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Didática do Contar Histórias - Temas 1 a 8 (num só arquivo pesquisável)

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Para os 
adultos que desejam usar o jogo com objetivos educacionais, este é visto como um 
meio, um veículo capaz de levar até a criança uma mensagem educacional. 
Para Gilles (1998), a criança tem uma necessidade irresistível de brincar, todas as 
vezes que ele se submete a um jogo com objetivos educacionais ela satisfaz essa 
necessidade e, ao mesmo tempo, aprende. 
Segundo Piaget (1994), os jogos funcionam como uma oportunidade de conviver com 
regras, e este convívio não se limita à aceitação e à obediência, mas também leva à 
criação de uma normatização e até de uma jurisprudência. 
O jogo é a maneira natural de as crianças interagirem umas com as outras, 
vivenciarem situações, manifestarem indagações, formularem estratégias, 
verificarem seus acertos e erros e poderem, através deles, reformularem, sem 
qualquer punição, seu planejamento e as novas ações. Devries (1991) indica que a 
participação ativa da criança em um jogo vai determinar a sua capacidade de 
envolvimento e, portanto, o seu nível de desenvolvimento. 
Por essas questões, o jogo em sala de aula tem sido recomendado por diversos autores 
e tem se tornado prática crescente no ensino infantil e fundamental. Para Gilles 
(1998), a expressão “jogo educativo” é a conciliação entre o respeito à autonomia da 
criança, o seu desejo de brincar e a necessidade de continuar a disciplinar o processo 
educativo. 
E qual o interesse que o educador tem neste mergulho no mundo lúdico? É que este 
se apresenta como uma oportunidade de pesquisa, experimentação, troca de ideias, 
atitudes cooperativas, inferições e deduções, típicas de um ensino ativo, centrado no 
próprio aluno, tornando-o capaz de construir o seu próprio conhecimento. 
O papel do professor é preparar este “cenário”, elegendo quais pontos devem ser 
focados e como abordá-los, seguindo como um agente motivador, às vezes árbitro, 
mas, principalmente, observador da atuação de cada um para poder compreender 
cada criança em suas potencialidades e dificuldades. 
E nesta tarefa é importante ter atenção a dois objetivos: primeiro, o jogo tem que ser 
atraente, do gosto da criança, deve causar verdadeira diversão, e segundo, deve ter 
um conteúdo educacional de boa qualidade, adequado ao plano de ensino e seus 
objetivos. 
Assim, ensinar brincando pode ser muito mais eficiente e produtivo do que os 
métodos tradicionais e, acima de tantas explicações metodológicas e didáticas, muito 
 
 
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11 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
simples. Ensinamos crianças e como crianças devemos tratá-las, esta é, talvez, a única 
forma de sermos totalmente compreendidos por elas. 
O Jogo e a História 
A palavra jogo é tida aqui no seu sentido amplo, ela aparece aqui como uma tradução 
do inglês play, que tem um sentido muito mais amplo do que a palavra jogar tem para 
nós. Play, além de jogo, significa “tocar um instrumento, dramatizar uma peça 
teatral, brincar”, poderíamos dizer que é um “faz de conta”. 
Para Huizinga (2000), o jogo é uma espécie de “bolha lúdica”, um espaço que se abre 
no cotidiano, onde as pessoas (adultos e crianças) entram voluntariamente e lá vivem 
situações que têm regras e fins próprios. É um espaço temporário, onde se dá o direito 
de viver situações inusitadas. Pensando assim, o “faz de conta” proporcionado pelas 
histórias fica muito bem representado na bolha lúdica, caracterizando as histórias 
como prioritariamente lúdicas, um espaço maravilhoso onde é permitido sonhar e de 
onde se pode sair quando quiser, sendo que a única coisa que se pode trazer são as 
reflexões que nos foram proporcionadas nestes momentos. 
Ludoeducação é um termo que se origina da junção de duas palavras (lúdico e 
educação), é como levar a mensagem educacional dentro do lúdico. Bem, para que 
aqui essa mensagem seja bem recebida ela tem que ser agradável, gostosa, bela, 
porém, pensando-se somente nisso, pode-se tornar-se um bom recreacionista. Já para 
ser um ludoeducador, é necessário ter compromisso com a mensagem, ela tem que 
estar de acordo com os objetivos educacionais propostos por cada um, de acordo com 
o projeto educativo no qual o programa está inserido, de acordo com a mensagem que 
cada um julga importante deixar. 
Enfim, não se pode pensar somente em uma coisa, pois pensando só no lazer não 
promoveremos a educação e pensando só na educação corremos o risco de fazer algo 
chato, pouco atrativo. Assim, o ludoeducador contador de histórias deve saber 
conciliar as duas coisas, ele precisa saber encantar, ter a habilidade para abrir as 
portas de um mundo mágico e conduzir cada um pela mão, mas também necessita 
ter compromisso com aquilo que está comunicando. Entendendo as histórias como 
um meio de comunicação e entendendo que este meio é capaz de comunicar 
educação, o contador precisa saber que tipo de mensagem educacional sua história 
está conduzindo, se ela é adequada à faixa etária e aos objetivos educacionais, se ela 
exprime uma mensagem que bate com seus valores pessoais. 
Contar histórias sempre é positivo, tem uma série de coisas importantes, mas este 
momento pode ser potencializado se, através da história, transmite-se um valor, um 
modo de vida, um exemplo a ser seguido. 
Assim, quando o contador de história se envolve com a mensagem que está 
transmitindo e, principalmente, quando procura usá-la como uma ferramenta 
 
 
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12 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
educacional, ele deixa de ser um mero transmissor e passa a ser um intérprete, 
adiciona à obra a sua pessoalidade, com seu modo de ver a vida, sua visão do futuro, 
seus valores. Podemos fazer um paralelo com a figura do cantor, aquele a que se 
chama intérprete, que canta uma música cuja letra já está pronta, foi feita por outro. 
Ele escolhe para cantar a música que coincide com aquilo que ele gostaria de dizer e 
com sua forma de cantar, mais contida, mais apaixonada, mais solta ou mais 
moderna, emprestando a sua pessoalidade à canção. Da mesma forma é o contador, 
ele escolhe a história, com cuidado, para encontrar a “sua história”, certamente fruto 
de boas pesquisas, e a ela ele dá a sua interpretação, manda a sua mensagem. 
Os Valores Educacionais das Histórias 
1. As Crianças Gostam 
Parece muito simples usar este argumento, porém, é bom pensar um pouco nele. 
Quando se fala em comunicação, a busca é por um veículo adequado ao público-alvo, 
capaz de atrair este público. Assim, o fato de as crianças gostarem de ouvir histórias 
vai fazer com que estas sejam um meio de comunicação privilegiado com as crianças. 
E isso todo contador pode atestar, pois no momento que ele fala “eu vou contar uma 
história”, imediatamente as crianças abrem os ouvidos e ficam com os olhos 
encravados nele, esperando ansiosas, e este é o momento que ele, além de encantar, 
pode passar uma mensagem importante para este público, o que dará exatamente o 
mesmo trabalho. 
Outro fator importante é que o fato de as crianças gostarem de ouvir histórias abre 
um importante canal de afetividade, não é a criança que precisa “crescer” para 
entender o adulto, é o adulto que vai até ela: senta-se no chão, põe um chapéu de fada, 
de pirata, engrossa a voz, dá risadas esganiçadas. Ele é um amigo da criança, que 
entende a “sua língua”. Quanto maior a afetividade, mais confiança, mais diálogo e 
mais oportunidades de educação. 
2. A Variedade de Temas é Praticamente Inesgotável 
Tomando-se as histórias como um meio de comunicação, que tipo de comunicação se 
deseja passar? Uma visão esperançosa? Valorizar determinada cultura para 
minimizar uma situação de discriminação vivida na classe? 
As histórias fornecem um repertório variado para se trabalhar com os mais diversos 
aspectos educacionais, e a quantidade de livros que temos à nossa disposição se torna 
uma encantadora fonte de