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Didática do Contar Histórias - Temas 1 a 8 (num só arquivo pesquisável)

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Assim, acabam gerando uma 
passagem também para o consolo ou a esperança de que, afinal de contas, as coisas e 
a própria vida, mesmo nos aspectos de sofrimento e injustiça, têm sentido. 
(GREGGERSEN, 2003, p. 35) 
A estudiosa vê nos dois autores um entendimento concorde com o pensamento de 
Bruno Bettelheim, que expressamente destaca em seu livro: 
Um dos pontos fortes do pensamento de Tolkien presente em O Senhor dos Anéis é 
precisamente a concepção de que, se todos os mitos remetem a valores humanos 
insistentemente presentes na literatura clássica mundial, é inconcebível que não haja 
alguma convergência deles com a realidade. Nenhuma sociedade pode “inventar” a 
mesma história milhares de vezes em milhares de lugares e tempos diferentes, da 
mesma forma que não pode, a rigor, “inventar” novos valores. (GREGGERSEN, 2003, 
p. 101) 
E ainda: 
Assim, o que ocorre nos mitos, tanto para Lewis quanto para Tolkien, é um tipo de 
“transposição” desses valores ao longo do tempo e das civilizações. Para Lewis, o mito 
pode até revelar uma espiritualidade mais consistente do que aquela simplesmente 
“professa” ou “igrejeira”. Ele nos remete, em última instância, à noção de encarnação 
e de redenção por meio da divindade. (GREGGERSEN, 2003, p. 101) 
Impossível não mencionar o fabuloso brasileiro Monteiro Lobato, de forma alguma 
menos competente que os citados anteriormente, seja no tocante à objetividade e 
utilidade do seu conteúdo, seja na riqueza de sua poesia e fantasia. 
Em uma inusitada solução criativa, ele rompe as fronteiras entre o real e o 
maravilhoso, falando de folclore e lendas brasileiras, fábulas europeias, conteúdos de 
 
 
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67 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
matemática, geografa e história real de todos os tempos, sem abandonar a sátira e a 
crítica social. 
FINALIZANDO 
Os diversos estudos voltados à educação no século XXI, visando o comportamento 
perante um excepcional domínio tecnológico, não concluíram pela necessidade da 
aquisição de habilidades cibernéticas, mas por uma retomada da essência do ser, para 
as suas necessidades mais básicas e humanas. Indicam a tolerância, a compreensão, 
a solidariedade e a ética para o enfrentamento da complexidade do século XXI. São 
posturas básicas necessárias para a existência, a convivência em harmonia, equidade 
e paz. 
A adoção de valores não pode ser impositiva, ela exige reflexão, aceitação autônoma 
e também conhecimento. A aquisição do conhecimento pela criança se dará por meio 
da observação, dos exemplos dos pais e professores, mas se dará principalmente pelo 
acompanhamento de uma história que os contextualize. 
Assim, as histórias aparecem como um poderoso instrumento para essa aquisição de 
valores. Contadas utilizando apenas a voz, usando um fantoche pequeno ou figuras 
simples, elas certamente causarão maior interesse do que as histórias contadas por 
sofisticados efeitos digitais. E sabe por quê? Simplesmente porque elas refletem um 
vínculo criado por você, contador, um vínculo de afeição, de real interesse, que falará 
diretamente ao coração de seus ouvintes. 
Que afortunados serão então professores, pais, mães e avós que pesquisam uma 
história que exemplifique aquilo que eles gostariam de transmitir, estudam-na com 
cuidado, preparam-se com trejeitos e entonações e, no meio de sorrisos e afagos, em 
um momento de verdadeira comunhão fazem a sua mais importante missão: formar 
um cidadão de caráter. 
Que afortunados são aqueles que têm a missão de construir castelos, esconder 
enormes dragões em pequenas cavernas, desafiar bruxas a serem malévolas, porém, 
com docilidade, também têm a missão de dar vida à mais linda princesa, a uma 
encantadora fada, de viajar nas asas de um pegasus e de se apaixonar pelo valoroso 
príncipe. 
Felizes aqueles que acreditam que a magia existe e sempre existirá, desde que uma 
criança, apenas uma criança, acredite nela. 
 
 
 
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Atemporais: refere-se àquilo que não está vinculado a uma determinada época. Algo 
que se manifesta da mesma forma em épocas diferentes. 
Autonomia: é a liberdade do indivíduo em gerir livremente a sua vida, de forma 
independente e autossuficiente. Em educação, significa a capacidade de gerir o 
próprio aprendizado e desenvolvimento, tomando decisões de acordo com seus 
próprios julgamentos e com independência de terceiros. 
Cibercultura: é a cultura surgida com o desenvolvimento das tecnologias digitais. No 
âmbito individual engloba todas as possibilidades fornecidas pela rede de 
computadores, seja na vida profissional, na aquisição de conhecimentos e no 
entretenimento. No âmbito social envolve as possibilidades de comunicações entre 
as pessoas em redes multidirecionais e os fenômenos produzidos a partir delas, como 
o uso de mídias sociais, jogos colaborativos e o comércio eletrônico. 
Tablet: é um dispositivo digital de uso pessoal em formato de um caderno, que pode 
ser usado para acesso à internet, visualização de fotos, vídeos, leitura de livros, 
jornais e revistas e para entretenimento com jogos. 
 
 
 
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Resolva a lista de exercícios Didática do Contar Histórias - 20 Exercícios 
resolvidos dos Temas 1 ao 4 da minha lista de materiais “Anhanguera - 
Licenciatura Pedagogia - 4ª Série”. 
 
 
 
 
 
 
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69 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
 
DOHME, Vania. Didática do Contar Histórias: As Histórias como Meio de 
Comunicação/Distinção entre Leitura e Contação de Histórias. Caderno de 
Atividades. Anhanguera Educacional: Valinhos, 2015. 
 
DOHME, Vania. Didática do Contar Histórias: A Contação de Histórias e o 
Desenvolvimento da Criança / A Formação de Leitores. Caderno de Atividades. 
Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. 
 
DOHME, Vania. Didática do Contar Histórias: Classificação das histórias. Caderno 
de Atividades. Anhanguera Educacional: Valinhos, 2015. 
 
DOHME, Vania. Didática do Contar Histórias: Estudando uma História. Caderno de 
Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. 
 
DOHME, Vania. Didática do Contar Histórias: Competências e Didática para a 
Contação de Histórias. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 
2015. 
 
DOHME, Vania. Didática do Contar Histórias: Técnicas de Contar Histórias. 
Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015. 
 
DOHME, Vania. Didática do Contar Histórias: Uso de Recursos Auxiliares para 
Contação de Histórias. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 
2015. 
 
DOHME, Vania. Didática do Contar Histórias: As Histórias no Século XXI. Caderno 
de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2015.