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A construção crítica 
e participativa do Projeto 
Político Pedagógico da escola
Eloiza da Silva Gomes de Oliveira
Mirian Paura Sabrosa Zippin Grinspun
O meu filho perguntou-me: Preciso de aprender Matemática? 
Pensei responder: Para quê? 
Dois pedaços de pão são mais do que um, 
percebê-lo-ás, sem estudo... 
O meu filho perguntou-me: E a História preciso de a aprender? 
Pensei responder: Para quê? 
Aprende a esconder a tua cabeça sob a terra e talvez sobrevivas. 
Sim, aprende Matemática disse eu, aprende Francês, aprende História.
Bertolt Brecht
Uma proposta em ação
E sta aula identifica a ação da supervisão tratando do seu primeiro grande desafio, que é a construção crítica e participativa do Projeto Político Pedagógico da escola, aqui entendido como o projeto que apresenta e disponibiliza objetivos, metodologias e avaliação das atividades dentro de uma 
dimensão política e pedagógica. Aqui, organiza-se uma proposta inicial que discute e apresenta o 
sentido desse projeto, para posteriormente se verificar a inserção dos diferentes campos de trabalho.
A epígrafe de Brecht é favorável ao questionamento do que se aprende na escola: será apenas 
Matemática, Francês, História? Aprendem-se valores, sentimentos, emoções? Como ocorre a formação 
do sujeito na escola? Quem é o responsável pela construção da cidadania? Essas indagações dão início 
a essa aula.
O Projeto Político Pedagógico é a alma da escola: é em torno dele que deve girar a sua dinâmica, 
incluindo não só o processo de ensino e aprendizagem mas também todas as atividades que fazem 
parte dessa escola, considerando-se principalmente a cultura do lugar, e entrelaçando os fios do co-
nhecimento, da análise e da reflexão.
Diz Henry Giroux (2000, p. 70):
A força educativa da cultura está atenta às representações e aos discursos éticos como condição necessária para 
a aprendizagem, a diligência e o funcionamento das práticas sociais e políticas em si. Como força pedagógica, a 
cultura está saturada com a política e oferece (em seu sentido mais amplo) o contexto e o conteúdo para a nego-
ciação do conhecimento e das habilidades que facilitam uma leitura crítica do mundo a partir de uma postura de 
sujeito e possibilidade no marco de relações desiguais do poder.
71Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., 
mais informações www.iesde.com.br
A construção crítica e participativa do Projeto Político Pedagógico da escola
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O Projeto Político Pedagógico envolve três fatores, mostrados como inde-
pendentes apenas para esclarecimento dos significados que comportam, pois na 
realidade eles compõem o que é traduzido como uma única expressão. Veja a 
seguir os três termos que esse conceito traz em seu interior.
 Projeto – vincula-se a um planejamento anterior, para ser executado 
de acordo com objetivos, finalidades e uma filosofia que responde aos 
valores que se pretende atingir.
 Político – diz respeito à dimensão que pressupõe uma ideologia, um 
compromisso, um ideário consoante à cultura, ao momento histórico em 
que ele é executado.
 Pedagógico – fala das questões relacionadas à Educação, transcendendo 
o processo de ensino e aprendizagem para abranger todas as áreas que 
estão inseridas na mesma.
Ao se comentar o Projeto Político Pedagógico – que pode ter uma dimensão 
escolar ou uma amplitude maior, traçando suas diretrizes nas esferas municipal, 
estadual ou federal –, deve-se iniciar com os pés no chão, isto é, de acordo com 
a realidade e a quem se destina o compromisso. Nesse sentido, o Projeto Político 
Pedagógico deve transcender a escola, buscando meios e estratégias para que 
seus objetivos sejam efetivados. É um trabalho coletivo, com participação ativa 
de todos que atuam na escola, envolvendo uma perspectiva crítica e consciente do 
papel de cada um na instituição, em especial o papel de cada um como educador.
Projeto Pedagógico não é sinônimo de regimento escolar, que é direcionado 
para a parte técnico-administrativa, com normas e critérios que regem a organi-
zação e a dinâmica da escola. No regimento escolar, as questões pedagógicas são 
representadas em termos de direitos e deveres dos alunos, dos professores, dos 
pais e do contexto escolar em geral.
No que diz respeito à execução, segundo a professora Ilma Passos (2001, 
p. 11), é possível apontar os dados que compõem um projeto de qualidade quando:
a) nasce da própria realidade, tendo como suporte a explicitação das causas dos problemas 
e das situações nas quais tais problemas aparecem;
b) é exequível e prevê as condições necessárias ao desenvolvimento e à avaliação;
c) implica a ação articulada de todos os envolvidos com a realidade da escola;
d) é construído continuamente, pois, como produto, é processo, incorporando ambos em 
uma interação possível.
O Projeto Político Pedagógico: conceituação
Agora, vamos analisar mais detalhadamente os três termos específicos, 
porém, integrados, que compõem o Projeto Político Pedagógico. O projeto refere-
-se à apresentação e à definição de objetivos que se quer alcançar e à previsão 
de etapas de trabalho, assim como os pontos estratégicos que precisarão ser 
atendidos. O político sinaliza o aspecto da não neutralidade e do compromisso, 
não só com ideias pertinentes à construção da cidadania, mas também com o 
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A construção crítica e participativa do Projeto Político Pedagógico da escola
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cumprimento da legislação vigente, não de modo dogmático e autoritário, e sim de 
modo reflexivo e analíticamente. O pedagógico relaciona-se ao desenvolvimento 
de ações e atividades pertinentes à Educação – dentro e fora da escola –, voltadas 
não só para a especificidade da apreensão e análise do conhecimento, do saber, 
mas também ao saber-fazer e saber-ser, em uma dimensão relacionada mais à 
pessoa humana, ao sujeito, do que simplesmente ao aluno enquanto indivíduo 
matriculado na escola. A seguir, são apresentados os principais pontos do Projeto 
Político Pedagógico.
Projeto
O projeto é um plano de intenções que, por meio de sua descrição, antecipa 
uma etapa futura. Esse futuro, representado por um vir a ser, tem que começar 
hoje, sendo ordenado em diferentes ações e práticas, tentando a cada momento su-
perar o senso comum de sua realidade. Ele tem um caráter que transcende o aqui e 
agora” para buscar na Antropologia, na Sociologia, na Economia, na História, na 
cultura, entre outras áreas, as ideias que serão empreendidas no seu processo de 
desenvolvimento. Sempre o projeto deve ser aberto, contendo momentos de con-
trole continuado e de reorientação, caso seja necessário. Portanto, o projeto não 
deve ser rígido, de modo a dar espaço às modificações que se apresentam ao longo 
de sua trajetória, sabendo “receber” o que ocorreu e não estava previsto.
O Projeto Político Pedagógico envolve os passos específicos de um projeto 
qualquer, aqui sintetizados de maneira geral: justificativa, objetivos, metodologia 
do trabalho no seu desenvolvimento específico, avaliação e cronograma das 
atividades a serem desenvolvidas. Alguns pontos devem ser considerados 
nessa trajetória: a contextualização –, dentro e fora da escola – os recursos, as 
disponibilidades, os espaços possíveis e os protagonistas.
Político
Esse ponto diz respeito à forma, à configuração do projeto, não só no sentido 
de atendimento das políticas públicas da área da Educação como também em se 
tratando de seus objetivos, suas finalidades e suas intenções. Em outras palavras, 
a questão política traduz a diversidade de interesses e de ideologias do projeto.
Pedagógico
No pedagógico, verificam-se as relações da Pedagogia com as demais áreas 
e instituições da sociedade. Na atualidade – denominada pós-modernidade e 
marcada pela globalização, as novas tecnologias, os espaços-tempos –, a orientação 
e a supervisão educacional ajudam o aluno a refletir sobre as questões relacionadas 
ao conhecimento e à subjetividade,assim como à participação consciente no 
mundo em que vive.
O pedagógico busca entender e projetar a escola real, a partir dos seus dados 
e características, em uma dimensão que propicia a busca por uma outra escola – 
que não é imaginária do ponto de vista do contexto, mas possível do ponto de vista 
da realidade.
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A construção crítica e participativa do Projeto Político Pedagógico da escola
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Entende-se por real aquilo que acontece objetivamente nesse campo, seja 
em termos da prática efetiva da legislação pertinente, seja pela fundamentação 
teórica exigida. Com a expressão escola imaginária, apontam-se os dados mais 
significativos relacionados às expectativas dos professores, dos pais e, às vezes, 
da escola em geral.
O Projeto Político Pedagógico: contextualização
O Projeto Político Pedagógico deve partir da contextualização do espaço- 
-tempo, tentando mostrar que os desafios da vivência encontram-se no próprio 
significado dessa realidade. A vivência humana é eminentemente ativa e, dessa 
forma, uma consciência crítica – necessária à Educação transformadora – só é 
possível com a vivência crítica dos indivíduos. Apesar de complexa, há diferença 
entre vivência e consciência. Como disse Sartre (1996), eu preciso dessa vivência 
para chegar a uma consciência reflexiva.
A supervisão educacional atua de forma direta nas propostas que a escola 
pode e deve desenvolver, relacionando-se com toda a organização do currículo e dos 
objetivos a serem alcançados. O Projeto Político Pedagógico é uma tarefa coletiva 
em que cada um realiza o seu papel e essa tarefa não se esgota no compromisso 
específico, pois precisa se unir às demais atribuições para um objetivo maior que 
a escola pretende realizar em determinado momento de sua trajetória.
A escola e o Projeto Político Pedagógico
A escola deve pensar no seu projeto a partir de suas relações com a comu-
nidade, das finalidades do processo educacional e das intenções em relação aos 
alunos que vai formar. Um projeto não ocorre sem antes se fazer um diagnóstico 
(um inventário, uma pesquisa) sobre os alunos, suas condições, seus recursos etc. 
Portanto, para se desenvolver um projeto é preciso, antes de tudo, de dados que o 
fundamentem.
Cada escola deve ter o seu Projeto Político Pedagógico, ainda que existam 
condições afins – escola pública ou privada, da rede estadual ou municipal etc. 
–, pois cada uma possui suas particularidades, desde a localização física e os 
recursos disponíveis até a caracterização de seus alunos e da comunidade a que 
pertence.
Ao se constituir em processo democrático de decisões, o Projeto Político 
Pedagógico pressupõe uma forma de organização do trabalho pedagógico: locali-
zando os problemas relativos a um trabalho específico; vivenciando os momentos 
satisfatórios e os conflitos; convivendo com relações competitivas, corporativas 
e autoritárias, com relações de poder etc. Toda a série de problemas deve estar 
explícita ou implicitamente apresentada no Projeto Político Pedagógico, como a 
questão da rotina e da fragilidade do trabalho escolar, as questões que afetam as 
relações, a inclusão e a exclusão social, o dinamismo interno. O ideal é que o Pro-
jeto Político Pedagógico diminua os efeitos fragmentários da divisão do trabalho, 
que só contribui para marcar as diferenças e aumentar as questões de poder dentro 
da escola.
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A construção crítica e participativa do Projeto Político Pedagógico da escola
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Esse projeto deve abranger desde o planejamento da sala de aula até a escola 
em sua totalidade, considerando os princípios e valores que a escola quer assumir. 
Na elaboração de um projeto desse tipo, deve-se considerar, em primeiro lugar, se 
será privilegiado o continuísmo ou se haverá mudanças desafiadoras, que fazem 
parte da ousadia inserida no processo educacional.
Os fatores do Projeto Político Pedagógico
Entre os fatores que devem ser atendidos no Projeto Político Pedagógico 
podemos destacar alguns, veja a seguir.
 Valoração – representa os valores, os princípios, a filosofia que funda-
mentará as ações do projeto.
 Descrição – descrever, após uma profunda investigação, a realidade da 
escola em seus aspectos pedagógicos, físicos e estruturais.
 Organização – corresponde à sistematização do projeto em termos de 
organicidade, tanto do processo de ensino e aprendizagem quanto das 
atividades que serão desenvolvidas além dos muros da escola.
 Gestão – discutir como deve ser a gestão da escola, tanto a dos conheci-
mentos como a administrativa, no sentido de verificar se ela será exer-
cida por uma pessoa, por um grupo, se será compartilhada etc. No caso 
de a escola optar pela gestão democrática, deverá superar a dicotomia 
entre concepção e execução, entre pensar e fazer, entre teoria e prática. 
Por fim, o controle do processo e do produto do trabalho é realizado por 
todos os educadores.
 Participação – quase derivada da gestão, exige de todos um compromisso 
coletivo, transcendendo o individual, o casuísmo, para se aferir o desejado 
em um nível superior às propostas.
 Avaliação – fator que tem presença permanente no projeto, visando 
alcançar seus objetivos nos termos em que são propostos: uma escola de 
qualidade para todos.
O Projeto Político Pedagógico é a organização do trabalho pedagógico da 
escola e deve incluir os fatores explicitados anteriormente, levando em considera-
ção que a escola é concebida como espaço social marcado pela manifestação de 
práticas contraditórias que apontam para a luta ou a acomodação dos que estão 
envolvidos no projeto. Dessa forma, sua elaboração deve representar uma instân-
cia de luta para superar as dificuldades e os desafios encontrados.
A ação do supervisor 
no Projeto Político Pedagógico
O Projeto Político Pedagógico desse profissional da escola faz parte da 
prática cotidiana do supervisor educacional: a sua função é articular e concretizar 
esse projeto de forma coletiva na comunidade escolar. O supervisor deve ser o 
elemento integrador do grupo, mantendo uma rede de relações pessoais que 
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A construção crítica e participativa do Projeto Político Pedagógico da escola
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busque, da melhor maneira possível, a concretização dos objetivos que a escola 
propõe. É um profissional que articula os saberes e os conhecimentos didático e 
pedagógico de maneira sistematizada.
Para Vasconcellos (2004, p. 71), “O supervisor educacional é o intelectual 
orgânico que ajuda o grupo na tomada de consciência do que se está vivendo 
para além das estratégias de intransparências que estão a nos alienar.” Assim, 
a ação supervisora no cotidiano escolar deve estar apoiada na sensibilidade, na 
capacidade de percepção do todo, no diálogo, no trabalho coletivo e na constante 
busca de aprimoramento do processo educativo.
Vasconcellos (2004, p. 169) entende o Projeto Político Pedagógico como um:
[...] plano global da instituição. Pode ser entendido como a sistematização, nunca 
definitiva, de um processo de planejamento participativo, que se aperfeiçoa e se concretiza 
na caminhada, que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. É 
um instrumento teórico-metodológico para a intervenção e mudança da realidade. É um 
elemento de organização e integração da atividade prática da instituição nesse processo 
de formação.
Nesse sentido, o supervisor educacional participa de forma cooperativa em 
todas as etapas da construção do Projeto Político Pedagógico. Veja a seguir quais 
são essas etapas.
 Marco referencial – a visão de futuro que a comunidade escolar define 
para a escola.
 Diagnóstico – confronto entre a realidade existente e o ideal traçado da 
escola desejada (marco referencial).
 Programação (implementação e execução) –é a proposta de ação. Segundo 
Gandin (1995), ela tem como finalidade satisfazer as necessidades 
identificadas no diagnóstico, para diminuir a distância entre a realidade 
existente e a escola desejada.
 Avaliação – tem o objetivo de verificar o que foi alcançado, entender os 
desvios entre a programação e o que se realizou e alimentar o diagnóstico 
do próximo Projeto Político Pedagógico.
Essas ações supervisoras devem ser realizadas em equipe, contando com 
uma boa dose de ousadia – afinal, segundo Gadotti (1994, p. 532),
[...] todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Projetar 
significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se atravessar um período de 
instabilidade e buscar nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contém 
de estado melhor que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa 
frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação do 
possível, comprometendo seus atores e autores.
Finalmente, é preciso que o supervisor educacional enfrente a realidade de 
que o processo de construção do Projeto Político Pedagógico da escola é intermi-
nável. Ele sempre estará em constante avaliação e reformulação, como a viagem 
de que fala Saramago (1998, p. 37):
Quando o viajante disse, não há mais o que ver, sabia que não era assim... É preciso ver o 
que foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que vira no verão... Ver a seara 
verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar. É preciso recomeçar a viagem sempre.
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A construção crítica e participativa do Projeto Político Pedagógico da escola
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Conclusão
Ao se elaborar um Projeto Político Pedagógico, deve-se discutir e analisar 
esse planejamento no nível da sala de aula, considerando-o como um projeto 
coletivo e transformador que possui dimensões próprias e específicas. Ressaltam-
-se as seguintes dimensões:
 epistemológica – o conhecimento que ele deve abranger;
 pedagógica – inclui a questão curricular, com seus procedimentos e meto- 
dologias;
 política – na perspectiva do papel político do professor/especialista;
 desenvolvimento profissional – ligado a uma visão crítica de sua profissão 
e, como diz Nóvoa (1995), na dupla perspectiva do professor individual e 
no corpo docente.
O novo tempo traz mudanças sensíveis, seja na família, na religião, nas 
questões socioeconômicas, na política neoliberal etc. O enfrentamento desses e de 
outros problemas deve começar com o conhecimento e a análise de tais problemas, 
para que se efetue uma orientação de qualidade no cotidiano da escola.
Esse amplo, complexo e inesgotável tema faz com que se continue acredi-
tando em um Projeto Político Pedagógico que incorpore os elementos a seguir.
 As transformações das ordens macro e microssocial, que exigem 
novos parceiros capazes de compartilhar o processo pedagógico. Não 
se está falando de responsabilidade única para esses especialistas – os 
orientadores – e sim de novos e bem formados profissionais em busca de 
interferir, participar e mudar a sua realidade. Seu trabalho na escola está 
voltado para a formação do cidadão. Como diz Sacristán (1997, p. 8)
[...] a escola pode muito bem ensinar a decodificar as situações complexas, a produzir 
cidadãos mais responsáveis, capazes de reivindicar igualdade e solidariedade. A escola 
pode tornar-se um instrumento de conscientização cidadã.
 A complexidade da vida contemporânea, que acarreta grandes desafios 
ao homem na busca de sua identidade e dos valores necessários ao seu 
equilíbrio dentro da própria sociedade. Essa complexidade faz parte da 
vida de todos os protagonistas da escola e seu desvelamento – a reflexão 
sobre essa complexidade – ajuda a compreensão da realidade vivida.
 As instituições, tais como a escola, a família, o Estado e a igreja passam 
por uma grande modificação em sua concepção e desenvolvimento. 
Assim, esperar que cada instituição faça a sua parte para depois começar 
a agir significa perder tempo ou, no mínimo, perder a oportunidade 
de interferir nesse processo como educadores. Os especialistas podem 
contribuir para um novo momento da escola e das instituições, agindo 
coletivamente em prol da transformação desejada.
 A orientação e a supervisão devem buscar um completo panorama da 
situação e do sujeito. As especificidades do campo de ação ajudam o 
entendimento da totalidade, sem perder de vista a singularidade. Nessa 
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abordagem, novos aliados terão um trabalho próprio na escola, nos quais três fatores se im-
põem: comunicação, argumentação e informação. Esses são dados significativos para a for-
mação do sujeito. Assim, a multiplicidade de enfoques e análises que caracteriza o fenômeno 
educativo torna imprescindível a presença do orientador e do supervisor nas escolas.
1. Para melhor compreender a organização do Projeto Político Pedagógico de uma escola, leia a 
seguir um trecho do texto “Perspectivas para reflexão em torno do Projeto Político Pedagógico”, 
organizado pela professora Ilma Passos Veiga.
[...] o Projeto Político Pedagógico vai além de um simples agrupamento de plano de ensino 
e de atividades diversas. O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou 
encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocrá-
ticas. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos, por todos os envolvidos com o 
processo educativo da escola.
O projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explícito, 
com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo Projeto Pedagógico da escola é, 
também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico 
com os interesses reais e coletivos da população majoritária. É político no sentido de 
compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. “A dimensão política 
se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica” 
(SAVIANI, 1983, p. 93). Na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação 
da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, 
compromissado, crítico e criativo. Pedagógico, no sentido de definir as ações educativas e as 
características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade.
Político e pedagógico têm assim uma significação indissociável. Nesse sentido é que se 
deve considerar o Projeto Político Pedagógico como um processo permanente de reflexão 
e discussão dos problemas da escola, na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua 
intencionalidade, que “[...] não é descritiva ou constatativa, mas é constitutiva” (MARQUES, 
1990, p. 23). Por outro lado, propicia a vivência democrática necessária para a participação 
de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania. Pode parecer 
complicado, mas trata-se de uma relação recíproca entre a dimensão política e a dimensão 
pedagógica da escola.
O Projeto Político Pedagógico, ao se constituir em processo democrático de decisões, 
preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os 
conflitos, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo 
com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no 
interior da escola, diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as 
diferenças e hierarquiza os poderes de decisão.
Desse modo, o Projeto Político Pedagógico tem a ver com a organização do trabalho peda-
gógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da 
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sala de aula, incluindo sua relação com o contexto social imediato, procurando preservar a 
visão de totalidade. Nessa caminhada será importante ressaltar que o Projeto Político Peda-
gógico busca a organização do trabalho pedagógico da escola na sua globalidade.
A principal possibilidade de construção do Projeto Político Pedagógico passa pela relativa 
autonomia da escola, de sua capacidade de delinear sua própria identidade. Isso significa 
resgatar a escola como espaço público, lugar de debate, do diálogo, fundado na reflexão 
coletiva. Portanto, é preciso entender que o Projeto Político Pedagógico da escola dará indi-
cações necessárias à organização do trabalho pedagógico, que inclui o trabalho do professor 
na dinâmica interna da sala de aula, ressaltado anteriormente.
Buscar uma nova organização para a escola constitui uma ousadia para os educadores, pais, 
alunos e funcionários.
(Disponível em: <www.brazcubas.br/professores/alice/download/texto1s1.doc>. Acesso em: 10 abr. 2006.)
 Agora, procure responder às questões que a própria autora formula no tocante à organização do 
Projeto Político Pedagógico da escola.
 Durante os encontros para a preparação do ano letivo em uma escola, alguns tópicos foram 
considerados os mais importantes. Entre esses, destaca-se o conhecimento da realidade dos 
estudantes e, por isso, no planejamento das atividades foi preciso levar em conta:
a) a realidade expressa nos programas escolares.
b) a vivência limitada das pessoas de grupos sociais minoritários.
c) o meio ambiente das classes mais favorecidas daquela região.
d) o contexto sociocultural específico da realidade dos alunos.
e) o modelo social idealizado pelos pais dos alunos da escola.
 A diretora de sua escola contratou dois especialistas externos para elaborar, sozinhos, o Projeto 
Pedagógico da escola. A escolha desses profissionais foi justificada, segundo ela, pelo conhe-
cimento teórico que possuem, o que traria uma consistente fundamentação ao projeto, como 
também uma formatação adequada.
 Como pedagogo, analise as condições de elaboração desse projeto e os possíveis resultados que 
dele possam advir. 
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A construção crítica e participativa do Projeto Político Pedagógico da escola
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1. A resposta depende da reflexão do aluno. Essa reflexão deve considerar que os elementos 
apontados no planejamento que se comentou revelam uma visão um tanto preconceituosa, mais 
voltada para as “classes mais favorecidas” e preocupada com um modelo social idealizado. 
Além disso, para o Projeto Pedagógico foram contratados especialistas externos que trabalharão 
sozinhos. Ao que tudo indica, o projeto será um documento muito distante da realidade em que 
esses educandos e a escola estão inseridos, pois se trata de uma visão que não quer conhecer 
efetivamente a realidade e o trabalho que será desempenhado por profissionais externos cuja 
competência está mais ligada aos conhecimentos teóricos. 
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Referências
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Supervisão Pedagógica: princípios e práticas. São Paulo: Papirus, 2001.
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ALVES, Rubem. Estórias de quem Gosta de Ensinar. Campinas: Papirus, 2003.
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