A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
Hanseníase

Pré-visualização | Página 1 de 3

1 
Hanseníase 
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, 
causada pelo Mycobacterium leprae, de evolução lenta e 
que se manifesta através de sinais e sintomas 
dermatoneurológicos. Epidemiologicamente, a doença 
acontece em regiões de bolsões de pobreza e países 
intertropicais. O Brasil é o segundo país com o maior 
número de casos, perdendo apenas para a Índia. Abaixo, 
os países em vermelho apresentam uma incidência de 10 
casos por 100 mil habitantes. 
 
Por que no Brasil tem essa falta de controle? 
Porque o diagnóstico, muitas vezes, não é feito na forma 
mais precoce. É necessário que haja uma educação em 
saúde para toda a população. 
O Mycobacterium leprae é um parasita 
intracelular obrigatório com tropismo pelas células de 
Schwann. Apresenta uma multiplicação lenta (11-16 dias) 
e não são cultiváveis em meio de cultura. Além disso, 
apresentam uma cápsula com PGL-1, o qual serve, hoje 
em dia, para se dosar os anticorpos nos pacientes com a 
forma dimorfa-virchowiana e virchowiana. Os pacientes 
com a forma tuberculoide e indeterminada não 
apresentam autoanticorpos contra o PGL-1. 
Definição de caso 
Lesões de pele com alteração de sensibilidade, 
espessamento nervoso e baciloscopia positiva. O erro 
cometido pela OMS foi que não se considerou que a 
baciloscopia é negativa nas formas mais brandas – 
indeterminada, tuberculoide e dimorfa-tuberculoide. 
Portanto, se tiver apenas os dois primeiros, entra no 
diagnóstico clínico de hanseníase. 
Modo de transmissão 
A fonte de infecção é o paciente bacilífero – 
vichorwiano, dimorfo –, sem tratamento. Além disso, 
dependendo do contato direto que o paciente tem com as 
pessoas da família, ele pode transmitir. Quase 90% dos 
casos é por via aérea, transmitido por gotículas. 
O período de incubação pode durar de 2 a 7 anos. 
É necessário o contato direto com o doente não tratado. 
Quando se faz a primeira dose supervisionada no 
paciente, já inviabiliza 99% da bactéria. 
Acomete todas as idades, sendo que é mais raro 
em crianças. Possui alta infectividade e baixa 
patogenicidade. Ele infecta, mas apenas a minoria dos 
casos desenvolve a doença. 
Classificação da hanseníase 
Existem três classificações. A mais utilizada é a 
operacional, que divide a hanseníase em paucibacilar e 
multibacilar. A forma paucibacilar é caracterizada por 
apresentar até 5 lesões. Acima disso, considera-se como 
multibacilar. 
 
Em Madrid, separaram as populações e dividiram na 
indeterminada (é aqui que tem que fazer o diagnóstico e 
tratar, para evitar incapacidade), tuberculoide, dimorfa e 
virchowiana. A dimorfa fica no meio dos dois polos, pois 
há instabilidade imunológica. 
Para tratamento, hoje em dia, é importante saber 
se é pauci ou multibacilar. 
Evolução natural da moléstia de Hansen 
 
Após a exposição ao M. leprae, boa parte da 
população desenvolve resistência natural a essa bactéria. 
Os não sortudos desenvolvem a hanseníase. Essa doença, 
assim que é desenvolvida, começa em geral de forma 
 
2 
indeterminada. Ao fazer diagnóstico nesse momento, 
evita-se reação hansênica, incapacidades etc. Porém, 
muitas vezes, não se faz o diagnóstico nessa fase, o que 
leva à formação das inúmeras variantes. 
• Polo Tuberculoide: prevalece o Th1, que é a 
imunidade celular. O paciente vai ter uma 
resposta imune celular, com formação de 
granuloma e carga bacilar bem pequena. Tudo 
isso às custas de IFN gama, TNF alfa, IL-12 e IL-2. 
• Polo Virchowiano: A partir do momento em que 
se migra para o polo virchowiano, muda mais para 
um componente humoral. Não faz granuloma e há 
uma multiplicação exacerbada, dando uma alta 
carga bacilar, graças a IL-10, IL-4 e IL-5. Existe uma 
depressão da resposta imune celular graças a tais 
interleucinas. 
• A transmissão ocorre no polo virchowiano, uma 
vez que a carga bacilar é alta. 
Características das formas clínicas 
• Paucibacilar 
o Indeterminada: baciloscopia negativa. 
Apresenta-se com áreas de hipo ou 
anestesia, parestesias, manchas 
hipocrômicas e/ou 
eritematohipocrômicas, com ou sem 
diminuição da sudorese e rarefação de 
pelos. 
o Tuberculoide: baciloscopia negativa. 
Apresenta-se como placas eritematosas, 
eritemato-hipocrômicas, até 5 lesões de 
pele bem delimitadas, hipo ou 
anestésicas, podendo ocorrer 
comprometimento de nervos. 
• Multibacilar 
o Dimorfa: baciloscopia positiva (bacilos e 
globias ou com raros bacilos) ou negativa. 
São lesões pré-foverolares (eritematosas 
planas com o centro claro) ou lesões 
foveolares (eritematopigmentares de 
tonalidade ferruginosa ou pardacenta), 
apresentando alterações de 
sensibilidade. 
o Virchowiana: baciloscopia positiva 
(bacilos abundantes e globias). 
Apresenta-se com eritema e infiltração 
difusos, placas eritematosas de pele, 
infiltradas e de bordas mal definidas, 
tubérculos e nódulos, madarose, lesões 
das mucosas, com alteração de 
sensibilidade. 
 
 Reações hansênicas: A reação reversa (tipo I) 
começa no polo BT e BB. O eritema nodoso hansênico está 
presente nas formas mais graves – BL e LL. 
Manifestações clínicas 
As primeiras manifestações e lesões clínicas no 
MH ocorrem exclusivamente no sistema nervoso 
periférico: 
• Alteração na sensibilidade térmica, dolorosa e 
tátil, respectivamente. 
• Com a progressão da doença, os troncos neurais 
periféricos são acometidos e se tornam 
edemaciados, dolorosos à palpação ou percussão 
(sinal de Tinel). 
• As alterações sensitivas e motoras se seguem 
amiotrofias, retrações tendíneas e fixações 
articulares. 
O aspecto das lesões pode sugerir a evolução do 
doente: 
• Número de lesões pequenas, alterações sensitivas 
bem acentuadas => cura espontânea (o professor 
nunca viu isso, mas ok) ou forma tuberculoide. 
• Número de lesões maculosas grande, de limites 
pouco precisos e distúrbios de sensibilidade 
discretos => se não tratado evoluirá para as 
formas dimorfa ou virchowiana. Como a 
imunidade humoral é mais exacerbada na forma 
virchowiana, essa alteração da sensibilidade e as 
dores são menos intensas, apesar de serem mais 
sorrateiras. Os pacientes, nesse caso, não sentem 
muita dor, sente mais alteração de sensibilidade. 
Nervos periféricos superficiais e profundos nunca 
estão espessados. 
 Os nervos mistos afetados são: 
• Ulnar 
o Garra ulnar: hipo ou anestesia do IV e V 
dedos. 
• Mediano 
 
3 
o Garra do mediano: tipo anestesia do I, II e 
III dedos. 
• Fibular e tibial 
o Hipo ou anestesia plantar, os fatores 
sensitivo e motor conjugam-se na 
fisiopatologia da úlcera. Fibular comum 
apresenta pé caído. Fibular e tibial levam 
a úlceras indolores, que muitas vezes 
precisam ser tratadas com vascular. 
• Trigêmeo e facial 
Hanseníase indeterminada 
É a primeira manifestação da doença. Apresenta-
se com máculas com distúrbio de sensibilidade, 
vasomotores e sudorese. Geralmente são mais 
hipocrômicas do que eritemato-hipocromicas. Parecem 
com a mancha eczemátide, muito vista em dermatite 
atópica. A baciloscopia é negativa e o teste de Mitsuda 
pode ser positivo ou negativo. 
• Teste de Mitsuda: é feito para avaliar a imunidade 
celular ou humoral. Toda vez que ele está positivo, 
há exacerbação da resposta celular (Th1). 
A baciloscopia é feita no cotovelo, no lobo da 
orelha ou nas lesões. É necessário tirar, no mínimo, 4 
fragmentos. Faz pela linfa. 
Exemplo clássico: lesão hipocrômica 
 
Hanseníase tuberculóide 
Caracterizado por máculas ou placas hipocrômicas 
e/ou eritematosas e/ou acastanhadas. As lesões 
apresentam contornos regulares ou irregulares, 
circulares, anulares, circinadas ou geográficas. 
Geralmente são únicas ou em pequeno número. Os 
distúrbios sensitivos são acentuados. A baciloscopia é 
negativa e o teste de Mitsuda é fortemente positivo. Há 
tendência à cura espontânea. 
A lesão, às vezes não se fecha completamente, 
ficando em forma de arco. 
 
 
É muito comum