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Didática do Contar Histórias - Temas 1 a 8 (num só arquivo pesquisável)

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Anhanguera Licenciatura Pedagogia – 4º Semestre 
Matéria: Didática de Contar Histórias 
Resumo dos Temas 1 ao 8 (dicas de estudo para prova) 
 
 
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Tema 1 
As Histórias como Meio de Comunicação/Distinção entre Leitura 
e Contação de Histórias 
Contar história é um ato encantado! Um contador de histórias compenetrado modula 
sua voz e gesticula dramaticamente; à sua volta veremos, invariavelmente, crianças 
hipnotizadas, sorvendo suas palavras uma a uma e ávidas pelo que está por vir. Toda 
essa atenção dedicada às crianças não pode ser desperdiçada, por isso, é preciso ver as 
histórias como um meio de comunicação privilegiado e considerar, com muito 
cuidado, a mensagem que cada história transmite. 
A mensagem de cada história foi elaborada pelo seu autor, mas o contador é muito 
mais do que um intérprete. À medida que escolhe a história, ele define a mensagem 
que deseja transmitir, ciente da reflexão que irá provocar nas crianças, define 
também a forma como irá contá-la, escolhendo os recursos necessários para 
potencializar a mensagem escolhida. 
É das histórias como um meio de comunicação que iremos tratar neste tema. 
As Histórias como Meio de Comunicação 
Contar histórias é uma prática que sempre existiu, todos contam histórias. Uns 
contam bem, atraem pessoas e as mantêm cativas com os seus relatos, outros contam 
mal, suas histórias são enfadonhas, têm pouco colorido, mas, nem por isso, deixam 
de contá-las, ou ainda, como seria natural, deixam de ter ouvintes. 
Mas não iremos avançar nesse momento nas técnicas de encantamento de um bom 
contador de histórias, pois o que queremos enfatizar inicialmente é a história como 
um meio de comunicação de todos os tempos que traz no seu corpo uma mensagem. 
A mensagem contida na história, por estar situada em um contexto e ser vivida por 
um personagem, é mais bem compreendida. Assim, por meio das histórias, podemos 
comunicar conceitos, exemplos, valores que seriam muito difíceis de serem 
transmitidos isoladamente. 
Isso é especialmente verdade quando estamos nos referindo a crianças. As pequenas 
têm um baixo nível de compreensão, seu raciocínio, como ensinou Piaget (1978), não 
faz relação de causa e efeito, por isso as mensagens, ordens ou conselhos que são ditos 
fora do contexto não fazem sentido para ela. Porém, ao acompanharem o herói de 
 
 
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2 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
uma história que vence o inimigo pela sua coragem, astúcia, ou mesmo bondade, 
tudo faz sentido, gerando a reflexão pretendida. 
Pretendida é a palavra que queremos enfatizar, pois o contador, seja professor ou pai, 
que conta uma história porque é a primeira que se lembra ou que achou mais fácil 
está comunicando aquilo que o autor da história quer, ou seja, uma comunicação não 
escolhida por ele e que pode não ser a mais adequada para aquela criança ou para 
aquele momento. 
Assim, a escolha da história adequada para o público certo no momento certo faz com 
que o contador assuma o protagonismo da ação. Mesmo não sendo o autor da história, 
ele define a comunicação e, portanto, a mensagem que irá transmitir. É isso que faz o 
educador, uma vez que essa mensagem está dentro do seu plano de ensino, encadeada 
com outras e é fruto do diagnóstico feito com suas crianças, que determina o que, 
como e quando certo conceito deve ser inserido. 
Assim, o fantoche brincalhão, a professora vestida de fada ou a dobradura de dragão 
que urra dentro da caverna feita de papelão pode representar muito mais do que 
aparenta, suas falas podem acessar estruturas mentais da criança que a levarão a 
conclusões marcantes para toda a sua vida. E tudo depende de você, daquilo que irá 
escolher e de como irá apresentar, para, além de encantar as crianças, auxiliar de 
forma marcante o seu desenvolvimento. Assim, ser um contador educador não é 
tarefa simples, mas, certamente, é muito prazeroso e vale cada minuto de preparação 
e dedicação. 
Iniciaremos nosso estudo compreendendo melhor os fenômenos comunicativos que 
envolvem a contação de histórias. 
As Histórias como Mídia 
Vivemos hoje em um mundo atolado de comunicações, que usa as mais diversas 
ferramentas, merecendo maior destaque a comunicação de massa, como a televisão, 
que atinge milhões de pessoas simultaneamente, e a comunicação digital, que muda 
muito as relações entre as pessoas. São notáveis também os meios de comunicação 
combinados que usam diversas plataformas, a televisão que se entrelaça com o 
smartphone, a revista lida no tablet, a loja que utiliza sons para comunicar a sua 
marca, etc. 
Dentro deste emaranhado de situações de comunicação, conhecidas, desconhecidas 
e “por vir a conhecer”, muitas vezes o homem esquece, ou até nem percebe, que o seu 
próprio corpo é um meio de comunicação. 
Em toda a comunicação temos três elementos básicos para a transmissão da intenção 
da mensagem: o emissor, o receptor e a mídia. 
 
 
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3 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
Mas o que é a mídia? 
 É o suporte da mensagem. A mídia pode ser uma revista, ela apoia a mensagem entre 
o editor e o leitor, a televisão também é uma mídia, apoia a mensagem entre o 
produtor e o telespectador. 
Harry Pross (1971 apud BAITELLO, 2000), semioticista da cultura alemão, 
categoriza a mídia em três níveis, chamados: 
- mídia primária (em que se comunica através, e tão somente, do próprio corpo), 
- secundária (em que o emissor precisa fabricar registros para se comunicar) e o 
- terciário (em que emissor e receptor precisam de elementos externos para se 
comunicarem). Este pensador tem sido muito usado nas reflexões sobre as questões 
culturais e sociais. Assim diz Pross: 
Toda comunicação humana começa na mídia primária, na qual os participantes 
individuais se encontram cara a cara e imediatamente presentes com seu corpo; toda 
comunicação humana retornará a este ponto. (PROSS, 1971 apud BAITELLO, 2000, 
p. 2). 
Assim, na contação de histórias estamos diante de um antigo, eficaz e fascinante uso 
dessa mídia primária: o corpo, no uso da voz (em suas diversas modulações e 
tonalidades), da postura (no gesto e na dança) e da expressão facial como meio de 
comunicação. Então, pode-se imaginar pessoas contando histórias antes mesmo de 
desenharem nas cavernas. 
E por que o homem desenhou nas cavernas? Porque ele percebeu que o registro 
poderia ir além de sua própria pessoa. 
Na caverna ele percebeu a possibilidade de deixar suas emoções, de poder contar suas 
histórias. Nasce então o que Pross (1971 apud BAITELLO, 2000) chama de mídia 
secundária, que são as diversas formas de registros exteriores ao corpo. Nesse 
sentido, o comunicar foi evoluindo até chegar aos livros e revistas, que nos permitem 
dialogar com Aristóteles ou Pestalozzi, pessoas vizinhas e do outro lado do planeta, 
porque eles deixaram as suas marcas através desse registro. 
Na mídia terciária o transmissor, como na secundária, precisa de um elemento 
externo ao seu corpo, o mesmo acontecendo com o receptor. Nesta situação é 
necessária maior tecnologia, como o rádio, a televisão e a internet, mais 
recentemente. 
Cada vez mais a tecnologia avança e permite formas mais cômodas na comunicação, 
que facilitam e trazem formatações sociais diferentes, uma vez que as pessoas não se 
agrupam mais por comodidade geográfica, mas por afinidades e interesses. O que é 
 
 
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4 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
bom de um lado, mas de outro traz a preocupação de que as pessoas vão perdendo o 
convívio, vão perdendo o “corpo a corpo”, e na medida que o seu corpo fica 
“esquecido”, sobrepujado pelas máquinas,