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Hialohifomicoses - Micologia

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HIALOHIFOMICOSEs
Nicolle Collyer
CONCEITO
O termo Hialohifomicose foi proposto em 1982, por Ajello;
É utilizado para reunir um grupo de infecções causadas por fungos filamentosos septados hialinos patogênicos, geralmente de caráter oportunista.
AGENTE ETIOLÓGICO
 Inclui espécies dos gêneros:
Acremonium 
Trichoderma
Scopulariopsis
Paecilomyces 
Comumente saprófitas do solo, parasitas de vegetais e degradadores de matéria orgânica.
Aspergillus
Penicillium
Fusarium
Acremonium sp 
Purpureocillium lilacinum
Fonte: https://mycology.adelaide.edu.au
TRANSMISSÃO
Inoculação traumática
Implantação acidental do fungo
Inalação
Fonte: iStock
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Hialohifomicoses superficiais: dermatomicoses, onicomicoses, oftalmomicoses, otomicoses;
Hialohifomicoses subcutâneas: relacionadas a traumas mecânicos, inoculação no tecido subcutâneo em pacientes imunossuprimidos, pode afetar gânglios, músculos, ossos e articulações; 
Hialohifomicoses sistêmicas: geralmente a infeçcão é por via inalatória (processo pulmonar primário e disseminação por via hematogênica)
 Também pode estar relacionada com a implantação do fungo acidentalmente em tecidos profundos (cirurgias, transplantes, etc.).
Infecção pulmonar por Hialohifomicose (Aspergillus)
Hialohifomicose cutânea causada por Paecilomyces 
Hialohifomicose subcutânea causada por Acremonium
Fonte:https://www.scielo.br/pdf/rbr/v49n5/v49n5a13.pdf
Fonte:https://www.scielo.br/pdf/rimtsp/v37n3/a15v37n3.pdf
Fonte:https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3778824/
PATOGENIA
 Vários fatores de virulência foram identificados: 
 Produção de micotoxinas que podem suprimir a imunidade humoral e  celular  e causar ruptura do tecido;
 Aderência ao material protético (cateter, lentes de contato) 
Produção de enzimas, como proteases e colagenases
DIAGNÓSTICO
Dificultado pela falta de testes sorológicos e radiológicos específicos;
Material variável: escamas de pele, fragmento de unha, biópsias, secreção, sangue, etc (depende do sítio acometido).
 DIAGNÓSTICO MICOLÓGICO
Exame direto com KOH (10-40%)
Histopatologia (HE, PAS, Gomori-Grocott)
Cultivo em meio Sabouraud
Fonte: Tópicos de micologia médica, 4º ed. 
No exame micológico podem ser encontradas hifas hialinas septadas com ou sem clamidoconídios, artroconídios e células leveduriformes
Dependendo da espécie o tempo de crescimento e as características macro e micromorfológicas são variáveis
 
P. lillacinum
Fonte: onlinelibrary.wiley.com
Fonte: Tópicos de micologia médica, 4º ed.
TRATAMENTO
Bastante variável
Medicamentos tópicos ou sistêmicos (derivados de imidazólicos, triazólicos, anfotericina-B, 5-fluorocitosina etc.)
Cirurgia em alguns casos (formas localizadas)
Fonte: http://www.antimicrobe.org/new/f07.asp
Caso clínico i – Peritonite por p. lilacinus em paciente em diáslise peritoneal
Paciente do sexo masculino, 58 anos em diálise peritoneal;
Apresentação de dor abdominal e febre;
Relato de mal armazenamento das bolsas de DP em viagem;
Presença de P. lilacinus na cultura realizada do líquido intraperitoneal aspirado;
Fluoconazol oral 200 mg por dia e voriconazol oral 300 mg 2x por dia
3 meses depois do tratamento sem reincidivas
Caso clínico ii – um caso incomum de hialohifomicose devido a p. lilacinum em um paciente com miastenia gravis
Múltiplos abcessos subcutâneos nos membros inferiores em paciente c/ miastenia gravis e diabetes não controlada
Aspirado de pus revelou hifas septadas hialinas sob exame microscópio e P. lilacinum em Agar Sabouraud 
Excisão cirúrguca e terapia com itraconazol 
Regressão do inchaço porém ainda com presença de fungos
Troca de medicamento para Cetoconazol e resposta adequada.
CASO CLÍNICO III – P. lilacinum COMO CAUSA INCOMUM DE INFECÇÃO PULMONAR EM HOSPEDEIRO IMUNOCOMPROMETIDO
Relato de caso
Paciente do sexo feminino, 51 anos, admitida com histórico de 6 meses de mal estar e dispneia
Confirmado o diagnóstico de leucemia mieloide aguda e iniciada a quimioterapia + itraconazol profilático e aciclovir para a neutropenia persistente
No 5º dia, o paciente apresentou febre de 38,6ºC, dispneia e tosse 
Foi realizada uma radiografia de tórax e tomografia computadorizada dos seios da face
Tomografia normal e radiografia com infiltrado pulmonar direito.
Tomografia computadorizada de tórax revelou infiltrados pulmonares bilaterais no lobo inferior direito, com presença de opacidade ao redor de um nódulo pulmonar, no pulmão esquerdo, duas consolidações menores.
Iniciado o tratamento para aspergilose pulmonar invasiva, mas sem sucesso, com febre persistente de 38- 39º C
Realizada broncoscopia com lavado broncoalveolar
Crescimento em Ágar Sabouraud dextrose de fungos filamentosos com coloração roxa clara no centro da colônia, identificados posteriormente como Purpureocillium lilacinum
Administração de voriconazol 4mg/kg com melhora dos sintomas respiratórios
Tratamento continuado por 21 dias e alta com paciente assintomático com voriconazol por 6 semanas e acompanhamento.
 Discussão
P. lilacinum (antes como Paecilomyces lilacinus) é um fungo patogênico emergente, causando infecção principalmente em hospedeiros imunocomprometidos.
Causa hialohifomicose com variedade de representações clínicas, mas geralmente manifestações oculares;
Infecções pulmonares por P. lilacinum são incomuns, com poucos casos relatados na literatura em imunocomprometidos e hospedeiros imunocompetentes.
As manifestações clínicas mais frequentes são mal-estar, febre, tosse, dor pleurítica e dispneia
A idade média de apresentação em pacientes com doenças pulmonares e infecção por P. lilacinum era de 48 anos;
 Predomínio do gênero masculino (60%);
 O mais frequente fator predisponente foram neoplasias hematológicas (50%);
 A apresentação clínica frequente era febre;
Recuperação da infecção pulmonar (60%) com voriconazol e posaconazol como terapia primária.
O diagnóstico de P. lilacinum pode ser desafiador por causa da semelhança na morfologia, quando comparado com Aspergillus e outros agentes de hialo-hifomicose
REFERÊNCIAS
SALAZAR-GONZÁLEZ, MA; VIOLANTE-CUMPA, JR; ALFARO-RIVERA, CG; VILLANUEVA-LOZANO, H .; TREVIÑO-RANGEL, R. DE J .; GONZÁLEZ, GM Purpureocillium lilacinum como causa incomum de infecção pulmonar em hospedeiros imunocomprometidos. The Journal of Infection in Developing countries , v. 14, n. 04, p. 415-419, 30 de abril de 2020.
SIDRIM, J. J.; ROCHA , M. F. G. Micologia médica à luz de autores contemporâneos. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2004.
RAGHAVAN, Ramya et al. “An unusual case of hyalohyphomycosis due to Purpureocillium lilacinum in a patient with myasthenia gravis.” Current medical mycology vol. 4,2: 36-39. Junho de 2018 doi:10.18502/cmm.4.2.62
WOLLEY, M., COLLINS, J., & THOMAS, M. Paecilomyces lilacinus peritonitis in a peritoneal dialysis patient. Peritoneal dialysis international : journal of the International Society for Peritoneal Dialysis, vol. 32,3: 364–365. Maio/Junho de 2012 https://doi.org/10.1177/089686081203200301