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Nova Lei de Licitação

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de 
dezembro de 1966, e cujos padrões de desempenho e qualidade possam 
ser objetivamente definidos pela administração pública, mediante 
especificações usuais de mercado;
IX - Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores - Sicaf - 
ferramenta informatizada, integrante da plataforma do Sistema Integrado 
de Administração de Serviços Gerais - Siasg, disponibilizada pelo 
Ministério da Economia, para cadastramento dos órgãos e das entidades 
da administração pública, das empresas públicas e dos participantes de 
procedimentos de licitação, dispensa ou inexigibilidade promovidos pelos 
órgãos e pelas entidades integrantes do Sistema de Serviços Gerais - Sisg;
X - sistema de dispensa eletrônica - ferramenta informatizada, integrante 
da plataforma do Siasg, disponibilizada pelo Ministério da Economia, para 
a realização dos processos de contratação direta de bens e serviços comuns, 
incluídos os serviços comuns de engenharia; e
XI - termo de referência - documento elaborado com base nos estudos 
técnicos preliminares, que deverá conter:
a) os elementos que embasam a avaliação do custo pela administração 
pública, a partir dos padrões de desempenho e qualidade estabelecidos e 
das condições de entrega do objeto, com as seguintes informações:
1. a definição do objeto contratual e dos métodos para a sua execução, 
vedadas especificações excessivas, irrelevantes ou desnecessárias, que 
limitem ou frustrem a competição ou a realização do certame;
2. o valor estimado do objeto da licitação demonstrado em planilhas, de 
acordo com o preço de mercado; e
3. o cronograma físico-financeiro, se necessário;
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b) o critério de aceitação do objeto;
c) os deveres do contratado e do contratante;
d) a relação dos documentos essenciais à verificação da qualificação técnica 
e econômico-financeira, se necessária;
e) os procedimentos de fiscalização e gerenciamento do contrato ou da ata 
de registro de preços;
f) o prazo para execução do contrato; e
g) as sanções previstas de forma objetiva, suficiente e clara.
§ 1º A classificação de bens e serviços como comuns depende de exame 
predominantemente fático e de natureza técnica.
§ 2º Os bens e serviços que envolverem o desenvolvimento de soluções 
específicas de natureza intelectual, científica e técnica, caso possam ser 
definidos nos termos do disposto no inciso II do caput, serão licitados por 
pregão, na forma eletrônica.
Definições
Do ponto de vista da estruturação da norma, a previsão de um rol de definições 
é mais uma novidade do Decreto nº 10.024/2019 em comparação ao regulamento 
revogado (Decreto nº 5.450/2005).
Não iremos tecer aqui neste ponto comentários sobre as definições constantes 
do art. 3º por dois motivos: primeiro, porque nem todas representam novidades; e, 
segundo, porque as definições presentes neste rol serão devidamente comentadas ao 
longo de todo o livro, nas oportunidades em que tratarmos das normas relativas a cada 
um dos institutos definidos.
Vedações
Art. 4º
Art. 4º A licitação na modalidade pregão, na forma eletrônica, não se aplica 
a:
I - contratações de obras;
II - locações imobiliárias e alienações; e
III - bens e serviços especiais, inclusive os serviços de engenharia 
enquadrados no inciso III do caput art. 3º.
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Casos aos quais não se aplica o pregão
Outra inovação presente no novo regulamento é 
o rol de casos aos quais o pregão não é aplicado. Duas dessas 
situações já foram explanadas quando dos comentários ao 
art. 1º do Decreto em comento, que são as hipóteses das 
obras (inciso I) e dos bens e serviços especiais (inciso III). 
Em relação às obras, julgamos conveniente fazer algumas 
considerações neste momento, o que faremos primeiramente 
para depois explorar o caso das locações imobiliárias e das 
alienações em geral (inciso II).
Obra ou serviço de engenharia?
Quanto às obras, nos termos do art. 3º, inciso VI, do novo Decreto, trata-
se de “toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação de bem imóvel, 
realizada por execução direta ou indireta”. O conceito é praticamente idêntico ao do 
inciso I do art. 6º da Lei nº 8.666/1993. A diferença está apenas no fato de o inciso VI 
do art. 3º do Decreto fazer referência a bem imóvel, deixando claro que, para fins de 
licitação e contrato, toda obra é uma intervenção em um imóvel.
Para fins de aplicação da modalidade pregão, a dúvida em relação às obras 
quase sempre reside no enquadramento do objeto contratual no conceito de obra ou de 
serviço de engenharia. O Decreto nº 10.0242019 define serviço como “toda atividade 
ou conjunto de atividades destinadas a obter determinada utilidade, intelectual ou 
material, de interesse para a administração” (art. 3º, VII). Embora o conceito do 
regulamento seja mais sintético, está alinhado ao conceito da Lei nº 8.666/1993, que 
diz no art. 6º ser serviço “toda atividade destinada a obter determinada utilidade de 
interesse para a Administração, tais como: demolição, conserto, instalação, montagem, 
operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transporte, locação de bens, 
publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais” (inciso II).
Pelo se percebe, as definições não esclarecem muito. E não acreditamos 
que tal diferenciação seja passível de conceituação em abstrato bem delineada. A rigor, 
muito já se tentou desenvolver tal mister, mas os resultados dessas tentativas não se 
apresentaram muito frutíferos. São exemplos de esforços no sentido de diferenciação: 
a ideia de que a obra é aquela na qual predomina o emprego de material, ao passo de 
que no serviço há a preponderância de mão de obra20; ou a de que serviço de engenharia 
seriam todos aqueles cuja lei atribui aos profissionais da engenharia (art. 7º da Lei nº 
5.194/1966).
Aos nossos olhos, o recurso aos instrumentos jurídicos não resolve muito 
a questão. Obviamente que há situações nas quais tal enquadramento será indene de 
dúvida, encaixando-se claramente em um dos conceitos jurídicos. É o caso da construção 
de um edifício em um terreno desocupado. Negar que se trata de uma obra seria um 
20 MEIRELLES, Hely Lopes. Licitação e Contrato Administrativo. 12 ed. Atualizada por Eurico de Andrade 
Azevedo, Célia Marisa Prendes e Maria Lúcia Mazzei de Alencar. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 48.
ATENÇÃO
ORIENTAÇÃO NORMATIVA DA AGU Nº 54
COMPETE AO AGENTE OU SETOR TÉCNICO 
DA ADMINISTRAÇÃO DECLARAR QUE O 
OBJETO LICITATÓRIO É DE NATUREZA 
COMUM PARA EFEITO DE UTILIZAÇÃO DA 
MODALIDADE PREGÃO E DEFINIR SE O 
OBJETO CORRESPONDE A OBRA OU SERVIÇO 
DE ENGENHARIA, SENDO ATRIBUIÇÃO 
DO ÓRGÃO JURÍDICO ANALISAR O DEVIDO 
ENQUADRAMENTO DA MODALIDADE 
LICITATÓRIA APLICÁVEL.
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absurdo jurídico. Entretanto, muitas situações serão consideradas limítrofes, sendo 
a distinção de difícil constatação até para os técnicos do setor. Porém, ainda assim, 
o melhor é deixar para esses profissionais especializados na área de engenharia a 
definição do que seja obra em cada caso concreto21.
Em relação, especificamente, aos 
profissionais da área jurídica atuantes nos termos 
do art. 38 da Lei nº 8.666/1993, chamamos 
a atenção para o fato de não ser dado a esses 
profissionais se imiscuir em conceitos estranhos 
ao mundo do Direito. Salvo as hipóteses de 
absurdos jurídicos (situações irrazoáveis), a 
consultoria jurídica responsável pela aprovação 
do edital do certame deve respeitar a posição 
da área técnica (Orientação Normativa nº 54 da 
AGU22. 
Bens e serviços especiais
Conforme já sobejamente explanado (comentários ao art. 1º), o pregão é 
exclusivo para a licitação de bens e serviços comuns. A Lei traz apenas o conceito de bem 
ou serviço comum (art. 1º, Parágrafo único, da Lei nº 10.520/2002), mas o regulamento 
em estudo trouxe também um conceito do que seria bem ou serviço especial, que seriam 
“aqueles que, por sua alta heterogeneidade ou complexidade técnica, não possam ser 
descritos na forma do inciso II deste artigo [art. 3º