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Didática do Contar Histórias - Temas 1 a 8 (num só arquivo pesquisável)

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16 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
A formação de um repertório mental é algo que acontece espontaneamente em toda 
narrativa de uma história, mas os educadores podem tirar um pouco mais de proveito 
dela no desenvolvimento da criatividade pedindo para que as crianças deem um 
retorno por meio de um desenho, um trabalho manual ou uma apresentação teatral. 
A história fornece um contexto e está presa, contida, na mente de cada criança; no 
momento em que pedimos esse feedback forçamos que ela reflita sobre os conteúdos 
apreendidos e procure formas de exteriorizá-los. Fazer esse trabalho em grupo pode 
ser até mais proveitoso, uma vez que as crianças compartilham as imagens mentais 
que apreenderam, que certamente serão diferentes, o que fará com que todos 
ampliem os seus registros individuais. 
Após ouvirem uma história, podemos pedir a elas que façam um desenho da cena de 
que mais gostaram, ou a modelem em argila. Um grupo de crianças poderá 
representá-la ou, mesmo, ser convidado a fazer a sua continuação. Será necessário 
criar o roteiro, fazer o cenário, o figurino. Situações que ficariam difíceis de serem 
pedidas aleatoriamente, mas que ganham sentido dentro de uma história que acabou 
de ser contada (DOHME, 2003, p.15). 
O nosso livro-texto (DOHME, 2013) traz uma importante experiência para ser feita 
com as crianças, que exercita a criatividade de cada ouvinte e dá mostras preciosas 
para o educador de como os registros mentais são diferentes para cada pessoa. Trata-
se da história Urso do final do arco-íris. Ela conta a trajetória de um grupo de pessoas 
em uma floresta, os ouvintes escutam a narrativa com os olhos fechados e são usados 
efeitos especiais para incitar mais. 
 
FINALIZANDO 
Na marcha cultural do homem, os mais velhos debatem-se em deixar suas vivências 
aos mais novos, suas experiências, pois querem ensiná-los a viver. Com o pretexto de 
educá-los, os mais velhos querem fincar nos seus descendentes seus valores, mas 
como ensinar valores para crianças, que ainda têm um precário sistema de raciocínio 
abstrato? As histórias aparecem como uma solução, elas contextualizam esses 
valores com um exército de auxiliares: fadas, gnomos, bruxas, bonecas e animais, que 
emprestam seus corpos, suas falas e suas emoções para lhes dar sentido. 
Nesta situação, a história passa a ser o signo de mensagens que os mais velhos querem 
transmitir às crianças. O “contador de histórias” usa deste signo para ensinar, 
acalentar, encantar. 
 
 
 
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17 Anhanguera - Pedagogia – Didática de Contar Histórias 
 
Criatividade: é a capacidade de se expressar, de encontrar métodos, fazer objetos ou 
executar tarefas de uma maneira nova ou diferente da habitual, com a intenção de 
satisfazer um propósito. A criatividade envolve sempre o conceito do novo, mas é 
fruto do remanejamento de registros que o criador já possui. 
Imagens mentais: são os registros que cada um conserva em sua mente, que 
significam tudo o que conheceu e guardou em sua memória. Podem ser de uma 
pessoa ou lugar, mas também pode ser uma cor, um aroma, um som. 
Imaginação: é a capacidade mental para relacionar, criar, inventar ou construir 
imagens mentais. 
Lúdico: suas raízes etimológicas estão na palavra latina ludos, que pode significar 
“jogo, brinquedo”. Em geral, refere-se a toda atividade que tem um fim em si mesmo, 
diferente do cotidiano, com regras próprias e que promove interação voluntária. 
Ludoeducação: é a atividade lúdica que encerra um objetivo educacional. Os 
participantes, à medida que jogam, brincam e realizam experiências que são 
assimiladas e passam a fazer parte do seu conhecimento. Em outras palavras, é a 
construção do conhecimento por meio da atividade lúdica. 
Senso crítico: é a capacidade de fazer análises do seu entorno e ter uma opinião sobre 
ele. Está relacionado a ver os acontecimentos do mundo de forma aberta, sem se ater 
a paradigmas, estar atento a outros pontos de vista para, após essa colheita de 
diversas ideias, formar o seu próprio conceito sobre o assunto. 
 
Tema 3 
Classificação das histórias 
Existe uma infinidade de mensagens possíveis de serem transmitidas em uma 
comunicação, portanto existem infinitas histórias que podem ser veículos dessas 
mensagens. E como se não bastasse, uma história pode ter várias formas de ser 
apresentada; algumas são mágicas, outras sensatas, outras causam medo e, é claro, a 
mensagem é absorvida de maneira diferente de acordo com cada uma dessas 
variações. 
É sobre isso que trata esse tema, conheceremos formas de classificação das histórias 
e como cada uma delas tem impacto nos seus ouvintes. 
 
 
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Conhecer em qual classificação a história se encaixa ajuda também a definir a faixa 
etária que melhor irá absorver o seu conteúdo, como também dar dicas de como fazer 
a narração e utilizar os recursos auxiliares. 
A divisão clássica aponta para dois grandes grupos: histórias de fadas e fábulas, que 
são profundamente diversas no seu impacto comunicacional e a forma que a criança 
irá absorver o seu conteúdo, e a influência que ela terá em seu comportamento e 
forma de pensar. 
Classificação das histórias 
A literatura infantil surgiu da tradição oral de todos os tempos e de todas as épocas. 
Gillig (1999) conta que somente no final do século XVII é que a literatura infantil 
floresceu. Charles Perrault, na França, publicou em 1697 os seus contos da Mãe 
Gansa, descrevendo em versos os contos oriundos da tradição popular. 
 
 
Figura 3.1 – Charles Perrault 
 
Na Alemanha, em 1812, os irmãos Grimm lançaram Kinder und Hausmärchen, com 
oitenta e seis contos coletados da cultura popular. O objetivo principal dessa 
iniciativa foi manter viva a poesia popular alemã e não, como é comumente dito, 
escrever histórias para crianças. 
 
 
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Figura 3.2 – Irmãos Grimm 
O dinamarquês Andersen é considerado o primeiro escritor para crianças, tanto que 
o dia do seu nascimento, 2 de abril, é considerado o dia internacional do conto 
infantojuvenil, isto porque, embora posterior a Perrault e aos irmãos Grimm, é de sua 
criação a maioria dos contos que escreveu. Não obstante, há muita semelhança nos 
contos dos quatro autores; giram em torno de seres fantásticos, enfrentam malefícios 
e sempre têm desfechos felizes. 
 
Figura 3.3 – Hans Christian Andersen 
Os autores que lhes sucederam são chamados por Gillig (1999) de “autores de contos 
modernos”, isto porque, esgotada a maioria das possibilidades de transcrições da 
 
 
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cultura oral, esses autores partiram da sua própria imaginação e vivências para 
criarem suas histórias, sem, contudo, perderem as características principais dos 
contos de fadas. Dentre tantos outros, são eles: o italiano Collodi (1826-1890), que 
escreveu Pinochio; o inglês Lewis Carrol (1832-1898), de Alice no País das 
Maravilhas; o escocês J. M. Barrie (1860-1937), de Peter Pan; o americano L. F. Baum 
(1856-1919), de O Mágico de Oz; o inglês (nascido na África do Sul) Tolkien (1892-
1973) e seu amigo irlandês C. S. Lewis (1898-1963), da maravilhosa série Crônicas de 
Nárnia, e por que não falar da britânica J. K. Rowling (1965- ), criadora do formidável 
Harry Potter? 
Na verdade, o ponto de união dessas histórias de fadas não é a data de sua criação, 
mas o enredo fantástico, o que as difere de uma história como Robinson Crusoé ou 
das aventuras de Tom Sawyer. 
Fortemente contrastando com os contos de fadas estão as fábulas. 
 
Figura 3.4 – Esopo 
Atribui-se a Esopo, uma figura mais lendária