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Linfoma em bovinos - ESCRITO

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Linfoma em bovinos
Trabalho desenvolvido na disciplina de Patologia Veterinária Especial
Introdução:
O linfoma, ou linfossarcoma, em bovino trata-se de uma patologia
heterogênea que acomete animais das mais variadas idades.1 A doença apresenta
diversas formas e classificações, sendo, atualmente, dividida em dois tipos: Linfoma
Enzoótico Bovino e Linfoma Esporádico Bovino. Ademais, vale ressaltar que a sua
forma esporádica apresenta outros três subtipos, sendo elas: cutânea, tímica
(linfoma adolescente) e a multicêntrica (linfoma do bezerro).2
Nos próximos capítulos será abordado as principais características
apresentadas por cada uma destas formas macroscópicamente e
microscópicamente, assim como será abordado sobre as formas de diagnóstico e
seus diagnósticos diferenciais.
Linfoma enzoótico bovino:
O linfoma enzoótico bovino trata-se de uma patologia infecto-contagiosa
acometida pelo vírus da leucemia bovina (BLV) que faz parte da família Retroviridae.
O agente etiológico acomete animais adultos, em sua grande maioria de raças
leiteiras, que apresentam idade entre cinco a oito anos.3 Seu contágio ocorre em
linfócitos B, na qual atuam diretamente no seu genoma e a transformam em células
malignas.4
Após o contágio destes linfócitos B, não se sabe exatamente como ocorre a
sequência deste contágio no organismo do animal contaminado. É relatado por
alguns autores a possibilidade de duas formas: primeiro, o linfócito B contaminado
circula pelo sistema hematógeno e linfático contaminado demais células; segundo,
ocorre a citólise deste linfócito B, o vírus é liberado e causa o contágio em demais
células.5
5 Zachary, James F. Bases da Patologia em Veterinária. Grupo GEN, 2018. [Minha Biblioteca].p.219
4 Zachary, James F. Bases da Patologia em Veterinária. Grupo GEN, 2018. [Minha Biblioteca].p.219
3 BRAGA, Fátima Machado; LAAN, Carlos Willi van Der; SCHUCH, Luiz Filipe; HALFEN, Daniza
Coelho. Infecção pelo vírus da leucose enzoótica bovina(BLV). Ciência Rural, [S.L.], v. 28, n. 1, p.
163-172, mar. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-84781998000100029.
2 PANZIERA, Welden; BIANCHI, Ronaldo M.; FACCIN, Tatiane C.; GALIZA, Glauco J.N.; LOPES,
Érika M.B.; KOMMERS, Glaucia D.; FIGHERA, Rafael A.. Classificação de 86 casos de linfoma em
bovinos de acordo com a Working Formulation (WF) of Non-Hodgkin's Lymphomas for Clinical Usage
e a Revised European-American Classification of Lymphoid Neoplasms (REAL). Pesquisa
Veterinária Brasileira, [S.L.], v. 36, n. 4, p. 263-271, abr. 2016. FapUNIFESP (SciELO).
http://dx.doi.org/10.1590/s0100-736x2016000400003.
1 BRAGA, Fátima Machado; LAAN, Carlos Willi van Der; SCHUCH, Luiz Filipe; HALFEN, Daniza
Coelho. Infecção pelo vírus da leucose enzoótica bovina(BLV). Ciência Rural, [S.L.], v. 28, n. 1, p.
163-172, mar. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-84781998000100029.
1
A infecção entre os animais pode ocorrer de diversas formas, pode ocorrer
por via hematógena, como por agulhas, instrumentais cirúrgicos contaminados ou
até mesmo picada de insetos já infectados por sangue de animais positivados.
Assim como é possível a contaminação de bezerros pelo colostro, leite ou por via
transplacentária (pelo sangue). Tal hipótese já foi confirmada por autores que
identificaram exsudato inflamatório com a presença de linfócitos malignos em
fêmeas com vaginite pós-parto. Deve-se ressaltar que o fato de existir a
possibilidade de haver contaminação através do colostro e do leite em bezerros
sugere-se que a entrada do vírus no organismo do animal possa ocorrer por via
alimentar, na qual, posteriormente, entra em contato com o sistema vascular e
assim dá-se início à replicação viral.6
O curso clínico da doença pode ocorrer de diversas formas, sendo em sua
maioria das vezes de forma assintomática. Contudo, há a possibilidade dos animais
apresentarem somente a forma de linfocitose persistente ou a forma do
linfossarcoma. É importante salientar que não necessariamente os animais que
possuem o linfossarcoma já tenham apresentado a linfocitose persistente. Ou seja,
há a possibilidade de que animais com a linfocitose persistente desenvolvam
posteriormente o linfossarcoma, contudo, não obrigatoriamente, todos animais que
apresentem linfossarcoma tenham tido a forma de linfocitose persistente
anteriormente.7
Destaca-se que dos animais que não são assintomáticos, somente de 5 a
10% atingem o estágio tumoral da doença.8 Neste estágio tumoral diversos sistemas
podem ser atingidos, comumente envolvem a medula óssea, coração, baço e a
maioria dos linfonodos.9
Como supracitado, uma das vias de contaminação é a via alimentar, sendo
assim há ocorrência da patologia no sistema gastrointestinal. Na imagem 1 é
possível observar a ocorrência do linfoma na mucosa do abomaso, na qual está
representada pela área espessa e esbranquiçada devido a presença destes
linfócitos malignos.10 Animais que costumam ser acometidos na região do esfôfago
costumam apresentar disfagia devido a compressão causada pela neoplasia, que
resulta na dificuldade do trânsito alimentar e na saída dos gases produzidos pela
fermentação gástrica do ruminante, o que leva ao timpanismo e a angústia
respiratória.11
11 PANZIERA, Welden; BIANCHI, Ronaldo M.; GALIZA, Glauco J.N.; PEREIRA, Paula R.; MAZARO,
Renata D.; BARROS, Claudio S.L.; KOMMERS, Glaucia D.; IRIGOYEN, Luiz F.; FIGHERA, Rafael A..
Aspectos epidemiológicos, clínicos e anatomopatológicos do linfoma em bovinos: 128 casos
10 Zachary, James F. Bases da Patologia em Veterinária. Grupo GEN, 2018. [Minha Biblioteca].p.366
9 D., CONSTABLE, P. Clínica Veterinária - Um Tratado de Doenças dos Bovinos, Ovinos, Suínos e
Caprinos. Grupo GEN, 2020. [Minha Biblioteca].P.769
8 BRAGA, Fátima Machado; LAAN, Carlos Willi van Der; SCHUCH, Luiz Filipe; HALFEN, Daniza
Coelho. Infecção pelo vírus da leucose enzoótica bovina(BLV). Ciência Rural, [S.L.], v. 28, n. 1, p.
163-172, mar. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-84781998000100029.
7 BRAGA, Fátima Machado; LAAN, Carlos Willi van Der; SCHUCH, Luiz Filipe; HALFEN, Daniza
Coelho. Infecção pelo vírus da leucose enzoótica bovina(BLV). Ciência Rural, [S.L.], v. 28, n. 1, p.
163-172, mar. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-84781998000100029.
6 Zachary, James F. Bases da Patologia em Veterinária. Grupo GEN, 2018. [Minha Biblioteca].p.219
2
http://dx.doi.org/10.1590/s0103-84781998000100029
http://dx.doi.org/10.1590/s0103-84781998000100029
Imagem 1: ocorrência de linfoma em abomaso de bovino.
Fonte: Zachary, James F. Bases da Patologia em Veterinária. Grupo GEN, 2018. [Minha
Biblioteca].p.366
Como representado na imagem, animais que possuem a ocorrência da
patologia no abomaso, por exemplo, pode apresentar concomitantemente
estomatite e úlceras gástricas, assim, este animal apresenta como sinal clínico,
também, melena, atonia ruminal, constipação e diarreia, consequentemente, ocorre
a perda de peso progressiva, apatia, anorexia e a diminuição da produção de leite.
12
Nos casos de linfomas que acometem o coração é possível, na necropsia,
que o seu achado seja confundido com gordura, devido seu aspecto esbranquiçado
(conforme imagem 2).Contudo, deve-se ressaltar que o linfossarcoma é a neoplasia
secundária cardíaca mais comum em bovinos, sendo assim, é possível verificar
através de histopatológico (imagem 3) a presença exacerbada de infiltrado por
células neoplásicas e a atrofia dos cardiomiócitos. Essas células tumorais podem
atingir o miocárdio, o endocárdio e o pericárdio e seu desenvolvimento pode levar o
animal a apresentar um severo quadro de cardiopatia, levando ao óbito por
insuficiência cardíaca.13
13 Zachary, James F. Bases da Patologia em Veterinária. Grupo GEN, 2018. [Minha Biblioteca].p.592
12 PANZIERA, Welden; BIANCHI, Ronaldo M.; GALIZA, Glauco J.N.; PEREIRA, Paula R.; MAZARO,
Renata D.; BARROS, Claudio S.L.; KOMMERS, Glaucia D.; IRIGOYEN, Luiz F.; FIGHERA, Rafael A..
Aspectos epidemiológicos, clínicos e anatomopatológicos do