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DIREITO ADMINISTRATIVO (Licitação, Contrato Adm , RDC e PPP)

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LICITAÇÃO
na Constituição Federal de 88
→ art. 37, XXI: “ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços,
compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que
assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam
obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o
qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à
garantia do cumprimento das obrigações.” esse dispositivo admite a possibilidade de a
legislação estabelecer hipóteses excepcionais de celebração de contratos
administrativos sem a realização de licitação, a chamada “contratação direta”.
→ igualdade de condições aos concorrentes (licitantes)
→ mantidas as condições efetivas da proposta: equilíbrio das condições da proposta no
curso do contrato (equilíbrio contratual)
→ o poder público deve analisar as condições dos licitantes que estão participando daquela
disputa, de modo a só poder estabelecer exigências que sejam indispensáveis à garantia do
cumprimento das obrigações
obs.: PL 6.814/2017 - Relator João Arruda MDB - PR (origem: PLS 559/2013). Modifica a
Lei de Licitações.
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA
→ art. 22 da CF, XXVII: da União, no que diz respeito às normas gerais de contratação e
licitação. competência privativa da União; trata-se de competência para editar normas de
caráter nacional, obrigando todos os entes federados. o inciso XXVII apenas restringe à
União as normas de caráter geral aplicáveis às licitações e aos contratos administrativos,
ou seja, não se aplica a essa hipótese o parágrafo único do mesmo artigo 22, ou seja, não
cabe falar em necessidade de autorização em lei complementar para que os estados
legislem sobre questões específicas relacionadas a licitações públicas e contratos
administrativos. assim, os estados, o DF e os municípios têm competência para legislar
sobre questões específicas acerca de licitações públicas e contratos administrativos, desde
que não contrariem as normas gerais.
→ art. 22 da CF, XXVII - Compete privativamente à União legislar sobre normas gerais de
licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas,
autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o
disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos
termos do art. 173, § 1°, III; → a CF passou a determinar, por meio da EC 19/1998, que o
legislador estabeleça “o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia
mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou
comercializacão de bens ou de prestacão de serviços” e, consoante o inciso III deste
dispositivo, o “estatuto jurídico” em questão deve dispor sobre “licitação e contratação de
obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da adm pública”. o alcance
é limitado às empresas públicas e sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que
atuam no domínio econômico em sentido estrito.
Quem deve licitar?
→ Lei 8.666/93 (LCC), art. 1°, parágrafo único: Subordinam-se ao regime desta Lei, além
dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações
públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades
controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
obs.: empresas públicas e sociedades de economia mista subordinam-se à lei das estatais
(13.303/2016), que não distingue estatais exploradoras de atividade econômica e estatais
prestadoras de serviços públicos, ao contrário da doutrina anterior à sua vigência (na época
da LCC, ainda se falava, em seu texto, em empresa pública de economia mista, pois não
tinha a lei das estatais, recente; a LCC não se aplica mais a essas empresas, contudo).
incidência dos princípios da licitação aos que manejam recursos públicos - exemplo:
entidades qualificadas como organizações sociais ou que celebram parcerias voluntárias.
Finalidades da licitação
muito embora o inciso XXI do art. 37 da CF exija que seja assegurada, nas licitações, a
“igualdade de condições a todos os concorrentes”, o legislador ordinário, por meio da Lei
12.349/2010, conferiu interpretação bastante elástica a essa noção de igualdade,
possibilitando que sejam concedidas grandes vantagens competitivas a empresas
produtoras de bens manufaturados nacionais ou prestadoras de serviços nacionais,
que atendam as normas técnicas brasileiras. tais vantagens competitivas (ou “margem
de preferência”) alteraram a noção de igualdade aplicável ao procedimento licitatório,
fazendo com que o legislador devesse modificar o caput do art. 3° da Lei 8666, para
acrescentar a promoção do desenvolvimento nacional sustentável, de modo a dar evidência
para o favorecimento do mercado local de bens e serviços, fortalecer os setores de
pesquisa e inovação tecnológica nacionais, etc. assim:
→ Lei 8.666, art. 3° (1a parte): “A licitação destina-se a garantir a observância do
princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a
administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável (...)”.
→ finalidades
a) isonomia nas contratações
a licitação não pode privilegiar/direcionar/proteger determinados particulares em detrimento
de outros.
obs.: tratamento favorecido para as microempresas e empresas de pequeno porte (princípio
constitucional). regras de licitação mais favoráveis
b) seleção da proposta mais vantajosa
coincidência com o princípio da economicidade; favorecimento à proposta de menor valor
(que não necessariamente será o que é, de fato, mais vantajoso para a licitação).
c) desenvolvimento nacional sustentável
preferência nas aquisições para os bens produzidos no país e que atendam a critérios de
sustentabilidade - aspectos social, econômico e ambiental.
a lei 13.146 acrescentou, ainda, à lei 8666, regras destinadas a proporcionar vantagens
competitivas a determinados licitantes, que comprovem o cumprimento de reserva de
cargos prevista em lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da previdência social
e que atenda às regras de acessibilidade previstas na legislação.
→ Lei 8.666, art. 3° (2a parte): “(...) e será processada e julgada em estrita conformidade
com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade,
da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do
julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.”
→ princípios gerais e específicos
a) legalidade
b) impessoalidade
c) moralidade
d) igualdade (igualdade como um princípio e isonomia como finalidade) → isonomia é
não apenas tratar igualmente os semelhantes, mas também diferenciar o tratamento
conferido aos desiguais.
a observância da igualdade entre os participantes no procedimento licitatório possui dupla
vertente: devem ser tratados isonomicamente todos os que participam da disputa, o que
significa a vedação a discriminações injustificadas no julgamento das propostas, e deve ser
dada oportunidade de participação nas licitações em geral a quaisquer interessados que
tenham condições de assegurar o futuro cumprimento do contrato a ser celebrado.
não configura violação ao princípio da isonomia o estabelecimento de requisitos mínimos de
habilitação dos licitantes cuja finalidade seja exclusivamente garantir a adequada execução
do futuro contrato.
§1°, I, do art. 3° → proíbe que os agentes públicos estabeleçam ou admitam, nos atos de
convocação, cláusulas ou condições que comprometam o caráter competitivo da licitação
ou que estabeleçam preferências ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou
domicílio dos licitantes
§1°, II, do art. 3° → veda que os agentes públicos estabeleçam tratamento diferenciado de
natureza comercial, legal, trabalhista, previdenciária ou qualquer outra, entre empresas
estrangeiras e brasileiras
§2°, art. 3° da lei 8666 → “em igualdade de condições, como critério desempate,