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Relato de caso Babesiose equina

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Babesiose em equinos atletas - Relato de caso
Ana Beatriz dos Santos Mendes1, Evelyn de Castro Pinheiro2, Karisia Fernandes Freitas3, Letícia Moura Alcântara4, Wesley Araripe Costa5
RESUMO
A Babesiose equina é uma enfermidade causada por protozoários das espécies Babesia equi e Babesia caballi os quais se instalam nos eritrócitos e causam hemólise, apresenta como hospedeiros definitivos cavalos, asnos e seus híbridos. Os principais sintomas apresentados são a redução da performance do animal, icterícia, anemia hemolítica e perda de peso. A transmissão ocorre por meio dos carrapatos do gênero Ixodes sp. No presente estudo, uma égua atleta, raça Brasileiro de Hipismo, pesando aproximadamente 560 kg, 7 anos de idade deu entrada no Hospital Veterinário da UECE, após a realização da anamnese e o exame físico, foi diagnosticada com suspeita de babesiose equina. Para a confirmação do diagnóstico, foi realizado o exame hematológico com pesquisa de hematozoários e imunofluorescência indireta, além da técnica de esfregaço de sangue para possibilitar visualização do parasita, confirmando a Babesiose. Assim, foi realizado o tratamento, administrando antitóxico para prevenir intoxicações medicamentosas, em associação com Dipropionato de imibidocarb, um babesicida, foram administrados também Hemolitan® e Glicopan®, ao qual o equino reagiu bem, e ao fim, pôde-se notar a melhora da performance atlética do animal.
Palavras-chave: Babesiose. Performance. Equinos.
1. INTRODUÇÃO
Segundo Botteon et al. (2005), a Babesiose equina, também conhecida como Piroplasmose ou Nutaliose, é uma enfermidade que apresenta como hospedeiros definitivos cavalos, asnos e seus híbridos causada por protozoários das espécies Babesia equi (pequena babesia) e Babesia caballi (grande babesia), os quais se instalam nos eritrócitos, onde se multiplicam rapidamente, provocando hemólise, ou seja, a destruição das hemácias parasitadas. A doença é caracterizada por uma fase aguda com ocorrência de febre, quadro grave de anemia hemolítica, icterícia, hemoglobinúria, edema de membros, hepato e esplenomegalia.
Embora o Brasil seja considerado uma área endêmica, os estudos epidemiológicos realizados até o momento são restritos a poucas áreas e consideram pequeno número de amostras para levantamentos sorológicos (HEIM et al, 2007).
Apesar da gravidade da infecção aguda, a maioria dos animais desenvolve a forma crônica, podendo apresentar reagudizações em situações que determinem a diminuição da taxa de anticorpos, como stress. Esta condição provoca prejuízos diretos, representados principalmente pela queda de performance dos animais, moderada inapetência e perda de peso (DE WAAL, 1992; PEREIRA, 1999).
Há evidências de que estas reagudizações ocorrem principalmente com animais mantidos sob regime de confinamento, raramente atingindo animais criados a campo (HEUCHERT et al., 1999; BOTTEON et al., 2002). A baixa infestação por carrapatos observada em cavalos confinados impede a manutenção de taxas de anticorpos suficientes para promover proteção adequada destes animais (RISTIC, 1972). Por outro lado, animais que participam de esportes hípicos em nível internacional, devem ser mantidos com títulos baixos ou isentos da infecção, sob pena de estarem impedidos de transitar em países com barreiras sanitárias mais severas contra a babesiose (FRIEDHOFF et al., 1990).
Em relação à animais de competição, a queda da performance e perda de peso são os principais sintomas associados à Babesiose equina que geram prejuízos econômicos aos proprietários. A transmissão ocorre tanto por meio dos carrapatos do gênero Ixodes, principalmente das espécies Dermanocentor sp, Riphicephalus sp, Dermacentor sp e Hyalomma sp, os quais alojam os parasitos em suas peças bucais e os transmitem ao cavalo durante seu repasto sanguíneo, quanto iatrogênicamente. 
O diagnóstico direto pode ser feito por exame microscópico de esfregaços de sangue corados por Giemsa ou por reações em cadeia da polimerase específicas (PCRs) (BÖSE et al, 1995). No entanto, para pesquisas epidemiológicas, métodos indiretos, como o teste de anticorpos fluorescentes indiretos (IFAT), são mais apropriados para avaliar o status de um rebanho ou uma área. Em países endêmicos tropicais, como o Brasil, os potros geralmente adquirem as infecções logo após o nascimento, e a parasitemia patente é detectada antes dos 42 dias de idade (RIBEIRO et al, 1995).
Portanto, o objetivo desse trabalho foi relatar a conduta clínica, diagnóstica e terapêutica de um caso clínico de babesiose em um equino atleta de hipismo. 
2. METODOLOGIA
No dia 10 de junho de 2019 de entrada no Hospital Veterinário – UECE, uma égua atleta da raça Brasileiro de Hipismo, pesando aproximadamente 560 kg, de 7 anos de idade, possuía as vacinações e vermifugações em dia e nunca havia apresentado infestações parasitárias anteriores. Segundo o tutor, o animal após ser exercitado apresentava urina de coloração escura, esse quadro possuiu uma evolução de dois meses. 
 Ao exame físico, constatou-se a presença de mucosas hipocoradas e pálidas, com presença de petéquias, além de queda de performance, pelos espessos com baixa renovação da pelagem. 
 Após a avaliação clínica, foi colhido sangue total para realização de exames hematológico (esfregaço de sangue para possibilitar visualização do parasita, realizada em um local plano, com um extensor com angulação de 30 graus em relação à lâmina e logo após a coleta e bioquímico) e sorológico (reação de imunofluorescêsncia indireta (RIFI), para avaliar a presença de anticorpos anti B. equi.)
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O resultado do hemograma mostrou anemia, indicada pela redução do número de eritrócitos (policitemia) e de hemoglobina, ocasionadas pela hemólise, e de plaquetas em níveis próximos ao limite. Não houve alteração no Volume Globular Médio e na Concentração de Hemoglobina Média o que está de acordo com o resultado encontrado por Souto et al., (2018) que relatou apenas uma leve anemia normocítica e normocrômica.
No exame bioquímico verificou-se AST (aspartato aminotransferase) e ALT (alanina aminotransferase) apresentaram-se em níveis normais, indicando que não houve lesão hepática. A égua apresentava azotemia, representada pelo excesso de ureia no plasma sanguíneo, o que revela uma provável desidratação, enquanto a creatinina apresentava-se dentro da normalidade, o que corrobora com os resultados encontrados por SOUTO, et al., 2018, que não observou alteração em nenhum destes parâmetros.
 O esfregaço sanguíneo, observou-se presença do parasita no interior das hemácias da égua, característico de possuir 1,7 µm, podendo ser encontrado sozinho, em pares ou tétrades. (Figura 1)
 
Figura 1. Esfregaço sanguíneo de equino com presença de B. equi
 Fonte: Botteon, et al., 2005 
No exame de imunofluorescência indireta (RIFI), observa-se que os níveis de anticorpos está acima de 80, se tornando positivo o diagnóstico para a doença, nesse caso estava 83. Nesse exame apenas foram determinados anticorpos anti- B. equi. Assim conclui-se que o título de anticorpos está diretamente relacionado com a multiplicação do parasito, mesmo durante baixa parasitemia, o hematócrito cai rapidamente, Estes resultados concordam com BÖSE et al. (1995) 
O diagnóstico da babesiose equina, realizado apenas através da análise de hematócrito e título de anticorpos, limita a interpretação do estágio exato da infecção. A baixa sensibilidade do exame de esfregaço sanguíneo na detecção do parasito também dificulta o diagnóstico. Considerando estas limitações, os autores têm trabalhado no desenvolvimento de testes de biologia molecular que ofereçam maior segurança na detecção direta do parasito (NICOLAYEWSKY et al., 1995; DUTRA et al., 1996; CUNHA et al., 1997).
 Para o tratamento, foram administrados também 2mg/kg de antitóxico, aplicado via intramuscular, para prevenir intoxicações medicamentosas, em associação com 10