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Livro - Teoria da Arquitetura

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Prévia do material em texto

Teoria da 
Arquitetura e 
Urbanismo
Me. Grasielle Cristina 
dos Santos Lembi Gorla
Coordenador de Conteúdo Andréia Gonçalves.
Designer Educacional Kaio Vinicius C. Gomes.
Revisão Textual Érica Fernanda Ortega, Cintia 
Prezoto Ferreira, Helen Braga do Prado, Meyre 
Barbosa da Silva, Silvia Caroline Gonçalves e Talita 
Dias Tomé.
Editoração Isabela Belido, José Jhonny, Melina Be-
lusse Ramos e Thayla Guimarães Cripaldi.
Ilustração Bruno Pardinho.
Realidade Aumentada Kleber Ribeiro da Silva, 
Leandro Naldei e Thiago Surmani.
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a 
Distância; GORLA, Grasielle Cristina dos Santos Lembi. 
 
 Teoria da Arquitetura e Urbanismo. Grasielle Cristina dos 
Santos Lembi Gorla. 
 Maringá-PR.: Unicesumar, 2018.
 352 p.
“Graduação - EAD”.
 
 1. Arquitetura. 2. Urbanismo. 3. EaD. I. Título.
CDD - 22 ed. 720
CIP - NBR 12899 - AACR/2
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação
CEP 87050-900 - Maringá - Paraná
unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
Impresso por: Gráfica Mona.
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e 
Pró-Reitor de Administração, Wilson de Matos 
Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William 
Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de 
Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente 
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James 
Prestes, Tiago Stachon , Diretoria de Graduação 
e Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de 
Permanência Leonardo Spaine, Diretoria de 
Design Educacional Débora Leite, Head de 
Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza 
Filho, Head de Metodologias Ativas Thuinie Daros, 
Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie 
Fukushima, Gerência de Projetos Especiais Daniel 
F. Hey, Gerência de Produção de Conteúdos Diogo 
Ribeiro Garcia, Gerência de Processos Acadêmicos 
Taessa Penha Shiraishi Vieira, Supervisão do 
Núcleo de Produção de Materiais Nádila de 
Almeida Toledo, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho 
e Thayla Guimarães Cripaldi, Fotos Shutterstock.
PALAVRA DO REITOR
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha-
mos com princípios éticos e profissionalismo, não 
somente para oferecer uma educação de qualida-
de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo-
cional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois 
cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos 
mais de 100 mil estudantes espalhados em todo 
o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, 
Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 
250 polos EAD no país, com dezenas de cursos de 
graduação e pós-graduação. Produzimos e revi-
samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil 
exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo 
MEC como uma instituição de excelência, com 
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 
10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos 
educadores soluções inteligentes para as ne-
cessidades de todos. Para continuar relevante, a 
instituição de educação precisa ter pelo menos 
três virtudes: inovação, coragem e compromisso 
com a qualidade. Por isso, lançamos os chama-
dos cursos híbridos nas áreas de Engenharia e 
Arquitetura, que reúnem o melhor do ensino 
presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes 
áreas do conhecimento, formando profissionais 
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
BOAS-VINDAS
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co-
munidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a 
Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu-
nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é 
importante destacar aqui que não estamos falando 
mais daquele conhecimento estático, repetitivo, 
local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ-
mico, renovável em minutos, atemporal, global, 
democratizado, transformado pelas tecnologias 
digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comu-
nicação têm nos aproximado cada vez mais de 
pessoas, lugares, informações, da educação por 
meio da conectividade via internet, do acesso 
wireless em diferentes lugares e da mobilidade 
dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace-
leraram a informação e a produção do conheci-
mento, que não reconhece mais fuso horário e 
atravessa oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber 
cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e 
usar a tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, prio-
rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação 
a Distância (EAD), significa possibilitar o contato 
com ambientes cativantes, ricos em informações 
e interatividade. É um processo desafiador, que 
ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores 
oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida 
sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que 
a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você 
está iniciando um processo de transformação, 
pois quando investimos em nossa formação, seja 
ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, 
consequentemente, transformamos também a so-
ciedade na qual estamos inseridos. De que forma 
o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe-
lecendo mudanças capazes de alcançar um nível 
de desenvolvimento compatível com os desafios 
que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o 
Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa-
nhará durante todo este processo, pois conforme 
Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na 
transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educa-
cional, complementando sua formação profis-
sional, desenvolvendo competências e habilida-
des, e aplicando conceitos teóricos em situação 
de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como 
principal objetivo “provocar uma aproximação 
entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita 
o desenvolvimento da autonomia em busca dos 
conhecimentos necessários para a sua formação 
pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de 
crescimento e construção do conhecimento deve 
ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos 
pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar 
lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu-
deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza-
gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas 
ao vivo e participe das discussões. Além disso, 
lembre-se que existe uma equipe de professores e 
tutores que se encontra disponível para sanar suas 
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren-
dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili-
dade e segurança sua trajetória acadêmica.
APRESENTAÇÃO
Caro(a) aluno(a), este livro objetiva orientar os estudos no âmbito da Teoria da 
Arquitetura e Urbanismo, considerando a sua essência e os conhecimentos que 
tratam da sua definição e conceitos.
Ao longo das unidades, serão tratados temas relacionados com a caracterização 
da arquitetura no seu aspecto de interdisciplinaridade e capacidade intrínseca de 
transmitir mensagens culturais à sociedade vigente; contexto histórico em que 
a arquitetura desenvolve-se no âmago das diversas civilizações; estudo das for-
mas, realçando seus princípios e sistemas deorganização; conceito de espaço e a 
especificidade que o transforma em lugar, assinalando extremidades conceituais 
que demarcam possibilidades de transição espacial e, por último, abordagem dos 
princípios de composição e sua importância para a concepção de projetos de 
arquitetura e urbanismo.
De caráter conceitual, o livro visa orientar você, aluno(a), no reconhecimento, na 
associação e na reflexão sobre os principais elementos que compõem a arquitetura, 
apresentando uma base técnica e científica que o auxiliará no desenvolvimento das 
demais atividades e disciplinas do curso. No decorrer do livro, houve a preocupação 
em relacionar os conceitos abordados com a sua aplicação prática, assinalada por 
meio da demonstração de exemplos de obras arquitetônicas. 
O livro inicia-se com uma conceituação abrangente sobre o vasto território que 
a arquitetura abrange, demarcando suas raízes e seu desenvolvimento histórico, 
além dos parâmetros que caracterizam a arquitetura como uma arte funcional, 
dotada de particularidades que envolvem o cotidiano do homem. Também há 
ênfase nos procedimentos que permitem a sua composição, almejando que haja 
maior entendimento sobre a evolução processual do ato de conceber e desenvolver 
projetos arquitetônicos e urbanísticos. Neste contexto, faz-se importante a com-
preensão, de sua parte enquanto aluno(a), do papel do arquiteto e do urbanista 
na sociedade atual.
Nas Unidades II e III, vejo a eminente necessidade de destinar um espaço para 
o relato das principais correntes arquitetônicas, dos estilos e dos tratados que se 
desenvolveram ao longo da história. Não identifico possibilidade de, aqui, esgotar 
o conteúdo sobre cada período histórico, nem a viabilidade de iniciar a descrição 
pelas civilizações remotamente primitivas. O foco desta síntese converge, então, 
a abordar temas, princípios e conceitos que são recorrentes à arquitetura atual, 
buscando os primórdios de tais diretrizes. O objetivo é caracterizar como algumas 
civilizações importantes para o mundo ocidental desenvolveram sua relação com 
a arquitetura e como esta as representou por meio de sua simbologia. 
Quando possível, o texto evidencia arquitetos e obras relevantes de determinada 
época, transmitindo, de forma mais concreta, a sua importância para a produção 
arquitetônica. Entender como a arquitetura foi concebida ao longo da história é 
fundamental para compreendermos o cenário vigente e buscarmos referências 
válidas para nossas concepções.
Nas Unidades IV e V, a abordagem envolve o estudo da forma e sua aplicação na 
prática projetiva da arquitetura. Inicio a abordagem sobre o tema com a apre-
sentação dos principais elementos gráficos e sólidos regulares que influenciam 
a composição projetiva, além da caracterização das tipologias formais. Depois 
avanço para as possibilidades de transformação da forma e sua organização em 
núcleos compositivos.
Nas Unidades VI e VII, o assunto central é o espaço. No primeiro momento, a abor-
dagem acontece em nível conceitual, apresentando possibilidades de intervenção no 
espaço e a sua ascensão em conceito de lugar, com características que sensibilizam o 
usuário e definem o seu comportamento no contexto social. Também trabalho com 
a análise perceptiva do espaço, assim como sua delimitação e dimensionamento na 
produção arquitetônica. Já na Unidade VII, trato dos elementos formais definidores 
do espaço e das possibilidades de organização arquitetônica que envolvem forma 
e espaço em configurações esquematizadas.
Na parte final do livro, a arquitetura é caracterizada segundo princípios de orde-
namento, que representam importantes recursos de composição projetiva, como 
na Unidade VIII, em que a discussão é sobre os princípios de eixo e a simetria, que 
proporcionam equilíbrio às concepções arquitetônicas. A Unidade IX aprofunda 
os princípios de ordem na arquitetura, gerando reflexão sobre os recursos de hie-
rarquia, dado, ritmo e transformação.
Em um contexto abrangente, este livro tem como objetivo promover o conheci-
mento, a reflexão e a discussão sobre a essência da arquitetura, contemplando os 
conteúdos necessários à formação de um profissional capacitado e engajado com 
as questões técnicas e criativas que o processo projetivo exige. Assim, ele se tornará 
capaz de conceber uma arquitetura de qualidade com base na tríade vitruviana, 
que satisfaça as demandas sociais cada vez mais complexas.
Um ótimo aprendizado!
CURRÍCULO DOS PROFESSORES
Me. Grasielle Cristina dos Santos Lembi Gorla
Mestre em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (2013); especia-
lista em Docência da Educação Profissional, Técnica e Tecnológica de Nível Médio pelo Núcleo 
Educação à Distância, do Instituto Federal do Paraná - IFPR (2015). Graduada em Arquitetura 
e Urbanismo pela Universidade Paranaense - UNIPAR (2004). Atuação em docência do Ensino 
Básico, Técnico e Tecnológico no Instituto Federal do Paraná - IFPR - Campus Umuarama, 
desde 2012. Atuação profissional em prática de arquitetura e urbanismo no escritório de 
projetos Grasielle Lembi, no período entre 2005 - 2015. Atuação profissional como docente 
auxiliar graduada da Universidade Estadual de Maringá - UEM - Campus Umuarama no pe-
ríodo entre 2010 - 2012.
Lattes: <http://lattes.cnpq.br/5240339988304956>.
 51 Mastaba – Túmulo primitivo egípcio
151 Efeito da cor na arquitetura
224 Efeito da luz
A Essência 
da Arquitetura
13
História da 
Arquitetura
49
Arquitetura Moderna 
e Contemporânea
91
Princípios da Forma 
na Arquitetura e 
Expressão Gráfica
Estudo da 
Transformação e 
Organização Formal 
na Arquitetura
131
175
Organização 
Conceitual do 
Espaço em Lugar
217
Forma, Espaço 
e Ordem
A Abrangência 
da Ordem na 
Composição 
Arquitetônica
291
Princípio de 
Ordem em 
Composição 
Arquitetônica
329
257
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Me. Grasielle Cristina dos Santos Lembi Gorla
• Entender os aspectos relacionados à definição 
e conceituação da arquitetura.
• Conhecer os conceitos associados à essência 
da arquitetura.
• Conhecer e entender a interdisciplinaridade presente 
na formação do arquiteto e urbanista.
• Conhecer e compreender os aspectos relacionados 
à linguagem arquitetônica.
• Compreender os aspectos relacionados à história, 
teoria e crítica da arquitetura.
O que é Arquitetura
Essência da Arquitetura: 
firmitas, utilitas e venustas
Linguagem Arquitetônica
História, teoria e crítica 
da Arquitetura
Formação Profissional
A Essência 
da Arquitetura
O que é 
Arquitetura
Caro(a) aluno(a), iniciaremos nossa unidade 
abordando questões fundamentais para a defini-
ção e conceituação da arquitetura.
Definição 
Etimológica 
Entre os gregos, a palavra arquitetura surgiu da 
necessidade de diferenciar as obras com algum 
significado existencial mais relevante em relação 
a outras, que são meramente providas de soluções 
técnicas ou pragmáticas. Dessa forma, a definição 
etimológica une o radical arché, que caracteriza 
uma condição de início, com o termo tektonicos, 
representando o ato de construir. 
Nesta determinação, a expressão arquitetura 
transcede a utilidade construtiva e nos remete aos 
princípios fundamentais e às leis originais e éticas 
que atravessam toda uma sociedade. A arquitetura, 
portanto, fornece a visibilidade de um determinado 
mundo e sua ordenação e, por intermédio da arché 
nela contida – representante do centro da esfera social 
grega - aproxima-nos do campo originário de onde 
a edificação se manifesta com a superioridade que 
o objeto arquitetônico merece (BRANDÃO, 2006).
15UNIDADE I
Há, nessa definição, três aspectos que são pri-
mordiais e devem ser ressaltados: a) o suplemen-
to de origem, que submete a arquitetura a uma 
categoria originária que a diferencia da simples 
construção; b) o suplemento de ordenação, já 
que essa origem é organizadora, e isso faz com 
que a obra possua harmonia, oferecendo, em si, 
uma unidade e uma lei exemplar de ordenação; 
c) o suplementode visibilidade, que indica que a 
arquitetura é digna de ser teorizada, admitindo 
uma investigação que atinja o universo que lhe 
originou (BRANDÃO, 2006).
Em virtude da sua própria definição, perce-
bemos a necessidade de um estudo histórico 
e teórico da arquitetura, capaz de demonstrar 
como ela se relaciona com as suas origens, re-
presentações e concepções dos povos que a edi-
ficaram. Desta forma, a arquitetura faz parte da 
história das significações existenciais, possibili-
tando que o homem atinja concepções sobre si 
próprio acerca da natureza que o envolve e so-
bre a divindade ou origem do universo (BRAN-
DÃO, 2006).
Caracterização 
abrangente de Arquitetura
É muito difícil explicar o que a arquitetura é de fato, 
pois sua abrangência é multifacetada, envolvendo 
vários fatores em sua prática de atuação. De qual-
quer modo, ela traduz uma das manifestações mais 
representativas que envolvem o homem no agrupa-
mento em sociedade (CASTELNOU, 2003). 
Sua atuação engloba, além do ambiente restri-
to, a experiência espacial − própria da arquitetura 
– que se prolonga nas cidades, nas ruas, nas praças, 
nos parques e nos jardins, ou seja, em todos os 
locais onde a obra humana criou possibilidades 
de delimitar espaços (ZEVI, 1996).
Segundo Silva (1994, p. 100):
 “
A arquitetura é a manifestação cultural ma-
terializada na modificação intencional do 
ambiente, para adequá-lo ao uso humano, 
através da produção de formas concretas 
habitáveis imóveis, caracterizadas por uma 
organização instrumental, uma configura-
ção construtiva e um conteúdo estético.
Partindo do pressuposto de que a arquitetura atua 
no aperfeiçoamento do ambiente e que essa trans-
formação tem um objetivo específico, constata-
mos que ela é fruto de um processo intencional 
(SILVA, 1994). De fato, a arquitetura nasceu para 
permitir a construção de todos os abrigos necessá-
rios às atividades cotidianas do homem – habitar, 
divertir-se, trabalhar, realizar cultos religiosos etc. 
(CASTELNOU, 2003).
Vários aspectos são responsáveis por definir a 
qualidade desses lugares que construímos para habi-
tar (no sentido mais amplo do termo), entre os quais 
se destacam o nível de ordem e a invenção da forma 
arquitetônica, além da sua capacidade de hospitalida-
de e adaptação social ao meio (GREGOTTI, 2010).
A arquitetura foi transformada em arte por meio 
de nossos instintos de criação e da busca por signifi-
cados formais. Aliada à pintura e à escultura, a arqui-
tetura forma a tríade das belas-artes, compartilhando 
muitos dos seus princípios de composição (CHING; 
ECKLER, 2014). Para Zevi (1996), o que a diferencia 
das outras atividades artísticas é o seu caráter pecu-
liar de trabalhar com um vocabulário tridimensional 
que inclui o homem em sua concepção.
Com o poder de organizar a realidade, a arqui-
tetura visa regular o relacionamento entre homem 
e espaço, considerando as necessidades e expec-
tativas humanas, para adaptá-las às característi-
cas físicas do contexto (SILVA, 1994). Na medida 
em que responde aos requisitos reais e imagina-
dos pelo homem, a arquitetura permite o reflexo 
cultural da sociedade em que surgiu (CHING; 
ECKLER, 2014).
16 A Essência da Arquitetura
Essência da Arquitetura: 
Firmitas, Utilitas e Venustas
O arquiteto e engenheiro romano Marcus Vitru-
vius Pollio foi autor do tratado De architectura, 
uma célebre reflexão que abrange o caráter da 
arquitetura e responde (de forma introdutória) à 
abordagem da sua origem (HEGEL, 2008). 
Escrito na primeira metade do século I d.C., 
o tratado foi dividido em dez volumes (GLAN-
CEY, 2001) e representa um importante manual 
de prescrições para arquitetos e administradores 
públicos, envolvendo vários assuntos, dos quais se 
destacam a classificação das tipologias arquitetô-
nicas e o uso de materiais construtivos (GLAN-
CEY, 2001).
Tratado é uma obra de caráter sistemático acerca 
de um ramo de conhecimento.
(Dicionário Michaelis) 
17UNIDADE I
Para Vitrúvio, a essência da arquitetura consiste 
em firmitas, utilitas e venustas – termos comu-
mente traduzidos como solidez, utilidade e beleza. 
Nesta acepção, solidez representa a estabilidade 
estrutural do edifício, a utilidade é o cumpri-
mento das suas exigências funcionais, e a beleza, 
a sua fruição estética (FAZIO; MOFFETT; WO-
DEHOUSE, 2011).
Considerar a arquitetura sob o aspecto de fir-
mitas conduz-nos a uma abordagem em que os 
parâmetros da engenharia são ressaltados e dão 
suporte à efetiva materialização da arquitetura 
enquanto forma física. No segundo aspecto, Vi-
trúvio atribui origem utilitária à arquitetura ao 
considerar a edificação como fruto da necessida-
de humana de providenciar abrigo e proteção às 
ameaças do meio externo (HEGEL, 2008). 
Já em relação ao caráter venustas, Vitrúvio 
considera que a imitação da natureza, amparada 
pela divina proporção do corpo humano, é uma 
das condições essenciais que permitem à arqui-
tetura alçar o seu ideal de beleza (HEGEL, 2008). 
Considerações sobre 
a tríade vitruviana
Segundo Pereira (2010), os componentes firmitas, 
utilitas e venustas ainda são fundamentais para 
a arquitetura atual. Desde os tempos antigos, a 
arquitetura molda-se para atender às necessidades 
das variadas atividades que envolvem o cotidiano 
humano. A caracterização desses espaços rela-
ciona-se com o fator utilitas da tríade vitruviana 
(FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Para que esses ambientes assumam forma fí-
sica, a arquitetura precisa da associação dos siste-
mas estruturais com os materiais construtivos, por 
meio de técnicas específicas que garantam a esta-
bilidade da obra. Isso representa a capacidade de 
construção e se relaciona com o aspecto firmitas, 
descrito por Vitrúvio (FAZIO; MOFFETT; WO-
DEHOUSE, 2011). Porém, além desses requisitos, 
o desejo de edificar envolve outras necessidades 
humanas, englobando anseios espirituais, psico-
lógicos e emocionais, que se refletem na busca 
por um ideal estético – caráter venustas (FAZIO; 
MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Firmitas: técnica de edificar
Enquanto projeto, a arquitetura é apenas uma re-
presentação gráfica daquilo que poderá vir a ser. 
Sua existência materializa-se quando ela passa a 
ser, de fato, uma forma física, edificada por meio 
de técnicas e materiais de construção para atender 
a finalidades predeterminadas (MALARD, 2006).
Segundo Castelnou (2003), as concepções ar-
quitetônicas derivam das possibilidades que os 
materiais construtivos e aparatos técnicos e tec-
nológicos permitem realizar em cada período his-
tórico. Rasmussen (1998) ressalta que o material 
de construção é o próprio veículo da arquitetura 
e que a vocação do arquiteto é dar forma aos ma-
teriais disponíveis em cada contexto. 
Ao longo do tempo, a arquitetura seguiu sendo 
erigida por meio do emprego dos materiais que 
predominavam no entorno regional de cada ci-
vilização. Desse modo, os materiais construtivos 
influenciavam o caráter de diversos estilos arqui-
tetônicos. Os egípcios, por exemplo, possuíam a 
pedra em demasia e, a partir dessa realidade, fize-
ram imponentes pirâmides com o material. Já os 
gregos eram escultores habilidosos, possivelmente, 
pelo fato de terem mármore em abundância na 
região onde viviam (FAZIO; MOFFETT; WO-
DEHOUSE, 2011). No entanto, além dos mate-
riais, é preciso conhecimento da técnica constru-
tiva para erigir estruturas estáveis e duradouras.
Em tempos remotos, os homens primitivos ob-
servavam as formas da natureza para compor seus 
primeiros sistemas construtivos, experimentando 
18 A Essência da Arquitetura
possibilidades associativas de elementos que en-
contravam em seu entorno. As experiências bem 
sucedidas eram aproveitadas para novos arranjos 
e, em um processo contínuo de tentativa e erro, 
os primeiros construtores foram edificando os 
espaços necessários à sua sobrevivência. 
Agindo dessa forma, eles adquiriram um co-
nhecimento intuitivo das propriedades dos mate-
riais e, por meio da sua manipulação, foram per-
cebendo as melhoresmaneiras de estruturá-los. 
Por fim, repassavam o que aprendiam às gerações 
sucessoras (SARAMAGO ; LOPES, 2011). Duran-
tes, séculos, as edificações foram construídas com 
sistemas estruturais baseados neste mecanismo de 
tentativa e erro, referenciando-se em obras pre-
cedentes e similares. Somente nos últimos 150 
anos é que os avanços tecnológicos permitiram 
quantificar as cargas atuantes nas estruturas e de-
terminar a resistência dos materiais construtivos 
(FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Como a estrutura é parte intrínseca da forma 
arquitetônica, os conceitos estruturais têm deter-
minações diretas na elaboração da arquitetura 
(DONICI, 2011). Desse modo, a possibilidade de 
prever o comportamento estrutural das edifica-
ções favoreceu a técnica construtiva, permitindo, 
nos tempos mais recentes, avanços consideráveis 
nas concepções projetivas (FAZIO; MOFFETT; 
WODEHOUSE, 2011).
Ainda assim, embora a tecnologia estrutural 
possibilite a evolução arquitetônica, Zevi (1979) 
adverte que não é simplesmente o avanço tecnoló-
gico o único responsável pela concepção de obras 
extraordinárias. Embora o ato de projetar arqui-
tetura inclua, intrinsecamente, o fator estrutural, 
não se esgota nele. É preciso que o arquiteto en-
tenda que uma técnica mais aprimorada não con-
duz, necessariamente, a uma arquitetura notável 
(ZEVI, 1979) - é preciso, então, que ele considere 
outros fatores importantes na sua composição.
Atualmente, arquiteto e engenheiro, juntos, po-
dem conceber vários tipos de sistemas estruturais 
e utilizar técnicas construtivas que enriqueçam a 
composição arquitetônica. Segundo Zevi (1979), 
cada obra deve utilizar a técnica que julgar mais 
apropriada à situação, conforme as suas exigên-
cias expressivas. A escolha adequada depende de 
vários parâmetros, os quais englobam: a parti-
cularidade da obra, os materiais disponíveis, as 
condições do terreno, as restrições orçamentá-
rias, os requisitos espaciais e estéticos etc. (FAZIO; 
MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Utilitas: requisitos funcionais
Antes de se pensar na concepção de um edifício, é 
preciso que haja uma função para ele cumprir, seja 
no âmbito coletivo de uma sociedade, seja na neces-
sidade particular de um indivíduo (COLIN, 2000). 
Isso porque a arquitetura é uma arte funcional, que 
instaura vínculos entre as necessidades humanas 
e as soluções arquitetônicas (GREGOTTI, 2010).
De modo abrangente, é a função que confere 
propósito à determinada obra, além de desem-
penhar um papel decisivo no julgamento da ar-
quitetura como um todo (RASMUSSEN, 1998).
Venustas: atributos estéticos
A beleza de uma obra é um parâmetro subjetivo 
cujo julgamento pode variar por meio da cultu-
ra e da época analisada. Para algumas pessoas, 
a estética surge naturalmente no edifício, ao se 
atender requisitos de caráter funcional. Outras, a 
consideram o resultado formal de uma adequada 
associação entre materiais construtivos e sistemas 
estruturais. Há quem diga, ainda, que a beleza se 
relaciona com a ornamentação do edifício (FA-
ZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011). Para 
outros, a essência do belo é atingida por meio de 
fórmulas matemáticas ou sistemas de proporção, 
validados pelo curso da história.
19UNIDADE I
Segundo Pereira (2010), o ideal estético da ar-
quitetura transcende o seu conceito superficial 
e, portanto, está longe de ser um artifício agre-
gado à edificação. Ele é inerente à arquitetura. 
Na concepção de Zevi (1996), para que uma 
arquitetura seja considerada bela, é essencial 
que ela possua um interior atrativo, que nos 
subjuga espiritualmente. 
Isso tem mais a ver com uma concepção 
ideal de espaço do que propriamente com o 
seu tratamento decorativo. Se for verdade que 
uma notável decoração não conseguirá criar 
um espaço plenamente belo, também é certo 
que um espaço satisfatório não resultará em 
um ambiente artístico de relevante valor, se não 
for completado por um adequado projeto de 
interiores (ZEVI, 1996).
Princípios estéticos 
da Antiguidade Clássica
Na Grécia Antiga, as relações estabelecidas pelas pro-
porções eram um importante meio de comunicação, 
frente à visão unificada que o povo grego possuía 
do mundo. Essa concepção foi ilustrada por uma 
história que abrange as descobertas do matemático 
grego Pitágoras. Inicialmente, seu trabalho era com 
harmonias musicais, mas logo Pitágoras passou para 
as dimensões e suas razões (proporções) no universo 
visual (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Proporção
A proporção é um tipo de relação comparativa, 
coerente ou harmônica, que se estabelece entre 
duas partes de um objeto ou entre uma parte e 
o todo (Figura 1), com respeito à sua grandeza, à 
quantidade ou ao grau (CHING, 2010).
Figura 1 – Esquema ilustrativo de figuras em proporção
Os termos “edifício” e “edificação”, no meio arquitetônico, podem ser empregados como sinônimos. 
Nessa acepção, portanto, edifício também pode ser utilizado para representar edificação térrea.
20 A Essência da Arquitetura
Secção áurea
Os sistemas de proporção têm origem no conceito 
matemático de Pitágoras e na crença de que de-
terminadas relações numéricas são responsáveis 
por estruturar harmonicamente elementos no 
universo (CHING, 2002). Desde os tempos da 
Antiguidade, uma dessas relações, a Secção Áurea, 
é enfatizada em vários segmentos da experiência 
humana e, por isso, amplamente utilizada desde 
então (CHING, 2002). 
Ela representa a divisão de um segmento 
em duas partes, de acordo com um parâmetro 
definido por proporções presentes nas medi-
das corporais, consideradas de harmonia ideal 
(ALBERNAZ; LIMA, 1998a). Matematicamente, 
ela pode ser entendida como a razão entre duas 
seções de uma linha ou duas dimensões de uma 
figura plana, em que a menor está para a maior, 
assim como a maior está para a soma de ambas 
(Figura 2) (CHING, 2002). 
Figura 2 – Relação matemática que representa a Secção Áurea
A secção áurea possui propriedades geométricas e 
algébricas notáveis que justificam sua aplicabilida-
de no campo da arquitetura (CHING, 2002). Ela 
serve de base na definição de uma proporção ou 
retângulo áureo, suscetível de ser usado no traçado 
de edificações, englobando todo o seu conjunto 
construtivo ou apenas algumas partes específicas 
da composição (ALBERNAZ; LIMA, 1998b). O re-
flexo da importância da secção áurea 
pôde ser sentido ao longo da história 
da humanidade e, até nos dias atuais, o 
seu uso perdura em vários segmentos, 
sobretudo, no artístico.
Equilíbrio entre 
os componentes da 
tríade vitruviana
Para que uma obra tenha concepção harmônica, 
é essencial que a tríade vitruviana esteja presente 
em uma relação equilibrada (PEREIRA, 2010):
• Projetar uma arquitetura sem considerar 
efetivamente o seu processo construtivo 
significa pensá-la de forma superficial e 
puramente formalista (ZEVI, 1979). Uma 
concepção que desconsidera o aspecto 
firmitas, certamente, não passará de uma 
ideia no papel (PEREIRA, 2010).
• Já uma edificação carente de utilitas po-
derá até ser entendida como um objeto es-
cultórico, mas não poderemos nos referir 
a ela como uma arquitetura propriamente 
dita (PEREIRA, 2010), pois, para Gregotti 
(2010), o que caracteriza o princípio da 
existência arquitetônica é justamente a 
sua função.
• E, por último, uma obra que não valorize o 
caráter venustas poderá até ser uma cons-
trução, mas não, necessariamente, uma 
arquitetura apreciável (PEREIRA, 2010).
Portanto, é o equilíbrio correto e a prudência entre 
tais componentes que resultam em uma arquite-
tura de qualidade (PEREIRA, 2010).
Tipologia 
arquitetônica
Ao analisarmos a obra arquitetônica como re-
sultado da integração da tríade vitruviana, pode-
mos definir a tipologia arquitetônica, de modo 
empírico e elementar, como um conjunto desses 
três componentes. Assim, será considerado tipo 
arquitetônico toda combinação de certa utilitas 
21UNIDADE I
e firmitas, manifestada segundo determinada 
venustas (PEREIRA, 2010).
A ideia de tipo opõe-se ao conceito de modelo 
arquitetônico,pois tipo não representa uma ima-
gem a ser copiada fielmente, mas uma regra ideal. 
O modelo é um objeto que pode ser reproduzido 
conforme é; já o tipo é um objeto segundo o qual 
se pode conceber obras distintas entre si (PEREI-
RA, 2010). Portanto, o tipo deve conservar certos 
aspectos de generalidade e se estruturar segundo 
um esquema de classificação, ou seja, como um 
modelo abstrato, de onde se possam extrair su-
gestões válidas acerca da natureza de categorias 
específicas (GREGOTTI, 2010).
Para ordenar o objeto arquitetônico em ti-
pos, podemos individualizá-lo e o classificar do 
ponto de vista de sua complexidade funcional 
ou estrutural (GREGOTTI, 2010). A tipologia 
de essência funcional é a mais característica dos 
tempos modernos (ZEVI, 1979). Ela trata de um 
conjunto de funções delimitadas que constituem 
atividades unidas por relações de continuidade 
espacial (GREGOTTI, 2010). Desse modo, a ti-
pologia funcional enquadra a diversidade dos 
edifícios segundo seus aspectos utilitários em seg-
mentos de mercados, escritórios, escolas, edifícios 
industriais, laboratórios, centros comunitários etc. 
(ZEVI, 1979).
A tipologia envolve uma dinâmica que está 
mudando a prática projetiva. Atualmente, não 
há apenas distinção entre arquitetos e engenhei-
ros, mas também entre os próprios arquitetos: 
hoje, fala-se, por exemplo, em arquitetos espe-
cializados em clínicas, museus, hotéis etc. As 
exigências utilitárias, sempre mais complexas, 
também fizeram com que surgissem manuais a 
respeito de cada tipologia arquitetônica. Com 
isso, cada vez mais, multiplicam-se publicações 
destinadas a temas específicos, como hospitais, 
complexos desportivos, restaurantes, entre ou-
tros (ZEVI, 1979).
Outra abordagem tipológica relaciona-se com 
a configuração da arquitetura em relação à adoção 
de uma tendência orgânica ou racionalista (con-
forme mencionado na Unidade II). Elas seguem 
a ideologia vigente de cada época e representam 
visões distintas do mundo: uma mais prática, do-
minada pelos sistemas geométricos (racionalista) 
e outra se referenciando nos modelos naturais 
(organicismo) (ZEVI, 1979).
22 A Essência da Arquitetura
Formação
Profissional
Do ponto de vista relacionado ao desempenho 
profissional, a arquitetura é uma prática de atua-
ção, que caracteriza um curso de nível superior, 
responsável pela qualificação de um arquiteto e 
urbanista. Ao longo da história, sua metodologia 
didática passou por vários níveis de aprimora-
mento, até chegar aos atuais parâmetros de abor-
dagem curricular.
23UNIDADE I
Interdisciplinaridade da arquitetura
A arquitetura, em sua essência, aborda diversos temas que influen-
ciam a maneira como vivemos (CHING; ECKLER, 2014). A multi-
plicidade de aspectos que ela engloba - como arte, técnica, estética, 
sociologia, história e teoria - faz com que assuma o caráter de ser 
interdisciplinar. O processo de sua formação possibilita o desen-
volvimento de amplas reflexões sobre seu relacionamento e com-
prometimento com tais disciplinas (DORFMAN, 2014).
Conforme cita Colin (2000), o seu currículo de graduação cons-
titui-se de componentes curriculares referentes a três grandes áreas 
de conhecimento:
a) Área técnica: como a arquitetura é uma ciência relacionada 
com a construção civil, que utiliza o conhecimento das 
formas e dos materiais para criar edifícios e prever seu 
comportamento frente aos esforços mecânicos, ela se vincu-
la a diversos componentes curriculares da prática constru-
tiva e da física (CHING; ECKLER, 2014), como resistência 
dos materiais, cálculo estrutural, instalações prediais, entre 
outras disciplinas relacionadas (COLIN, 2000).
b) Área de humanas e ciências sociais: a arquitetura também atua 
com saberes referentes ao comportamento, percepção e cultura 
dos indivíduos de uma sociedade para criar espaços adequados 
aos hábitos vigentes (CHING; ECKLER, 2014). Desse modo, 
a arquitetura possui componentes curriculares referentes à 
história, à teoria da arte e da arquitetura, à sociologia aplicada 
à arquitetura e ao urbanismo, à antropologia etc. (COLIN, 
2000). A antropologia é entendida como ciência que estuda o 
homem, capaz de resumir elementos sociológicos, etnológicos 
e psicológicos em suas diversas acepções e embasar uma te-
mática sobre o comportamento humano (GREGOTTI, 2010).
c) Área de projetos: a terceira área destina-se ao treinamento da 
prática projetiva, incluindo os componentes relacionados com 
a representação e composição de projetos, os quais englobam a 
geometria descritiva, desenho técnico, desenho de observação, 
desenho arquitetônico e de interiores, composição de projetos 
de arquitetura e prática de maquete (COLIN, 2000).
Embora a denominação dos componentes curriculares possa variar 
de uma universidade para a outra, em síntese, a maioria aborda tais 
conteúdos dentro da sua prática didática.
24 A Essência da Arquitetura
Linguagem
Arquitetônica
A linguagem da arquitetura, no seu processo proje-
tivo, está dividida em dois níveis essenciais: de um 
lado, a representação gráfica que constitui os dese-
nhos técnicos e, por outro lado, o aspecto estético 
que revela o caráter da edificação. Esse último é res-
ponsável por comunicar a mensagem arquitetônica, 
isto é, a intenção que o arquiteto quer transmitir ao 
público por meio da sua obra, a qual pode repre-
sentar um manifesto formal de toda uma época 
(TRICHEZ; AFONSO; GOMES [s. d]). Essa última 
característica da linguagem permite distinguir os 
edifícios entre si, possibilitando o seu agrupamento 
em estilos e tipologias (MALARD, 2006).
As duas classificações são importantes para 
a prática projetiva, cada qual com sua respectiva 
finalidade. A primeira, que representa o projeto 
propriamente dito, é o modo pelo qual os elemen-
tos arquitetônicos, que resolvem um determinado 
problema construtivo, vêm organizados, segundo 
normas de desenho técnico (GREGOTTI, 2010).
A segunda é capaz de revelar mensagens aos 
usuários, por meio de seus aspectos formais (TRI-
CHEZ; AFONSO; GOMES [s. d]). Um exemplo 
disso é a Figura 3, que mostra o edifício exclusivo da 
empresa Longaberger Company, atuante no ramo 
de cestas personalizadas e artesanais, as quais se 
assemelham ao edifício concebido.
25UNIDADE I
No curso do tempo, a história revela mudanças na 
linguagem arquitetônica, confirmando que ela é o 
reflexo de um pensamento sócio-cultural, de uma 
tradição técnica em construir, das necessidades e dos 
anseios de um grupo social e de um estilo específico 
(TRICHEZ; AFONSO; GOMES, [s.d]). Por vezes, é 
comum confundirmos os termos estilo e linguagem 
arquitetônica. O primeiro é um modo particular de 
expressão artística, representando um repertório 
formal característico de determinada época, por 
meio do qual se distingue de outros períodos do 
ponto de vista formal e de conteúdo (CHING, 2010). 
Essa classificação está relacionada a uma série 
de regras de composição de projeto, que seguem a 
ideologia vigente da época (TRICHEZ; AFONSO; 
GOMES, [s.d]). Dentre os estilos arquitetônicos 
mais representativos da história, podemos des-
tacar: a Antiguidade Clássica, Românico, Gótico, 
Renascimento, Neoclassicismo, Historicismo, Ex-
pressionismo, Art-Nouveau, Movimento Moder-
no e Pós-Modernismo. Já a expressão linguagem 
arquitetônica é o uso de certos elementos que 
visam chegar a uma composição, seja ela de qual 
tipo for (TRICHEZ; AFONSO; GOMES, [s. d]).
Por meio desse cenário, percebemos que com-
preender arquitetura não é simplesmente estar 
apto a definir o estilo de uma determinada edi-
ficação, por meio de suas características externas 
(RASMUSSEN, 1998). Vai além e envolve a carac-
terização da arquitetura na essência do seu existir.
Dimensão semântica 
da arquitetura
Como a arquitetura é imposta à sociedade e assu-
me caráter público e permanente, ela é dotada de 
características que lhe conferem a possibilidade 
de representar um meio de comunicação de massa 
(COLIN, 2000). Nesse panorama, o arquiteto tem 
a chancede descrever a sua visão sobre a socieda-
de a que pertence, pela da configuração da matéria 
física que, por meio da sua atuação, é moldada em 
forma arquitetônica (SILVA, 1994).
Figura 3 – Edifício da Longaberger Company, Ohio, USA
26 A Essência da Arquitetura
O termo “forma” traz implícito sentidos variados, 
sendo útil evidenciá-los de um modo abrangente. 
A forma arquitetônica é, por um lado, o modo 
como os elementos e a estrutura de um edifício 
estão associados, garantindo a sua presença física 
no espaço, mas também representa o poder de 
comunicação desse arranjo. Esses dois aspectos 
estão sempre presentes na arquitetura, já que 
não existe objeto sem forma – mas a possibilidade 
de comunicação assume níveis diferenciados. É a 
partir da segunda abordagem que podemos efeti-
vamente compreender o sentido da arquitetura.
Fonte: Gregotti (2010). 
Desse modo, além de servir a um propósito fun-
cional, a forma arquitetônica também tem a capa-
cidade de ser um signo (PEREIRA, 2010).
Signo é uma unidade de um sistema de comunicação 
que representa alguma mensagem a uma pessoa, 
em algum momento e em condições determinadas. 
A estrutura do signo é constituída por duas partes: o 
significante, que compõe o seu elemento material, e 
o significado, que é a ideia a ser transmitida. Como 
possuem significados convencionados, só podem 
ser entendidos por convenção ou senso comum. 
(Silvio Colin; Francis D. K. Ching e Steven P. Juroszek)
Com perfil variável, o signo arquitetônico sem-
pre se relaciona a uma circunstância e, por isso, 
consegue traduzir os sentimentos do seu período 
histórico às outras sociedades que dele se apro-
priam (PEREIRA, 2010).
Nem sempre os símbolos arquitetônicos são fá-
ceis de interpretar: muitas vezes congregam uma 
grande diversidade de conteúdos sedimentados 
ao longo dos tempos.
Fonte: Nieto (1992).
Conteúdo e forma são elementos básicos de 
qualquer expressão artística e sempre devem 
estar juntos na comunicação visual. O primeiro 
representa a própria mensagem, que surge para 
demonstrar um objetivo. Nessa busca, fazem-se 
escolhas para intensificar as intenções prede-
finidas, visando obter maior controle sobre as 
respostas. A mensagem e o significado não estão 
na substância física, mas na composição, que é 
o meio para controlar a interpretação da men-
sagem pelo receptor. Assim, a forma expressa 
o conteúdo, e ambos constituem o mecanismo 
para que o receptor entenda a mensagem.
Fonte: Dondis (2007).
O arquiteto é, portanto, o criador e o emissor da 
mensagem arquitetônica. O público, na qualida-
de de receptor, pode compreender a mensagem 
por meio do seu uso efetivo (PIGNATARI, 2004).
A mensagem, originalmente concebida, tem duas 
formas de ser interpretada: a primeira vincula-se 
à destinação prática dos signos que constituem o 
edifício, ou seja, à maneira pela qual este edifício será 
usado para cumprir sua função utilitária; e a segun-
da relaciona-se à dimensão semântica da obra, em 
outras palavras, aquilo que ela pretende significar 
com sua proposta projetiva (GREGOTTI, 2010).
27UNIDADE I
Semântica é a ciência que estuda a evolução 
do significado das unidades linguísticas (pa-
lavras, signos e símbolos) que estão a serviço 
da comunicação.
(Dicionário Michaelis)
Em contrapartida, a mensagem emitida é respon-
dida pelo receptor (usuários), por meio de uma 
contra mensagem (PIGNATARI, 2004) que, dire-
ta ou indiretamente, pode surgir de várias manei-
ras: por meio de críticas ou elogios à obra; recusa 
da sua utilização, por julgarem-na não adequada 
ao vigente estilo de vida da sociedade; plena acei-
tação dessa arquitetura, muitas vezes, transfor-
mando-a em ícone do contexto local (Figura 4), 
entre outras possibilidades.
A resposta da sociedade pode, inclusive, in-
fluenciar a elaboração da próxima mensagem 
produzida pelo arquiteto (PIGNATARI, 2004). A 
maior ou menor aceitação do objeto arquitetô-
nico (inicialmente proposto) pode caracterizar 
um sinal de alerta ao arquiteto, indicando se ele 
está, ou não, no caminho certo para represen-
tar determinado grupo social, por meio da sua 
arquitetura. Caso suas concepções não estejam 
sendo satisfatoriamente compreendidas ou acei-
tas, ele precisa repensar o seu modo de atuação.
Figura 4 – Museu do Amanhã, Rio de Janeiro, Brasil (2015), Santiago Calatrava
28 A Essência da Arquitetura
Relação entre semântica 
e uso da edificação
A arquitetura é uma representação espacial que per-
dura pelo tempo e, por isso, é suscetível de mutações 
no decorrer de sua existência (DORFMAN, 2014).
Ao longo da história, percebemos que algumas 
obras são utilizáveis sem serem realmente signi-
ficantes, como também vemos arquitetura que 
mantém a capacidade de ser significativa, ainda 
que tenha perdido o seu uso prático, ou que este 
não seja conhecido por nós na época atual. É o 
caso de monumentos históricos, por exemplo. Às 
vezes, a própria incerteza de destinação original da 
obra pode aumentar o fascínio por tal arquitetura 
(GREGOTTI, 2010). Além disso, algumas obras 
sofrem mutação de uso no decorrer do tempo. 
Sendo assim, a sociedade vigente atribui uma 
nova destinação àquela construção que, no pas-
sado, tinha uma função específica (GREGOTTI, 
2010). Isso decorre, muitas vezes, por aquele de-
terminado uso ter sido extinto pelos progressos 
da nova era, ou pelo fato de a sociedade julgar 
que o edifício será melhor aproveitado em outra 
finalidade funcional.
Ao conceber a sua obra, portanto, o arquiteto 
precisa ter consciência de todo esse cenário e com-
preender que uma arquitetura considerada adequa-
da no momento atual pode não ser satisfatória para 
as gerações futuras, já que os gostos, os hábitos e as 
aspirações podem mudar (RASMUSSEN, 1998).
Como as civilizações modificam-se em cons-
tante evolução, precisam, igualmente, de novas 
possibilidades e soluções arquitetônicas. É papel 
do arquiteto estar atento às transformações sociais 
e culturais de sua época, tentando adequar, coeren-
temente, a sua arquitetura tanto ao padrão vigente 
como a uma possível apreciação positiva no futuro.
Linguagem semântica 
da arquitetura atual
Nos tempos modernos, é difícil identificar clara-
mente uma linguagem característica da arquitetura, 
pois, em grande medida, ela depende das particu-
laridades de cada arquiteto, variando conforme sua 
formação, sua cultura, sua experiência profissional e 
seu repertório referencial. Além disso, outros fatores 
externos ao processo projetivo podem influenciar 
a linguagem adotada, como fatores sociais, econô-
micos, físicos, técnicos, entre outros (TRICHEZ; 
AFONSO; GOMES, [s. d]).
Composição projetiva 
como forma de linguagem 
arquitetônica
Para o início da produção arquitetônica, é neces-
sária a caracterização da atividade que será de-
senvolvida no edifício. Tal necessidade funcional 
será exposta por meio de uma lista de solicitações, 
denominada programa de necessidades.
Programa de necessidades é a lista das exigên-
cias espaciais que um determinado edifício pre-
cisa ter para cumprir sua finalidade prática de 
utilização. Tais solicitações caracterizam a desti-
nação de cada espaço interno da obra, incluindo 
diretrizes que nortearão seu dimensionamento 
e sua interligação espacial. É fundamental sua 
definição já no início da encomenda, pois ele é 
um dos principais norteadores da estruturação 
do projeto arquitetônico.
29UNIDADE I
O desenvolvimento do projeto começa com a fi-
gura do arquiteto que, por meio das intenções 
apresentadas pelo cliente, consegue estruturar o 
programa de necessidades. A partir de então, ele 
deve dispor de várias informações pertinentes à 
encomenda, para que possa iniciar seu projeto. 
Tais dados incluem: as necessidades do cliente 
(aliadas ao seu estilo de vida e cultura), os recur-
sos financeiros disponíveis, a análise do sítio e do 
contexto local, a disponibilidade de fornecedores 
e de mão de obra, diretrizes legislativas (plano 
diretor de cada município) etc. 
Com a interpretação e a organizaçãode tais in-
formações, o arquiteto pode hierarquizar os dados 
da encomenda, formulando o problema a ser resol-
vido. Em síntese, toda a criação projetiva parte de 
um problema colocado em evidência (FABRÍCIO, 
2002). Essa primeira etapa representa uma fase de 
diagnóstico, que assume um caráter mais objetivo 
(TRICHEZ; AFONSO; GOMES, [s. d]).
Na próxima fase da produção arquitetônica – 
considerada de criação − o arquiteto tem o desafio 
de solucionar o problema apresentado, avaliando 
alternativas e possibilidades, frente aos diversos 
fatores que devem ser considerados na concep-
ção. Nessa etapa, o processo transita para o lado 
da subjetividade, em que a ideia é a ferramenta 
primordial na busca de alternativas viáveis. As 
ideias podem surgir por intermédio de pesquisas, 
repertório pessoal, experiências adquiridas em 
situações semelhantes e conhecimento técnico 
(TRICHEZ; AFONSO; GOMES, [s. d]).
Segundo Fabrício (2002), neste momento, a 
criatividade e o raciocínio são essenciais, pois ex-
pressam a capacidade de propor soluções originais 
e, ao mesmo tempo, coerentes com o problema. A 
participação do cliente também se faz necessária, 
caracterizando uma parceria fundamental para o 
encontro da solução mais adequada às necessidades 
impostas (TRICHEZ; AFONSO; GOMES, [s. d]).
O exercício da invenção é um pressuposto cen-
tral do processo criativo, pois parte da percepção e 
da memória do projetista em direção ao que ainda 
não existe. Esse processo caracteriza uma busca 
contínua de novas possibilidades conceptivas que 
possam ser materializadas no mundo físico. 
A dinâmica que envolve a abordagem da in-
venção deve recorrer a técnicas que lhe auxiliem 
na produção compositiva. Desse modo, ela pode 
aproveitar alguns princípios da psicologia da 
expressão como modo de alçar autenticidade. 
Tais técnicas - já experimentadas na tradição 
do design - podem ser utilmente ampliadas 
por meio de experiências que as ciências hu-
manas realizam nessas áreas. O intuito é que 
cada vez mais a arquitetura seja uma entidade 
transmissora de propriedades comunicativas 
(GREGOTTI, 2010).
Já o conhecimento técnico baseia-se nas ex-
periências e na formação profissional de cada 
arquiteto. É responsável por mediar a criação e o 
desenvolvimento das soluções projetivas. Aliada 
ao conhecimento está a cultura construtiva, que 
demarca repertórios de cunho projetivo e cons-
trutivo, associada aos hábitos e às necessidades 
de uma determinada sociedade ou contexto (FA-
BRÍCIO, 2002).
Com base nesses parâmetros, o arquiteto pode 
operar em um processo cíclico de interações men-
tais que transitam entre o surgimento das ideias, 
seu desenvolvimento intelectual e a análise proje-
tiva, capaz de elencar a proposta mais apropriada 
à situação. 
É difícil manter essas ideias firmes na memória 
durante o tempo necessário para esclarecê-las 
e avaliá-las. Por isso, é importante que elas 
assumam forma física por meio de representação 
gráfica. Em um primeiro momento, tais pensa-
mentos são traduzidos por meio de croquis ou 
diagramas (CHING; JUROSZEK, 2012).
30 A Essência da Arquitetura
Croqui é um esquema gráfico de um projeto, na 
sua fase inicial, apresentado na forma de um 
esboço que indica o caráter conceitual da arqui-
tetura pretendida. Permite o estudo da concep-
ção e o seu desenvolvimento por meio de novas 
possibilidades.
(Francis D. K. Ching)
A representação gráfica é capaz de retratar o pen-
samento de modo tangível, para que ele possa 
ser desenvolvido com mais tranquilidade. Esses 
desenhos iniciais - despreocupados com as nor-
mas técnicas - servem para análise do conceito 
arquitetônico e comparação de alternativas de 
projeto (CHING; JUROSZEK, 2012).
Conceito de projeto é um conceito relacionado 
à forma, à estrutura e às características de um 
edifício, representado, graficamente, por meio de 
diagramas, plantas baixas ou outros desenhos.
(Francis D. K. Ching)
Quando exploramos ideias e procuramos possi-
bilidades compositivas, cada desenho pode passar 
por várias transformações e ir se desenvolvendo 
sucessivamente, conforme respondemos às ideias 
emergentes (CHING; JUROSZEK, 2012). Muitas 
vezes, o arquiteto cria diversas versões a partir de 
uma mesma ideia, buscando aprimorá-la. Esse pro-
cesso pode gerar novas ideias à medida que as des-
cobertas vão surgindo (CHING; ECKLER, 2014).
No entanto, além dos desenhos, o arquiteto 
também pode recorrer aos diagramas para explo-
rar possibilidades projetivas. A natureza abstrata 
da diagramação nos permite analisar e compreen-
der melhor a natureza essencial dos elementos que 
compõem um projeto. Assim, podemos conside-
rar suas possíveis relações e gerar de modo mais 
ágil uma série de alternativas para o problema 
evidenciado (CHING, 2011).
Diagrama: é qualquer esquema capaz de explicar 
ou elucidar as partes, a combinação ou a operação 
de algo. Ele consegue descrever a intenção do 
projeto sem representá-lo por meio de desenhos 
fiéis, podendo simplificar um conceito complexo 
em elementos e relações essenciais. Os diagramas 
têm um papel muito especial no esclarecimento 
das relações funcionais de uma composição.
(Francis D. K. Ching e Steven P. Juroszek)
Após a etapa do conceito diagramático, o ar-
quiteto vai se aproximando dos elementos pro-
jetivos e pode começar a vislumbrar a solução 
do problema. Para atravessar esse processo até 
o desenvolvimento de uma proposta mais evo-
luída em termos de conceito projetivo, ele pode 
recorrer a formas de representação, as quais 
o auxiliarão na tomada de decisão. É possível 
utilizar vários recursos de representação, tais 
como: maquete física ou eletrônica, simulação 
digital, desenhos tradicionais convencionados, 
fotografias, técnicas de colagem etc. (CHING; 
JUROSZEK, 2012).
À medida que o conceito é esclarecido e 
desenvolvido, os desenhos vão se tornando mais 
consistentes, passando pela adoção do partido 
arquitetônico até a cristalização definitiva da 
proposta compositiva (CHING; JUROSZEK, 2012).
31UNIDADE I
A adoção de um partido refere-se às diretrizes 
gerais empregadas no projeto arquitetônico, 
manifestadas pela concepção formal, em linhas 
genéricas, da edificação a ser construída. O par-
tido se relaciona à configuração dos elementos 
construídos no terreno, à volumetria da edifi-
cação, à proporção entre cheios e vazios, bem 
como aos materiais e técnicas construtivas a se-
rem utilizadas na obra. Ele resulta do programa 
de necessidades, particularidades do terreno, 
clima, materiais e técnicas disponíveis, recursos 
financeiros, legislação dos órgãos competentes 
e intenção plástica do arquiteto.
Fonte: Albernaz e Lima (1998b).
No final do processo de composição arquitetôni-
ca, temos a transformação das ideias e soluções 
em linguagem técnica, ou seja, na representação 
do projeto arquitetônico propriamente dito (TRI-
CHEZ; AFONSO; GOMES, [s. d]). 
Não podemos esquecer que, do ponto de vis-
ta histórico, o projeto arquitetônico ainda não é 
arquitetura (ZEVI, 1979), é apenas um conjunto 
de convenções e símbolos institucionalizado e 
reconhecível universalmente, capaz de comunicar 
nossa intenção arquitetônica. 
Os padrões de representação instaurados tradi-
cionalmente estão vinculados ao sistema euclidia-
no de estruturação do espaço e à sua representação 
geométrica mediante projeções e secções. Eles ca-
racterizam várias possibilidades de desenho, como 
plantas, cortes, elevações, detalhes e perspectivas. 
Além disso, o projeto arquitetônico pode conter 
elementos adicionais, como gráficos, tabelas e itens 
similares, visando facilitar o entendimento dos 
respectivos desenhos (GREGOTTI, 2010). 
Em certas circunstâncias, esse sistema de re-
presentação técnica apresenta limitações (prin-
cipalmente em relação a propostas arquitetô-
nicas mais ousadas do ponto de vista formal). 
Nesse caso, a utilização de técnicas de desenho 
assistido e modelagem computadorizada pode-
rá trazer benefícios reais à concepção projetiva 
(DORFMAN, 2014).
Porém, ressaltarque a expressão arquitetônica 
somente se completa quando a edificação é cons-
truída não significa que os projetos não sejam 
importantes para a compreensão da arquitetura 
(ZEVI, 1979). O projeto produzido tecnicamente 
em sua forma final dirige-se, essencialmente, a 
uma finalidade específica: comunicar, de for-
ma unívoca, um conjunto de dados necessários 
à correta execução da obra. Com o passar do 
tempo, à medida que a produção arquitetônica 
instituiu-se conforme fases distintas, pelas quais 
a operação projetiva se separou efetivamente da 
execução física, esta última passou a exigir indi-
cações mais precisas para a sua materialização 
(GREGOTTI, 2010).
O ato de projetar arquitetura, portanto, corres-
ponde a uma função produtiva do arquiteto que, 
em nosso contexto socioeconômico, não produz 
efetivamente edifícios, mas os projetos que per-
mitem a sua execução. Seu papel fundamental 
concentra-se, então, na maneira mais adequada 
para conseguir dar pleno sentido à forma da ar-
quitetura (GREGOTTI, 2010).
32 A Essência da Arquitetura
A figura do arquiteto no 
cenário da arquitetura 
Evidentemente, as disciplinas que envolvem nosso contexto, tanto 
social como natural, são muitas e de diversas esferas, incluindo os 
parâmetros econômicos, políticos, ideológicos, sociológicos, pro-
dutivos e tecnológicos. Diante dessa complexidade, o arquiteto 
precisa entrar em contato com tais parâmetros e tomar consciência 
de como pode atuar a partir da suas influências, para que consiga 
produzir uma arquitetura mais adequada e engajada ao contexto 
vigente (GREGOTTI, 2010).
A missão do arquiteto não é exclusivamente de natureza antro-
pológica ou sociológica; porém, sua atuação profissional em meio 
à sociedade, estabelece várias possibilidades em relação aos com-
portamentos que são desenvolvidos nos ambientes que o homem 
atua (GREGOTTI, 2010).
Naturalmente, é o arquiteto que acolhe e interpreta os anseios da 
sociedade, imprimindo, a cada nova produção compositiva, o timbre 
da sua vocação; é ele que absorve os conhecimentos técnicos neces-
sários à prática arquitetônica, mas que não se submete integralmente 
a eles, usando-os e renovando-os em prol de seus objetivos e desejos 
espaciais; que participa da cultura linguística da época, não de forma 
passiva, mas intervindo com uma atuação que a enriquece e modifica. 
O arquiteto também opera entre algumas dificuldades: desenha 
edifícios que, às vezes, não são executados fielmente conforme o seu 
desejo; produz edificações que depois são reformadas e, às vezes, até 
descaracterizadas de sua aparência original; tem propostas utópicas 
que não são aceitas; enfrenta a apreciação das classes dirigentes e 
das comissões construtivas; é condicionado a cada novo estilo pelo 
contexto que o circunda, pela legislação e planos urbanísticos, por im-
posições de diversos caráter; além de outras dificuldades (ZEVI, 1996). 
No entanto, apesar de tudo isso, ele vê a possibilidade de pro-
duzir um cenário melhor para sociedade vigente e também para 
as próximas que virão. Gregotti (2010) ressalta que o arquiteto não 
conseguirá revolucionar a sociedade por meio da arquitetura, mas 
poderá revolucionar a arquitetura, e é essa prática que ele deve adotar. 
33UNIDADE I
A importância da equipe 
multidisciplinar na composição 
arquitetônica
Uma das principais características dos projetos atuais é a crescente 
complexidade dos empreendimentos construtivos, que evidenciam 
cada vez mais a discrepância entre os conhecimentos técnicos ne-
cessários à sua produção e as limitações individuais apresentadas 
pelos projetistas envolvidos. Isso exige a montagem de equipes 
maiores para a prática projetiva, além da mobilização de conhe-
cimentos mais especializados, subsidiados por saberes de áreas 
correlatas - é o que caracteriza um processo multidisciplinar de 
projeto (FABRÍCIO, 2002).
Habitualmente, o processo projetivo é liderado pelo arquiteto 
que transforma os requisitos abstratos do cliente em um estudo 
preliminar, que posteriormente será disponibilizado aos demais 
projetistas da equipe multidisciplinar, para que estes possam 
desenvolver seus projetos específicos (estrutural, elétrico, hi-
drossanitário, de prevenção contra incêndio, entre outros) (FA-
BRÍCIO, 2002).
Visando a qualidade do processo, seria importante uma in-
tegração das informações necessárias à construção, já na gênese 
do projeto, em que as lacunas de conhecimentos específicos, as 
quais o arquiteto pudesse apresentar, fossem sanadas por proje-
tistas especialistas, antes da conclusão do conceito arquitetônico 
(FABRÍCIO, 2002).
Estudo preliminar: caracteriza uma etapa do projeto arquitetônico 
que consiste em uma configuração inicial da edificação proposta, a 
partir da avaliação dos condicionantes que influenciarão o projeto 
a ser realizado. 
(Maria Paula Albernaz e Cecília Modesto Lima)
34 A Essência da Arquitetura
Neste sentido, apresenta-se o Projeto Simultâ-
neo, que para Fabrício (2002), caracteriza a ên-
fase às questões de gestão do processo projetivo 
e a realização em paralelo das diversas tipolo-
gias de projeto que permeiam uma construção 
– projeto arquitetônico, estrutural, elétrico etc. 
Nessa dinâmica, há uma colaboração simultâ-
nea de todas as especialidades projetivas, para 
que haja o desenvolvimento de uma arquitetura 
mais engajada com a complexidade da demanda 
(FABRÍCIO, 2002).
Tradicionalmente, a concepção e o desenvol-
vimento integrado do sistema projetivo - carac-
terizado pelas equipes multidisciplinares - não 
é a forma usual de organização do processo nos 
escritórios e construtoras. Na maioria das vezes, 
a produção projetiva é desenvolvida por meio de 
um sistema unidirecional de especialidades, em 
que o término do projeto de uma tipologia espe-
cífica possibilita o início do próximo. Esse pro-
cesso dificulta a interação efetiva da equipe e, por 
vezes, representa retrabalhos e perda de tempo e 
dinheiro na produção do projeto. Em alternativa, 
o processo simultâneo privilegia o paralelismo 
entre as etapas de projeto e a interatividade entre 
os profissionais, visando compor soluções mais 
consolidadas com a vigente complexidade cons-
trutiva (FABRÍCIO, 2002).
35UNIDADE I
História, Teoria e 
Crítica da Arquitetura
Quando atribuímos à arquitetura o seu valor de 
arte, reconhecemos a importância que a sua visibi-
lidade produz. Isso significa que a análise estética 
considera as formas construtivas tais como são 
percebidas pelo indivíduo que, com elas, estabe-
lece uma relação familiar (BRANDÃO, 2006).
É mais fácil perceber um objeto quando já pos-
suímos, de antemão, algum conhecimento so-
bre ele: na verdade, conseguimos identificar o 
que nos é familiar. Dessa maneira, recriamos o 
observado, convertendo-o em algo mais com-
preensível.
Fonte: Rasmussen (1998).
36 A Essência da Arquitetura
Daí resulta a nossa comoção em relação à arquite-
tura. E quando a observamos com um olhar mais 
definido, também somos capazes de perceber a 
totalidade histórico-cultural dessa obra: a arquite-
tura permite que resgatemos a dimensão original 
da sociedade que a concebeu (BRANDÃO, 2006).
Aquela análise estética, que num primeiro mo-
mento admitia o edifício apenas em seu estado de 
realidade física, ganha uma nova dimensão - o 
pensamento filosófico - que nos permite enten-
der diversas características do contexto no qual o 
edifício se insere (BRANDÃO, 2006).
O esforço filosófico se estabelece na possibili-
dade de perceber, no espaço construído, o espaço 
vivido (BRANDÃO, 2006). A arquitetura é uma 
importante ferramenta para alcançar a essência 
desse espaço vivido. Por isso, analisar a história e 
suas teorias significa reencontrar o próprio senti-
do da arquitetura e os valores que o ato de projetar 
e erigir construções produz (BRANDÃO, 2006).
A busca pelo sentido da arquitetura conduz ao 
pensamento filosófico, e a configuração formal 
caracteriza uma de suas múltiplas expressões. 
Mas a estética arquitetônica não se restringeaos 
aspectos formais, ela também tece sua trama em 
elementos funcionais, construtivos e contextuais.
Fonte: Dorfman (2014).
37UNIDADE I
História
Sob o ponto de vista antropológico, a arquitetura 
é uma das manifestações mais aptas a traduzir a 
concepção de mundo de uma determinada época. 
Ela pode ser classificada como um tipo de produto 
cultural, capaz de testemunhar vários aspectos de 
uma sociedade, como grau de desenvolvimento 
técnico, poder político e econômico, caracterís-
ticas sociais, ideologia dominante e preferências 
estéticas. Essa característica se embasa, principal-
mente, na capacidade que muitas obras têm de 
resistir à ação do tempo (COLIN, 2000). 
Segundo Colin (2000), o componente histórico 
de uma edificação pode surgir a partir de três 
principais níveis de interpretação: 
a) Pelo próprio edifício que, concebido para 
servir à determinada sociedade, consegue, 
por si só, refletir suas múltiplas caracterís-
ticas (COLIN, 2000).
b) A edificação pode assimilar um simbolis-
mo extra-arquitetônico por ter sido pro-
tagonista de marcantes acontecimentos 
históricos (COLIN, 2000). 
c) O elemento arquitetônico pode ter sido 
concebido intencionalmente para ressal-
tar feitos históricos, políticos ou comemo-
rativos, como é o caso dos monumentos e 
memoriais (COLIN, 2000).
Independentemente do tipo de relação que o edi-
fício tem com a história, Nieto (1992) ressalta que, 
quando uma arquitetura consegue fundir valores 
estéticos e históricos no mesmo elemento, a me-
mória torna-se coletiva, gerando uma represen-
tação do sistema de vida de determinado grupo 
social e da sua respectiva época.
38 A Essência da Arquitetura
Fatores que condicionam 
a história arquitetônica
A arquitetura engloba aspectos tão distintos que re-
latar adequadamente o seu desenvolvimento impli-
ca entender o curso da história das civilizações e dos 
fatores envolvidos. Ao abordar o desenvolvimento 
de um povo, a história permite abranger vários pa-
râmetros importantes que caracterizam cada época, 
dentre os quais podemos destacar (ZEVI, 1996):
a) Pressupostos sociais: a arquitetura é um 
meio em que as relações sociais tornam-se 
possíveis. Ela se expressa, portanto, na 
sua interação com o indivíduo e com o 
contexto (MALARD, 2006).
b) Pressupostos intelectuais: esta abordagem 
inclui os desejos de uma sociedade frente 
às possibilidades arquitetônicas vigentes, 
as quais podem ser influenciadas por mitos 
sociais, crenças religiosas ou ideologia 
dominante (ZEVI, 1996). Para Netto 
(1979), as possibilidades arquitetônicas 
de cada época dependem diretamente da 
ideologia que orienta a sociedade onde a 
arquitetura se insere.
c) Pressupostos técnicos: este fator envolve 
o progresso industrial do período, 
especialmente considerando os avanços 
relacionados à construção civil (ZEVI, 1996).
d) Propriedades estéticas e simbólicas: o objeto 
arquitetônico, ao associar forma e espaço 
na essência de um mesmo elemento, tem 
por característica intrínseca a transmissão 
de mensagens e valores simbólicos que são 
interpretados, individual ou coletivamente, 
pela sociedade para a qual ele é produzido. 
Inevitavelmente, esse significado pode 
assumir conotações específicas, de acordo 
com a cultura e os valores do grupo que 
o interpreta, além de poder ser alterado 
com a transição das épocas históricas. 
Para Netto (1979), o real valor de uma 
obra não está necessariamente no seu 
caráter de originalidade, mas reside na 
sua capacidade de expor determinada 
mensagem de forma clara.
A associação desses fatores molda o palco em que 
a arquitetura surge e segue influenciando a vida 
humana. As obras são resultados da coexistência 
dos aspectos que formam a sociedade, refletindo 
a supremacia determinante de cada época: de 
uma classe política, mito religioso, objetivo co-
letivo, descoberta técnica ou modismo regional 
(ZEVI, 1996).
39UNIDADE I
Teoria da arquitetura
A possibilidade de servir-nos dos ensinamentos 
passados pela história da arquitetura consiste em 
compreendermos a tradição dos povos ao longo 
do tempo, da qual podemos extrair as direções 
das possíveis transformações da projeção arqui-
tetônica (GREGOTTI, 2010).
Para Ching e Eckler (2014), qualquer aplica-
ção atual de um princípio projetivo, geralmente, 
passa por um precedente histórico, ao qual pode 
ser associado de modo genérico. É por isso que 
o estudo da história, além de ser uma ferramen-
ta valiosa para o entendimento de uma época, é 
primordial para a concepção de uma arquitetura 
bem-sucedida. A teoria da arquitetura surge nessa 
premissa, sendo considerada uma síntese entre 
história e morfologia (ZEVI, 1979).
Morfologia é o estudo da influência dos determinan-
tes em relação à aparência final dos edifícios – forma 
arquitetônica. Estes determinantes são de naturezas 
diversas, como fatores estéticos, econômicos, fun-
cionais, políticos, legislativos, entre outros.
(Silvio Colin)
Com conceitos cientificamente adquiridos, a mor-
fologia deve se relacionar à história da arquitetura, 
visando reconhecer a variedade das figurações ar-
quitetônicas – servindo, inclusive, como base para 
experiências praticadas na arquitetura atual. Desse 
modo, o estudo morfológico almeja definir os con-
ceitos que se referem à formação arquitetônica, sem 
uma análise mais profunda da sua posição histórica, 
no curso dos acontecimentos arquitetônicos. Nesse 
contexto, cabe à história delinear as relações histó-
ricas entre os princípios morfológicos (ZEVI, 1979).
Para distinguir entre os termos “história” e “teoria” 
da arquitetura, podemos admitir que o primeiro 
aborda a história da consciência estética que é 
expressa nos fenômenos concretos da obra. Já a 
teoria arquitetônica é a análise de cunho filosófico 
dessa consciência (ZEVI, 1979).
Ao longo da história, diversas “teorias” busca-
ram leis determinantes da expressão arquitetônica 
que pudessem servir de referencial aos princípios 
de composição (ZEVI, 1979). A intenção era que 
a experiência arquitetônica precedente pudesse 
ser racionalizada em esquemas-padrão que pu-
dessem comunicar formas, tipologias e técnicas 
como regras gerais de projeto, enquanto represen-
tavam noções culturais pré-elaboradas, por meio 
das quais se procurava garantir previamente um 
resultado harmonioso (GREGOTTI, 2010).
O período histórico do Renascimento repre-
sentou para a humanidade a época dos tratados 
técnicos sobre a forma arquitetônica. Ele elaborou 
seus próprios princípios projetivos por meio de 
(GREGOTTI, 2010):
• Princípios arqueológicos-historiográficos, 
de acordo com estudos do monumento 
clássico utilizado como parâmetro meto-
dológico (GREGOTTI, 2010).
• Instrumentos de medição espacial, me-
diante a invenção da perspectiva (GRE-
GOTTI, 2010).
• Instrumentos simbólicos por meio de 
várias teorias - simetria, proporção mate-
mática, secção áurea, traçado regulador e 
ajuste das medidas humanas em relação à 
harmonia universal (GREGOTTI, 2010).
Para a crítica, as ideologias precedentes tiveram 
como mérito o enriquecimento da pesquisa sobre 
as relações entre arquitetura e sociedade, indican-
do onde se manifestavam as conotações políticas, 
religiosas e linguísticas de determinada sociedade 
(ZEVI, 1979).
40 A Essência da Arquitetura
Crítica
Segundo Montaner (2007 apud DORFMAN, 2014) a crítica surgiu, 
na segunda metade do século XVIII, com a estética. Seu papel tem 
por finalidade tornar as obras compreensíveis à sociedade no geral. 
Ao se situar entre a obra e o público, o crítico assume um compro-
misso ético perante a sociedade. Ao longo do século XX, sua atuação 
cresceu em relevância, sobretudo, pelo surgimento das posturas de 
vanguardas e da expansão das linguagens artísticas (MONTANER, 
2007 apud DORFMAN, 2014).
A crítica envolve um juízo estético que associa conhecimento, 
intuição e sensibilidade. Ela observa as relações estabelecidas entre 
a funcionalidade, as características de articulação espacial, o caráter 
formal e as linguagens expressivas,englobando uma variedade de 
aspectos intrínsecos à obra. Muitas vezes, utiliza análises compa-
rativas para esclarecer alguns feitos artísticos. 
Os fatores analisados são investigados conforme algumas cate-
gorias predefinidas de parâmetros, tais como: simetria e assime-
tria, centralidade ou dispersão, espaços definidos por elementos 
horizontais e verticais, relações de configuração formal entre 
aspectos racionais e orgânicos da obra e as relações entre volumes 
e vazios que emergem entre a forma edificada e o seu contexto 
espacial. A análise da arquitetura ainda contempla seus princípios 
e sua ideologia, além da dimensão ética e política do seu período 
vigente e sua relação com o meio social (MONTANER, 2007 apud 
DORFMAN, 2014).
Com análise das relações entre crítica e teoria da Arquitetura, 
Montaner (2007 apud DORFMAN, 2014) descobriu que ambas 
possuem forte ligação entre si, e a ausência de uma acarreta na invia-
bilidade da outra: não é possível haver crítica sem um embasamento 
teórico que lhe dê fundamento. Por meio de um estudo histórico, a 
crítica permite que a realidade seja analisada sob novos pontos de 
vista (MONTANER, 2007 apud DORFMAN, 2014).
Caro(a) aluno(a), assim, encerramos esta unidade inicial. Na 
próxima unidade, iniciaremos um breve percurso pela história da ar-
quitetura, buscando entender como ela se firmou ao longo dos anos.
41
1. O arquiteto e engenheiro romano Marcus Vitruvius Pollio é, até os dias atuais, 
uma importante referência no estudo e na conceituação da arquitetura. Para 
Vitrúvio, a essência da arquitetura consiste em firmitas, utilitas e venustas. Sobre 
isso, relacione a primeira com a segunda coluna.
1. Firmitas
2. Utilitas
3. Venustas
 ) ( Este componente relaciona-se aos fatores que se refletem na busca do ideal estético.
 ) ( Este componente revela-se por meio da associação dos sistemas estruturais 
com os materiais construtivos, por meio de técnicas específicas que garantam 
a estabilidade da obra.
 ) ( Este componente consiste na adaptação da arquitetura para atender às ne-
cessidades das variadas atividades que envolvem o cotidiano humano.
2. A arquitetura e o urbanismo têm uma formação de caráter interdisciplinar, pois 
engloba uma multiplicidade de aspectos, como arte, técnica, estética, sociologia, 
história e teoria. Nesse sentido, o seu currículo de graduação constitui-se de com-
ponentes curriculares referentes a três grandes áreas do conhecimento, a saber:
I) Área técnica: vinculada a componentes curriculares da prática construtiva e da 
física que permitem utilizar o conhecimento das formas e dos materiais para 
criar edifícios e prever seu comportamento frente aos esforços mecânicos.
II) Área de humanas e ciências sociais: vinculada a saberes referentes ao com-
portamento, à percepção e à cultura dos indivíduos de uma sociedade, que 
permitem criar espaços adequados aos hábitos vigentes.
III) Área de projetos: vinculada ao treinamento da prática projetiva, incluindo os 
componentes relacionados com a representação e a composição de projetos.
Assinale a alternativa correta:
a) Somente a afirmativa II está correta.
b) A afirmativa I está incorreta.
c) Somente as afirmativas II e III estão corretas.
d) As afirmativas I, II e III estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão incorretas.
42
3. Sob o ponto de vista antropológico, a arquitetura é uma das manifestações 
mais aptas a traduzir a concepção de mundo de uma determinada época, pois:
 ) ( Permite que resgatemos a dimensão original da sociedade que a concebeu.
 ) ( É capaz de testemunhar diversos aspectos de um povo, como o nível de religião, 
o grau de desenvolvimento técnico e as preferências estéticas.
 ) ( Possui um grande valor enquanto representante dos hábitos e da organização 
social dos povos, ao longo das diversas épocas.
 ) ( Pode assimilar um simbolismo extra-arquitetônico, por ter sido protagonista 
de marcantes acontecimentos históricos.
43
Tratado de Arquitetura
Autor: Vitrúvio
Editora: Martins Fontes
Sinopse: único texto sobre arquitetura datado da Antiguidade clássica que 
se conservou até os dias de hoje, o Tratado De architectura, de Vitrúvio, es-
crito em 27 a.C. e supostamente dedicado ao imperador Augusto, tornou-se 
referência já durante a Antiguidade e, séculos mais tarde, redescoberto numa 
abadia italiana, viria a influenciar as concepções estéticas renascentistas. 
LIVRO
44
ALBERNAZ, M. P.; LIMA, C. M. Dicionário ilustrado de arquitetura. v. 1, verbetes da letra A até I. São Paulo: 
ProEditores, 1998a.
______. Dicionário ilustrado de arquitetura. v. 2, verbetes da letra J até Z. São Paulo: ProEditores, 1998b.
BRANDÃO, C. A. L. A formação do homem moderno vista através da arquitetura. Belo Horizonte: UFMG, 
2006.
CASTELNOU, A. M. N. Sentindo o espaço arquitetônico. Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 7, jan./jun., 
2003. Disponível em: < http://revistas.ufpr.br/made/article/view/3050/2441>. Acesso em: 9 out. 2017.
CHING, F. D. K. Arquitetura: forma, espaço e ordem. Trad. Alvamar Helena Lamparelli. São Paulo: Martins 
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______. Dicionário Visual de Arquitetura. Trad. Julio Fischer. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.
______. Representação gráfica em arquitetura. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2011.
CHING, F. D. K.; JUROSZEK, S. P. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.
CHING, F. D. K.; ECKLER, J. F. Introdução à Arquitetura. Trad. Alexandre Salvaterra. São Paulo: Bookman, 2014.
COLIN, S. Uma introdução à arquitetura. 3. ed. São Paulo: Uape, 2000.
DONDIS, D. A. Sintaxe da linguagem visual. Trad. Jefferson Luiz Camargo. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 
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DONICI, M. Aesthetics of the main types of structures. Buletinul institutului politehnic din Iaşi, Publicat 
de Universitatea Tehnică, Gheorghe Asachi din Iaşi Tomul LIV (LVIII), fasc. 4, p. 9-15, 2011.
DORFMAN, B. R. A arquitetura e a diferença: uma leitura de desconstrução. Dados eletrônicos. Porto Alegre: 
EDIPUCRS, 2014. Disponível em: <http://www.pucrs.br/edipucrs>. Acesso em: 20 dez. 2017.
FABRÍCIO, M. M. Projeto simultâneo na construção de edifícios. 2002. 350 f. Tese (Doutorado em Enge-
nharia) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002. Disponível em: <https://globalconstroi.
com/images/stories/Manuais_tecnicos/2010/projecto_simultaneo_const_edificios/Projeto_Simultaneo_TESE1.
pdf>. Acesso em: 05 dez. 2017.
FAZIO, M.; MOFFETT, M.; WODEHOUSE, L. A História da Arquitetura Mundial. Trad. Alexandre Salvaterra. 
3. ed. Porto Alegre: AMGH, Bookman, 2011.
GLANCEY, J. A história da arquitetura. Trad. Luís Carlos Borges; Marcos Marcionilo. São Paulo: Edições 
Loyola, 2001.
45
GREGOTTI, V. Território da Arquitetura. São Paulo: Editora perspectiva, 2010.
HEGEL, G. W. F. A Arquitetura. Trad. Oliver Tolle. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.
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