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Fisiologia do Coração

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Fabiana A. Getulino - ATM23 
 
 
 
REVISÃO: O FUNCIONAMENTO DO SISTEMA 
CARDIOVASCULAR: 
Didaticamente, dividimos o sistema em duas circulações: a 
circulação pulmonar e a circulação sistêmica. 
o Na circulação pulmonar, o coração recebe sangue, 
pobre em oxigênio e rico em gás carbônico, e 
envia para os pulmões, onde ocorre uma troca 
gasosa, captando oxigênio e eliminando gás 
carbônico. 
o Na circulação sistêmica, o coração recebe sangue 
mais oxigenado e envia para o restante do corpo, 
onde o oxigênio será consumido e o gás carbônico, 
captado para a eliminação. 
De forma comparativa, é como se o coração fosse formado 
por “duas bombas”: uma bomba direita (responsável pela 
circulação pulmonar) e uma bomba esquerda (responsável 
pela circulação sistêmica). 
A função das Valvas: 
As valvas cardíacas permitem a direção única do fluxo 
sanguíneo. 
o As valvas atrioventriculares (válvulas tricúspede e 
bicúspede/mitral) se abrem em direção aos 
ventrículos. Além disso, impedem o retorno do 
sangue dos ventrículos para os átrios durante a 
sístole. 
o As valvas semilunares se abrem em direção às 
paredes dos seus vasos (A. Aorta ou Tronco 
Pulmonar) quando o fluxo é do ventrículo para o 
grande vaso correspondente. Impedem, dessa 
forma, o retorno do sangue das artérias aorta e 
pulmonar para os ventrículos durante a diástole. 
Todas essas válvulas, fecham - se e abrem - se 
passivamente. Isso é, elas fecham - se quando um gradiente 
retrógrado de pressão empurra o sangue para trás, e abrem 
- se quando um gradiente de pressão, dirigido para diante, 
força o sangue para diante. 
Função dos músculos papilares: 
(Os músculos papilares se prendem aos folhetos das valvas 
A-V pelas cordas tendíneas). 
→ Os músculos papilares contraem - se, enquanto as 
paredes ventriculares contraem - se, mas, ao contrário 
do que se poderia esperar, eles não ajudam no 
fechamento das valvas. Em vez disso, eles puxam os 
folhetos das valvas para dentro dos ventrículos, 
impedindo seu abaulamento para os átrios durante a 
contração ventricular. 
→ Se a corda tendínea é rompida, ou se um dos 
músculos papilares fica paralisado, a valva se abaula 
muito, e vaza profusamente, ocasionando 
incapacidade cardíaca grave e, até mesmo, letal. 
OBS: Apenas as valvas A-V são sustentadas pelas cordas 
tendíneas; o que não ocorre com as valvas semilunares. 
O CICLO CARDÍACO 
 
 
→ Cada ciclo inicia - se pela geração espontânea de um 
potencial de ação no nodo sinusal. Esse potencial de 
ação, então, se propaga rapidamente pelos átrios e, 
depois, pelo feixe A-V, para os ventrículos. Essa 
disposição especial do sistema de condução dos átrios 
para os ventrículos permite que os átrios contraiam - 
se antes dos ventrículos, bombeando sangue para os 
ventrículos antes do início da forte contração 
ventricular. Desse modo, os átrios funcionam como 
“bombas de escorva” para os ventrículos, e esses 
ventrículos, por sua vez, fornecem a maior parte da 
força que vai propelir o sangue pelo sistema vascular. 
→ O ciclo cardíaco consiste em dois períodos: 
✓ Sístole: período de contração cardíaca. 
✓ Diástole: período de relaxamento, durante o qual 
o coração se enche com sangue. 
 
 
Fisiologia do Coração 
 
Fabiana A. Getulino - ATM23 
ETAPAS DO CICLO CARDÍACO: 
(Usaremos o lado esquerdo do coração para exemplificar). 
PERÍODO DO ENCHIMENTO VENTRICULAR: 
O sangue, normalmente, flui de forma contínua das 
grandes veias para os átrios. Então, durante a sístole 
ventricular, elevada quantidade de sangue proveniente 
dessas grandes veias, se acumula nos átrios, devido ao 
fechamento das valvas A-V. 
Esse aumento de volume de sangue, segue continuamente 
a se acumular no átrio, aumentando, consequentemente, a 
pressão. Quando, então, somado à essa situação, ocorre 
um relaxamento do ventrículo, a pressão do átrio passa a 
superar a do ventrículo, forçando a abertura da valva A-V. 
▪ Com a abertura imediata das valvas A-V, há um 
fluxo rápido de sangue para os ventrículos. Isso é 
chamado de período de enchimento rápido dos 
ventrículos. 
▪ Mais sangue, normalmente, continua chegando ao 
átrio e, como a valva A-V mitral permanece aberta, 
o sangue enche diretamente o ventrículo, porém 
em uma velocidade mais lenta que a anterior. Por 
isso, essa fase é chamada de enchimento lento dos 
ventrículos. 
▪ Por fim, ocorre a contração atrial, dando impulso 
adicional ao influxo de sangue para os ventrículos; 
isso representa cerca de 25% do enchimento dos 
ventrículos, durante cada ciclo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PERÍODO DE CONTRAÇÃO ISOVOLUMÉTRICA: 
Cheio de sangue, o Ventrículo Esquerdo começa a se 
contrair, superando, então, a pressão atrial e causando o 
fechamento da valva mitral. Porém, essa pressão ainda não 
consegue vencer a pressão da valva semilunar (valva 
aórtica) para abrí - la. 
PERÍODO DE EJEÇÃO: 
A pressão continua subindo com a contração ventricular, 
chegando a um ponto em que a pressão do Ventrículo 
supera a pressão da aorta, forçando a abertura da valva 
semilunar esquerda. 
▪ Imediatamente, há uma ejeção brusca de sangue 
do ventrículo para a A. aorta. Essa etapa, é 
chamada de período de ejeção rápida, na qual 
ocorre a ejeção de cerca de 70% do sangue 
ventricular. 
▪ Cessa a contração ventricular; nesse momento, 
começa a ocorrer o relaxamento ventricular. Então 
a pressão ventricular começa a cair, mas uma 
parte do sangue ainda continua a ser ejetado 
(cerca de 30% do volume ventricular), momento 
denominado período de ejeção lenta. 
PERÍODO DE RELAXAMENTO ISOVOLUMÉTRICO: 
Após o início do relaxamento ventricular, as pressões 
intraventriculares reduzem significativamente. Logo, a 
pressão da A. aorta se torna muito maior do que a do 
ventrículo. Então, há o fechamento dessa valva semilunar. 
Nessa fase, como as valvas A-V e a semilunar estão 
fechadas, e o ventrículo continua a relaxar, o volume 
ventricular não se altera, produzindo o período de 
relaxamento isovolumétrico. 
→ Durante esse período, as pressões 
intraventriculares retornam rapidamente a seus 
baixos valores diastólicos e, enquanto isso, ocorre 
um novo acúmulo de sangue no átrio. Então as 
valvas A-V abrem - se, para começar um novo ciclo 
de bombeamento ventricular. 
 
OBSERVAÇÃO: Nota - se que os 
átrios, simplesmente, funcionam 
como bombas de escorva, que 
aumentam a eficiência do 
bombeamento ventricular por até 
25%. Entretanto, o coração pode 
continuar a operar na maioria das 
condições sem esse adicional de 
25% porque, normalmente, tem a 
capacidade de bombear 300 a 400% 
mais sangue do que é necessário 
para o corpo. Assim, quando os 
átrios deixam de funcionar, essa 
diferença tem pequena 
possibilidade de ser notada, a não 
ser que a pessoa se exercite; sinais 
de falência cardíaca aguda 
ocasionalmente se desenvolvem, 
sobretudo dispneia. 
Fabiana A. Getulino - ATM23 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELAÇÃO DAS BULHAS CARDÍACAS COM O 
BOMBEAMENTO CARDÍACO 
- Quando os ventrículos se contraem, ouve - se primeiro o 
som produzido pelo fechamento das valvas A-V, sendo 
conhecido como a primeira bulha cardíaca. 
- Quando as valvas semilunares se fecham ouve - se um 
estalido rápido. Esse som é chamado de segunda bulha 
cardíaca. 
CONCEITOS DE PRÉ-CARGA E PÓS-CARGA 
✓ Pré - Carga: considerada como sendo a pressão 
diastólica final quando o ventrículo já está cheio / 
Pressão durante o enchimento ventricular. 
✓ Pós - Carga: é a pressão na artéria que se origina 
no ventrículo / pressão arterial contra a qual o 
ventrículo deve contrair - se. 
RESUMO DAS ETAPAS DO CICLO CARDÍACO 
✓ Enchimento Ventricular: 
- Pressão sanguínea atrial promove abertura 
das valvas A-V: 
o Enchimento Rápido 
o Enchimento Lento 
o Contração atrial (adicional