A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
69 pág.
Didática do Contar Histórias - Temas 1 a 8 (num só arquivo pesquisável)

Pré-visualização | Página 5 de 22

pesquisa para aquele que acredita na importância do seu 
trabalho. 
E, caso alguém não encontre a história apropriada, o que seria muito difícil, não tem 
importância, ele poderá criar suas próprias histórias e através delas encaixar 
 
 
GOSTOU DO MATERIAL? Então não se esqueça de curtir! 
 
13 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
exatamente aquele recado que gostaria de dar, de uma forma que a criança possa 
entender. 
3. Pouca Exigência de Recursos Materiais 
As histórias são um meio de comunicação que usa a mídia primária. Por mídia 
primária, entendemos o uso do próprio corpo, tanto do emissor como do transmissor. 
É evidente que, para contar uma história, pode-se usar um fantoche, um bocão, pode-
se ter um teatro, uma verdadeira parafernália de coisas, as crianças vão gostar, mas a 
base central é o contador, sozinho. Então, de uma escala de 0 a 10 de satisfação, em 
que se atinge 10 com um fantoche, pode-se alcançar 9 sem nada, somente o contador 
com o seu corpo, sua voz, sua expressão facial e corporal. 
E é claro que se deve levar em consideração o repertório que cada contador tem, a 
forma como ele sabe organizar a sua mensagem. Isso será extremamente útil e estará 
sempre “à mão” em todos os momentos, inclusive naqueles em que não se sabe o que 
falar, nos momentos de grandes alegrias, momentos difíceis que as palavras faltam, 
nos quais afloram sentimentos profundos, abstratos e difíceis de se comunicar. 
O Desenvolvimento que todas as Histórias Propiciam 
No livreto A história como meio de comunicação, escrito por Vania Dohme, em 2003, 
a autora afirma que toda história, contada seja de que forma for, acarreta um 
desenvolvimento educacional na criança, seja pela mensagem específica que encerra, 
seja pela atenção e exercício do imaginário que ela provoca. 
Nas suas palavras: “De forma genérica, as histórias contribuem com diversos 
aspectos da formação de crianças e de jovens. Esses aspectos podem variar de 
intensidade de uma história para outra” (DOHME, 2003, p. 13) e continua 
estabelecendo que, de maneira geral, todas as histórias propiciam o desenvolvimento 
dos seguintes aspectos: 
• Atenção e raciocínio. 
• Senso crítico. 
• Imaginação. 
• Criatividade. 
• Afetividade. 
Vejamos cada um deles. 
Atenção e Raciocínio 
Como já foi trabalhado por Eco (2004), a competência que a criança tem para 
entender uma história é limitada, dado o seu baixo poder de concentração, mas, como 
 
 
GOSTOU DO MATERIAL? Então não se esqueça de curtir! 
 
14 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
gostam de histórias, ficam mais motivadas e com isso desenvolvem sua capacidade 
de atenção. Mesmo que com um enredo muito simples, ela será desafiada a deduzir o 
que virá a seguir - qual desfecho está por vir? Outro fato importante é que a relação 
de causa e efeito, como ensina Piaget (1994), ainda está em amadurecimento nessa 
fase, assim, os enredos provocam o exercício de estabelecer essa relação, pois “se o 
ratinho fosse por outro caminho não encontraria o gato...”, mas, uma vez que o 
encontrou, “teve que se disfarçar para não ser caçado...”. Como diz Dohme (2003, p. 
13). 
As histórias têm o poder mágico de prender a atenção das crianças. Isso por si só já é 
um exercício, mas as histórias provocam muito mais do que isso. As crianças 
acompanham os fatos e fazem conjecturas: como será que o herói se saíra dessa 
situação? Será que o ratinho, por gostar somente de queijo, rejeitará o chocolate? A 
princesa encontrará o príncipe e será feliz novamente? Ao tomarem conhecimento 
do desfecho do enredo, irão compará-lo com as suposições que fizeram. Isso fará com 
que elas exercitem a relação de causa e efeito, que faz parte do seu amadurecimento. 
É de se notar que as crianças gostam de ouvir a mesma história várias vezes, e a 
explicação está ligada ao fato de que ela quer ter certeza de que entendeu bem, de que 
as consequências de cada fato narrado continuarão sendo iguais, “elas querem ter 
certeza de que o mal foi derrotado e de que tudo acaba bem no fnal” (DOHME, 2003, 
p. 13). 
Senso Crítico 
O senso crítico é uma capacidade importante para a participação na comunidade e 
para o próprio desenvolvimento, mas do que se trata? Ter senso crítico é ter uma 
opinião própria sobre os fatos que nos cercam, é ter a capacidade de analisar os prós 
e contras de cada situação, o que está de acordo com os seus princípios e o que não 
está, enfim, é tomar decisões fundamentadas em suas próprias convicções. Isso nem 
sempre é fácil, pois vivemos em uma sociedade massificada, com muitas informações 
se cruzando, dizendo “o que devemos fazer” ou “o que não devemos fazer”, o que 
devemos comprar, assistir, comer, ouvir e assim por diante. E como as inocentes 
histórias podem nos ajudar a desenvolver o senso crítico em nossas crianças? 
É muito simples, as histórias dão contextos a situações que podem ser discutidas com 
as crianças fazendo com que elas vejam as situações sob outros pontos de vista. 
Dohme (2003, p. 14) explica isso muito bem: 
As crianças pequenas ficaram encantadas quando Cinderela apaixona-se 
imediatamente pelo príncipe. Mas, as mais velhas poderão ser questionadas se 
somente o fato de ser bonito, rico e poderoso é suficiente para alguém se apaixonar. 
 
 
GOSTOU DO MATERIAL? Então não se esqueça de curtir! 
 
15 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
E será que o Patinho Feio não seria mais feliz continuando feio, porém filho de sua 
mãe pata e irmão dos patinhos, do que se transformar em um cisne belo, no entanto 
sozinho? 
Quando o professor escolhe a história de acordo com a mensagem que deseja 
transmitir, não tem qualquer dificuldade em abordar esse contexto de forma mais 
ampla, após o término da história, forçando a reflexão. Mas, cuidado! Não tente 
interpretar pelas crianças, somente as provoque a pensar! Deixe que troquem 
opiniões entre si, jamais direcione e lembre-se sempre de que a maturidade do adulto 
é bem diferente da maturidade das crianças, o importante é que elas reflitam. Creia, 
essas conclusões poderão vir muitos anos depois. 
Imaginação 
Quem escreve uma história utiliza signos, que podem ser palavras ou imagens que 
tenham o poder de serem “reconhecidos” pelas crianças. E como se dá esse 
reconhecimento? Ele se dá quando a criança tem uma imagem mental, um registro 
em sua mente que corresponde àquela palavra ou imagem que lhe foi dita. 
Mas a narrativa pode trazer elementos novos que ela vai construir em sua mente, 
ampliando, assim, a sua imaginação, por exemplo: uma criança pode não ter estado 
em um castelo, mas a descrição de um deles vai fazer com que ela o desenhe na sua 
mente, passando agora a ter o seu registro. À medida que ela vai tendo contato com 
algo similar, que não precisa ser exatamente um castelo, mas apenas algo que o 
componha, como uma escadaria, um tapete ou um lustre suntuoso, ela vai 
redesenhando o “seu” castelo e, consequentemente, aumentando seus registros 
mentais. 
E assim as histórias vão aos desertos, navegam embaixo do mar com os peixinhos e 
vão até além das nuvens, visitam outras culturas, podendo ir ao passado e ao futuro. 
“A descrição detalhada fará com que o ouvinte sinta o cheiro das flores, visualize a 
grama verdinha e se encante com o cavalo alado que dorme sossegadamente” 
(DOHME, 2003, p. 15). 
Dohme (2003) alerta que esse detalhamento não deve ser exagerado, ele deve apenas 
sugerir, deixando que o ouvinte complete os detalhes com suas próprias referências. 
Criatividade 
Uma imaginação rica em referências facilitará a criação de novos cenários. Por 
exemplo, uma história apresentou às crianças um Pégaso, que é um cavalo fantástico 
que voa, no caso, um cavalo alado na cor azul, salpicado de estrelas douradas. Assim, 
por que não será possível uma tartaruga alada na cor lilás com bolinhas amarelas? 
 
 
GOSTOU DO MATERIAL? Então não se esqueça