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Anamnese Ginecologica e Obstetrica

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físicos e desnutrição, que 
podem atuar como inibidores. 
A hipófise, então, em resposta à secreção de GnRH, 
produz duas gonadotrofinas: hormônio folículo 
estimulante – FSH (do inglês, follicle-stimulating 
hormone) e hormônio luteinizante – LH (do inglês, 
luteinizing hormone). O primeiro, FSH, como o próprio 
nome diz, tem por função estimular o recrutamento e o 
crescimento dos folículos ovarianos e a seleção para 
dominância até que o óvulo esteja maduro para ser 
fecundado; o segundo, LH, tem como finalidade 
produzir a luteinização das células somáticas foliculares 
(teca e granulosa), completar a maturação do óvulo e 
promover a ovulação 
 O ovário, em resposta 
aos comandos 
hipotálamohipofisários, 
produz os esteroides 
sexuais, sendo eles os 
estrogênios e a 
progesterona 
 
 
 
 
Formação dos Folículos Ovarianos: 
O folículo ovariano é composto por um óvulo central e 
duas outras populações de células somáticas que se 
dispõem em camadas: granulosa, interna, e a teca, 
externa. 
Uma vez diferenciadas em óvulos, a camada de células 
estromais que os circundam transformam-se em células 
da granulosa inativas, com formato fusiforme, e, assim, 
dão origem aos folículos primordiais. 
Apesar do estado de quiescência em que se encontram 
durante a infância, o processo de atresia dos folículos 
primordiais continua a ocorrer, de maneira que grande 
parte da população de células germinativas não chega à 
fase adulta reprodutiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Foliculogênese e Esteroidogênese: 
O ovário, em resposta à ação das gonadotrofinas, 
realiza basicamente dois processos: a esteroidogênese, 
ou produção de esteroides sexuais, e a foliculogênese, 
que é o recrutamento e o desenvolvimento dos folículos 
ovarianos. 
O processo de foliculogênese tem início com o 
recrutamento folicular, durante o qual os folículos 
quiescentes tornam-se ativos e capazes de se 
desenvolver. 
A partir desse estágio, secundário, o folículo passa a ser 
mais sensível à ação do FSH, o qual determina a 
proliferação de células da granulosa e leva o folículo ao 
estágio terciário, com três camadas. Finalmente, o 
folículo pré-antral multilamelar, com quatro ou mais 
camadas, tornase claramente dependente do FSH – essa 
dependência do FSH inicia-se a partir do estágio 
secundário. 
 Também compõem o folículo as células da teca, 
que se proliferam e passam a produzir 
androgênios pelo estímulo do LH. 
Assim, cabe à teca produzir progesterona e androgênios, 
os quais entram nas células da granulosa por difusão e, 
por ação da enzima aromatase, se convertem em 
estradiol pela ação do FSH. A granulosa avascular 
converte apenas os precursores que lhe são oferecidos 
pela teca. 
 Tal interação entre as células da teca e da 
granulosa para a produção de esteroides 
sexuais ovarianos é chamada de “mecanismo 
das duas células”. 
A cada ciclo, cerca de mil folículos são recrutados, ou 
seja, saem do estado de quiescência para tornarem-se 
ativos. 
Todos eles iniciam seu desenvolvimento, porém, ao 
longo do processo de foliculogênese, a grande maioria 
entra em processo de atresia. 
Apenas alguns, cerca de 8 a 20, chegam ao estágio 
antral. São esses os folículos com verdadeiro potencial 
de completar o seu desenvolvimento e atingir o estágio 
de maturidade – os chamados folículos antrais iniciais –, 
que refletem o pool de reserva ovariana, uma vez que 
são proporcionais ao número de folículos primordiais 
presentes no ovário. 
 
Nessa fase são dependentes de FSH para o seu 
crescimento e, portanto, possuem receptores para esse 
hormônio, que são autorregulados positivamente, ou 
seja, quanto maior a ação do FSH, mais receptores 
surgem na superfície dessas células, aumentando a 
sensibilidade do folículo a esse hormônio. Sendo assim, 
quanto maior o folículo, maior a sensibilidade ao FSH. 
 
Por algum motivo ainda não conhecido, um dos 
folículos do pool se destaca e apresenta crescimento 
mais acelerado que os demais, o que faz com que ele se 
torne cada vez mais sensível e responsivo ao FSH do que 
seus pares em crescimento. Nessa fase, a produção de 
estradiol é máxima, o que promove feedback negativo 
sobre a hipófise, reduzindo parcialmente a liberação de 
FSH na circulação. 
 
Para aquele folículo maior e mais sensível, essa 
pequena queda na liberação de FSH não interferirá em 
seu desenvolvimento, entretanto, para todos os demais, 
haverá a desaceleração do crescimento, a qual 
culminará na atresia do folículo. Estabelece-se, dessa 
maneira, a dominância folicular. 
 
Ao final da fase folicular, já como folículo pré ovulatório, 
as células da granulosa passam a expressar também 
receptores para o LH, até então presentes apenas na 
teca. O aumento desses receptores na superfície das 
células granulosa, associado à redução dos receptores 
de FSH pelo mecanismo de autorregulação, leva à 
mudança no padrão de dependência do folículo do FSH 
para uma fase LH-dependente. A partir desse momento, 
a secreção de LH pela hipófise determinará a 
transformação luteínica dessas células, juntamente com 
a teca, além de dar início ao preparo do folículo para o 
processo ovulatório. 
 Esse pico de LH é fundamental para o término 
da maturação folicular e o desencadeamento da 
ovulação, que ocorrerá 36 horas após. 
 
As células da parede folicular que permanecem no 
ovário após a ovulação, composto por células da teca e 
por células da granulosa, ambas sensibilizadas para 
ação do LH, entram em processo de luteinização. A 
síntese de esteroides é direcionada para a produção de 
progesterona, a qual terá papel fundamental na 
transformação endometrial e nos estágios iniciais do 
desenvolvimento embrionário. 
 
xxx 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O endométrio e a implantação embrionária: 
O endométrio é composto de múltiplas camadas e 
pode ser dividido em duas porções distintas: a camada 
basal, responsável pelo processo de regeneração após a 
descamação menstrual, e a camada funcional, que se 
transforma de maneira mais ativa ao longo do ciclo e é 
descamada mensalmente na ausência de implantação 
embrionária. 
 
As transformações endometriais que ocorrem em 
resposta a toda a produção hormonal ovariana têm 
como objetivo final o preparo do útero para a 
implantação do embrião formado. Nesse sentido, 
podemos dividir de maneira didática o ciclo menstrual 
em duas fases bastante distintas em termos de perfil 
hormonal. A fase de crescimento folicular, caracterizado 
pelo aumento das camadas de células da granulosa, 
crescimento do óvulo e produção predominante de 
estradiol, é denominada de fase folicular e ocorre na 
primeira metade do ciclo menstrual. Enquanto o 
período pós ovulatório, caracterizado pelo 
desenvolvimento do corpo lúteo e a produção 
predominante de progesterona, é denominada fase 
secretora ou lútea e ocorre durante a segunda metade 
do ciclo menstrual. 
 
O início da fase folicular é marcado pela descamação 
menstrual de um endométrio preparado no ciclo 
precedente no qual a implantação não ocorreu, 
portanto, o papel inicial do estradiol é o de cicatrizar o 
endométrio cruento após a descamação. 
 
Os receptores de estrogênios na superfície das células 
são autorregulados pelo próprio estradiol, portanto, ao 
longo do ciclo, a sensibilidade local à ação desse 
hormônio aumenta na mesma proporção de sua 
produção. Quando o endométrio atinge certa 
maturidade e já está proliferado, ele passa também a 
expressar receptores de progesterona que terão papel 
importante na próxima etapa do preparo endometrial, a 
diferenciação desse tecido durante a fase lútea (Fritz e 
Speroff, 2011d). A progesterona, em contrapartida, inibe 
os receptores estrogênicos, o que reduz seu efeito 
proliferativo. 
Após a ovulação, a progesterona passa a ser 
predominante, e o endométrio já sensibilizado pelo 
estrogênio desacelera a atividade proliferativa e inicia a 
diferenciação das glândulas do epitélio 
pseudoestratificado, tornando-as mais tortuosas e 
promovendo o acúmulo de glicogênio e glicoproteínas 
no citoplasma

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