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Aspectos Comportamentais da Gestão de Pessoas

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(observador) não 
se limita ao que este é capaz de observar ou deixar de observar. Uma mesma 
situação vivenciada por dois observadores diferentes será distinta de acordo 
com seus respectivos estados emocionais.
“Todas as nossas observações se produzem em um determinado espaço 
emocional que as afetam. Ao mudar o espaço emocional do observador, se 
modifica o tipo de observações que ele realiza” (ECHEVERRÍA, 2008, p. 166).
Dessa forma, mudam, também, o âmbito de ação, as escolhas possíveis e, 
portanto, a tomada de decisão, que veremos a seguir.
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O indivíduo na organização
Tomada de decisão
A tomada de decisão é um elemento crítico nas organizações, mas se 
considerarmos que as decisões são, em uma última análise, uma ação que 
envolve os indivíduos, faz-se necessário examinar primeiro a tomada de de-
cisão no nível individual.
Processo de tomada de decisão individual
Nas organizações os indivíduos tomam decisões, isto é, escolhem entre 
duas ou mais alternativas. A forma como as pessoas tomam essas decisões 
e a qualidade de suas escolhas finais dependem muito de suas percepções 
(observações). O que é um problema para uma pessoa pode ser um estado 
satisfatório para outra. Dessa forma, o conhecimento da existência de um 
problema e da necessidade de uma decisão depende da percepção de cada 
pessoa.
“Todas as decisões requerem a interpretação e a avaliação de informa-
ções. Os dados costumam vir de diversas fontes e precisam ser seleciona-
dos, processados e interpretados” (ROBBINS, 2002, p. 128). Nesse contexto, 
surge a indagação: que dados devem ser considerados para uma tomada de 
decisão?
Robbins (2002, p. 128) propõe um modelo racional de tomada de deci-
sões estruturado em seis etapas:
Quadro 2 – Etapas do modelo racional de tomada de decisão
Etapas Características
1 – Definir o problema. 1 – Concentração nos itens mais importantes e escolha de um foco de atuação.
2 – Identificar os critérios para a decisão. 2 – Estabelecimento de uma linha de ação e seleção das possíveis soluções.
3 – Dar pesos específicos a esses critérios. 3 – Exame das soluções escolhidas que podem dar me-lhor resultado.
4 – Desenvolver as alternativas. 4 – Desenvolvimento de um plano de ação para im-plantação das soluções escolhidas.
5 – Avaliar as alternativas. 5 – Simulação de cada solução planejada (“e se”).
6 – Escolher a alternativa que parece 
melhor.
6 – Execução do plano de ação, conforme a ordem de 
prioridade.
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O indivíduo na organização
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Apesar da necessidade de usar um processo lógico e claro para tomada 
de decisão, é importante que também seja usada a criatividade, ou seja, a 
habilidade de gerar ideias novas e úteis. Essas ideias devem ser diferentes 
daquilo que já foi feito até o momento e apropriadas para o problema ou 
oportunidade atual. Para tanto, três componentes são necessários: perícia, 
pensamento criativo e motivação intrínseca pela tarefa.
O comportamento das pessoas, como já vimos, baseia-se na sua observa-
ção da realidade e não da realidade em si.
Nenhuma decisão é tomada no vazio, mesmo que isso não seja feito de ma-
neira consciente e formal, partimos de nossas experiências anteriores, da análise 
da situação atual e daquilo que queremos conseguir no futuro. Assim, podemos 
dizer que as decisões estão envolvidas, basicamente, por três elementos:
O observador que cada um é. �
As distinções que capacitam o observador a interpretar a realidade de �
um modo peculiar.
As expectativas em relação ao futuro. �
Decidir é essencial ao ato de viver, pois a cada momento estamos toman-
do algum tipo de decisão, seja a decisão mais simples até as mais comple-
xas. Após a tomada de uma decisão, torna-se impossível o retorno à situação 
anterior, mesmo que ilusoriamente, pois a realidade já não é mais a mesma, 
devido ter sido alterada pela escolha inicial.
A opção escolhida é aquela que no momento nos parece ser a melhor 
opção, diante das possibilidades existentes. Entretanto, quando algo dá 
errado, temos a tendência a considerar que poderia ter sido diferente se 
fosse outra a opção escolhida.
Precisamos estar atentos para esse tipo de comportamento, pois se acon-
tecer constantemente pode nos colocar diante de situações de frustração ou 
até mesmo de sentimento de culpa, devido às escolhas que foram feitas no 
passado, agora no presente, serem consideradas como uma opção “errada”.
Assim, como as águas de um rio, a vida segue sempre em frente, não 
há retorno, não há volta. O arrependimento por uma decisão tomada deve 
servir apenas para nos orientar em outras situações, jamais para nos mortifi-
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O indivíduo na organização
car. Nossa vida é o resultado de nossas decisões e não há como avaliar uma 
decisão não tomada, uma situação não vivida ou uma escolha não feita.
A decisão nas organizações
Assim como o ser humano, as organizações precisam tomar decisões a 
cada momento. De certa forma, cada empresa se constitui de uma coleção 
de decisões que direcionam e determinam o seu futuro e, em consequência, 
o futuro dos seus empregados.
Se uma decisão não se converte em trabalho, não será uma decisão, ela 
terá sido no máximo uma boa intenção. Significa dizer que a decisão eficaz 
deve ser baseada no mais alto nível de entendimento conceitual da situação, 
no compromisso com a ação e deve estar o mais próximo possível da capaci-
dade real das pessoas que serão encarregadas de executá-las.
As decisões de negócios são difíceis, principalmente aquelas que envol-
vem incertezas, pois apresentam muitas alternativas que são complexas e 
suscitam questões interpessoais.
Com base nas várias teorias existentes e nas experiências vivenciadas, al-
gumas técnicas foram desenvolvidas para lidar com essas dificuldades, con-
siderando a decisão como um processo lógico.
De acordo com Luecke (2009, p. 18), as decisões podem ser tomadas obe-
decendo aos seguintes passos:
Estabelecer um contexto para o sucesso.1. 
Contextualizar a questão adequadamente.2. 
Gerar alternativas.3. 
Avaliar as alternativas.4. 
Escolher a alternativa que parece melhor.5. 
A tomada de decisão é apenas uma das tarefas de um executivo, mas 
tomar as decisões específicas é tarefa dos executivos, que devem observar 
um processo sistemático, com elementos claramente definidos e em uma 
sequência de etapas distintas.
O indivíduo na organização
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Valores, atitudes e satisfação com o trabalho
“Cem vezes por dia eu me lembro de que minha vida interior e exterior de-
pendem do trabalho de outros homens, que estão vivos e mortos, e que devo me 
esforçar para me manifestar na mesma medida em que recebi” (Albert Einstein).
(Educação para Todos, 2009)
O tema cultura organizacional trata as organizações como minissocie-
dades que possuem seus próprios valores, rituais, ideologias e crenças. O 
homem é o principal elemento desse contexto, pois ele interage com os sub-
sistemas, no qual está em constante busca pela satisfação com o trabalho 
(DIAS, 2003).
Não é somente o homem que está à frente dessa busca, as organizações 
também lutam continuamente pela sua eficácia, e devem estar conscientes 
de que não podem fazer isso de forma isolada. As organizações devem, sim, 
entender que os fenômenos que ocorrem em seu interior são reflexos do que 
está na mente das pessoas, e que se baseiam em significados compartilha-
dos que permitem às pessoas que se comportem de maneira organizada.
Muito se fala da empresa do século XXI e o que ela precisar ter e fazer para 
sobreviver em um mundo corporativo que apresenta transformações natu-
rais dos negócios a um ritmo rápido e até a poucos anos impensável.
Segundo Dimitrius et al. apud Chowdhury (2003), os líderes do século 
XXI devem ter como meta a busca de um sonho, mas não só sonhar como 
também buscar a sua realização. Essa capacidade de sonhar passa a ser um 
ativo muito valioso para as lideranças atuais e futuras. Para que não seja 
apenas mais uma palavra sonoramente agradável, o sonho deverá tornar-se

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