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Resumo Imunologia - parte 13

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IMUNOLOGIA (Abbas – capítulo 19) Gabriela Chioli Boer – T9 
IMUNOLOGIA – HIPERSENSIBILIDADE 
TIPOS II, III E IV 
 
REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE TIPO II 
MECANISMOS IMUNOPATOLÓGICOS 
Doenças causadas por anticorpos contra células e 
antígenos teciduais 
▪ Anticorpos → ativação do sistema 
complemento 
▪ Recrutamento de leucócitos → ativação por 
receptores Fc e complemento 
São reações onde anticorpos (IgM ou IgG) produzidos 
se ligam a antígenos da superfície celular ou meio 
extracelular; assim, essas hipersensibilidades 
costumam afetar especificamente células ou tecidos em 
que estes antígenos estão presentes, desenvolvendo-se 
de forma localizada e não sistêmica 
Geralmente ocorre a produção de autoanticorpos, mas 
algumas vezes anticorpos normais podem ser 
produzidos em resposta a um antígeno externo e, por 
reação cruzada, afetar antígenos similares presentes em 
algum tecido 
 
MECANISMOS QUE LEVAM À LESÃO 
TECIDUAL 
Opsonização e fagocitose: os anticorpos opsonizam as 
células e podem ativar o complemento, gerando 
produtos do complemento que também opsonizam 
células, levando à fagocitose delas por meio dos 
receptores de Fc ou receptores para C3b nos fagócitos 
Os mecanismos da doença na anemia hemolítica 
autoimune é opsonização e fagocitose dos eritrócitos no 
baço, causando hemólise e anemia. Nesta doença, 
proteínas de membrana dos eritrócitos (antígenos de 
grupos sanguíneos Rh, antígeno I) são os alvos dos 
autoanticorpos. 
Inflamação: os anticorpos recrutam os leucócitos pela 
ligação aos receptores Fc ou pela ativação do 
complemento e então liberam subprodutos que são 
quimiotáticos para leucócitos 
Funções celulares anormais: os anticorpos específicos para 
receptores de hormônios ou de neurotransmissores da 
superfície celular podem estimular a atividade desses 
receptores mesmo na ausência do hormônio, como se 
observa na doença de Graves (hipertireoidismo), ou 
podem inibir a ligação do neurotransmissor ao seu 
receptor, como ocorre na miastenia grave. 
 
DOENÇAS 
No pênfigo vulgar, o alvo dos anticorpos são as 
proteínas de junção intercelulares das células 
epidérmicas (desmogleinas 1 e 3), sendo que os 
anticorpos geram a ativação de proteases que rompam 
as adesões. Além disso, há recrutamento e ativação do 
complemento pela via clássica, levando à liberação de 
anafilatoxinas e, com isso, levando à inflamação. Uma 
manifestação clínica característica desta doença é a 
vasculite. É postulado que mutações na A10 do HLA 
podem causar predisposição ao pênfigo, assim como 
infecções e picadas de insetos. 
A síndrome de Goodpasture causa glomerulonefrite, 
uma característica marcante da hipersensibilidade tipo 
III. Porém, essa síndrome é tipo II, pois há deposição de 
IMUNOLOGIA (Abbas – capítulo 19) Gabriela Chioli Boer – T9 
imunocomplexos nos glomérulos, mas sim geração de 
anticorpo específico a uma proteína da membrana basal 
dos glomérulos. Assim, o complemento é recrutado e, 
posteriormente, fagócitos (macrófagos e neutrófilos) 
são ativados e geram inflamação. 
Em algumas doenças, os anticorpos reconhecem como 
autoantígenos receptores de membrana que são 
fundamentais às funções fisiológicas da célula. A 
ligação com o receptor, causa sua perda de função 
nestas células, levando-as a morte. Assim, não há 
nenhum tipo de inflamação ou processo do tipo. 
A miastenia gravis é um exemplo e caracteriza-se por 
ter como antígeno alvo o receptor de acetilcolina. 
Assim, o receptor se liga a esses receptores e impedem 
a contração muscular, gerando fraqueza, atrofia e até 
paralisia 
Doença de graves: o antígeno é agonista do receptor de 
TSH. Assim, há geração de estímulo a esse receptor, 
gerando hiperatividade da tireoide e, com isso, 
hipertireoidismo 
 
REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE TIPO III 
MECANISMOS IMUNOPATOLÓGICOS 
Doenças causadas por deposição dos complexos 
imunes 
São reações onde complexos antígeno-anticorpo 
(muitas vezes com presença do complemento) são 
formados no sangue e podem se depositar em múltiplos 
tecidos. Os imunocomplexos são aglomerados de 
anticorpos (naturezas IgG e IgM) ligados a antígenos 
(estranhos ou autoantígenos) e, muitas vezes, moléculas 
do complemento. Eles são formados durante processos 
normais de resposta imunológica e causam doença 
apenas em situações onde encontram-se em 
quantidades excessivas no sangue (aumento da 
produção ou diminuição da degradação). Os pequenos 
e solúveis complexos são considerados patogênicos e 
geralmente são depositados nos vasos, enquanto os 
grandes costumam sofrer remoção no baço pois são 
capturados por fagócitos 
Os complexos podem se ligar a receptores Fc da maioria 
das células e leucócitos, ativando estas células para que 
secretem citocinas e mediadores vasoativos. Os 
mediadores podem intensificar a permeabilidade 
vascular, o fluxo sanguíneo e até a deposição de 
autoantígenos 
A remoção dos imunocomplexos é realizada, 
principalmente, no baço e fígado, por captação dos 
macrófagos localizados nestes órgãos. Caso esta 
remoção seja deficiente, eles começam a se depositar 
nos tecidos. Para efeito de remoção, as hemácias ajudam 
devido aos eu receptor para C3b. assim, os complexos 
imunes maiores chegam ao baço ligados a hemácias. No 
processo de captura dos mesmos, as células sanguíneas 
são devolvidas à circulação 
As características das doenças provocadas por 
imunocomplexos refletem o local de deposição do 
complexo antígeno-anticorpo e não são determinadas 
pela fonte celular do antígeno. Dessa maneira, as 
doenças mediadas por imunocomplexos tendem a ser 
sistêmicas e afetar vários órgãos de tecidos, embora 
alguns sejam particularmente suscetíveis, como os rins, 
as articulações e a pele. 
São levadas até o órgão via receptores Fc de macrófagos 
ou por formação do complemento (via clássica) e 
ligação com as histaminas. As hemácias têm receptores 
para o complemento, então IC com opsonizados pelo 
complemento se ligam a hemácias e vão até o baço 
(pode ocorrer no fígado também) 
Caso houver quantidades excessivas de 
imunocomplexos, ou remoção ineficiente de 
imunocomplexos, ou com imunocomplexos muito 
pequenos, pode haver a deposição deles. Os antígenos 
ligados aos anticorpos para formarem o complexo 
podem ser autoantígenos ou estranhos 
(bactérias/vírus). Eles podem ser depositados em 
pequenos vasos (vasculite), membrana basal dos 
glomérulos (nefrite) e na sinovial das articulações 
(artrite) 
Complexos de antígenos e anticorpos podem se formar 
na circulação e se depositar nos vasos sanguíneos e em 
outros locais. Esses imunocomplexos induzem 
inflamação vascular e subsequente dano isquêmico aos 
tecidos 
Obs: a forma localizada de uma vasculite experimental 
mediada por imunocomplexos é chamada reação de 
Arthus. Esta deposição dá origem a uma vasculite 
cutânea local, com trombose dos órgãos afetados, 
levando à necrose tecidual 
 
DOENÇAS 
Lúpus eritematoso sistêmica: é uma doença autoimune 
na qual complexos constituídos de antígenos e 
anticorpos nucleares depositam-se nos rins, nos vasos 
sanguíneos, na pele e em outros tecidos 
Nessa vários fares contribuem à quebra da tolerância a 
linfócitos B e T. os fatores genéticos envolvidos incluem 
presença dos alótipos DR2 e DR3 e deficiência de 
moléculas do complemento, como o C2 e C4 (via 
clássica). A deficiência no complemento pode 
prejudicar a retirada de imunocomplexos e corpos 
apoptóticos. 
Obs: as mutações genéticas levam a processo deficiente 
de autotolerância de células B e T a compostos 
nucleares, o que ajuda na ocorrência de LES 
Um dos fatores ambientais mais documentados é a 
radiação UV, devido ao seu poder de induzir apoptose 
das células epidérmicas ou da derme. Se houver falha 
no complemento, ocorre remoção ineficiente dos corpos 
apoptóticos, gerando a liberação de autoantígenos 
(DNA, ribonucleoproteínas) no meio