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Úlcera péptica

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o diagnóstico, faz tratamento e 
doença não se perpetua. 
Dispepsia 
Dor epigástrica, azia, náuseas, sensação de 
plenitude pós-prandial. 
• 20-30% dos pacientes com síndrome dispéptica 
possuem úlcera duodenal ou gástrica. 
• 40% das úlceras pépticas são detectadas em 
pacientes assintomáticos. Descobre-se porque 
eles manifestam sangramento. Uma das 
complicações da úlcera é o sangramento digestivo 
na forma de hematêmese ou melena. 
O exame físico é pobre, às vezes com dor à 
palpação no epigástrio, mas é algo bem inespecífico. 
Diagnóstico diferencial 
• Dispepsia funcional; 
• DRGE 
• Doença do trato biliar: a dor da cólica biliar pode 
ser a nível do epigástrio. 
• Pancreatite aguda 
• Insuficiência vascular coronariana: infartos que 
acometem parede diafragmática do coração 
• Neoplasias intra-abdominais: principalmente a 
neoplasia gástrica. 
Métodos diagnósticos 
• Radiografia do EED com bário: abandonada. 
• Endoscopia Digestiva Alta (EDA) 
A EDA é o exame para confirmação do diagnóstico 
com mais precisão que a radiografia. Não está 
necessariamente indicado para pacientes com sintomas 
dispépticos iniciais. A EDA está sempre indicada, desde o 
início, nos seguintes casos: 
• Pacientes > 45 anos: possibilidade maior de ser 
câncer de estomago. 
• Pacientes com “sinais de alarme” para uma 
possível neoplasia: 
o Perda ponderal, anemia, sangramento, 
vômitos recorrentes, disfagia, massa 
abdominal, adenopatia, história familiar 
de CA gástrico, gastrectomia parcial 
prévia. 
Se o paciente não se encaixar nos pré-requisitos 
acima, começa tratamento empírico com IBP. Se não 
melhorar com 4 semanas, faz EDA. Nos EUA, além do IBP, 
pode tratar o HP. 
 
Na imagem acima, observar úlcera péptica, com 
bordas regulares e fundo com fibrina. É uma úlcera 
gástrica tipo III, pré-pilórica. Mesmo com aparência 
benigna, toda úlcera do estômago deve ser biopsiada. 
 
Acima, observar úlceras do corpo – tipo II. São 
úlceras maiores, mas com bordas regulares. Há um pouco 
de depósito de ferro, isso é hematina (sangue). 
 
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• 1-6% das úlceras gástricas com aspecto benigno 
são malignas. As duodenais raramente são 
malignas, então não tem necessidade de biópsia. 
• Para fazer biópsia, recolhe pelo menos 7 amostras 
de material, no caso de úlcera gástrica. 
Todo paciente que tem úlcera deve ser investigado HP. 
Testes invasivos 
• Teste da uréase: é o método de escolha para 
pacientes submetidos a EDA. Colhe-se dois 
fragmentos da mucosa do estômago – do antro e 
do corpo. Coloca-se em um meio com ureia e, se 
os fragmentos colhidos tiverem HP, a ureia se 
transformará em amônia e bicarbonato. O meio 
vai de amarelo âmbar para vermelho fenol. 
• Histopatologia: 2 amostras da região do corpo e 
antro – coradas pela prata ou carbolfucsina. 
• Cultura: teste caro, não é feito de rotina. 
Testes não-invasivos 
• Sorologia: mais utilizado para pesquisa 
epidemiológica. 
• Teste da uréase respiratória: interessante para o 
controle de cura da bactéria. 
• Antígeno fecal: mais usado em crianças. 
Tratamento clínico 
• Dieta: restrição ao uso de refrigerantes e café. A 
cafeína estimula produção do ácido. Gorduras e 
frituras retardam o esvaziamento gástrico. 
• Fumo: interfere na produção de bicarbonato e 
muco, prejudicando fatores de defesa da mucosa. 
• Álcool: agressor da mucosa gastroduodenal. 
Tratamento farmacológico 
• Drogas de primeira linha 
o IBP 
o Bloqueadores H2: recentemente 
suspensos pelo ministério da saúde, pela 
ocorrência de alguns efeitos adversos. 
Hoje em dia, trabalha-se com IBP. 
• Drogas de segunda linha 
o Antiácidos: usa de forma sintomática. 
o Sucralfato: associa ao IBP, principalmente 
em pacientes muito sintomáticos. 
Omeprazol – 20 mg/dia, 30’ antes do desjejum 
Lansoprazol – 30 mg/dia, 30’ antes do desjejum 
Pantoprazol – 40mg/dia 
Rabeprazol – 20mg/dia, 30’ antes do desjejum 
Esomeprazol- 40mg/dia, idem 
Todos os IBPs devem ser utilizados em um período 
de 4-8 semanas. Por que tomar IBP em jejum? Porque as 
células parietais estão com os receptores que mediam a 
produção do ácido mais livres. 
Os IBPs atuam na bomba H+/K+ ATPase. São os 
antissecretores de maior eficácia. 50% das úlceras 
duodenais costumam regredir em 2 semanas, 90% em 4 
semanas, e quase todas em 8 semanas. 
Antiácidos 
É uma medicação que deve ser tomada, no 
mínimo 4x/dia. Toma de 1 a 2 horas após as principais 
refeições e ao deitar. O hidróxido de alumínio, quando 
tomado de forma isolada, pode levar à prisão de ventre, 
enquanto que o hidróxido de magnésio leva à diarreia. 
Dessa forma, faz os dois juntos, a fim de evitar efeitos 
adversos. O tratamento dura 30 dias, mas hoje em dia 
quase não usa mais, faz mais IBP. 
Sucralfato 
Acredita-se que funcione como um protetor da 
base da úlcera. É mais utilizado em úlceras duodenais. Não 
deve ser tomado junto com alimentos ou outros 
antiácidos. 
• Terapia aguda: 1g, 30 min antes das refeições e ao 
deitar ou 2g de 12/12h. 
• Terapia de manutenção: 1g de 12/12h 
Recomendações para tratamento do H. pylori 
• Presença de úlcera gástrica ou duodenal 
• Linfoma gástrico do tipo MALT 
• CA gástrico precoce após ressecção endoscópica 
ou cirúrgica 
• CA gástrico submetidos à gastrectomia total 
• Em uso crônico de AINEs ou AAS e tenham alto 
risco para úlcera ou sangramento por essas 
drogas. 
Tratamento do HP – recomenda-se 14 dias de tratamento 
• Principal: omeprazol (outro IBP) 20mg/2x dia + 
claritromicina 500mg 12/12h + amoxicilina 
1g 12/12h 
• Resistência à amoxicilina: omeprazol (outro IBP) 
20mg/2x dia + claritromicina 500mg/2x dia + 
furazolidona 200mg/2x dia. 
• Resistência à claritromicina: Omeprazol (outro 
IBP) 20mg/2x dia + tetraciclina 500mg de 6/6h + 
furazolidona 200mg/2x dia 
• Terapia quádrupla (sem resposta a todos os 
outros tratamentos): omeprazol (outro IBP) 
 
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20mg/dia 2x dia + subcitrato de bismuto 120mg 
2x dia + amoxicilina 1g/2x dia + furazolidona 
200mg/2x dia. 
Complicações 
• Hemorragia digestiva alta (HDA): tratamento 
endoscópico, com injeções de adrenalina em 
torno da lesão ulcerada e colocação de clipe 
metálico em torno da úlcera. 
• Perfuração: ocorre abdome agudo; tratamento 
cirúrgico. 
• Obstrução: na fase aguda, o paciente é internado 
e pode responder com medicação. Quando a 
obstrução ocorre por cicatrização da úlcera, pode 
fazer intervenção endoscópica, com dilatação da 
região estenosada com um balão hidrostático ou, 
em alguns casos, faz tratamento cirúrgico.