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Resumo Imunologia - parte 12

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IMUNOLOGIA (Abbas – capítulo 19 e 20) Gabriela Chioli Boer – T9 
IMUNOLOGIA – HIPERSENSIBILIDADE 
TIPO I 
DEFINIÇÃO – REAÇÃO DE 
HIPERSENSIBILIDADE 
A imunidade adaptativa desempenha um importante 
papel nas respostas do hospedeiro contra 
microrganismos, porem também são capazes de causar 
dano tecidual e doenças imunomediadas. Os distúrbios 
decorrentes das respostas imunes são denominados 
reações de hipersensibilidade, que podem ser 
desencadeados em respostas a diversos antígenos, 
dentre os quais, autoantígenos (autoimunidade), 
antígenos microbianos (reações excessivas e antígenos 
persistentes) e antígenos ambientais não microbianos 
(alergias) 
▪ Autoimunidade: problemas nos processos de 
autotolerância e geração de células 
autorreativas 
▪ Reações contra micróbios: respostas 
exacerbadas, principalmente a micróbios 
persistentes, podem gerar complexos iunes que 
se depositam nos tecidos e causam inflamação. 
Ainda, as respostas de células T contra 
infecções persistentes (tuberculose) pode gerar 
uma resposta inflamatória grave, com 
formação de granulomas 
▪ Reações contra antígenos ambientais: alergias 
As reações de hipersensibilidade podem ser 
classificadas em 4 tipos, dependendo do padrão de 
resposta imune e os mecanismos efetores responsáveis 
pela lesão tecidual 
 
MECANISMOS E CLASSIFICAÇÃO DAS 
REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE 
I. Hipersensibilidade do tipo I (imediata): 
chamada de alergia ou atopia. É desencadeada 
em resposta a alérgenos, resultante da ativação 
de células Th2 produtoras de IL-4, IL-5 e IL-13, 
que estimulam a produção de anticorpos IgE e 
a inflamação 
II. Hipersensibilidade do tipo II (mediada por 
anticorpo): anticorpos IgM e IgG são específicos 
para antígenos de determinadas células ou a 
matriz extracelular e são encontrados ligados a 
essas células ou tecidos ou como anticorpos 
livres na circulação e podem causar lesão 
tecidual por meio da ativação do sistema 
complemento, recrutando células inflamatórias 
e interferindo nas funções extracelulares 
normais 
III. Hipersensibilidade do tipo III (mediada por 
complexos imunes): anticorpos formam 
complexos imunes na circulação, de modo que 
os complexos são subsequentemente 
depositados nos tecidos, particularmente nas 
paredes dos vasos e causar lesões 
IV. Hipersensibilidade do tipo IV: lesão tecidual 
pode ocorrer em razão dos linfócitos T que 
induzem inflamação ou matam diretamente as 
células-alvo 
 
DOENÇAS CAUSADAS POR ANTICORPOS: 
Produzidas por anticorpos que se ligam a antígenos em 
determinadas células ou em tecidos extracelulares ou, 
ainda, por complexos antígeno-anticorpo que se 
formam na circulação e são depositadas nas paredes 
dos vasos 
Os anticorpos podem se ligar especificamente a 
antígenos teciduais e os leucócitos recrutados causam 
lesão tecidual; complexos de antígenos e anticorpos 
podem se formar na circulação e se depositar nos vasos 
sanguíneos e em outros locais. Esses imunocomplexos 
induzem inflamação vascular 
IMUNOLOGIA (Abbas – capítulo 19 e 20) Gabriela Chioli Boer – T9 
ALÉRGENOS 
Alérgenos são proteínas ou substâncias acopladas a 
proteínas que desencadeiam reações de 
hipersensibilidade mediata. Os mais comuns incluem 
proteínas do pólen, ácaros de poeira doméstica (cisteína 
protease), pelo dos animais, alimentos, penicilina, 
fosfolipases A2 no veneno de abelha etc. 
Alguns pontos em comum na estrutura dos alérgenos 
incluem: baixo peso molecular, glicosilação e alta 
solubilidade nos líquidos corporais. Como exemplo, a 
maioria das respostas anafiláticas aos alimentos 
incluem proteínas glicosiladas. Essa característica 
protege estes alérgenos degradação no TGI e possibilita 
que sejam absorvidas de maneira intacta. 
Duas características importantes dos alérgenos são que 
eles estão constantemente sendo expostos aos 
indivíduos e não estimulam respostas da imunidade 
inata (não geram ativação de macrófagos, liberação de 
IL-12 e IL-8). Isto gera a não ativação do tipo Th1 dos 
linfócitos T e desvio à via do Th2, com alta produção de 
IL-4 e indução da IgE 
 
HIPERSENSIBILIDADE DO TIPO I 
CÉLULAS ENVOLVIDAS 
I. Mastócitos: encontrados no corpo todo, em 
tecidos conjuntivos e sob epitélios próximos a 
vasos sanguíneos 
II. Basófilos: encontrados na circulação 
sanguínea, grânulos contendo mediadores 
inflamatórios expressam receptores Fc de alta 
afinidade para IgE 
III. Eosinófilos: encontrados na circulação 
sanguínea; possui grânulos contendo 
mediadores inflamatórios; expressam 
receptores Fc de alta afinidade para IgE; 
degradam paredes celulares helmínticas e de 
protozoários; realizam lesão/remodelação 
tecidual 
IV. Células B e linfócitos Th2: 
A diferenciação do linfócito TCD4 de padrão 
Th2 é estimulada pela citocina IL-4 e ocorre em 
respostas aos helmintos e alérgenos. A 
principal fonte da IL-4 são as próprias células 
Th2, que promovem uma retroalimentação 
positiva à sua proliferação. Porém, para que 
elas se formem inicialmente, os mastócitos, 
eosinófilos e basófilos iniciam a secreção da IL-
4. Outras citocinas liberadas pelos Th2 e 
funcionam como citocinas de assinatura são IL-
5 e IL-13. 
Mastócitos e basófilos: liberam histamina, que aumenta 
a permeabilidade vascular, estimula a concentração da 
célula muscular lisa. Liberam enzimas também, que 
degradam estruturas microbianas, causando lesão e 
remodelagem tecidual. 
 
ANTICORPOS 
IgE é liberado em reações alérgicas, hipersensibilidade 
tipo I e resposta a helmintos; estimula os mastócitos a 
liberarem a histamina; possui meia-vida de 2 dias. Sua 
porção constante tem alta afinidade por mastócitos, 
basófilos e eosinófilos. Sua produção é dependente da 
ativação das células T auxiliares produtoras de IL-4 
(células Th2, células T foliculares auxiliares – TFH) 
 
SEQUÊNCIA DE EVENTOS NAS REAÇÕES DE 
HIPERSENSIBILIDADE DO TIPO I 
O INDIVÍDUO EXPOSTO PELA PRIMEIRA VEZ AO 
ALÉRGENO: 
Um indivíduo com predisposição à hipersensibilidade 
tipo I nunca a desenvolve no primeiro contato com o 
alérgeno, pois seu organismo ainda não possui IgE 
produzidos suficientemente e mastócitos 
sensibilizados. 
Há exposição ao alérgeno, que são reconhecidos pelas 
DCs e células B, que levam até o linfonodo que vai 
ativar o TCD4 e secreta citocinas como IL-4, induzindo 
Th2. As células B e T se ativam e leva a reação de centro 
germinativo, que leva a produção de anticorpo IgE que 
vão se ligar nos mastócitos (sensibilização), sem 
sintomas; produção de IgE e diferenciação de 
plasmócitos 
 
NO SEGUNDO CONTATO, A RESPOSTA JÁ PODE 
SER MONTADA: 
Há ativação das células Th2 e dos linfócitos B: a ativação 
dos Th2 ocorre através das DCs, que capturam os 
antígenos na mucosa e os apresentam em gânglios 
linfáticos. Uma vez ativada, estimula a mudança de 
isótopo para IgE através do CD40L e da citocina IL-4. A 
IL-13 aumenta a secreção de muco, ajudando na 
IMUNOLOGIA (Abbas – capítulo 19 e 20) Gabriela Chioli Boer – T9 
expulsão do antígeno. Outra citocina liberada é a IL-5, 
que promove ativação de eosinófilos. 
Produção de IgE: os linfócitos B são ativados pelo 
alérgeno e, devido ao contato com o CD40L e IL-4, é 
estimulado a trocar de isótopo, produzindo IgE 
Sensibilização dos mastócitos: ela se espalha na 
circulação e sensibilizam os mastócitos num próximo 
contato com o alérgeno 
É necessário uma ligação cruzada (precisa de várias 
moléculas de IgE do mastócito, que se ligam ao 
antígeno para assim ativar o mastócito – precisa de 
vários sinais de anticorpo) 
 
Indivíduos alérgicos apresentam mastócitos revestidos 
por muitos IgE específicos a esse antígeno, e ao entrar 
em contato, todos esses anticorpos ligam no anticorpo 
produzindo a desgranulação dos mastócitos. Já os não 
alérgicos apresentam IgE de vários tipos e poucos, 
assim não fazem ligação cruzada e não ativam 
mastócitos. 
Mastócitos tem afinidade