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Transmissão das Obrigações - Civil II

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ex nunc. A hipoteca é um ônus que acompanha o imóvel enquanto a dívida não for paga. a hipoteca é garantia de um bem imóvel para o credor. Quando este cede para terceiros, a garantia vai junto, mas é preciso averbar junto ao registro.
e) Multiplicidade de cessões: diante de eventual dúvida ou disputa entre pessoas que se afirmam cessionárias, será a verdadeira cessionária aquela que apresentar o título (contrato) original. Caso se trate de cessões feitas de obrigação constituída por instrumento público em que o documento original está no cartório, isto é, nenhum cessionário terá a posse, prevalecerá o cessionário que tiver averbado a cessão primeiro por instrumento público, ou seja, será observada a ordem cronológica dos registros públicos das cessões de crédito.
Art. 291. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar com a tradição (entrega) do título do crédito cedido.
Art. 292. Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga ao credor primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao cessionário que lhe apresenta, com o título de cessão, o da obrigação cedida; quando o crédito constar de escritura pública, prevalecerá a prioridade da notificação.
- Cabe ao devedor realizar o pagamento ao credor, salvo se existir notificação de uma cessão, hipótese em que o pagamento deverá ser direcionado ao cessionário. Quando existirem múltiplos cessionários o devedor deverá pagar aquele que apresentar o título original e, se o negócio jurídico cedido for por instrumento público o pagamento será realizado ao primeiro cessionário que averbar a cessão.
d) Exceções pessoais: por exceção, pode o devedor opor as defesas pessoais que teria contra o cedente, ao cessionário, desde que o faça no momento em que tomou conhecimento da cessão. Assim, se trata de uma exceção ao regramento das exceções pessoais, visto que o cessionário não irá receber em razão de algo que o cedente fez.
Devedor: 	Credor – cedente
		Novo credor – cessionário 
(o devedor pode alegar uma exceção pessoal contra o novo credor, assim que ele tomou conhecimento dela – exceção da exceção – se não o fizer terá que pagar o cessionário e cobrar do cedente, não ocorrendo a compensação)
Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente.
- Não seguem a regra, poderão ser opostas a terceiros. Pode o devedor opor ao credor as exceções pessoais, também poderá opor essas exceções contra o cedente se o fizer quando for notificado da cessão.
d) Efeitos da cessão: 
· Transmissão da relação jurídica do cedente para o cessionário
· Transmissão parcial ou total do crédito
· Extensão da garantia do crédito
- Cessão de crédito pro soluto: cedente se responsabiliza pela existência e validade do crédito até o momento da cessão (significa que o cedente só terá responsabilidade pelos vícios anteriores à cessão e nenhuma quanto aos supervenientes). Ocorre nas cessões onerosas e gratuitas, quando o cedente proceder de má-fé (ligada ao conhecimento do vício que resultará na frustração do cessionário em receber a prestação) – responde pelos vícios
- Cessão de crédito pro solvendo: apenas em caso de estipulação expressa, o cedente responde pela solvência do devedor ao tempo da cessão. Pode estender essa responsabilidade até o pagamento e o cedente ser também devedor solidário, mas para isso é necessário acordo entre as partes. A responsabilidade no caso de cessão onerosa está limitada até o valor pago pelo cessionário ao cedente, mais juros e despesas, mas não por todo o montante da cessão – responde pela capacidade de cumprir a obrigação
Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé.
- O cedente será responsabilizado pela existência e validade do crédito ao tempo da cessão, salvo se tratar de cessão gratuita e sem má fé (saber do vício e não contar ao cessionário). Está é a responsabilidade pro soluto 
Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor.
- Poderá, ainda, o cedente ser responsabilizado pela solvência do devedor até o momento da cessão, desde que tal responsabilidade seja expressamente estipulada. Trata-se de responsabilidade pro solvendo.
Art. 297. O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança.
- O cedente não responde pelo valor completo, responde até a cessão onerosa, acrescido de juros e despesas com a cessão e cobrança.
ASSUNÇÃO DE DÍVIDA – Artigos 299 a 303 do CC
 Ocorre uma alteração no polo passivo (devedor) da obrigação, em que outra pessoa (assuntor) se obriga em relação ao credor. Pode se dar em razão da convenção entre as partes ou decorrer de lei. Para sua efetivação é imprescindível o conhecimento e consentimento do credor.
 Classificação:
1 - Quanto à formação
	1.1 – Assunção por expromissão ou unifigurativa: Negócio jurídico bilateral diretamente entre credor e assuntor (expromitente), mesmo sem anuência do devedor
	1.2 – Assunção por delegação ou bifigurativa: Negócio jurídico plurilateral entre devedor primitivo, assuntor e credor, em que o devedor primitivo apresenta ao credor o assuntor e obtém o consentimento para alteração no polo passivo.
Ex.: Renato (devedor)
Ronaldo (assuntor) - terceiro
R$500,00
Larissa (credora)
Expromissão/Delegação
Obs.: A obrigação continua a mesma, com as mesmas condições. Se o devedor originário na assunção por expromissão pagar dívida que já foi paga pelo assuntor? Deve devolver, se não se configura enriquecimento sem causa.
2 – Quanto à responsabilidade
	2.1 – Liberatória: Ocorre a substituição do devedor, de modo que apenas o assuntor permanece na obrigação
	2.2 – Cumulativa: Ocorre um acréscimo (reforço) no polo passivo, de modo que o devedor e o assuntor ficam obrigados ao credor, assim o devedor originário não sai da obrigação
 Essas classificações podem se misturar!!
 Características da Assunção:
a) Consentimento do credor: trata-se de elemento de validade para a assunção, o qual deve ser expresso, sendo o silêncio interpretado como recusa (art. 299), exceto no caso de assunção por meio de aquisição de imóvel hipotecado, hipótese em que o silêncio significará anuência (art. 303) e eventual recusa deverá ser justificada, visto que se oporá ao direito de moradia.
Ex.: Renato (devedor)
	+
Ronaldo (assuntor) - terceiro
R$500,00
Larissa (credora)
Liberatória/Cumulativa
Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor (assunção por delegação), ficando exonerado o devedor primitivo (assunção liberatória), salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. 
Parágrafo único. Qualquer das partes (devedor ou assuntor) pode assinar (fixar) prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa. 
Art. 303. O adquirente de imóvel hipotecado (assuntor) pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento.
Ex.: Renato (devedor)
Ronaldo (assuntor) – terceiro que quer comprar o apartamento 
R$500.000,00 + apartamento hipotecado como garantia
Larissa (credora) 
Se o Renato não pagar a dívida, o Ronaldo vai perder o apartamento. O recomendado a se fazer é o Ronaldo assumir a dívida, em ônus real, de Renato para adquirir o imóvel, compensando o valor da dívida.
b) Validade do Negócio Jurídico: eventual invalidade da assunção de dívida resulta no ressurgimento dos antigos devedores e todos os acessórios da obrigação, exceto as garantias (reais e pessoais) prestadas

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