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Nova Lei de Licitação

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comuns de 
engenharia”.
Embora o conceito do regulamento se refira ao gênero contratação direta, 
o art. 52 do Decreto nº 10.024/2019 só impõe o dever do uso do Sistema de Dispensa 
Eletrônica nos casos de dispensa previstos no art. 24 da Lei nº 8.666/1993, o que não 
abrange as contratações por inexigibilidade (art. 25 da Lei nº 8.666/1993).
O motivo pelo qual optamos em comentar esse instituto ainda nas 
considerações acerca do art. 1º do regulamento é que os §§ 3º e 4º limitam o uso da 
contratação por dispensa fora do sistema eletrônico de dispensa.
No caso do § 3º, ele impõe a Municípios, Estados e ao Distrito Federal o uso 
da ferramenta eletrônica nas situações em que a contratação por dispensa for realizada 
com recursos decorrentes de transferências voluntárias da União.
Já o § 4º aplica ao Sistema de Dispensa Eletrônica a mesma regra prevista 
16 Historicamente já se observava nas Leis de Diretrizes Orçamentárias federais disposições que impunham o 
uso preferencial do pregão na forma eletrônica como condição para o recebimento de transferências voluntárias da 
União (art. 78, § 3º, da Lei nº 13.707/2018, a LDO do orçamento de 2019). No novo Decreto passa a ser obrigatório.
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para o pregão eletrônico, admitindo a dispensa fora do sistema eletrônico quando, 
mediante fundamentação, ficar demonstrado que o uso da ferramenta virtual é inviável 
tecnicamente ou desvantajoso para a Administração.
Princípios
Art. 2º
Art. 2º O pregão, na forma eletrônica, é condicionado aos princípios da 
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, 
da eficiência, da probidade administrativa, do desenvolvimento sustentável, 
da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo, da 
razoabilidade, da competitividade, da proporcionalidade e aos que lhes são 
correlatos.
§ 1º O princípio do desenvolvimento sustentável será observado nas 
etapas do processo de contratação, em suas dimensões econômica, social, 
ambiental e cultural, no mínimo, com base nos planos de gestão de logística 
sustentável dos órgãos e das entidades.
§ 2º As normas disciplinadoras da licitação serão interpretadas em favor 
da ampliação da disputa entre os interessados, resguardados o interesse 
da administração, o princípio da isonomia, a finalidade e a segurança da 
contratação.
Princípios do pregão
O presente art. 2º é muito similar ao art. 5º do revogado Decreto nº 
5.450/2005. Destacaríamos apenas duas alterações.
A primeira diz respeito à previsão do princípio do desenvolvimento 
sustentável. Trata-se de um princípio de envergadura constitucional (art. 225 da 
Constituição) reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal – STF:
O princípio do desenvolvimento sustentável, além de impregnado de caráter eminentemente 
constitucional, encontra suporte legitimador em compromissos internacionais assumidos 
pelo Estado brasileiro e representa fator de obtenção do justo equilíbrio entre as exigências 
da economia e as da ecologia, subordinada, no entanto, a invocação desse postulado, quando 
ocorrente situação de conflito entre valores constitucionais relevantes, a uma condição 
inafastável, cuja observância não comprometa nem esvazie o conteúdo essencial de um dos 
mais significativos direitos fundamentais: o direito à preservação do meio ambiente, que 
traduz bem de uso comum da generalidade das pessoas, a ser resguardado em favor das 
presentes e futuras gerações17.
No nível das leis, a promoção do 
desenvolvimento nacional sustentável é tratada como 
uma das finalidades da licitação (art. 3º da Lei nº 
8.666/1993). Agora, em patamar de regulamento, o 
Decreto nº 10.024/2019 expressamente diz que se trata de 
um princípio, pelo que deve orientar toda a interpretação 
17 STF, ADI-MC nº 3540/DF, Pleno, Rel. Min. Celso de Mello, j. 1/9/2005.
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das normas relativas ao pregão. A rigor, essa é apenas uma cristalização do princípio 
em nível de Decreto, pois a sustentabilidade é um princípio constitucional que, 
independentemente de previsão infraconstitucional, deve orientar a hermenêutica de 
todas as normas jurídicas dos mais diversos ramos do Direito18.
Além dessa positivação expressa da sustentabilidade como princípio, 
destacamos que o novo Decreto procura fortalecer a sustentabilidade por meio de mais 
dois comandos presentes no § 2º do art. 2º em comento. Primeiro, porque exige que ela 
seja observada em todas as fases do processo de contratação, consideradas as dimensões 
econômica, social, ambiental e cultural; segundo, porque determina que a postura do 
órgão ou entidade na efetivação das contratações esteja alinhada ao respectivo plano de 
gestão de logística sustentável19. 
A segunda novidade está na parte final do art. 2º, que deixa claro que 
os princípios previstos no caput do dispositivo não são os únicos aptos a informar a 
interpretação das normas relativas à modalidade de pregão. Ao fazer referência aos 
princípios correlatos a norma regulamentadora deixa em aberto a possibilidade de 
integração hermenêutica das normas relativas ao pregão com outras como as referentes 
ao Direito Econômico, Civil, Comercial, etc.
Definições
Art. 3º
Art. 3º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:
I - aviso do edital - documento que contém:
a) a definição precisa, suficiente e clara do objeto;
b) a indicação dos locais, das datas e dos horários em que poderá ser lido 
ou obtido o edital; e
c) o endereço eletrônico no qual ocorrerá a sessão pública com a data e o 
horário de sua realização;
II - bens e serviços comuns - bens cujos padrões de desempenho e 
qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de 
especificações reconhecidas e usuais do mercado;
III - bens e serviços especiais - bens que, por sua alta heterogeneidade 
ou complexidade técnica, não podem ser considerados bens e serviços 
comuns, nos termos do inciso II;
18 No âmbito da jurisprudência selecionada do TCU, ressaltamos: “É legítimo que as contratações da 
Administração Pública se adequem a novos parâmetros de sustentabilidade ambiental, ainda que com possíveis 
reflexos na economicidade da contratação. Deve constar expressamente dos processos de licitação motivação 
fundamentada que justifique a definição das exigências de caráter ambiental, as quais devem incidir sobre o objeto a 
ser contratado e não como critério de habilitação da empresa licitante”. Acórdão 1375/2015 – Plenário do TCU.
19 O Plano de Gestão de Logística Sustentável – PLS é uma ferramenta instituída em âmbito federal pela 
Instrução Normativa MP/SLTI nº 10/2012 para todos os órgãos e entidades. É um documento no qual as unidades da 
Administração federal devem fazer um “planejamento com objetivos e responsabilidades definidas, ações, metas, 
prazos de execução e mecanismos de monitoramento e avaliação, que permite ao órgão ou entidade estabelecer 
práticas de sustentabilidade e racionalização de gastos e processos na Administração Pública” (art. 3º da IN SLTI/MP 
nº 10/2012). 
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IV - estudo técnico preliminar - documento constitutivo da primeira 
etapa do planejamento de uma contratação, que caracteriza o interesse 
público envolvido e a melhor solução ao problema a ser resolvido e que, 
na hipótese de conclusão pela viabilidade da contratação, fundamenta o 
termo de referência;
V - lances intermediários - lances iguais ou superiores ao menor já 
ofertado, porém inferiores ao último lance dado pelo próprio licitante;
VI - obra - construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação de 
bem imóvel, realizada por execução direta ou indireta;
VII - serviço - atividade ou conjunto de atividades destinadas a 
obter determinada utilidade, intelectual ou material, de interesse da 
administração pública;
VIII - serviço comum de engenharia - atividade ou conjunto de atividades 
que necessitam da participação e do acompanhamento de profissional 
engenheiro habilitado, nos termos do disposto na Lei nº 5.194, de 24