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A nova Lei de Licitações

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Nova Lei de Licitações e
Contratos Administrativos
Autores
Joel de Menezes Niebuhr (Coordenador)
Salomão Antonio Ribas Junior
Pedro de Menezes Niebuhr
Cauê Vecchia Luzia
Eduardo de Carvalho Rêgo
Rodrigo Augusto Lazzari Lahoz
Luiz Eduardo Altenburg de Assis
Renan Fontana Ferraz
Isaac Kofi Medeiros
Gustavo Ramos da Silva Quint
Murillo Preve Cardoso de Oliveira
Fernanda Santos Schramm
1ª Edição
Sumário
Apresentação
Joel de Menezes Niebuhr............................................................................................5
 
Capítulo 1 - Vigência e Regime de Transição
Joel de Menezes Niebuhr..........................................................................................07
 
Capítulo 2 - Princípios Jurídicos Previstos no Projeto da Nova Lei de Licitações
Eduardo de Carvalho Rêgo.......................................................................................17
 
Capítulo 3 - Fase Preparatória das Licitações
Joel de Menezes Niebuhr..........................................................................................30
 
Capítulo 4 - Licitações Sustentáveis 
Pedro Niebuhr.............................................................................................................45
 
Capítulo 5 - Regime de Execução
Gustavo Ramos da Silva Quint..................................................................................58
 
Capítulo 6 - Modalidades de Licitação e Procedimentos Auxiliares
Rodrigo Augusto Lazzari Lahoz................................................................................68
 
Capítulo 7 - Critérios de Julgamento das Propostas
Isaac Kofi Medeiros....................................................................................................80
 
Capítulo 8 - Alteração dos Contratos Administrativos
Luiz Eduardo Altenburg de Assis..............................................................................91
 
Capítulo 9 - Regime Jurídico de Infrações e Sanções Administrativas
Cauê Vecchia Luzia..................................................................................................101
 
Capítulo 10 - Reabilitação das Empresas Sancionadas
Fernanda Santos Schramm.....................................................................................112
 
Capítulo 11 - Do Controle das Contratações
Salomão Ribas Junior..............................................................................................119
 
Capítulo 12 - Meios Alternativos de Resolução de Controvérsias
Murillo Preve Cardoso de Oliveira...........................................................................126
 
Capítulo 13 - Alteração no Código de Processo Civil: Tramitação Prioritária dos 
Procedimentos Judiciais em que se Discute a Aplicação da Lei de Licitações
Renan Fontana Ferraz..............................................................................................140
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O projeto da nova lei de licitações e contratos (PL n. 4253/2020) está sendo dis-
cutido há anos, passou pela Câmara dos Deputados em 17/09/2019 e só come-
çou a tramitar no Senado em 02/12/2020. Em pouco mais de uma semana, de 
modo totalmente inesperado, foi levado ao Plenário do Senado e aprovado em 
10/12/2020, sem modificações significativas em relação ao que veio da Câmara 
dos Deputados. 
O texto do projeto ainda precisa ser consolidado pelo Senado e remetido à Presi-
dência da República para a sanção, sendo possível o veto total ou parcial. Logo, 
o processo legislativo não se encerrou, embora esteja em fase adiantadíssima. O 
fato é que hoje ainda não se tem a nova lei de licitações e contratos, porém se está 
muito perto de tê-la. 
Licitações e contratos administrativos são assuntos de extrema relevância, por-
que é por meio deles que a Administração Pública dispõe de insumos, materiais, 
serviços e obras para a realização de suas atividades. O projeto da nova lei é 
impactante na medida em que promove mudanças substanciais no cotidiano de 
milhares de órgãos e entidades administrativas e nas milhares de empresas que 
contratam com a Administração Pública. A aprovação a toque de caixa pelo Sena-
do pegou todos de surpresa e, como é natural, quer-se conhecer logo as nuances 
do texto aprovado. 
A intenção deste livro é a de compartilhar as primeiras reflexões dos autores so-
bre o projeto da nova lei, abordando-o de forma sistematizada, mesmo antes da 
conclusão do processo legislativo, sobretudo diante da perspectiva da iminente 
sanção presidencial. Não se trata de obra definitiva, se é que existem obras sobre 
licitações e contratos administrativos definitivas. 
Os autores são advogados que compõem o Núcleo de Licitações e Contratos 
do escritório Menezes Niebuhr Sociedade de Advogados, à exceção de Fernan-
da Santos Schramm, que fez parte da mesma equipe e hoje exerce a função de 
Diretora de Integridade e Governança da Secretaria de Integridade e Governança 
do Estado de Santa Catarina. Todos trabalham cotidianamente com licitações e 
contratos e já vinham por anos, inclusive academicamente, acompanhado as dis-
cussões sobre o projeto da nova lei.
Aliás, é bom frisar que o projeto aprovado prevê que a nova lei entra em vigência na 
data da sua publicação, sem período de vacância. O tempo urge, embora o projeto 
Apresentação
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tenha estabelecido um inusitado período de dois anos de convivência da nova lei 
com a Lei n. 8.666/1993, a Lei n. 10.520/2002 e a Lei n. 12.462/2001 (RDC) – tema 
enfrentado no primeiro capítulo deste livro.
O projeto aprovado está muito longe do ideal, a Administração Pública mere-
cia algo melhor, especialmente depois de décadas sofrendo nas mãos da Lei n. 
8.666/1993. Há avanços pontuais, entretanto o projeto reproduz a mesma gênese 
excessivamente burocrática, excessivamente formalista e excessivamente des-
confiada da Lei n. 8.666/1993. Esse é o maior pecado de um projeto que caiu na 
armadilha burocrática de tratar tudo em pormenor, de engessar e amarrar, de exi-
gir punhados de justificativas para qualquer coisa, documentos e mais documen-
tos, até para compras simples e usuais. 
E o pior é que a nova lei é considerada norma geral e se aplica na mesma medida para 
todos os entes federativos, salvo para as estatais, sujeitas à Lei n. 13.303/2016. O 
projeto aprovado até se poderia ter como exequível e fazer sentido para a Esplanada 
dos Ministérios, contudo é distante da realidade da Administração Pública nacional, 
notadamente dos milhares de pequenos e médios municípios brasileiros, que não 
contam com receita, estrutura adequada e braços qualificados. 
Vida que segue, não adianta ficar reclamando, o projeto foi aprovado pela Câmara 
e pelo Senado e é quase certo que seja sancionado. Agora é estudar, abraçar-se ao 
que ele tem de bom e construir uma interpretação positiva que mire o futuro.
Florianópolis, 15/12/2020.
Joel de Menezes Niebuhr
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Capítulo 1 
Vigência e Regime de Transição
Joel de Menezes Niebuhr
Advogado. Doutor em Direito pela PUC/SP. Autor de diversas obras, dentre as quais 
“Pregão Presencial e Eletrônico” (8ª ed. Belo Horizonte: Fórum, 2019) e “Licitação 
Pública e Contrato Administrativo” (4ª ed. Belo Horizonte: Fórum, 2015).
1.1 Vigência
O artigo 191 do projeto da nova lei de licitações prescreve que ela entra em vigor 
logo que sancionada e publicada. Portanto, não haverá a chamada vacatio legis 
(vacância da lei), cuja regra geral, conforme o artigo 1º da Lei de Introdução às 
Normas do Direito Brasileiro, é de 45 (quarenta e cinco) dias a contar da publi-
cação. Esse prazo de vacância costuma ser dado para que as pessoas tenham 
tempo de compreender a lei nova e adequarem os seus comportamentos a ela. 
No caso da nova lei de licitações, a vigência será imediata, o que significa que com 
a publicação ela já estará apta a produzir efeitos, ou seja, ela poderá ser aplicada 
pela Administração imediatamente.
1.2 Período de convivência entre a nova lei e o regime