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Semiologia e Psicopatologia dos Transtornos Mentais (Capítulo 21): O Juízo de Realidade e suas Alterações (O Delírio)

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RESUMO:
PSICOPATOLOGIA E
SEMIOLOGIA DOS
TRANSTORNOS MENTAIS
Capítulo 21
Ajuizar: julgar subjetiva e individualmente,
mas também a partir do contexto social,
histórico e cultural do sujeito (p. 206).
Juízos: afirmam a relação com o mundo,
assegura da existência ou não de um objeto
(juízos de realidade), distingue uma
qualidade de outra (juízos de valor),
estabelece juízos estéticos, coerentes,
incoerentes, certos, opinativos, refletivos ou
espontâneos (p. 206).
Realidade compartilhada (p. 206): aquela
em que as pessoas aceitam e buscam viver
de modo mais ou menos coerente. As
alterações do juízo de realidade são
alterações do pensamento (p. 206). 
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Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais
Capítulo 21: O JUÍZO DE REALIDADE E SUAS ALTERAÇÕES (O DELÍRIO)
 Definições Básicas 
Tomam-se as coisas parecidas ou
semelhantes por iguais ou idênticas;
Atribui-se a coincidências a força de causa-
efeito;
Aceitar ingenuamente as impressões dos
sentidos.
É preciso distinguir um “erro simples”, não
determinado por transtornos mentais, e as
diversas formas de juízos falsos determinados
por transtornos mentais, destacando-se o
delírio. No entanto, considera-se que não há
limite nítido e decisivo entre erro simples e
delírio (p. 206).
O erro simples surge a partir da ignorância em
realizar julgamentos precipitados, do uso de
premissas falsas ou da carência lógica do
pensamento (p. 206). Além disso, os erros são
social ou psicologicamente compreensíveis,
podendo ser identificados quando (p. 206-207): 
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Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais
Capítulo 21: O JUÍZO DE REALIDADE E SUAS ALTERAÇÕES (O DELÍRIO)
 DISTINÇÃO FUNDAMENTAL: ERRO SIMPLES vs DELÍRIO 
Por outro lado, o delírio é caracterizado pela
incompreensibilidade psicológica. Já os erros
são passíveis de correção pela experiência e
são determinados por situações afetivas
intensas ou dolorosas que impedem analisar
essa experiência de forma objetiva e lógica (p.
207). 
O Preconceito refere-se a um
juízo a priori sem reflexão, o qual
é produzido social e culturalmente
a partir do interesse de grupos
sociais específicos. Ele pode ser
expressado por meio do racismo,
sexismo, etnocentrismo, classismo
e preconceito religioso (p. 207).
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Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais
Capítulo 21: O JUÍZO DE REALIDADE E SUAS ALTERAÇÕES (O DELÍRIO)
 PRECONCEITO 
 CRENÇAS CULTURAIS E SUPERSTIÇÕES 
As crenças culturais são compartilhadas e
referendadas constantemente por um grupo
cultural, sendo motivadas por fatores afetivos e
expressas por meio das superstições (p. 207).
As ideias prevalentes são aquelas que se
sobrepõem aos demais pensamentos em razão
da sua importância afetiva, sendo
egossintônicas e apresentando sentido (p. 207).
De acordo com autores norte-amercicanos, as
ideias sobrevaloradas podem ser identificadas
a partir da intensidade da convicção e do nível
de crítica (p. 208).
Já para autores europeus, essas ideias podem
ser caracterizadas pela sustentação com forte
convicção, por ser egossintônica, apresentar
alto grau de emoção ou afeto e geralmente
apresentar dificuldades emocionais e de
personalidade. Além disso, são compreensíveis a
partir da experiência passada, causam
sofrimento, induz à ação, não busca ajuda, e
são semelhantes a convicções (p. 208). 
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Capítulo 21: O JUÍZO DE REALIDADE E SUAS ALTERAÇÕES (O DELÍRIO)
ALTERAÇÕES PATOLÓGICAS DO JUÍZO 
 IDEIAS PREVALENTES OU SOBREVALORADAS 
Apresenta convicção extraordinária em sua
ideia;
Não é possível modificar o delírio pela
experiência objetiva, sendo irremovível,
irrefutável;
Refere-se a um juízo falso, sendo seu
conteúdo impossível;
Vivenciado como algo evidente e óbvio;
O indivíduo delirante apresenta recursos
cognitivos básicos;
É uma produção associal e idiossincrática
em relação ao grupo cultural.
O delírio é um erro do ajuizar originado no
adoecimento mental, isto é, motivado por
fatores patológicos. O principal fator do delírio
não se refere à falsidade do conteúdo, mas sim
a justificativa para a crença. Dessa forma,
destacam-se as seguintes características (p.
209):
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Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais
Capítulo 21: O JUÍZO DE REALIDADE E SUAS ALTERAÇÕES (O DELÍRIO)
O DELÍRIO 
Grau de convicção: até que ponto o
paciente está convencido da realidade de
suas ideias; � 
Extensão: quais áreas de sua vida são
abrangidas pelas ideias;
Bizarrice ou Implausibilidade: grau em que
as ideias se distanciam das convicções
culturalmente compartilhadas; � 
Desorganização: até que ponto as ideias
são consistentes internamente.
Pressão ou Preocupação: quanto está
envolvido e preocupado com sua crença;
Resposta afetiva ou afeto negativo: quanto
suas crenças abalam ou tocam sua
afetividade; � 
Comportamento em função do delírio: o
quanto ele age em função de seu delírio. 
As dimensões do delírio também servem como
indicadores da gravidade do quadro, sendo (p.
210):
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Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais
Capítulo 21: O JUÍZO DE REALIDADE E SUAS ALTERAÇÕES (O DELÍRIO)
DIMENSÕES DO DELÍRIO
O verdadeiro delírio é considerado um
fenômeno primário que é psicologicamente
incompreensível e impenetrável, promovendo
uma transformação qualitativa da existência do
indivíduo (p. 210).
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Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais
Capítulo 21: O JUÍZO DE REALIDADE E SUAS ALTERAÇÕES (O DELÍRIO)
DELÍRIO PRIMÁRIO OU IDEIAS DELIRANTES VERDADEIRAS
DELÍRIO SECUNDÁRIO OU IDEIAS DELIROIDES E OS DELÍRIOS
COMPARTILHADOS 
O delírio secundário é originado de alterações
profundas em outras áreas da atividade mental
para além do pensamento. Assim, apresenta
condições psicologicamente rastreáveis e
compreensíveis (p. 211).
Já o delírio compartilhado pode ocorrer
eventualmente em mais de uma pessoa quando
há a presença de um sujeito realmente psicótico
que apresenta um delírio primário e influencia
outra pessoa em sua interação, gerando o
delírio em tal pessoa (p. 212). 
Delírio Simples: apresenta apenas um
conteúdo ou uma temática;
Delírio Complexo: apresenta vários temas; � 
Delírio não sistematizado: não apresenta
concatenação e variam de momento a
momento;
Delírio sistematizado: são bem organizados,
apresentam riqueza de detalhes.
Os delírios podem ser estruturados em (p. 212):
 � 
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Capítulo 21: O JUÍZO DE REALIDADE E SUAS ALTERAÇÕES