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Atividade 3 - Alike (Fórum)

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Com uma bela narrativa e excelente oportunidade de reflexão, o curta-metragem "Alike" nos permite pensar o quanto que uma rotina meramente mecânica na qual não acontece reflexão nem produção de sentido, pode ser danosa tanto a nós mesmos quanto àqueles que nos cercam.
Logo no início da animação, a criança aparece correndo feliz por um cômodo quando, subitamente, seu pai a interrompe com uma mochila cheia de livros. É interessante que antes disso, o pai já está enchendo a mochila de livros identificados, simplesmente, com o nome "School" (Escola). Hoje, tenho a impressão de que, para boa parte das crianças, falar em escola cansa. É como se elas já associassem a palavra "escola" a um lugar insosso, aversivo e sem graça. Penso que é importante conhecermos a representação social que as crianças, de fato, têm sobre as instituições escolares, e como podemos proceder diante disso.
De forma similar ao que foi destacado acima, essa tentativa de conter comportamentos característicos da infância também é retratada na animação quando - durante o trajeto à escola - a criança arregala os olhos extasiada de surpresa ao contemplar a apresentação do violinista, mas, inadvertidamente, ela é tolhida pelo pai. 
Outro momento em que essa poda vem à tona é quando, exercitando sua criatividade, a criança faz desenhos livres e ilustrações nos moldes das letras do alfabeto - algo como um caligrama -, mas é surpreendida pelo professor. Esse parece exigir que ela continue um exercício mecânico de cobrir traçados. Em suma, todos esses momentos desenbocam em uma rendição à rotina, ao automático, fazendo com que aquilo que antes era motivo de prazer, agora se torne enfadonho e perca o brilho de outrora.
Dentre outras propostas, Linhares & Enumo (2020) nos apontam algumas estratégias simples para que um ambiente tranquilo para as crianças seja estabelecido - estratégias essas que podem (e devem) ser estendidas para muito além de um período de pandemia -, como reservar horários para brincar, conversar e se divertir com elas. No final do texto, esses autores também mencionam a importância de pensar no desenvolvimento da criança a longo prazo, não apenas em momentos de crise (aqui, uma dúvida: como manter uma rotina com as crianças se, em dado momento, essa rotina pode se tornar entediante, como retratado na animação?).
Recapitulando discussões de momentos anteriores da disciplina, um longo período de quarentena tem colaborado para que as crianças fiquem ansiosas e estressadas. Outrossim, percebe-se uma ênfase demasiada na dimensão cognitiva dos alunos, entretanto, deve-se levar em consideração que o lúdico e o desenvolvimento psicossocial das crianças também precisam ser explorados por meio da motricidade e da afetividade - o que pode ser visto na animação quando o pai se dispõe a se divertir com a criança, culminando, assim, na troca de experiências entre pai e filho, o que faz com que as cores de ambos voltem ao vigor de antes, justificando, ao que me parece, o título da animação ("Iguais", em português). 
A propósito, é nítido o contraste que existe quando o pai e o filho se abraçam e são os únicos sujeitos coloridos em meio a um monte de transeuntes desbotados em tons de cinza. Será que estamos deixando a vida passar aos nossos olhos sem aproveitarmos as oportunidades de dar um pouco de tempero, um certo sal à vida do outro em um mundo tão estressado, tão cansado e tão desesperado?
Por fim, durante a exibição dos créditos, percebe-se o quanto os dois personagens principais se divertem enquanto, mais uma vez, aqueles ao seu redor parecem ocupados com tarefas mecânicas e vivendo, aparentemente, no automático com suas malas e mochilas em tons de cinza. A situação muda quando a criança livre e criativa contagia a outra criança com sua felicidade fora da caixa. Parece utópico e romântico, mas não é impossível. Quem se dispõe a fazer o mesmo e ver ordem em meio ao caos?