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Tecido Conjuntivo (Cap. 5 - Junqueira e Carneiro 13ª ed.)

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formando estruturas muito alongadas; 
- Os três tipos principais observados ao microscópio são 
as colágenas, as reticulares e as elásticas; 
- As fibras colágenas e reticulares são formadas pela 
proteína colágeno, e as fibras elásticas pela proteína 
elastina; 
- Portanto, tem apenas dois sistemas de fibras: o sistema 
colágeno, constituído por fibras colágenas e reticulares; 
e o sistema elástico, formado pelas fibras elásticas, 
elaunínicas e oxitalânicas; 
- Os 3 tipos de fibras variam em diferentes tipos de 
tecidos conjuntivos; 
 
Eduarda Lima (UFCA – T31) 
 
 Fibras Colágenas 
- A proteína colágeno tem variáveis graus de rigidez, 
elasticidade e força de tensão; 
 - Mais abundante de proteína do organismo; 
- De acordo com sua estrutura e função, o colágeno é 
classificado nos seguintes grupos: 
→ Colágenas que formam longas fibrilas: moléculas 
de colágeno dos tipos I, II, III, V ou XI se agregam 
para formá-las, são muito visíveis ao microscópio. 
O do tipo I é o mais abundante e distribuído no 
organismo, se apresenta como estruturas 
denominadas fibrilas de colágeno, que constituem 
a estrutura dos ossos, derme, tendões etc.; 
→ Colágenos associados a fibrilas: colágenos dos 
tipos IX, XII, XIV formam estruturas curtas que 
ligam as fibrilas de colágeno umas às outras e a 
outros componentes da matriz extracelular; 
→ Colágeno que forma rede: moléculas do tipo IV 
associam-se, assim, compondo as lâminas basais, 
exercem o papel de aderência e de filtração; 
→ Colágeno de ancoragem: é do tipo VII, encontrado 
nas fibrilas que ancoram as fibras de colágeno 
tipo I à lâmina basal. 
- Atualmente, mais de 25 tipos de colágeno já foram 
identificados em situações normais e patológicas; 
 
 
 
 
OBS.: A síntese de colágeno depende da expressão 
de vários genes e eventos. Logo, muitas patologias 
são diretamente atribuídas a uma síntese ineficiente 
ou anormal do colágeno. Ex.: Osteogênese 
imperfeita, Esclerose sistêmica progressiva. 
 
Eduarda Lima (UFCA – T31) 
 
A renovação de colágeno é, em geral, muito lenta. 
Em alguns órgãos, como tendão e ligamentos, o 
colágeno é muito estável; ao contrário, no ligamento 
periodontal, sua renovação é muito rápida. 
Para ser renovado, é necessário que ele seja 
primeiramente degradado, e essa degradação é 
iniciada por enzimas específicas, colagenases. 
 
→ Fibras de colágeno tipo I: 
- Mais numerosas no tecido conjuntivo; 
- No estado fresco, têm cor branca, conferindo a mesma 
cor aos tecidos que predominam; 
- São birrefringentes (pois tem moléculas alongadas 
arranjadas paralelamente umas às outras); 
- Alguns corantes ácidos compostos por moléculas 
alongadas (ex.: sirius red), são capazes de se ligar 
paralelamente a moléculas de colágeno, intensificando sua 
birrefringência e produzindo uma cor amarela; 
- Em alguns locais, as fibras de colágeno organizam-se 
paralelamente umas às outras, formando feixes de 
colágeno; 
- As fibras são estruturas longas com percurso sinuoso, 
logo, suas características morfológicas plenas são difíceis 
de serem estudadas em cortes histológicos; 
- O mesentério é usado para esse propósito; 
OBS.: O mesentério consiste em uma porção central 
de tecido conjuntivo revestido em ambos os lados 
por epitélio pavimentoso, o mesotélio. É uma 
estrutura muito delgada não necessita ser cortada. 
- As fibras colágenas são acidófilas e se coram em rosa 
pela eosina, em azul pelo tricômio de Mallory, em verde 
pelo tricômio de Masson e em vermelho pelo sirius red; 
 
 Fibras Reticulares 
- Formadas predominantemente por colágeno tipo III; 
- Extremamente finas, diâmetro entre 0,5 e 2 
micrometros; 
- Formam uma rede extensa em determinados órgãos; 
- Essas fibras não são visíveis em preparados corados 
pela HE, mas podem ser visualizadas em cor preta por 
impregnação com sais de prata (por causa dessa 
afinidade podem ser chamadas de argirófilas); 
- Ao microscópio eletrônico, exibem as estriações 
transversais típicas das fibras colágenas; 
- São formadas por finas fibrilas frouxamente 
arranjadas, unidas por pontes provavelmente compostas 
de proteoglicanos e glicoproteínas; 
- São abundantes em músculo liso, endoneuro e órgãos 
hematopoéticos, como baço, nódulos linfáticos e medula 
óssea vermelha; 
- Seu pequeno diâmetro e a disposição frouxa criam uma 
rede flexível em órgãos que são sujeitos a mudanças 
fisiológicas de forma ou volume (artérias, baço, fígado, 
útero e camadas musculares do intestino); 
 
 Sistema Elástico (Fibras elásticas) 
- Composto por 3 tipos de fibras: oxitalânicas, elaunínicas 
e elásticas; 
- A estrutura do sistema de fibras elásticas desenvolve-
se por meio de 3 estágio sucessivos: 
→ No primeiro estágio, as fibras oxitalânicas 
consistem em feixes de microfibrilas, compostas 
de glicoproteínas, entre as quais uma molécula 
grande, a fibrilina. As fibrilinas formam o 
arcabouço necessário para a deposição da 
elastina. As fibras oxitalânicas podem ser 
encontradas nas fibras da zônula do olho e em 
determinados locais da derme, onde conectam o 
sistema elástico com a lâmina basal; 
→ No segundo estágio, ocorre deposição irregular 
de proteína elastina, entre as microfibrilas 
oxitalânicas, formando as fibras elaunínicas. Elas 
são encontradas ao redor das glândulas 
sudoríparas e na derme; 
Eduarda Lima (UFCA – T31) 
 
→ No terceiro estágio, a elastina continua a 
acumular-se gradualmente até ocupar todo o 
centro do feixe de microfibrilas, as quais 
permanecem livres apenas na região periférica. 
Estas são as fibras elásticas, o componente mais 
abundante do sistema elástico. 
- As fibras oxitalânicas não têm elasticidade, mas são 
altamente resistentes a forças de tração, enquanto as 
fibras elásticas, ricas em elastina, distendem-se 
facilmente quando tracionadas; 
- O sistema elástico constitui uma família de fibras com 
características funcionais variáveis capazes de se 
adaptar às necessidades locais dos tecidos. 
OBS.: Mutações no gene da fibrilina, localizado no 
cromossomo 15, resultam na síndrome de Marfan, 
uma doença caracterizada pela falta de resistência 
dos tecidos ricos em fibras elásticas. Por causa da 
riqueza em componentes do sistema elástico, 
grandes artérias como a aorta, que são submetidas a 
alta pressão de sangue, rompem-se com facilidade 
em pacientes portadores da síndrome de Marfan, 
uma condição de alto risco de morte. 
 
Substância Fundamental 
- Mistura complexa (incolor e transparente) altamente 
hidratada de moléculas aniônicas (glicosaminoglicanos 
(GAG) e proteoglicanos) e glicoproteínas multiadesivas; 
- Preenche os espaços entre as células e fibras do tecido 
conjuntivo e, como é viscosa, atua como lubrificante e 
como barreira à penetração de microrganismos 
invasores; 
- Quando fixada para análises histológicas, seus 
componentes se agregam e precipitam nos tecidos como 
um material granular que pode ser identificado em 
micrografias eletrônicas; 
OBS.: A degradação dos proteoglicanos é feita por 
vários tipos de células e depende de várias enzimas 
lisossômicas denominadas genericamente 
glicosidases. Conhecem-se várias patologias nas 
quais a deficiência nas enzimas lisossômicas 
bloqueia a degradação e tem como consequência o 
acúmulo dessas moléculas nos tecidos. A falta de 
glicosidases específicas nos lisossomos causa várias 
doenças em humanos, incluindo síndrome de 
Hurler, síndrome de Hunter, síndrome de 
Sanfilippo e síndrome de Morquio. Graças a sua 
alta viscosidade e sua localização estratégica nos 
espaços intercelulares, essas substâncias atuam 
como barreira à penetração de bactérias e outros 
microrganismos invasores. As bactérias capazes de 
produzir a enzima hialuronidase, glicosidase que 
hidrolisa o ácido hialurônico (GAG), têm grande 
poder de invasão, uma vez que podem reduzir a 
viscosidade da substância fundamental dos tecidos 
conjuntivos. 
 
 
 
- O sangue transporta até o tecido conjuntivo os vários 
nutrientes