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Questões Respondidas - Direitos Protetivos Coletivos do Trabalho

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Questões Direito Protetivo Coletivo do Trabalho 
 
 
1- Quem são as partes envolvidas no dissídio? 
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos - CPTM em face do Sindicato dos Trabalhadores 
em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana e Outros 
 
2- Qual motivo originou a greve? 
Protesto às reformas trabalhista e previdenciária. 
 
3- Qual foi a posição do Ministério Público do Trabalho quanto à abusividade da greve? 
O Ministério Publico do Trabalho (Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região) opinou pela 
rejeição das preliminares; e, no mérito, pela não abusividade da greve, com o regular pagamento 
do dia de paralisação. 
 
 
4- O Relator do Acórdão, menciona 3 requisitos para a legitimidade da greve. Quais são esses 
requisitos e quais o Relator considera que o sindicato da categoria profissional preencheu? 
 Nessa linha, o primeiro requisito é a ocorrência de real tentativa de negociação, antes de se 
deflagrar o movimento grevista: desde que frustrada a negociação coletiva ou verificada a 
impossibilidade de recurso à via arbitral, abre-se caminho ao movimento de paralisação coletiva 
(art. 3º, caput, Lei nº 7.783). 
O segundo requisito é a aprovação da respectiva assembleia de trabalhadores (art. 4º, Lei nº 
7.783), também cumprido pelas entidades sindicais obreiras, como comprovam os documentos 
juntados com as contestações. 
O terceiro requisito é o aviso prévio à parte adversa (empregadores envolvidos ou seu 
respectivo sindicato), que deverá ser dado com antecedência mínima de 48 horas da paralisação 
(art. 3º, parágrafo único, Lei nº 7.783) ou 72 horas, no caso de greve em atividade essencial, nos 
termos do art. 13 da Lei 7.783/89. 
No caso dos autos, embora incontroverso que não houve o cumprimento do primeiro requisito 
(tentativa de negociação) - tendo em vista a motivação de protestar contra as Reformas 
Trabalhista e Previdenciária, em andamento no Congresso Nacional, naquela ocasião -, há 
evidências de que a categoria profissional cumpriu com o segundo e terceiro requisitos, 
conforme se infere das notícias que relataram a ocorrência de assembleias sobre a paralisação 
no dia 28/4/2017 e a ampla divulgação do movimento (fls. 290-293; 352-355). 
 
5- Do que foi aprendido em aula, você concorda com o argumento da abusividade da greve? 
Justifique 
 Conforme visto em aula, ato abusivo é aquilo que está dentro da lei, porém abusa do 
direito. 
 “Considera- se ato abusivo a ocupação ameaçadora de estabelecimentos, 
setores ou da empresa; sabotagem ou boicote aos serviços da empresa 
e associados/ piquete obstativo ou depredatório do patrimônio do empregador, 
permanecer em greve depois do acordo, agressão contra colegas de trabalho ou superir 
hierárquico, desrespeitar prazos, 
condições e regras determinadas pela Lei 7.783/89” 
 
ART. 14 “Constitui abuso do direito de greve a inobservância das 
normas contidas na presente Lei, bem como a manutenção da paralisação 
após a celebração de acordo, convenção ou decisão da Justiça do Trabalho.” Sendo assim, no 
caso em questão, percebesse que a greve feita pelos funcionários da CPTM não foi de encontro 
com as normas previstas em tal artigo, portanto, não há o que se falar em abuso de direito. 
 
6- O relator do acórdão, Maurício Godinho Delgado, ressalvou seu entendimento, quanto à 
abusividade da greve, para se curvar ao entendimento da Seção de Dissídios Coletivos, qual o 
argumento do relator para afirmar que a greve não foi abusiva? 
 
 Primeiro, porque o Sindicato representante da categoria profissional cumpriu todos os 
demais requisitos legais para a deflagração da greve, tais como a tentativa conciliatória, a 
convocação da categoria, a aprovação em assembleia e o aviso à empregadora com 
antecedência mínima de 72 horas (atividade essencial). Segundo, porque a greve foi motivada 
pelo atraso no pagamento da participação nos lucros e resultados no prazo previsto no acordo 
coletivo de trabalho 2016, ou seja, a Empregadora, efetivamente, deu causa à deflagração do 
movimento paredista. Terceiro, em razão da curtíssima duração da greve - apenas 15 horas -, a 
revelar a natureza moderada da conduta sindical. E quarto, a greve não causou sérios prejuízos 
aos usuários, conforme consignou o Tribunal de origem - uma das razões pelas quais, inclusive, 
o Tribunal a quo não aplicou a multa por descumprimento de decisão liminar. Registre-se que 
esta SDC já manifestou entendimento de que a greve motivada pelo descumprimento patronal 
de norma coletiva propicia a mitigação da necessidade de cumprimento das formalidades legais 
para a sua deflagração. Nada obstante, como se vê, todos os requisitos formais aptos a legitimar 
o movimento foram cumpridos pela categoria profissional e o sindicato obreiro correspondeu 
eficazmente com as obrigações legalmente exigidas para a deflagração da greve. Em relação à 
decisão liminar que fixou quantitativo mínimo de trabalhadores em serviço, embora incontroverso 
o seu descumprimento (apenas no primeiro e único dia de greve), repisa-se, em contraponto, 
que o movimento paredista durou menos de 24 horas e não acarretou maiores prejuízos à 
comunidade. Além disso, a Empresa Suscitada contribui para o descumprimento da 
determinação, segundo constatado pelo TRT, na medida em que não enviou para o sindicato 
obreiro as escalas de convocação de seus funcionários das linhas 7 e 10, locais onde 
efetivamente houve algum problema. Diante de todas essas particularidades - o cumprimento 
dos requisitos prévios, a motivação por descumprimento patronal de cláusula normativa 
econômica, a conduta sindical moderada e razoável, a curtíssima duração (greve de advertência) 
e a culpa recíproca pelo descumprimento da decisão liminar (que, de toda forma, não acarretou 
prejuízos para os usuários) -, a maioria dos integrantes desta Seção Especializada entendeu que 
a greve foi conduzida de forma legítima e que é indevida a multa por descumprimento fls.12 
PROCESSO Nº TST-RO-1001268-03.2017.5.02.0000 
Firmado por assinatura digital em 28/02/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, 
conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. 
 
da decisão liminar, conforme decidiu o Tribunal de origem. A propósito, a decisão do TRT deve 
ser prestigiada por esta instância de revisão, uma vez que a proximidade do órgão a quo da 
realidade dos fatos certamente forneceu uma visão mais precisa e aprofundada do conflito e 
melhores condições para a compreensão e reflexão sobre suas repercussões. Recurso ordinário 
desprovido. (RO - 1001051-57.2017.5.02.0000 , Redator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, 
Data de Julgamento: 10/09/2018, Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Data de 
Publicação: DEJT 21/09/2018) 
 
7- Qual o entendimento da OIT sobre a abusividade de greve, para o caso em questão? 
Para esses órgãos, as reivindicações a se defender com a greve podem ser de três 
categorias: (i) as de natureza trabalhista, que buscam garantir ou melhorar as condições de 
trabalho e de vida dos trabalhadores; (ii) as de natureza sindical, que buscam garantir e 
desenvolver os direitos das organizações sindicais e de seus dirigentes; (iii) as de natureza 
política, que têm por fim, embora indiretamente, a defesa dos interesses econômicos e sociais 
dos trabalhadores portanto não seria qualificado como abusividade de greve nesse caso por ser 
de cunho político. 
 
8- O relator citou posicionamento do Supremo Tribunal Federal, mais especificamente do Ministro 
Alexandre de Moraes. Em síntese, qual foi o posicionamento do Ministro, quanto a esse tipo de 
greve? 
Diante desse contexto principiológico e jurídico, não vislumbro, no movimento paredista 
deflagrado, qualquer ilegalidade, sob a perspectiva substancial, por não se tratar de movimento 
utilizado como instrumentalização político-partidária ou algo similar, nem se vislumbrar nele 
feição estritamente política ou político-ideológica. 
Em que pese o conflito envolva interesses