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Nova Lei de Licitação

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do Decreto nº 10.024/2019]”.
A caracterização da natureza especial do bem ou serviço para fins de aplicação 
do pregão é explanada nesta obra nos comentários ao art. 1º do novo Decreto (Objeto do 
pregão). 
Locações imobiliárias e alienações
Não se enquadram no campo de incidência do pregão as locações e as 
alienações em geral. Licitações cujo objeto tenham uma dessas espécies de negócio 
devem ser processadas com os procedimentos das modalidades clássicas previstas na 
Lei nº 8.666/1993. Há, inclusive, na jurisprudência selecionada do TCU enunciado neste 
sentido:
21 No mesmo sentido é a lição de Ronny Charles Lopes de Torres, autor para quem na definição do objeto 
como obra ou serviço de engenharia “deve ser respeitada, desde que razoável, a classificação estabelecida pelo setor 
técnico” (TORRES, Ronny Charles Lopes de. Leis de Licitações Públicas Comentadas. 8 ed. Salvador: Juspodium, 
2017, p. 887).
22 No âmbito da Advocacia-Geral da União, o respeito à posição dos órgãos técnicos nesses casos vai ao 
encontro da Boa Prática Consultiva nº 7, que diz: “A manifestação consultiva que adentrar questão jurídica 
com potencial de significativo reflexo em aspecto técnico deve conter justificativa da necessidade de fazê-lo, 
evitando-se posicionamentos conclusivos sobre temas não jurídicos, tais como os técnicos, administrativos ou de 
conveniência ou oportunidade, podendo-se, porém, sobre estes emitir opinião ou formular recomendações, desde 
que enfatizando o caráter discricionário de seu acatamento” (BRASIL. Advocacia-Geral da União. Manual de Boas 
Práticas Consultivas. 4 ed. 2016. Disponível em: <https://www.agu.gov.br/page/download/index/id/38180324>.
https://www.agu.gov.br/page/download/index/id/38180324
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A modalidade pregão não é aplicável à contratação de obras de engenharia, locações 
imobiliárias e alienações, sendo permitida a sua adoção nas contratações de serviços 
comuns de engenharia. Acórdão nº 3605/2014 – Plenário – TCU.
Não se aplica a modalidade pregão à contratação de obras de engenharia, locações 
imobiliárias e alienações, sendo permitida nas contratações de serviços comuns de 
engenharia. Acórdão nº 1540/2014 – Plenário – TCU.
Às alienações se aplica o leilão, nos casos de bens móveis ou imóveis 
derivados de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento (art. 19 c/c o art. 
22, § 5º da Lei nº 8.666/1993), e a concorrência, nas situações de alienação de bens 
imóveis não enquadrados nas hipóteses do art. 19 da Lei nº 8.666 (art. 17, I, da Lei nº 
8.666/1993). Já às locações aplicam-se as modalidades clássicas de acordo com o valor 
estimado da contratação (art. 23 da Lei nº 8.666/1993).
Possibilidade de uso do pregão para 
licitar concessão remunerada de uso de bem público
Não se pode confundir com as 
hipóteses previstas no inciso II do art. 4º do 
novel Decreto os casos de concessão remunerada 
de uso de bem público. Nessas situações, o 
Tribunal de Contas da União tem indicado o uso 
do pregão. De um modo geral, essa hipótese 
ocorre quando a Administração é proprietária 
de um bem imóvel cuja exploração econômica, 
atrelada à prestação de um serviço púbico, pode/
deve ser feita por um privado.
Encontramos na jurisprudência do 
TCU alguns exemplos com situações diversas:
•	 Acórdão nº 2844/2010 – Plenário: concessão de áreas comerciais em 
aeroportos;
•	 Acórdão nº 2050/2014 – Plenário23: concessão de áreas comerciais em 
centrais de abastecimento de alimentos;
•	 Acórdão nº 478/2016 – Plenário: concessão de imóvel para funcionamento 
de lanchonete em estabelecimento público.
Quanto a esse tipo de contrato, no qual a Administração aufere receita, há 
uma peculiaridade no critério de julgamento das propostas. Nesses certames o que se 
busca é o maior preço. Por isso, o TCU tem admitido uma adaptação do instituto para, 
por meio do que se poderia chamar de pregão invertido, julgar as propostas com base 
23 Acórdão confirmado pelo Acórdão nº 919/2016 – Plenário do TCU.
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no maior preço ofertado24. Esse aspecto será melhor analisado quando dos comentários 
ao art. 7º.
Quanto ao contrato de concessão remunerada de uso de bem público, 
destacamos os seguintes enunciados da jurisprudência selecionada da Corte de Contas 
federal:
Na licitação que tem por objeto a concessão remunerada de uso de bem público, é cabível 
a exigência de quitação de dívidas com a entidade contratante, relativas a concessões 
anteriores, como condição para participação no certame, com fundamento no art. 89, inciso 
II, do Decreto-lei 9.760/1946, e na interpretação teleológica do instituto da concessão de 
uso. Acórdão nº 5847/2018 – 1ª Câmara – TCU.
O contrato administrativo de concessão remunerada de uso de bens públicos possui caráter 
intuitu personae, o que impede os concessionários de cederem ou transferirem suas posições 
contratuais a terceiros. É irregular previsão nesse sentido em editais de licitação e contratos 
da espécie. Acaso o particular desista da execução do contrato de concessão, a Administração 
deve providenciar a rescisão do ajuste e a realização de novo certame licitatório, arcando o 
particular com os custos da sua desistência. Acórdão nº 2050/2014 – Plenário – TCU.
CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS
Forma de realização
Art. 5º
Art. 5º O pregão, na forma eletrônica, será realizado quando a disputa pelo 
fornecimento de bens ou pela contratação de serviços comuns ocorrer à 
distância e em sessão pública, por meio do Sistema de Compras do Governo 
federal, disponível no endereço eletrônico www.comprasgovernamentais.
gov.br.
§ 1º O sistema de que trata o caput será dotado de recursos de criptografia 
e de autenticação que garantam as condições de segurança nas etapas do 
certame.
§ 2º Na hipótese de que trata o § 3º do art. 1º, além do disposto no caput, 
poderão ser utilizados sistemas próprios ou outros sistemas disponíveis no 
mercado, desde que estejam integrados à plataforma de operacionalização 
das modalidades de transferências voluntárias.
O pregão eletrônico e o Sistema de Compras do Governo Federal
O objeto do Decreto em análise 
é o pregão eletrônico. Essa forma de 
realização da modalidade ocorre mediante 
um sistema eletrônico no qual são feitas 
todas as comunicações (apresentação das 
propostas e lances, impugnações, recursos 
e as respectivas respostas, assim como o 
resultado do certame) entre Administração 
e concorrentes, inclusive a sessão pública a 
que se refere o inciso VI do art. 4º da Lei nº 
24 Acórdão nº 2844/2010 – Plenário do TCU.
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10.520/2002. Por isso que o art. 5º do regulamento em comento fala de um procedimento 
à distância, pois nessa forma de pregão não se faz necessária a presença física das 
partes envolvidas.
Comparado com o revogado Decreto nº 5.450/2005, o novel regulamento 
inova ao fazer referência expressa à obrigatoriedade dos órgãos e entidades federais usar 
o Sistema de Compras do Governo Federal, o Comprasnet. Trata-se de sistema dotado 
de recursos de criptografia e de autenticação que garantem condições de segurança em 
todas as etapas do certame (§ 1º do art. 5º do Decreto nº 10.024/2019).
Em relação a Estados, Municípios e ao Distrito Federal, já dissemos nos 
comentários ao art. 1º que esses entes da federação estarão obrigados a licitar por pregão na 
forma eletrônica quando contratarem bens e serviços comuns com recursos decorrentes 
de transferências voluntárias da União (§ 3º do art. 1º do Decreto nº 10.024/2019). 
Nesses casos, entretanto, as unidades administrativas desses entes subnacionais não 
estão obrigadas a utilizar o Comprasnet. Nos termos do § 2º do art. 5º em estudo, Estados, 
Municípios e o Distrito Federal estão autorizados a utilizar o Comprasnet (art. 56 do 
Decreto em estudo), mas poderão optar por outros sistemas próprios ou disponíveis 
no mercado, condicionado, nestes dois últimos casos, à integração destes sistemas à 
plataforma federal na qual são transferidos esses recursos25.