A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
260 pág.
Aspectos Comportamentais da Gestão de Pessoas

Pré-visualização | Página 2 de 50

princípios, que são:
Princípio da identidade � – conhecemos as coisas por definição.
Princípio da não contradição � – não podemos declarar que uma coisa 
é e ao mesmo tempo declarar que não é – ou é ou não é!
Princípio do terceiro excluído � – isto é, não existe uma terceira hipó-
tese, ou é isto ou é aquilo. Sempre escolhemos entre duas opções, pois 
vivemos em um mundo binário.
Além disso, a abordagem estrutural rejeita toda e qualquer forma de ati-
tude mental que seja subjetiva como conhecimento ilusório, considerado 
como uma mera opinião. A razão é atividade ou ação e não abre espaço para 
emoções, sentimentos, paixões desordenadas; e também rejeita a crença 
religiosa, pois a fé é baseada na revelação e a razão baseada na luz natural 
(CHAUI, 1996).
No início do século essa abordagem sofreu alguns abalos oriundos da 
teoria da relatividade e da física quântica. Era uma percepção limitada do ser 
humano, apesar da inegável contribuição para a área de administração e da 
produtividade.
2. A perspectiva humanística que vem em seguida é a que abraça a di-
mensão humana. De inspiração socrática, caracteriza o homem como um ser 
em busca de um sentido.
As intervenções de Elton Mayo (1924) nas oficinas de Hawthorne da Wes-
tern Eletric marcam esse período – surge a formulação de uma “moral de 
grupo” que então gera todo o movimento das Relações Humanas (FERNAN-
DEZ, 2006; FERREIRA, 2005).
Outras contribuições anteriores ocorreram, mas o experimento da Wes-
tern Eletric Company revestiu-se num marco do movimento humanista. O 
foco dessa pesquisa foi a identificação de aspectos motivacionais para o 
trabalho. Essa experiência foi longa e durou mais de cinco anos (FERREIRA, 
2005).
A dimensão humana nas organizações
13
A atenção da pesquisa era voltada para os aspectos biológicos e físicos 
da produtividade, variáveis como iluminação e períodos de repouso foram 
algumas das intervenientes nesse estudo. Uma variável que apareceu, mas 
não tinha sido prevista, foi a importância do fator psicológico.
As operárias do grupo experimental separadas para a aplicação dos testes 
se sentiram prestigiadas pela atenção recebida dos estudiosos e diretores 
da empresa. Além disso, o ambiente da pesquisa era mais flexível, possibili-
tando maiores interações delas, que normalmente não podiam conversar no 
horário de expediente. Descobriu-se, então, a importância dos fatores psico-
lógicos na produtividade. Algumas conclusões desse estudo revelam a im-
portância, antes subestimada, de grupos informais, de aspectos normativos 
baseados em princípios e valores gerados pelo próprio grupo. A necessidade 
de reconhecimento, segurança e adesão do grupo foi um fator tão ou mais 
relevante que os aspectos pecuniários (financeiros).
3. A abordagem integrativa que busca tratar de forma integrada aspec-
tos sociais e técnicos. Um estudo que representa essa fase foi um experimen-
to de Eric Trist e Banforth sobre mecanização do processo produtivo, realiza-
do numa mineração de carvão na Inglaterra. Um resultado de destaque foi 
a descoberta da necessidade de otimizar os aspectos técnicos e sociais em 
processos de mudança. No fluxo dessa abordagem surge a teoria geral dos 
sistemas aplicada às organizações, assim como a análise da cultura.
O comportamento organizacional
O tema Comportamento Organizacional é objeto de estudo de muitos 
pesquisadores. Robbins (2002, p. 6), por exemplo, define comportamento 
organizacional como “um campo de estudo que investiga o impacto que 
indivíduos, grupos e a estrutura têm sobre o comportamento dentro das or-
ganizações, com o propósito de utilizar esse conhecimento para promover a 
melhoria da eficácia organizacional”.
Esse impacto pode ser analisado a partir de uma pergunta: o ser humano 
deixa seus problemas em casa quando vai trabalhar? A abordagem estrutu-
ral responderia que sim. Hoje em dia sabemos que esse esforço para sepa-
rar os domínios pessoais e profissionais é inócuo e estressante. A disposição 
com que chegamos para trabalhar é reflexo do que se passa na nossa vida 
pessoal. Essa influência pode também ser percebida como via de mão dupla. 
14
A dimensão humana nas organizações
O indivíduo chega desmotivado e encontra um ambiente organizacional es-
timulante, uma equipe cooperativa e então emerge um novo ânimo para 
seu dia. Não existe uma fórmula que determine o grau de influência que 
cada recorte (indivíduo, grupo, organização) exerce em si. Sabemos que esse 
equilíbrio no intercâmbio de influências tanto positivas como negativas é o 
que assegura um ambiente organizacional produtivo. O grande desafio das 
organizações é buscar conciliar e alinhar as metas de realização pessoal e 
dos grupos com as metas organizacionais.
Comportamento humano 
e comportamento organizacional
O comportamento é a designação genérica da conduta do indivíduo, ou 
seja, é como o indivíduo se apresenta ao mundo.
A figura a seguir mostra um desenho organizacional que é uma cartogra-
fia clássica para a compreensão dos temas tratados na disciplina comporta-
mento organizacional.
Indivíduo
Grupo
Organização
(B
O
W
D
IT
C
H
, 1
99
2)
Figura 1 – Cartografia da dimensão humana.
Os temas tratados no primeiro círculo (indivíduo) referem-se ao autoco-
nhecimento, escolha e motivação. Os temas tratados no segundo círculo 
(grupo) referem-se à tomada de decisão, produtividade e liderança. E por 
último, os temas tratados no terceiro círculo (organização) referem-se ao ali-
nhamento estratégico, modelos de gestão, clima e cultura.
A dimensão humana nas organizações
15
Essa segmentação tem o propósito de facilitar a compreensão do campo 
comportamento humano, porque na verdade a todo momento as variáveis 
se inter-relacionam e influenciam umas às outras.
As variáveis que afetam o comportamento humano estão subdivididas 
em individuais e ambientais. As individuais envolvem as características 
inatas, as experiências adquiridas ao longo da vida e influenciadas muitas 
vezes pelas figuras significativas da infância, dos pais, educadores e padri-
nhos. As variáveis ambientais abrangem todos os possíveis eventos extrín-
secos ao indivíduo, tais como grupo social e cultura.
Para Moscovici (1998) o comportamento humano é influenciado por três 
conjuntos interdependentes de variáveis internas, que são: a competência, 
que compreende os aspectos intelectuais inatos e adquiridos, conhecimen-
tos, capacidades, experiência e maturidade; a energia, que se manifesta no 
nível de intensidade e na extensão temporal da atividade física e mental, 
nas emoções e sentimentos, nas características de temperamento e humor; 
e a ideologia, que abrange um conjunto de ideias e princípios hierarquiza-
dos, com lastro em valores sociais, políticos, religiosos e filosóficos que in-
fluenciam a percepção, o raciocínio, o julgamento e as decisões. A autora 
acrescenta que comportamento, desempenho e posicionamento resultam 
da interação desses três subsistemas com os sistemas externos.
Padrões, normas, demandas, expectativas, critérios de avaliação, recom-
pensas e punições representam as variáveis externas de comportamento. 
Na atualidade, um dos aspectos do comportamento humano que tem sido 
incentivado é aquele que procura compreender como as pessoas vivem e 
resolvem seus problemas dentro do seu contexto de trabalho. Na adminis-
tração de empresas nota-se que o elemento humano se caracteriza como 
fator preponderante na facilitação ou no comprometimento quando se trata 
de atingir os objetivos organizacionais.
O grupo é, na realidade, onde acontece o desenvolvimento das pessoas. 
Não existimos no vácuo, nosso mundo é relacional. Eu me conheço na rela-
ção com o outro, pela forma como recebo feedback dos outros.
A organização é o espaço comum onde funcionam de forma coordenada 
as ações das pessoas que nela trabalham e buscam um objetivo comum. A 
coordenação dessas ações produtivas é exercida por lideranças e sustentada 
por um protocolo de competências que envolve conhecimentos, habilida-

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.