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Didática do Contar Histórias - Temas 1 a 8 (num só arquivo pesquisável)

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e usa de outros meios de expressão (relevo, cheiro, 
movimento). Esta prática estimula a formação do adulto leitor, desde que o livro seja 
 
 
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7 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
absolutamente do agrado, portanto, a sua escolha deve ser criteriosa. Escolhas 
malfeitas de livros que estão além da compreensão da criança e de sua capacidade de 
atenção podem levar ao efeito contrário. 
A leitura estimula a observação e a relação entre os signos à medida que a criança faz 
as ligações entre o texto e as figuras, e vê significados nas demais formas de 
expressão. Estimula a criatividade porque traz referências tanto no contexto como 
nas ilustrações. 
O Professor Lê para a Criança 
O livro deve ser lido quando o autor é reconhecidamente de boa qualidade, a ponto de 
o professor não encontrar qualquer acréscimo, retirada ou explicação que poderia 
fazer. Além disso, o texto deve ser adequado à faixa etária. 
Esta prática estimula a formação do leitor, mas tem, por um lado, uma desvantagem 
em relação à pratica anterior (criança lê o livro), pois não encerra o desafio da 
descoberta. Essa prática causa menor estímulo à criatividade, porque o adulto leitor 
não conseguirá compartilhar os signos que fazem parte do livro na sua totalidade. Por 
outro lado, pode também ter vantagens, especialmente quando os textos são mais 
longos, o que deixaria a criança cansada. 
O Professor Conta a História 
É a prática que oferece maior flexibilidade para o professor, pois desenvolve a 
observação, a imaginação e a criatividade de seus ouvintes. É possível ser adaptada, 
enfatizando os objetivos educacionais pretendidos. Outro aspecto é que, ao usar as 
suas próprias palavras, ele dá mais confiabilidade a elas, mostra mais 
comprometimento com o seu conteúdo e isso potencializa os benefícios. E como tudo 
isso é mágico: a voz, apenas com entonações mais agudas ou graves, a variação do seu 
volume e da velocidade podem levar as crianças a reinos mágicos, construídos pela 
sua própria imaginação. E ainda temos à nossa disposição, para aumentar a magia, 
desenhos, fantoches, bonecos, teatro de sombras e tantas outras técnicas. Sem dúvida 
é a mais gratificante, porém a mais trabalhosa. 
FINALIZANDO 
Contar histórias é um grande meio de comunicação com crianças, pois histórias são 
um veículo que podem apoiar importantes mensagens. As histórias dão às situações 
abstratas (especialmente àquelas que os pais e professores gostariam de transmitir) 
um contexto simples, lúdico, fácil de entender. Para as crianças envolvidas nesta 
bolha de magia, as mensagens fazem sentido e, mais do que isso, provocam a reflexão 
e a absorção do conteúdo. 
 
 
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8 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
Ler histórias para as crianças é muito desejável, amplia seus horizontes, traz novas 
perspectivas de vida e instaura o hábito de leitura, porém, contar histórias pode ser 
um ato mais forte do que ler histórias. Isso porque, quando o contador narra as 
histórias com as suas próprias palavras, ele dá mais confiabilidade a elas, mostra mais 
intimidade com o seu conteúdo e cria um vínculo mais forte com os seus ouvintes. E 
como tudo isso é mágico: a voz, apenas com entonações mais agudas ou graves, a 
variação do seu volume e da velocidade podem levar as crianças a reinos fantásticos 
construídos pela sua própria imaginação. 
E ainda, temos à nossa disposição, para aumentar o encanto, desenhos, fantoches, 
bonecos, teatro de sombras e tantas outras técnicas. 
É por tudo isso que as histórias são mágicas e propiciam momentos de encantamento, 
porque existem crianças, mas também porque existem, e sempre existirão, homens e 
mulheres “crianças” que gostam de estrelas cintilantes, que se emocionam com 
coisas simples, que praticam o amor e acreditam em fadas. 
 
Códigos: são os signos que compõem a mensagem, um conjunto de sinais 
estabelecidos por uma regra comum, que têm relação entre si e que fazem sentido. 
Um código pode ser a linguagem, um sistema de cores, sons. Um código só é eficaz 
quando é de conhecimento de todos os envolvidos na comunicação (emissor e 
receptor). 
Comunicação: deriva do latim “communicare”, que significa “partilhar, participar 
algo, tornar comum”. É o processo mediante o qual uma pessoa, ou um grupo de 
pessoas, transmite seus pensamentos para outros utilizando um sistema de códigos. 
Emissor: aquele de onde se origina a mensagem, quem emite a mensagem. 
Mídia: a palavra mídia vem da palavra inglesa media, que por sua vez vem do latim, 
sendo o plural da palavra médium que significa “aquele que está a meio”. Como em 
inglês soa como “mídia”, “abrasileirou-se” a grafia e ficamos com mídia. Em 
comunicação, mídia é bem entendida como “aquela que está no meio de 
comunicação”, porém, de forma usual e rotineira, essa palavra pode designar o 
próprio suporte (a revista, a televisão), ou mesmo algo que se tornou público quando 
falamos “está na mídia”. 
Receptor: aquele que é o destinatário da mensagem, quem recebe a mensagem. 
Semioticista: aquele que trabalha com semiótica, que é o estudo dos signos. 
 
 
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Signos: tudo aquilo que tem significado em uma comunicação. Os signos podem ser 
palavras, cores, formas, aromas, expressões, enfim, tudo aquilo que é usado por um 
emissor para dar significado em uma comunicação. 
 
Tema 2 
A Contação de Histórias e o Desenvolvimento da Criança / A 
Formação de Leitores 
O brincar é visto indiscutivelmente como uma atividade para crianças, mas, 
pensando assim, por que ele é tão pouco usado na educação? As teorias modernas 
apontam para a construção do aprendizado pelo aluno, para o aluno como 
protagonista do seu aprendizado e para o aprendizado significativo. Assim, será que 
a configuração em que os alunos ficam sentados em suas carteiras, ouvindo 
passivamente os ensinamentos de outrem, traz resultado? Certamente que sim, mas 
fica a pergunta: trará o melhor resultado? 
Quando se trata de desenvolvimento pessoal e social, o brincar tem um papel 
fundamental de colocar a criança no centro da ação, fazer com que ela sinta desafios, 
teste suas potencialidades, procure fazer alianças com outros aprendendo a conviver. 
As histórias fazem parte da brincadeira, e se engana quem pensa que as crianças a 
recebem passivamente, ao vê-las sentadas atentas, quase imóveis, pois, dentro de 
suas cabecinhas, há um turbilhão de ideias provocado pelo enredo, ideias essas que 
se juntaram às outras que possuem, gerando uma terceira, e que responderão a 
indagações e despertarão para novos cenários. 
As histórias são um verdadeiro “abre-te sésamo” para um mundo encantado do 
imaginário de cada um, que torna quem as ouve mais experiente e mais forte para 
viver nesse nosso mundo real. 
O Valor Educacional das Histórias 
As histórias são um importante instrumento de ludoeducação. 
A ludoeducação é tida como uma coisa nova, e isso merece alguma reflexão. O brincar 
não é novo, todos sabem que a criança brinca e o adulto respeita isso, sabendo que faz 
parte da natureza dela. 
Agora, o conceito que podemos chamar de novo é o conceito de ensinar por meio do 
brincar. Autores como Comenius, Rousseau, Pestalozzi e Froebel esboçaram ideias 
que, de forma até tímida, já reconheciam a importância de aliar esta atração da 
criança pelo brincar ao ato de ensinar. Do primeiro pensador que refletiu sobre este 
 
 
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assunto já se passaram três séculos e ainda existem muitas resistências em se aceitar 
isso, ainda existe um preconceito muito grande. 
O jogo se constitui em um fim para a criança, pois dele ela obtém prazer.