento e a antecipação de feriados;
V – o banco de horas;
VI – a suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho;
e
VII – o diferimento do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço –
FGTS.
Comentários:
Rol EXEMPLIFICATIVO das medidas que podem ser tomadas pelo empregador de
forma unilateral, ou seja, independente de anuência do empregado.
A medida tomada pelo empregador deve ter um fim específico: “para preservação
do emprego e da renda”. Penso que se for verificado no caso concreto que o intuito
não foi este, estas medidas poderão ser consideradas nulas pois fugiram ao objetivo
expressamente previsto na MP para justificá-las – desvirtuamento de finalidade
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CAPÍTULO II
DO TELETRABALHO
ARTIGO 3º: TELETRABALHO 
(com uma pequena alteração com relação à MP 927, apontada nos comentários)
ART. 3º O empregador poderá, a seu critério, durante o prazo previsto no art. 1º,
alterar o regime de trabalho presencial para teletrabalho, trabalho remoto ou outro
tipo de trabalho a distância, além de determinar o retorno ao regime de trabalho
presencial, independentemente da existência de acordos individuais ou coletivos,
dispensado o registro prévio da alteração no contrato individual de trabalho.
§ 1º Para fins do disposto nesta Medida Provisória, considera-se teletrabalho,
trabalho remoto ou trabalho a distância a prestação de serviços preponderante ou
totalmente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias
da informação e comunicação que, por sua natureza, não configurem trabalho
externo, hipótese em que se aplica o disposto no inciso