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ANGELO RICARDO DE SOUZA

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o de conhecer as possíveis relações entre aquelas concepções
desenvolvidas pelos estudiosos brasileiros ao longo do século XX e a organização e
gestão escolar atualmente, isto é, trata-se de procurar encontrar relações entre o que se
propôs teoricamente para o campo de ação e o que de fato ocorre na gestão das escolas
brasileiras.
Para atender a esses objetivos, esta tese foi dividida em três partes: as idéias, os
conceitos e o perfil.
A primeira das três partes é dedicada à apresentação das idéias construídas ao
longo do século XX (e início do séc. XXI) sobre a gestão escolar no Brasil. Esta parte
está subdividida em três capítulos. No primeiro deles, o leitor encontra a apresentação e
discussão das concepções dos autores que deram início ao campo de conhecimentos da
gestão escolar no país, em uma época que nesta tese foi denominada de período dos
estudos clássicos.
É um capítulo que se inicia apresentando a obra de Antônio Carneiro Leão, de
1939 (nesta tese em edição de 1953), uma das mais citadas e referenciadas produções do
período. Trata-se de um primeiro esforço de autor nacional de sistematização de idéias
no campo. O autor articula a administração escolar com a educação comparada, campos
que por muito tempo existiram próximos um do outro. Esta é a principal característica
do trabalho de Leão, pois o autor busca uma articulação entre os conceitos e exemplos
da administração escolar em diferentes países do mundo.
Depois de Leão, discute-se a obra de José Querino Ribeiro (1952). É um
trabalho também importante porque foi talvez o primeiro a ter uma aceitação e difusão
nacional. Trata-se de um ensaio que busca ao mesmo tempo propor formas de
organização e administração da escola e apresentar uma teoria sobre esses aspectos. 
Na seqüência, tem-se o trabalho de Manoel Bergströn Lourenço Filho, cuja obra
de 1963 (em edição de 1976) é analisada. O autor, um importante teórico sempre
presente em funções políticas, era representante da escola das relações humanas no
campo da gestão escolar e procurava associar a matriz conceitual da administração
científica com as contribuições e revisões próprias da escola a que pertencia,
considerando que, ao seu ver, a educação escolar não era passível de ser simplificada
em tal proporção como a administração científica apregoava.
Temos depois uma avaliação sobre alguns trabalhos de Anísio Teixeira,
reconhecidamente um dos maiores intelectuais da educação brasileira. No capítulo I,
aprecia-se o seu trabalho exposto em três artigos (de 1935, 1956 e 1961), que tratam de
questões atinentes ao campo da gestão escolar. O autor se posiciona de forma diversa ao
longo desses anos sobre assuntos do campo. Essas mudanças de pensamento decorrem
de avaliação e posição política do autor, o que espelha uma condição muito presente ao
longo de (quase) toda a sua trajetória profissional: a de um intelectual que estava no
centro da política educacional.
Tem-se ainda neste Capítulo I o trabalho de Myrtes Alonso, sobre a natureza e o
papel do diretor escolar. É um trabalho de 1976 – publicação da sua tese de doutorado
de 1974. Trata-se de um estudo que foi bastante difundido pelo país, estando presente
em muitas bibliografias do período e que expressa também o contexto em que o campo
de conhecimento estava inserido, pois é um trabalho muito marcado pela avaliação
técnica da função dirigente na escola. E é talvez um dos últimos trabalhos do período
que aqui se denomina de clássico.
Por fim, o leitor se depara, neste capítulo inicial da tese, com o trabalho de
Benno Sander, do começo dos anos 80, que não pode ser caracterizado como um autor
clássico em termos estritos, pois, como se fará ver, compartilha apenas em linhas gerais
com os demais autores do período.
No segundo capítulo da tese, ainda na parte I, tem-se um texto dedicado a
estudar os autores de um período imediatamente seguinte àqueles clássicos, aqui
denominado de período dos estudos críticos, que tem início no final da década de 70. O
primeiro autor discutido neste capítulo é Miguel Arroyo, cujo texto apreciado de 1979 é
citado por diversos outros autores como sendo o trabalho provocador no campo da
gestão escolar por novos olhares mais críticos para com os objetos que lhe são próprios.
A dissertação de mestrado de Maria Dativa S. Gonçalves, de 1980, é outro
trabalho analisado. É também uma pesquisa bastante datada, que expressa as marcas do
tempo em que foi construída, mas que se soma ao então emergente movimento de
crítica à administração escolar, considerando as bases teóricas estadunidenses e da
administração científica que dominavam aquele campo de conhecimentos.
Uma outra autora avaliada é Maria de Fátima C. Félix, cujo trabalho em tela é a
sua dissertação de mestrado que foi publicada em 1984. Trata-se de mais um trabalho
que se dedicava a ajudar na construção “deste movimento crítico, mediante uma análise
da Administração Escolar, explicitando as relações que se estabelecem entre o sistema
escolar e a evolução do capitalismo” (Félix, 1984, p. 12). Nesta mesma perspectiva,
tem-se a apreciação de um artigo de Acácia Z. Kuenzer Zung, também de 1984.
E, para finalizar o período dos estudos críticos e o capítulo II da tese, analisa-se
o livro talvez mais difundido no campo da gestão escolar no Brasil. Trata-se da
publicação da tese de doutorado de Vítor Paro (“Administração Escolar: uma introdução
crítica”), de 1986 (em edição aqui apreciada de 1988). É um trabalho muito conhecido
em todo o país, grandemente responsável pela constituição/difusão de uma concepção
de gestão escolar que tensionava radicalmente contra as bases teóricas sobre as quais o
campo estava até então embasado.
E o terceiro e último capítulo da primeira parte da tese é dedicado a apresentar
um levantamento da produção acadêmica do campo da gestão escolar brasileira entre os
anos de 1987 e 2004. As análises desenvolvidas neste capítulo buscam demonstrar os
aspectos mais relevantes que os estudos têm tratado ao longo desses dezoito anos,
enfatizando as tendências na produção científica, destacando-se os objetos preferenciais,
as abordagens dadas a esses objetos e as concepções de gestão escolar possíveis de
serem flagradas a partir da base de dados com as quais nos deparamos.
A segunda parte da tese foi construída para apresentar ao leitor as bases teóricas
e conceituais que sustentam as análises produzidas nesta pesquisa. São dois capítulos
dedicados a apreciar diferentes autores que discutem a gestão e a direção escolar.
O primeiro desses capítulos, de número IV na organização geral da tese, debate a
gestão escolar, sua natureza, seu objeto, seus conceitos. Bourdieu, Weber, Bobbio e
Touraine, são alguns dos autores que auxiliam a compreender a gestão escolar como um
fenômeno político, essencialmente, que opera nas relações de poder que têm lugar na
escola (e a partir dela). Neste capítulo, a política e o poder são questões centrais. Mas
não menos central é a democracia, a ponto de se fazer uma incursão conceitual sobre a
gestão escolar democrática, considerando que ela é um princípio constitucional da
educação pública brasileira, mas, antes disto, reconhece-se o esforço dos teóricos do
campo e educadores em geral em propor, organizar e efetivar modelos e alternativas de
democratização da gestão escolar no país. Assim, esta discussão é importante na medida
em que a apreciação dos dados empíricos da pesquisa necessitava desta base conceitual.
E, na esteira do debate sobre a gestão escolar democrática, apresenta-se também, no
capítulo IV, uma discussão sobre os instrumentos da gestão escolar, destacando-se a
natureza e a função do conselho de escola.
O capítulo V, ainda dentro da parte II da tese, é voltado ao estudo da direção
escolar. Neste capítulo, a natureza e o papel do diretor escolar são discutidos,
evidenciando-se que se trata de função desempenhada na escola, com a tarefa de dirigi-
la político-pedagogicamente. O reconhecimento da função

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