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Atividade de Presunção de Legitimidade - direito administrativo

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Presunção de Legitimidade dos Atos Administrativos 
O Princípio da Presunção de Legitimidade dos Atos Administrativos, tem-se que a lei considera 
que tais ações são verdadeiras e estão legalmente corretas, até prova em contrário. Nesse 
caso, em regra geral a obrigação de provar que a Administração Pública agiu com ilegalidade, 
ou com abuso de poder, é de quem alegar. Dizemos então que o ônus da prova é de quem 
alega. 
 
Como sabido, a administração pública exerce atos em nome próprio, mas em interesse 
alheio. Daí que, por conta disso, o ordenamento jurídico recepciona regras especiais de ônus 
da prova, segundo a lição de Hely Lopes Meirelles: 
“Os atos administrativos, qualquer que seja a sua categoria ou espécie, nascem com a 
presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. 
Já a presunção de veracidade, inerente à de legitimidade, refere-se aos fatos alegados e 
afirmados pela Administração para a prática do ato, os quais são tidos e havidos como 
verdadeiros até prova em contrário. 
A presunção também ocorre com os atestados, certidões, informações e declarações da 
Administração, que, por isso, gozam de fé pública. Esta presunção decorre do princípio de 
legalidade da Administração, que nos Estados de Direito, informa toda a atuação 
governamental. 
Além disso, a presunção de legitimidade e veracidade dos atos administrativos responde a 
exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não poderiam 
ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade 
dos seus atos, para só após dar-lhes execução. 
 
A presunção de legitimidade autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos 
administrativos, mesmo que arguidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidade. 
 
Enquanto, porém, não sobrevier o pronunciamento de nulidade os atos administrativos são 
tidos por válidos e operantes, quer para a Administração, quer para os par ticulares sujeitos 
ou beneficiários dos seus efeitos. 
 
Admite-se, todavia, a sustação dos efeitos dos atos administrativos através de recursos 
internos ou de ordem judicial, em que se conceda a suspensão liminar, até o pronunciamento 
final de validade ou invalidade do ato impugnado. 
 
Outra consequência da presunção de legitimidade e veracidade é a transferência do ônus da 
prova da invalidade do ato administrativo para quem a invoca. 
 
Cuida-se de arguição de nulidade do ato, por vício formal ou ideológico ou de motivo, a prova 
do defeito apontado ficará sempre a cargo do impugnante, e até a sua anulação o ato terá 
plena eficácia. ” 
 
(MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 29 ed. atualizado por Eurico de 
Andrade Azevedo e outros. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 156) 
 
Maria Sylvia Zanella di Pietro diz que: 
“A presunção de veracidade inverte o ônus da prova; é errado afirmar que a presunção de 
legitimidade produz esse feito, uma vez que, quando se trata de confronto entre o ato e a lei, 
não há matéria de fato a ser produzida; nesse caso, o efeito é apenas o anterior, ou seja, o 
juiz só apreciará a nulidade se arguida pela parte. ” 
E, inda segundo Marçal: 
“Idêntica orientação se aplica aos processos sancionatórios administrativos. Para utilizar uma 
expressão clássica (e objeto de inúmeras críticas), prevalece no âmbito dos processos 
repressivos o princípio da verdade real, o que significa orientar-se a atividade persecutória a 
revelar a verdade dos fatos.' (Obra citada, p. 402). ” 
 
E no que se trata do princípio do devido processo legal, está previsto no artigo 5º inciso LIV e o 
da ampla defesa consta do inciso LV do mesmo artigo, os dois na Constituição Federal de 
1988. O devido processo legal também foi lembrado na Declaração Universal dos Direitos do 
Homem, em seu artigo XI nº 1, garantindo que: 
"Todo homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a 
sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe 
tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa". 
Segundo Moraes (1999, p.112): 
“O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo, atuando tanto no âmbito 
material de proteção ao direito de liberdade quanto no âmbito formal, ao assegurar-lhe 
paridade total de condições com o Estado-persecutor e plenitude de defesa (direito à defesa 
técnica, á publicidade do processo, á citação, de produção ampla de provas, de ser processado 
e julgado pelo juiz competente, aos recursos, à decisão imutável, à revisão criminal). ” 
 A ampla defesa consiste em assegurar que o réu tenha condições de trazer para o processo 
todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Já o contraditório é a própria 
exteriorização da ampla defesa. 
Cita José Afonso da Silva, o princípio do devido processo legal combinado com o direito 
de acesso à justiça (artigo 5º, XXXV), o contraditório e a ampla defesa (art. 5º, LV), fecha o 
ciclo das garantias processuais. Assim, garante-se o processo, com as formas instrumentais 
adequadas, de forma que a prestação jurisdicional, quando entregue pelo Estado, dê a cada 
um, o que é seu. 
A administração pública carrega a responsabilidade de exercer o poder de gestão do Estado. 
Respeitando o princípio da legitimidade dos atos administrativos entende-se que os mesmos 
são praticados de forma idônea pela administração pública. No momento em que uma multa é 
aplicada já há a presunção de veracidade da acusação pois se espera que seja de acordo com 
o princípio da legalidade até que o particular acusado de um ato delituoso possa se defender, e 
é nesse momento que a ampla defesa assegura que o particular tenha condições de trazer os 
elementos que possam esclarecer a verdade. 
 
Muitas das situações caberiam ao particular fazer a prova negativa. Como por exemplo: o 
cidadão recebe uma notificação de auto infração de trânsito, o mesmo poderá expor provas 
admitidas em direito, apresentar testemunhas ou juntar um boletim de ocorrência alegando que 
no dia daquela multa, na verdade, foi vítima de um roubo e quem usava o veículo era o 
criminoso, nesse caso a presunção é quebrada. Mas em exceções que o particular não consiga 
provar obviamente o ente responsável pela administração pública possua credibilidade maior, 
pois exerce uma função em prol do próprio estado. 
 
https://jus.com.br/tudo/acesso-a-justica
No entanto, Zanella de Pietro apresenta um entendimento incrível pra tais situações: 
 
“Alguns autores têm impugnado esse último efeito da presunção. Gordillo cita a lição de Treves 
e Micheli, segundo a qual a presunção de legitimidade do ato administrativo importa uma 
relevatio ad onera agendi, mas nunca uma relevatio ad onera probandi; segundo Micheli, a 
presunção de legitimidade não é suficiente para formar a convicção do juiz no caso de falta de 
elementos instrutórios e nega que se possa basear no princípio de que 'na dúvida, a favor do 
Estado', mas sim que 'na dúvida, a favor da liberdade'; em outras palavras, para esse autor, a 
presunção de legitimidade do ato administrativo não inverte o ônus da prova, nem libera a 
Administração de trazer as provas que sustentem a ação.” 
(PIETRO, Maria Sylvia Z. di. Direito administrativo. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 192). 
Por fim, nota-se que de um modo geral a concordância pela auto infração se dá no pagamento 
da mesma sem mais questionamentos. No entanto, no caso de haver a discordância do 
particular, a prova negativa cabe a ele que deverá levar a análise da administração pública. E 
caso o particular não tenha as determinadas provas concretas cabe a administração pública 
nisso no sentido de apresentar as provas que sustentem tal ação pois ele tem ao seu favor o 
princípio do devido processo legal garantindo a ampla defesa. 
 
Bibliografia: 
https://farenzenaadvocacia.jusbrasil.com.br/artigos/766847800/a-inversao-do-onus-da-prova-
em-materia-ambiental?ref=serp 
https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/administracao/principio-da-