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Aspectos Comportamentais da Gestão de Pessoas

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uma estra-
tégia educacional planejada e sistemática de desenvolvimento de conheci-
mentos, habilidades e atitudes que levem a pessoa ao domínio da expertise 
profissional como gerente.
Se for verdade que a competência gerencial depende muito do indivíduo 
competente como pessoa, é também irretorquível que o indivíduo desprepa-
rado alcançará muito pouco, por melhor que seja como ser humano. A lide-
rança precisa ser ensinada e aprendida, assim como o conteúdo ocupacional 
do cargo.
É um equívoco comum julgar que somente investir em desenvolvimento 
individual ou em desenvolvimento gerencial garante, per si, resultados para o 
desenvolvimento das organizações.
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O indivíduo
Atividades de aplicação
 1. Uma definição de aprendizagem é:
a) qualquer mudança relativamente permanente no comportamen-
to que ocorre como resultado da experiência.
b) uma alteração no comportamento do indivíduo sem uma causa 
aparente.
c) uma possibilidade de mudança no processo de internalização de 
conceitos.
d) uma tentativa de explicar a experiência vivida.
 2. A ampliação da autoconsciência ocorre quando o indivíduo:
a) isola-se do ambiente para não sofrer.
b) explora suas vontades e reações aos efeitos que o cercam.
c) busca alternativas para se colocar no ambiente de trabalho sem se 
expor.
d) redireciona seu foco de atenção para ações extrínsecas.
 3. As teorias para entender o comportamento humano têm em comum:
a) considerar o indivíduo como um ser vulnerável.
b) entender a aprendizagem como algo extrínseco
c) basearem-se nas emoções dos indivíduos.
d) considerar a reunião de características em determinados tipos.
Gabarito
 1. A
 2. B
 3. D
O indivíduo
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Referências
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crescem e morrem e o que fazer a respeito. São Paulo: Pioneira, 2002.
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Paulo: Saraiva, 2006.
GAGNÉ, R. M. Como se Realiza a Aprendizagem. Rio de Janeiro: Livros Técnicos 
e Científicos, 1974.
GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: 
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ZUBOFF, Shoshana; MAXMIN, James. O Novo Jogo dos Negócios. Rio de Janeiro: 
Campus, 2002.
O indivíduo na organização
Maria Eugênia Costa
Neste capítulo vamos analisar a relação do indivíduo com a organização 
e os tipos de vínculo que são estabelecidos.
Esse vínculo pode ser de forma explícita ou de forma não explícita. O 
contrato de trabalho é um exemplo de vínculo explícito e pode se con-
cretizar através da carteira assinada ou de outro mecanismo formal, já o 
vínculo não explícito é composto de percepções, expectativas, alinha-
mento de valores, que são individuais e únicos e que se constituem de um 
conjunto de expectativas construídas pelo indivíduo ao estabelecer uma 
relação profissional.
Para compreender as relações do indivíduo com a organização, vamos 
analisar como as percepções são diferentes, e para isso utilizaremos um 
modelo referencial – o modelo do observador – para compreender as es-
colhas, a autodeterminação e identificar os valores que podem impactar na 
nossa relação com o trabalho.
Percepção e diferenças individuais
Os temas relacionados com as diferenças individuais são a percepção e 
a memória e o quanto elas podem impactar na forma como percebemos as 
coisas.
“Não vemos as coisas como elas são. Vemos as coisas como nós somos” 
(TALMUDE apud BRAGA, 2007, p. 8). Essa frase da tradição religiosa nos diz 
muito sobre a nossa percepção da verdade e de como nós somos a medida 
dessa verdade.
As questões relacionadas à verdade e à percepção da verdade inquieta-
ram pensadores de todos os tempos. As primeiras referências são citadas 
pelos sofistas.
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O indivíduo na organização
A base filosófica da percepção
Esses filósofos se destacavam pela oratória e vendiam discursos e opini-
ões para os cidadãos em função do que lhes pagassem. Tinham habilidades 
para o discurso. Além disso, diziam que a realidade era percebida como algo 
arbitrário. Por exemplo, poderíamos dizer que o frio não existe, pois ele é frio 
apenas para quem o sente.
Um dos principais representantes dos sofistas foi Protágoras. Para ele “o 
homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são, e das que 
não são, enquanto não são” (POSTER, 2006). A filosofia de Protágoras, mais 
especificamente o conceito de verdade, foi interpretada e aprofundada por 
dois grandes filósofos modernos, Hegel e Nietzsche.
Segundo Hegel, a verdade está mais no homem que vê do que nas coisas vistas. Nietzsche; 
por outro lado, acrescenta um outro aspecto que é a questão de valor daquilo que é 
percebido – para ele o homem é aquele que cria valor para as coisas, pois vive num mundo 
de valores. Nietzsche sustentava que cada percepção, cada ideia, é só uma interpretação, 
uma perspectiva. (ECHEVERRÍA, 2008, p. 152)
Um outro elemento que influencia a nossa percepção é o contexto em 
que os fenômenos ocorrem.
Percepção e contexto
“O fato de cada pessoa ver uma coisa ou outra dependerá dos pressupos-
tos que ela usa para interpretar as mensagens que a sua retina envia ao cére-
bro, mensagens equivalentes, pois a figura física é a mesma e os sistemas de 
visão são iguais” (KOFMAN, 2002, p. 249).
Portanto, o contexto também altera a percepção na medida em que 
agrega valor ou significado às coisas. Tomemos como exemplo o número 
5.789.745 que, isolado, não quer dizer muito, mas se tiver escrito euro antes 
já muda de figura, ou se tiver escrito coluna de rendimento líquido numa 
prestação de contas muda mais ainda. Esse mesmo número pode também 
constar de uma cobrança de multa de imposto de renda o que vai alterar 
significativamente o contexto e o humor do destinatário.
O indivíduo na organização
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Kofman (2002) distingue dois tipos de contexto, que são:
O primeiro tipo de contexto é chamado � mundano e se refere às prá-
ticas de um ambiente ou área de conhecimento. Por exemplo, os nú-
meros estão associados ao ambiente da contabilidade, a área de exa-
tas. Todavia, os números podem estar associados à área da saúde se 
fizerem referência ao número de pessoas vacinadas ou falecidas numa 
epidemia.
O segundo tipo de contexto é ligado a � modelos mentais e faz parte 
de um conjunto de pressupostos, valores que adquirimos no decorrer 
de nossa existência e que operam na nossa vida, ou seja, eles condi-
cionam as nossas interpretações. Como cada um de nós tem uma ba-
gagem própria adquirida através da família, escola, vivências, cada um 
tem seus modelos mentais e, portanto, eles são individuais. Essas di-
ferenças podem causar muitos conflitos de comunicação. Além disso, 
operam no nosso inconsciente e nos levam a interpretações que nós 
achamos que são corretas.
Portanto, o contexto contribui para a criação de uma nova realidade na 
medida em que agrega elementos que podem dar um novo sentido ao re-
ceptor da mensagem. Fazendo uma analogia, o contexto é como um tempe-
ro, uma especiaria que pode mudar o sabor do evento observado.
Percepção e memória
A memória pode também ser uma fonte de distorção da nossa percepção 
da realidade.

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